Floresta portuguesa e os incêndios

Alguém falou mais atrás que deveria haver uma 'TV Rural moderna', mas a verdade é que há um programa na RTP 2, mas que provavelmente tem um horário de transmissão que não interessa nem ao menino Jesus, é uma pena porque pelo que tive a ver, tem vídeos com informação muito boa.

Vou deixar aqui dois vídeos desse programa que têm a ver com este tópico.

Sobre a prevenção dos incêndios, transmitido ainda este ano:
http://www.rtp.pt/play/p1995/e231152/biosfera

Sobre o eucaliptal, depois da lei proposta pelo ministério de Assunção Cristas que fez aprovar uma lei que, na prática, permite que os proprietários possam plantar eucaliptos em áreas com menos de cinco hectares sem dar conhecimento ou pedir autorização ao Instituto de Conservação da Natureza e Florestas.

Fui eu que falei... desconhecia este programa... muito obrigado! :thumbsup:
 
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Existem duas razões muito fortes que me levam a crer que uma grande parte dos incêndios são negligência:
-Primeira, dados concretos:
gELWZ9L.png


-Segunda, eu nasci e cresci e ainda vivo de forma intermitente num meio rural do interior e sei os comportamentos e hábitos das gentes. E no que diz respeito à agricultura esses hábitos e ritmos estão de tal maneira enraizados, que apesar de tudo à volta estar a mudar, seja em termos ambientais, climatológicos, demográficos, etc. O ser humano é um animal de hábitos e o fogo é um dos hábitos que existe e está fortemente enraizado.
Portanto é por demais necessário mudar mentalidades, ter uma maior vigia por parte da GNR mais junto das populações, esses mesmos GNR que andam ás vezes de porta em porta nas aldeias tentem sensibilizar para o que se pode e não pode fazer.
Vocês sabem o que faz um idoso quando o vizinho do lado não limpa o terreno e fica lá um enorme silvado?
Não vai fazer queixa à GNR, muito menos aos donos do terreno que já não vê aos anos na aldeia. Pega na gasolina que ainda tem para usar no antigo motor de rega, espalha pelas silvas e ateia o fogo.
Eu sei que é mais fácil culpabilizar essa figura do terrorista, do que a pobre Tia Maria ou o Tio Manel com os seu 80 que vive na aldeia e que se calhar também sofreu com o incêndio que o próprio provocou. Mas esta é uma realidade.

E agora volto a repetir, estava prevista chuva para segunda-feira. Quem conhece os hábitos rurais sabe perfeitamente o que isto quer dizer nesta altura do ano.
 
Os incêndios florestais muitas vezes são um negócio para as empresas.
Com 1.500 euros pagos á hora a cada helicóptero privado, o que interessará a estas empresas é que arda o maior número e a maior área de florestas possíveis e pelo maior período de tempo possível.
O negócio da compra e venda da madeira, pois a mesma é mais barata queimada.
Depois , os incêndios por negligência pessoas que fazem queimadas sem terem o devido cuidado e muitas delas sem terem o licenciamento para as fazer, para não falar da falta de limpeza dos terrenos.
 
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Depois de tanta discussão sobre eucaliptos eu peço desculpa aos moderadores por colocar o texto e não o link mas parece-me importante postar aqui a secção do tão aclamado relatório de Pedrogão relativo ao ordenamento florestal.

10.9 ORDENAMENTO FLORESTAL

As soluções de ordenamento apontadas são, em geral, conhecidas e reclamadas por muitos e incluem, tipicamente, a diversificação da floresta e a utilização de espécies que conduzam a formações menos combustíveis. Sabe-se que o Pinheiro bravo (Pinus. pinaster) sem redução da carga combustível dos matos no seu interior conduz, em condições de secura, a incêndios de grande intensidade, como sucede em geral com uma boa parte das espécies resinosas para as quais existem modelos de fogos de copas bem desenvolvidos. E sabemos que o Eucalipto (Eucalyptus globulus) nas mesmas condições, para além da maior intensidade dos incêndios pela existência de concentrações muito significativas de compostos voláteis facilmente combustíveis nas suas folhas, tem também a característica de projetar focos de incêndio secundários a grandes distâncias, em particular pelo facto de ter uma casca que nos períodos de maior seca e calor se destaca e enrola podendo arder durante largos minutos. Na Austrália há registos de focos secundários a 20 quilómetros da frente de fogo original... E manchas contínuas de misturas das duas espécies, pinheiro e eucalipto, infelizmente comuns em situações de gestão deficiente, é a receita, mais cedo ou mais tarde, para o desastre. Para estas duas espécies a regra é a da gestão do combustível no sub-bosque. Sem combustível no seu interior estas florestas, em vez de um problema sério, podem fazer parte da solução. Sabe-se, por outro lado, que as folhas das espécies de folha caduca, como as dos carvalhos, castanheiros ou outras folhosas, por terem um grande teor de humidade, não são propícias a fogos de copas e devem portanto ser consideradas em misturas com outras espécies ou em áreas estratégicas para contrariar a fácil propagação dos incêndios. E no Pinhal Interior modelos de silvicultura apropriados com Sobreiro e com Medronheiro têm demonstrado fazer parte integrante de uma solução em que a diversificação da floresta tem de ser um objetivo.
Propostas:
1. Revisão das metas dos Planos Regionais de Ordenamento Florestal de modo a procurar obter um consenso sobre a floresta que se quer e o seu enquadramento no ordenamento do território. As metas dos PROF, que tinham exatamente esse objetivo, publicadas em 2006 e 2007 seriam entretanto suspensas em 2011 com a justificação de que os dados do 6º Inventário Florestal Nacional (6º) a tal aconselhariam. Entretanto, passados mais de seis anos desde essa decisão os dados do Inventário Florestal Nacional nunca foram tornados públicos e as metas continuam suspensas. No entanto, através da Portaria n.º 364/2013, de 20 de dezembro e do Despacho n.º 782/2014, de 17 de janeiro, ficaram definidos os conteúdos detalhados dos PROF "de 2.ª geração". A oportunidade da finalização a curto prazo destes novos PROFs pode ser utilizada para que, a partir do conhecimento dos últimos dados do Inventário Florestal Nacional, se revejam as metas inicialmente estabelecidas no sentido de possibilitar que a nível da Região PROF e dos concelhos, sejam cada vez mais incorporadas as questões associadas aos incêndios florestais.
RELATÓRIO | COMISSÃO TÉCNICA INDEPENDENTE 164 2. A maior proximidade e acompanhamento do ordenamento florestal pelas entidades municipais depois de integração dos PROF nos Planos Diretores Municipais A ótica do pensar global e atuar local deve ser aqui otimizada. A existência de uma Estratégia Florestal Nacional enquadradora e de Planos Regionais de Ordenamento Florestal mais específicos não tem consequência se não for acompanhada pelo nível municipal e pela adequada integração daqueles exercícios de planeamento nos Planos Diretores Municipais que são o elo de ligação aos cidadãos. 3. Criação de programa específico para o apoio à instalação e implementação de modelos de silvicultura que utilizem carvalhos, castanheiros e outras folhosas Modelos de silvicultura que utilizem espécies de crescimento mais lento podem ser mais interessantes do ponto de vista da economia dos proprietários florestais mas obrigam a um período de espera de alguns anos. A criação de programa específico que compense a perda de rendimento por alguns anos para a criação de florestas de carvalhos, castanheiros e outras folhosas seria a forma de, num quadro de propriedade individual fragmentada, os proprietários e as associações de produtores florestais, se poderem encaminhar para outros tipos de floresta, menos rentáveis numa perspetiva de curto prazo mas que a médio e longo prazo poderão ser ainda mais rentáveis do que as catuais alternativas e com menor perigo de incêndio para as próprias florestas e para as aldeias existentes no espaço florestal.
 
Depois de tanta discussão sobre eucaliptos eu peço desculpa aos moderadores por colocar o texto e não o link mas parece-me importante postar aqui a secção do tão aclamado relatório de Pedrogão relativo ao ordenamento florestal.

10.9 ORDENAMENTO FLORESTAL

As soluções de ordenamento apontadas são, em geral, conhecidas e reclamadas por muitos e incluem, tipicamente, a diversificação da floresta e a utilização de espécies que conduzam a formações menos combustíveis. Sabe-se que o Pinheiro bravo (Pinus. pinaster) sem redução da carga combustível dos matos no seu interior conduz, em condições de secura, a incêndios de grande intensidade, como sucede em geral com uma boa parte das espécies resinosas para as quais existem modelos de fogos de copas bem desenvolvidos. E sabemos que o Eucalipto (Eucalyptus globulus) nas mesmas condições, para além da maior intensidade dos incêndios pela existência de concentrações muito significativas de compostos voláteis facilmente combustíveis nas suas folhas, tem também a característica de projetar focos de incêndio secundários a grandes distâncias, em particular pelo facto de ter uma casca que nos períodos de maior seca e calor se destaca e enrola podendo arder durante largos minutos. Na Austrália há registos de focos secundários a 20 quilómetros da frente de fogo original... E manchas contínuas de misturas das duas espécies, pinheiro e eucalipto, infelizmente comuns em situações de gestão deficiente, é a receita, mais cedo ou mais tarde, para o desastre. Para estas duas espécies a regra é a da gestão do combustível no sub-bosque. Sem combustível no seu interior estas florestas, em vez de um problema sério, podem fazer parte da solução. Sabe-se, por outro lado, que as folhas das espécies de folha caduca, como as dos carvalhos, castanheiros ou outras folhosas, por terem um grande teor de humidade, não são propícias a fogos de copas e devem portanto ser consideradas em misturas com outras espécies ou em áreas estratégicas para contrariar a fácil propagação dos incêndios. E no Pinhal Interior modelos de silvicultura apropriados com Sobreiro e com Medronheiro têm demonstrado fazer parte integrante de uma solução em que a diversificação da floresta tem de ser um objetivo.
Propostas:
1. Revisão das metas dos Planos Regionais de Ordenamento Florestal de modo a procurar obter um consenso sobre a floresta que se quer e o seu enquadramento no ordenamento do território. As metas dos PROF, que tinham exatamente esse objetivo, publicadas em 2006 e 2007 seriam entretanto suspensas em 2011 com a justificação de que os dados do 6º Inventário Florestal Nacional (6º) a tal aconselhariam. Entretanto, passados mais de seis anos desde essa decisão os dados do Inventário Florestal Nacional nunca foram tornados públicos e as metas continuam suspensas. No entanto, através da Portaria n.º 364/2013, de 20 de dezembro e do Despacho n.º 782/2014, de 17 de janeiro, ficaram definidos os conteúdos detalhados dos PROF "de 2.ª geração". A oportunidade da finalização a curto prazo destes novos PROFs pode ser utilizada para que, a partir do conhecimento dos últimos dados do Inventário Florestal Nacional, se revejam as metas inicialmente estabelecidas no sentido de possibilitar que a nível da Região PROF e dos concelhos, sejam cada vez mais incorporadas as questões associadas aos incêndios florestais.
RELATÓRIO | COMISSÃO TÉCNICA INDEPENDENTE 164 2. A maior proximidade e acompanhamento do ordenamento florestal pelas entidades municipais depois de integração dos PROF nos Planos Diretores Municipais A ótica do pensar global e atuar local deve ser aqui otimizada. A existência de uma Estratégia Florestal Nacional enquadradora e de Planos Regionais de Ordenamento Florestal mais específicos não tem consequência se não for acompanhada pelo nível municipal e pela adequada integração daqueles exercícios de planeamento nos Planos Diretores Municipais que são o elo de ligação aos cidadãos. 3. Criação de programa específico para o apoio à instalação e implementação de modelos de silvicultura que utilizem carvalhos, castanheiros e outras folhosas Modelos de silvicultura que utilizem espécies de crescimento mais lento podem ser mais interessantes do ponto de vista da economia dos proprietários florestais mas obrigam a um período de espera de alguns anos. A criação de programa específico que compense a perda de rendimento por alguns anos para a criação de florestas de carvalhos, castanheiros e outras folhosas seria a forma de, num quadro de propriedade individual fragmentada, os proprietários e as associações de produtores florestais, se poderem encaminhar para outros tipos de floresta, menos rentáveis numa perspetiva de curto prazo mas que a médio e longo prazo poderão ser ainda mais rentáveis do que as catuais alternativas e com menor perigo de incêndio para as próprias florestas e para as aldeias existentes no espaço florestal.

Só tenho algumas dúvidas no que diz respeito à parte a negrito. Uma das zonas onde eu via uma boa gestão de combustíveis devido á presença da Central Termoeléctrica de Biomassa era toda a envolvente da albufeira da Barragem da Aguieira, Mortágua. Infelizmente não só ardeu todo o eucaliptal como inclusive a Central foi parcialmente destruída.

Com isto eu não me estou e insurgir contra o o eucalipto na sua totalidade mas se calhar temos de ver estas medidas como uma forma de não deixar o incêndio atingir proporções catastróficas. Porque a partir de certa dimensão não há ordenamento que nos valha.

Começo a perceber um pouco a perspectiva dum dos especialistas que teve no programa Prós e Contras, onde ele afirmou que a campanha "Portugal sem fogos" era uma estupidez. Em Portugal sempre existirão fogos cabe-nos implementar medidas de forma a não deixar que atinja proporções que os torne incontroláveis.
 
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PJ detém idoso e empregada doméstica por queimadas que deram origem a incêndios
Lígia Simões
12:21
Lista de detidos pela PJ pela autoria do crime de incêndio florestal sobe para 107 pessoas. Os mais recentes detidos são um idoso e uma empregada doméstica e um agricultor realizaram queimadas que provocaram incêndios no Fundão e Paços de Ferreira, bem como um agricultor autor de uma ignição em Resende.

...
http://www.jornaleconomico.sapo.pt/...queimadas-que-deram-origem-a-incendios-222548
 
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A gravata preta de Costa

Pedro Ivo Carvalho
Hoje às 00:12

A gravata preta com que António Costa se dirigiu à nação, num ato solene que se esperava ser de contrição política, não comoveu ninguém. Do primeiro-ministro de um país que, em apenas quatro meses, perdeu para o fogo e para a negligência pelo menos 106 vidas, esperava-se, além de tudo o mais, outra dimensão humanista. Costa falou para os eleitores, não para os portugueses.

Certamente que a reforma florestal (a enésima) é determinante; que o apuramento das responsabilidades de uma Proteção Civil que se especializou na arte de contar mortos em vez de os evitar é fulcral; que a inabilidade gritante da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, é um embaraço que tem de ser resolvido com uma carta formal de despedimento. Mas se o primeiro-ministro saísse da redoma política em que tão bem se movimenta teria percebido que queríamos (precisávamos) ter ouvido outras palavras a sair-lhe da boca. E não aquela ladainha embrulhada e estéril.

O que verdadeiramente nos espanta, nos revolta e nos agonia não é a incapacidade, transversal a tantos governos, de materializar políticas públicas sucessivamente adiadas. O que nos deixa profundamente amargurados é a constatação de que estamos mesmo sozinhos. Que nem para preservar o que nos é mais sagrado - a vida e os bens - podemos confiar no Estado. E nisso o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, tinha razão: temos mesmo de autoproteger-nos face às ameaças. Constatámo-lo da forma mais cruel.


O primeiro-ministro que responde por uma máquina estatal incapaz de impedir que cidadãos inocentes fiquem reduzidos a memórias, devorados pelo fogo em casa, na estrada e no carro, tinha de ter a decência e a humildade de pedir desculpa. Em seu nome, do Governo e da respeitabilidade do Estado. Desculpa aos que partiram, às famílias que ficaram com uma cratera no peito. Aos que perderam casas, negócios e a vontade de viver. E a nós todos, que, mesmo duvidando, continuamos entregues à bondade do Estado. Nós que não queremos ser apátridas forçados. Mas António Costa não quis baixar a guarda, com medo de entregar a alma política ao sacrifício da opinião pública. Não foi capaz de sair do palco e descer à terra. Nós sabemos porquê: as cinzas também queimam.

P.S. Marcelo Rebelo de Sousa disse ao país aquilo que o primeiro-ministro não teve coragem. Foi duro na reprimenda ao Governo, mas apenas isso. Sobretudo, honrou a gravata preta. Saiba António Costa fazer o mesmo.

SUBDIRETOR

https://www.jn.pt/opiniao/pedro-ivo-carvalho/interior/a-gravata-preta-de-costa-8852389.html
 
E agora volto a repetir, estava prevista chuva para segunda-feira. Quem conhece os hábitos rurais sabe perfeitamente o que isto quer dizer nesta altura do ano.
Também sou da opinião que as queimadas deram origem à grande maioria dos incêndios do passado Domingo, os restantes foram resultado de projeções, com a ajuda do vento. Reparem como uma simples queimada que correu mal na Lousã provoca um grande incêndio, que se propaga a Poiares, Penacova, Arganil, Tábua, Oliveira do Hospital, Mortágua, Santa Comba Dão, Tondela e até Vouzela.
Além dos factores habituais, como o temperaturas altas, baixa humidade, vento e vegetação extremamente seca, há também o factor fim-de-semana e a previsão de chuva para 2ªFeira. É um hábito das pessoas mais idosas fazerem queimadas antes das primeiras chuvas para que o pasto novo rebente mais facilmente.
 
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Infelizmente, Costa pode ter razão

No domingo à noite, António Costa avisou que desastres como o desse mesmo domingo, dia em que se verificaram no país 524 ignições, das quais resultaram incêndios devastadores que provocaram a perda de 41 vidas humanas, serão cada vez mais frequentes. Fez depois, na segunda-feira, um discurso que o deputado do PSD José Eduardo Martins, falando na terça-feira à noite na televisão, classificou como “desalmado”, e que contrasta com a afetividade demonstrada, em visita às populações atingidas pelo infortúnio, por Marcelo Rebelo de Sousa. Infelizmente, e questões de forma à parte, penso que o primeiro ministro pode ter razão no que diz respeito à questão de fundo: dias infernais como o de domingo tendem a tornar-se cada vez mais frequentes.

A questão principal é o aquecimento global, indiscutível entre a comunidade científica, e negado apenas por alguns idiotas como o presidente Trump. Tenho idade suficiente para me lembrar do tempo em que no início de outubro já fazia fresco, e em alguns dias chovia copiosamente, uma altura em que não se ia para a praia. O contraste com esta primeira metade de outubro não podia ser mais evidente.

A segunda razão, que não vi qualquer especialista em incêndios mencionar (talvez por distração minha) é a dispersão do povoamento em Portugal. Esta é por demais evidente quando se viaja de avião: enquanto que em Espanha as casas estão agrupadas em aldeias ou em vilas, sobrevando Portugal nota-se que as casas estão dispersas ao Deus-dará. Aqui, qualquer pedaço de tereno serve para construir uma moradia ou um prédio, por vezes a curta distância de uma zona industrial. Esta dispersão do povoamento, culpa das câmaras municipais que, de norte a sul, emitem licenças de construção com pouco critério, torna impossível que os bombeiros, no caso de grandes incêndios, respondam eficazmente a todos os pedidos de ajuda.

Não significa isto que eu esteja conformado com as 65 mortes de Pedrogão Grande, nem com as 41 resultantes dos incêndios de domingo. Estou ainda em choque, perguntando-me “como foi possível”, e escrevendo este artigo para tentar encontrar respostas. Não prestar atenção a estes dois fatores que mencionei – para não ignorar outros, mais pontuais, como a patente falta de meios no combate às chamas, resultando na falta de bom senso na definição de estratégias de combate aos incêndios, aliada aos momentos de pura desorientação por parte dos operacionais nos diversos terrenos – seria quase criminoso.

Não quero voltar a escrever sobre tantas mortes. Infelizmente, como fica demonstrado pelos acontecimentos da semana passada nos poderosos Estados Unidos, concretamente na afluente e vanguardista Califórnia, tragédias em incêndios não são um exclusivo português. O que não significa que devamos ignorar o que correu mal nestes dias horríveis, e tentemos melhorar. Deixo aqui o meu humilde contributo. E acabo expressando a minha solidariedade às vítimas, às que sobreviveram, mas também o meu pesar por todos os que morreram. Seguramente, as vossas mortes não serão em vão.
https://sol.sapo.pt/artigo/585036/infelizmente-costa-pode-ter-razao
 
Também sou da opinião que as queimadas deram origem à grande maioria dos incêndios do passado Domingo, os restantes foram resultado de projeções, com a ajuda do vento. Reparem como uma simples queimada que correu mal na Lousã provoca um grande incêndio, que se propaga a Poiares, Penacova, Arganil, Tábua, Oliveira do Hospital, Mortágua, Santa Comba Dão, Tondela e até Vouzela.
Além dos factores habituais, como o temperaturas altas, baixa humidade, vento e vegetação extremamente seca, há também o factor fim-de-semana e a previsão de chuva para 2ªFeira. É um hábito das pessoas mais idosas fazerem queimadas antes das primeiras chuvas para que o pasto novo rebente mais facilmente.
Desculpa mas também existe mão criminosa. Não são só queimadas feitas por velhotes inconsequentes. Até dou por exemplo o fogo que ás 2h00 da manhã ameaçou a minha casa e o vale onde moro. Foram os próprios bombeiros que estiveram quase a apanhar a pessoa que o ateou. Aliás a PJ prendeu muita gente... infelizmente a seguir algumas foram libertas...
 
Desculpa mas também existe mão criminosa. Não são só queimadas feitas por velhotes inconsequentes. Até dou por exemplo o fogo que ás 2h00 da manhã ameaçou a minha casa e o vale onde moro. Foram os próprios bombeiros que estiveram quase a apanhar a pessoa que o ateou. Aliás a PJ prendeu muita gente... infelizmente a seguir algumas foram libertas...
Temos de ler com atenção o que é escrito. "A maioria". Não são todos. É mais do que óbvio que existe mão criminosa. Ninguém pode negar isso. Os números não o negam, aliás confirmam. E as detenções também o confirmam.

O que se está discutir é que tendo em conta todos os factores mencionados muito provavelmente uma grande maioria dos incêndios iniciado no domingo terão base na negligência.
 
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Temos de ler com atenção o que é escrito. "A maioria". Não são todos. É mais do que óbvio que existe mão criminosa. Ninguém pode negar isso. Os números não o negam, aliás confirmam. E as detenções também o confirmam.

O que se está discutir é que tendo em conta todos os factores mencionados muito provavelmente uma grande maioria dos incêndios iniciado no domingo teram base na negligência.
Pois mas como não foi referida... seja como for e dadas as circunstâncias climatéricas a mão criminosa tem aqui um papel relevante.
 
Desculpa mas também existe mão criminosa. Não são só queimadas feitas por velhotes inconsequentes. Até dou por exemplo o fogo que ás 2h00 da manhã ameaçou a minha casa e o vale onde moro. Foram os próprios bombeiros que estiveram quase a apanhar a pessoa que o ateou. Aliás a PJ prendeu muita gente... infelizmente a seguir algumas foram libertas...

Assim por alto diria que 1/3 dos fogos, deste Domingo e não só terão quase de certeza origem criminosa, seja por vandalismo, pressão imobiliária, compra de material lenhoso barato, piromania, ódio, vingança etc. É difícil actuar sobre este tipo de crimes de forma a diminuir a probabilidade de ocorreram. Temos é que ter uma floresta mais resiliente aos fogos, fogos que vão existir sempre, faz parte do nosso clima e da nossa vegetação. Mas podemos diminuir a probabilidade de se tornarem catastróficos.

Parece-me mais sensato e produtivo actuar sobre os outros 2/3 dos fogos, os negligentes, acidentais e relacionados com o uso tradicional do fogo. Aqui podemos atuar! É aqui que está a chave para atenuar o problema! Eu defendo campanhas massivas de educação ambiental a todas as gerações e a todos os públicos.

Defendo ainda um dispositivo armado de vigilância e detecção eficaz, profissionalização do combate ao fogo todos os níveis, meios aéreos próprios do estado e administrados pela força aérea que não sejam pagos à hora ou ao km, fiscalização ao nível das plantações ilegais e outros crimes ambientais(regresso dos guardas florestais?), reforço das brigadas de sapadores florestais, articulação eficaz e sob a mesma chefia de todos os sectores intervenientes desde a prevenção ao combate.
 
Assim por alto diria que 1/3 dos fogos, deste Domingo e não só terão quase de certeza origem criminosa, seja por vandalismo, pressão imobiliária, compra de material lenhoso barato, piromania, ódio, vingança etc. É difícil actuar sobre este tipo de crimes de forma a diminuir a probabilidade de ocorreram. Temos é que ter uma floresta mais resiliente aos fogos, fogos que vão existir sempre, faz parte do nosso clima e da nossa vegetação. Mas podemos diminuir a probabilidade de se tornarem catastróficos.

Parece-me mais sensato e produtivo actuar sobre os outros 2/3 dos fogos, os negligentes, acidentais e relacionados com o uso tradicional do fogo. Aqui podemos atuar! É aqui que está a chave para atenuar o problema! Eu defendo campanhas massivas de educação ambiental a todas as gerações e a todos os públicos.

Defendo ainda um dispositivo armado de vigilância e detecção eficaz, profissionalização do combate ao fogo todos os níveis, meios aéreos próprios do estado e administrados pela força aérea que não sejam pagos à hora ou ao km, fiscalização ao nível das plantações ilegais e outros crimes ambientais(regresso dos guardas florestais?), reforço das brigadas de sapadores florestais, articulação eficaz e sob a mesma chefia de todos os sectores intervenientes desde a prevenção ao combate.
Concordo com tudo o que disseste a 100%! Outra questão complicada são os pequenos povoados dispersos dentro da floresta. Isto é muito complicado de se resolver. Por isso disse que deveria ser criada uma rede de abrigos subterrâneos nestas áreas...
 
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Então, quem ateia deliberadamente fogo a uma mata não está a cometer um acto de terrorismo? Se é terrorismo organizado, não sei, mas é um acto de terrorismo, isto ou sendo consciente dos actos ou algum " maluquinho" que não sabe o que faz, coitadinho..e só lhe falta ser "condecorado" pelo Juiz..

Queimar a mata para me vingar do vizinho.

Queimar a mata para comprar madeira queimada.

Queimar a mata para facilitar um empreendimento turístico.

Estas ocasiões de fogo intencional são terrorismo?

Para julgar a que se dá mais atenção? Aos motivos iniciais ou às consequências finais?

Esta pequena escolha muitas vezes traz grandes diferenças.