Floresta portuguesa e os incêndios

Constrói-se por todo o lado. E isso também nos está a matar

João Soveral, da Confederação dos Agricultores de Portugal, não tem dúvidas: “Foi um problema de protecção civil, não de desordenamento.” Não que este não exista, mas “é o ponto de partida, não é o ponto de chegada, não foi este ano que o território ficou desordenado, já era assim”, acrescenta. Por isso, cabia à protecção civil agir em conformidade, o que não aconteceu: “Depois de Pedrógão fechavam estradas e evacuavam aldeias por tudo e por nada, neste domingo não fizeram isso em lado nenhum, houve dezenas de relatos de estradas abertas rodeadas pelo fogo, na mata de Leiria podia ter ocorrido uma tragédia semelhante à de Junho porque só se cortaram estradas muito tarde.”
Quanto ao resto... Pedir ajuda aos bombeiros?

Não sejam piegas. Peguem na mangueira e vão apagar os incêndios.

O povo, unido, jamais será vencido camaradas.
 
Este trabajo le permitió comprobar que son "los intereses económicos muy pequeños".

Ouch. Afinal sempre há mãozinha de alguma coisa?

@Orion deixa-te disso. Vamos lá contribuir para um debate positivo em relação ao futuro da floresta. Eu já contribui, convido-te a deixares a picardia à malta de esquerda e a usares todo o teu know-how para uma discussão saudável.
 
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@Orion deixa-te disso. Vamos lá contribuir para um debate positivo em relação ao futuro da floresta. Eu já contribui, convido-te a deixares a picardia à malta de esquerda e a usares todo o teu know-how para uma discussão saudável.

O artigo de Madrid tem basicamente o mesmo conteúdo que o artigo da Galiza. Quando um argumento não te é favorável mudas para outro rapidamente.

Todas as minhas intervenções têm dados e fontes. Não posso escrever o mesmo das tuas.

Escolhes ser imune a factos, preferindo ao invés ignorar tudo aquilo que não te convém, como isto:

Tras consultar estas fuentes llegó a la conclusión de que la mayoría de los incendios son provocados por personas muy cercanas a la zona en la que se producen y casi siempre por motivos relacionados con los usos tradicionales del monte como quemar la maleza. Este trabajo le permitió comprobar que son "los intereses económicos muy pequeños" e individuales y no las conspiraciones y las especulaciones urbanísticas o madereras. Y recorrer algunas de las zonas devastadas por las llamas y hablar con sus protagonistas le hizo reafirmar esa conclusión.

Paralelamente generalizas todas as ocorrências ligadas a 'interesses' que nunca ninguém rejeitou, mas apenas, e tendo em conta a realidade, se minimizou a sua prevalência.

Como é impossível convencer toda a gente, e já usei todos os meus conhecimentos para a implementação de uma discussão séria, encerro as minhas intervenções relativamente a este tópico.

As pessoas usam o termo terrorismo no contexto dos incêndios para tentarem exprimir toda a sua indignação. Compreensível mas em termos práticos (efeitos penais) não faz muito sentido. Personagens como o Marta Soares são tipo os relógios avariados. Está certo 2 vezes por dia e como base nisso exagera a sua credibilidade. Ele também é um incendiário (metaforicamente falando).

Quanto ao sarcasmo, ele não vai acabar. Era só o que faltava :D
 
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"hoje de manhã parei para fotografar a natureza a regenerar-se ao mínimo recurso (dois dias de chuva, e pouca)"
Foto retirada do facebook.
 
Eu não faço mesmo ideia sobre como vamos resolver os problemas da floresta nacional por causa dos paradoxos que enunciei em Julho. As soluções milagrosas ou culpas fáceis abundam com muitos mitos à mistura, leiam este artigo de hoje sobre eucalipto.
Mas a realidade é muito mais difícil do que os discursos de apontar o dedo querem dar a entender. Muito difícil mesmo e aqueles que tem soluções milagrosas, podem ignorar, não percebem nada da realidade.

Agora vamos passar 13-15 anos sem hipermega áreas ardidas e os governos irão dizer que as coisas estão melhores. Mas não será nada disso, se não se fizer nada vai ser muito pior.
O que ardeu este ano leva ao desanimo, muito vai ser abandonado ainda mais do que é hoje, já não é só os mais velhos, os mais novos muitos também vão desistir. As manchas gigantes de eucalipto e pinheiro vão renegerar e daqui a 15 aos estamos pior, o ciclo seguinte é sempre pior que o anterior.

Será que um modelo em que as Celuloses e/ou Estado, no caso do eucalipto, ou outros em Pinheiro, tomassem conta das propriedades, uma espécie de mega fundo imobiliário mas florestal, em que os proprietários alugassem a esse fundo e recebessem uma remuneração, indexada à rentabilidade global, funcionaria ? Rendimentos seriam muito inferiores a uma exploração directa mas de que serve explorar uma coisa se já se sabe que ela vai arder provavelmente daqui a 14 anos?
 
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@Pedro1993 ela regenera-se. Até um dia que se farte realmente de nós. Excelente foto :)

É bem verdade a "mãe natureza" tem uma capacidade enorme de regeneração, e praticamente o ser humano só precisa de dar uma ajudinha se possivel. Mas não querendo com isto dizer que se deva queimar a nossa linda floresta, já adulta, para dar lugar a uma floresta ainda imatura, mas pronto á sempre alguém que que não pense assim, e decide-se vingar-se, nela pegando-lhe fogo, como o caso de um homem que foi vítima de violencia doméstica por parte da esposa, e vai disto concerteza cheio de raiva, e toca de pegar fogo. :facepalm:
 
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Concordo com tudo o que disseste a 100%! Outra questão complicada são os pequenos povoados dispersos dentro da floresta.
Esse é outro grande problema, a dispersão. Portugal está cheio de aldeias e pequenos povoados dispersos no meio da floresta com acessos difíceis longe de nacionais e com ruas estreitas. Os bombeiros muitas vezes para salvar as casas deixam arder a floresta, mas chegasse a um ponto em que o fogo atinge tamanha dimensão e velocidade que fica impossível de controlar, acabando por apanhar outras aldeias que até estavam distantes do ponto de ignição e aparentemente seguras. No Domingo foi isso que aconteceu. É impossível ter um carro de bombeiros e meia dúzia de homens em todas as aldeias, não há meios suficientes e se fizerem uma lista são centenas as aldeias afectadas.
 
Esse é outro grande problema, a dispersão. Portugal está cheio de aldeias e pequenos povoados dispersos no meio da floresta com acessos difíceis longe de nacionais e com ruas estreitas. Os bombeiros muitas vezes para salvar as casas deixam arder a floresta, mas chegasse a um ponto em que o fogo atinge tamanha dimensão e velocidade que fica impossível de controlar, acabando por apanhar outras aldeias que até estavam distantes do ponto de ignição e aparentemente seguras. No Domingo foi isso que aconteceu. É impossível ter um carro de bombeiros e meia dúzia de homens em todas as aldeias, não há meios suficientes e se fizerem uma lista são centenas as aldeias afectadas.
Lá está, como se resolve? Ou se reagrupa povoados, o que levaria a grandes contestações de certa forma compreensíveis, outra possível solução que me lembrei seria a construção uma rede de abrigos subterrâneos (como nos Estados Unidos existe para os tornados) para protecção de pessoas em zodas de grande risco. Obrigado pela resposta! :thumbsup:
 
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Governo prepara pacote de medidas para matas nacionais
19 out 2017 07:57

O Governo vai preparar um pacote de medidas para as matas nacionais afetadas pelos incêndios, que passa pela elaboração de um relatório de ocorrências, por um programa de intervenção e pela aplicação da receita da madeira nessas matas.

O secretário de Estado das Florestas, Miguel Freitas, explicou à agência Lusa que poderá ser publicado ainda hoje em Diário da República o despacho a solicitar ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) que apresente, no prazo máximo de quatro meses, um conjunto de medidas a implementar nas matas públicas nacionais atingidas pelos incêndios de domingo e segunda-feira, em Portugal, que causaram, pelo menos, 42 mortos.

“É fundamental que o ICNF nos apresente um plano de financiamento, sendo que o princípio daquilo que pretendemos é que as verbas que saiam da venda da madeira dessas matas sejam investidas em cada uma dessas matas. A ideia é que essa receita é para investir nas matas públicas que foram afetada pelos incêndios, para lá das candidaturas que foram feitas ao PDR [Programa de Desenvolvimento Rural] 20/20”, afirmou o secretário de Estado das Florestas.

O Governo quer também que o ICNF elabore um relatório de ocorrências de incêndios que afetaram as matas nacionais de Leiria, de Pedrógão (distrito de Leiria), do Urso (Figueira da Foz), das Dunas de Quiaios (Figueira da Foz), da Covilhã e da Margaraça (Arganil, distrito de Coimbra).

“Estas foram as matas mais afetadas pelos incêndios e queremos uma avaliação rigorosa dos prejuízos e danos que aconteceram no património florestal e edificado”, afirmou o governante.

O secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural pretende que seja ainda apresentado um programa de intervenção para o conjunto das matas públicas que indique, primeiro, o plano de corte, “fundamental” para que o Governo possa tomar decisões, acrescentado que praticamente todas estas matas produzem pinho.

O plano de corte deve contemplar, designadamente, que árvores é que devem ser cortadas, como será feito o corte ao logo do tempo, as áreas que vão ser conservadas ou aquelas que venham a ter madeira de qualidade.

“Por outro lado, queremos também que sejam alterados os planos de gestão florestal. Que os planos de gestão florestal se adequem às novas realidades. Temos matas onde a floresta é muito antiga e nesta altura pode haver objetivos, nomeadamente objetivos de segurança, que podem levar a que possamos diversificar as espécies que temos nestes territórios”, sublinhou o secretário de Estado.

“É evidente que predominará sempre o pinheiro bravo, pois estamos a falar de solos muito pobres, em praticamente todas estas matas, mas, de qualquer maneira, há hoje novas soluções que queremos que o ICNF estude e [que] nos apresente”, disse.

O secretário de Estado das Florestas frisou que, assim que o despacho for publicado, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) “começa a trabalhar” neste dossiê.

“A ideia é que o conjunto destes documentos estejam prontos em quatro meses. Temos intenção de, depois de termos este trabalho feito, fazer uma discussão pública sobre este trabalho nos territórios afetados. Naturalmente, o plano de corte será aquele que é prioritário, porque eu preciso de fazê-lo muito rapidamente, [mas] cada uma destas peças terá um tempo dentro destes quatro meses”, declarou Miguel Freitas.

Os incêndios de domingo queimaram, segundo uma estimativa do presidente da Câmara da Marinha Grande, cerca de 80% da área do Pinhal de Leiria.
http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/governo-prepara-pacote-de-medidas-para-matas-nacionais
 
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“É evidente que predominará sempre o pinheiro bravo, pois estamos a falar de solos muito pobres, em praticamente todas estas matas, mas, de qualquer maneira, há hoje novas soluções que queremos que o ICNF estude e [que] nos apresente”, disse.

Não querendo menosprezar a empresa em questão (a referência à mesma é só para fins exemplificativos) mas se eu tivesse o capital e os contactos do Sócrates (bom, este talvez não porque é radioativo mas dá para perceber a ideia) investia num negócio deste género e ia à boleia do Estado para os próximos 20 anos :D E para não levantar suspeitas falava com um primo meu de uma ilha distante para gerir o negócio :D

A corrupção assume os mais diversos contornos e isto por vezes inclui obras 'sociais' que dão uma conveniente fachada humanitária. Claro que é sempre necessária a indignação frívola dos idiotas úteis para atacar os críticos mas nunca há falta destes.

Não admira que os processos do MP demorem anos e anos.

Os partidos são empresas e o líder precisa de apoiantes. Como é que esse apoio é conseguido? Garanto que não é através da ideologia/utopia bacoca.
 
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