Floresta portuguesa e os incêndios

A ideia é boa, acho que isso é indiscutivel, mas as minhocas, fungos e bolotas devem ter um contributo para a carteira das pessoas muito inferior ao dos eucaliptos e no fundo o problema vai ser sempre esse, para além de todas as outras variáveis já faladas como a falta de ordenamento.

Esse é um mito que existe, de que só o eucalipto dá dinheiro.

A floresta autóctone também dá, e de várias formas, apenas precisa de mais tempo e de escala para ser rentável. ;)

No médio/longo prazo deverá haver uma diminuição do consumo de papel a nível mundial, estamos a passar para a era do digital a um ritmo cada vez maior, brevemente só vamos precisar de papel para limpar o dito cujo, para embalamento e pouco mais, aliado ao reforço que se prevê na reciclagem faz com que cada vez menos papel novo seja necessário produzir.

Na minha opinião e insistir no eucalipto agora pode ser um erro estratégico monumental que só se vai ver daqui a 30 anos. Agora era altura de investir em floresta autóctone para daqui a 30 anos quando o eucalipto valer ainda menos do que agora, colhermos os frutos do nosso investimento, nomeadamente em madeira de qualidade, cortiça, medronhos, mel, cogumelos silvestres, caça, castanhas, pinhões, resina etc. temos que investir agora na floresta do futuro!

Posso ser um sonhador, mas acho que quem fizer agora investimentos sérios em autóctones vai deixar um legado para os filhos com muito valor económico, superior a qualquer eucaliptal e com sustentabilidade ambiental.
 
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Jamestorm, li perfeitamente o que escreveu, e concordo em quase tudo... Mas não podemos é estar aqui a exagerar o efeito do eucalipto, quando é um factor pequeno no meio de toda esta desgraça que é a seca. Agrava o problema? Talvez sim, mas não da forma que se está a fazer querer passar. Volto a dizer, se chovesse como num ano normal nada disto se falaria. Agora que promove a alteração do solo, causa empobrecimento do mesmo, diminui a biodiversidade, etc. nisso estamos de acordo. ;)
Também não sou de extremos, mas à verdade é que não podemos culpar o eucalipto apenas pela água que consome, porque na verdade esta espécie consome água ao crescer todo o ano, mas se não tiver água suficiente cresce mais devagar. Por isso está adaptada a climas áridos e aos fogos.

Mas algo passa despercebido, algo grave que o eucalipto influencia sem dúvida alguma os aquíferos : o extrato vegetal do solo sob um eucaliptal é fraco, pobre e pouco permeável! As folhas são oleosas, não se molham. A chuva não entra no solo como antes, segue o seu curso por regatos, ribeiros, ribeiras, rios e adeus água. Resultado : aquíferos não ficam atestados. É muito importante que se diga isto, não é mito! Qual solo é mais rico, permeável e húmido? Um souto ou um eucaliptal?
 
TED Talk
Paul Hessburg: Why wildfires have gotten worse -- and what we can do about it


Megafires, individual fires that burn more than 100,000 acres, are on the rise in the western United States -- the direct result of unintentional yet massive changes we've brought to the forests through a century of misguided management. What steps can we take to avoid further destruction? Forest ecologist Paul Hessburg confronts some tough truths about wildfires and details how we can help restore the natural balance of the landscape.






Uma ideia maluca

- Pegar na área ardida e dividi-la em faixas de 5 quilometros de largura

- De forma alternada não se deixar crescer os rebentos eucalipto em metade das faixas durante 8 anos, enquanto na outra metade cresce normalmente, ou seja, teria que se cortar os rebentos todos os anos em metade da área.

- Fazer uso de fogo controlado com bombeiros, militares, funcionários camarários e população, nas faixas "vazias" no Inverno ou Primavera, pelo menos 3 vezes nesses 8 anos, escolhendo a altura mais favorável para remover a biomassa, matos e rebentos, etc

- Quando as faixas com produção atingissem os 8 anos, obrigatório o corte das mesmas e estas passam a "vazias" durante 8 anos, com a mesma intervenção indicada anteriormente, enquanto as outras passam para produção

Ideia muito disparatada ?
 
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Ideia muito disparatada ?
Não é uma ideia disparatada. Só que não tem em conta o que uns e outros têm, ou seja, parte do zero é como se tudo fosse de todos. Há aspectos a melhorar. O período de 8 anos é insuficiente para o eucalipto, pois depende do clima local: no litoral norte e centro o período seria de 9 anos e no interior já raiano pode chegar aos 15anos (menos chuvoso).
 
Aconselhamento agrícola e florestal passa a ter apoio de 100% das despesas até 1.500 euros
Jornal Económico com Lusa
12:15

A alteração vem mudar o apoio ao fornecimento destes serviços previsto no Programa de Desenvolvimento Regional 2020 (PDR 2020), que até aqui fixava o apoio (uma subvenção não reembolsável) em 80% das despesas elegíveis, com o mesmo montante máximo.


As despesas até 1.500 euros com serviços de aconselhamento agrícola e florestal feitas a partir de 17 de outubro vão passar a ser apoiadas a 100%, segundo uma portaria publicada hoje em Diário da República.

Segundo a primeira alteração à Portaria n.º 324-A/2016, de 19 de dezembro, o nível do apoio previsto para o fornecimento de serviços de aconselhamento agrícola e florestal sobe para 100% das despesas elegíveis, até ao montante máximo de 1.500 euros por serviço de aconselhamento individual.

Esta alteração vem mudar o apoio ao fornecimento destes serviços previsto no Programa de Desenvolvimento Regional 2020 (PDR 2020), que até aqui fixava o apoio (uma subvenção não reembolsável) em 80% das despesas elegíveis, com o mesmo montante máximo.

O novo nível de apoio tem efeito desde 17 de outubro de 2017, data de submissão da reprogramação PDR 2020 à Comissão Europeia, lê-se na portaria hoje publicada em Diário da República, assinada pelo ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Manuel Capoulas Santos.

Esta alteração ocorre devido à reprogramação do Plano de Desenvolvimento Regional 2020 (PDR 2020) e visa “incentivar a adesão, por parte dos agricultores e produtores florestais, aos serviços de aconselhamento, atenta a sua importância para a melhoria do desempenho das explorações agrícolas e florestais e tendo em consideração o contexto particularmente exigente em que muitas explorações se encontram face à presente situação de seca e aos incêndios florestais verificados”.

http://www.jornaleconomico.sapo.pt/...io-de-100-das-despesas-ate-1-500-euros-231331
 
É hoje dia 10 de Novembro, desde Junho nada a não ser palavras ditas foi feito, e nada será feito no que à floresta
diz repespeito
Vamos ver ...

Calma, uma reforma florestal depois da trapalhada dos anteriores governos não se faz assim de ânimo leve e nunca em menos de 10 anos. Não podemos pedir a este governo que faça em meia dúzia de meses o que nunca foi feito desde sempre. Importa agora, é consoante a experiência e know-how de cada um contribuir para um futuro melhor no que a este tema diz respeito.
 
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Força Aérea ainda não participa no combate direto aos fogos em 2018
O secretário de Estado da Defesa Nacional afirmou hoje que a Força Aérea Portuguesa (FAP) não irá participar na operação de combate direto a incêndios em 2018, mas sim na "gestão centralizada" e no comando e controlo das operações.

"Não existe a perspetiva de no ano de 2018 vir a existir operação da FAP no combate direto aos incêndios. A avaliação que se está a fazer é qual ao tipo de operação que a Força Aérea poderá fazer na gestão centralizada e nas operações de comando e controlo", disse.

Como este não é o principal problema não estou a ver qual é a vantagem operacional.

Já escrevi que a FAP vai continuar a não ser a principal responsável pelo combate aos incêndios?

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https://www.meteopt.com/forum/topico/seguimento-incendios-2017.9144/page-370#post-635004

O Joaquim não quis chibar o Costa. Está aviado para o resto da vida.

Isto em nada tem a ver com cativações ou controlo de custos (daí que duvido que o Jorge seja o maior responsável). As avaliações dependem das circunstâncias nomeadamente da cor do governo.

O Jorge Gomes, o perito em sobrevivência que toda a gente conhece, disse que não faria diferença. Talvez sim, talvez não. Possível tendo em conta o Canadair mas nunca saberemos.

'As pessoas não podem ficar à espera dos bombeiros' disse o Jorge. Pudera, quando os meios são recusados não há outro remédio.

Em declarações ao SOL, Jorge Gomes nega ter recebido os pedidos da ANPC para reforços de meios aéreos.

Outubro

Mentira? Nah, nada disso. O Verão já passou e não podemos pensar no passado. Há que olhar para o futuro e vem aí o inverno.
 
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Plantem azinheiras... E na foto metem um azevinho... Deve ter sido o estagiário...:facepalm:

Pois é esse aspecto também me saltou logo á vista, mas aí o erro quase de certeza foi dos jornalistas, que não sabem distinguir um azevinho de uma azinheira.
 
Em Momprolé, já se prepara o terreno para a grande plantação de dia 9, na acção conjunta do Zoomarine, Municipio de Loulé, e com o apoio técnico da Terracrua.
Enquanto se acaba a gradagem, já estamos no terreno a marcar as valas de infiltração em contorno, pois esta plantação quer-se bem sucedida, e integrada na paisagem.





Ainda no rescaldo dos incêndios na Serra de Monchique, no projecto Awake, que foi altamente afectado com o fogo, começou-se a planear a adaptação do terreno de forma a prevenir incêndios. Entre outros, foi delineado a "construção" de terraças em contorno e 2 novas barragens.
Nas terraças, previu-se a captura de água da chuva para as barragens e a hidratação das cumeadas secundárias. Também se oprimizou uma barragem existente com valas de afunilamento.
E há ainda há mais para planear, nomeadamente novos pomares de sequeiro em zonas hidratadas pelas futuras barragens!
Em breve teremos mais fotos, deste projecto que tem o apoio da Terracrua, design e gestão de projectos regenerativos a nível de planeamento topográfico, escolha dos locais das barragens, delineação das terraças e caminhos.





Pelo que tenho visto, sobre esta empresa Terracrua Design, cada vez fico mais interessado nos trabalhos que eles elaboram, tendo sempre como base a regeneração de solos, principalmente depois dos incendios.
 
Calma, uma reforma florestal depois da trapalhada dos anteriores governos não se faz assim de ânimo leve e nunca em menos de 10 anos. Não podemos pedir a este governo que faça em meia dúzia de meses o que nunca foi feito desde sempre.

O atual ministro da agricultura Capoula Santos deve ser dos políticos portugueses com mais anos de tutela da floresta e até quando teve férias no parlamento europeu também teve responsabilidades ligadas ao sector.
Tal como o actual Primeiro Ministro António Costa também deve ser dos políticos com mais tutela e influência no que se tornou a protecção civil portuguesa, Meios aéreos, Siresp et al.
 
Como se pode travar o eucalipto? Como biólogo estas questões tiram-me do serio por não ver solução para este problema. Mas pronto este não é o lugar certo para desabafos deste tipo.

Sim o Eucalipto é um espécie da Austrália das zonas mais secas e com fogos recorrentes. O Pinheiro é uma espécie nativa de Portugal, temos 4 espécies europeias, mas infelizmente a que esta a ser plantada foi introduzida e veio de Africa.

O senhor "biólogo" é impagável.

Com que então o pinheiro-bravo veio de África? Não pode ser.

Eu "acho" é que veio da América do Sul, com os descobrimentos, misturado nas sacas de amendoins. Foi semeado inadvertidamente pela Rainha Santa Isabel quando, comendo amendoins em direção à praia de São Pedro de Moel, deitou fora os peniscos, que eram amargos e duros, e que logo se desenvolveram.

Nessa altura não havia o pinhal de Leiria, basicamente era tudo uma arborização experimental de bananeiras (mandadas plantar pelo Rei D. João II)), mas como o pinheiro-bravo é uma perigosa invasora, e suga toda a água, rapidamente, as bananeiras murcharam e tudo ficou cheio de pinheiros. Sem água, para poderem sobreviver os animais do novo pinhal de Leiria tiveram que se habituar a beber resina, dos púcaros, e são os únicos assim em todo o mundo.

Já no que respeita ao eucalipto, "acho" que foi mais tarde, muito mais tarde, penso que alguns ornitorrincos tenham chegado à costa portuguesa seguindo as naus de Vasco da Gama (que havia acabado de descobrir a Austrália), e nadando pelo rio Tejo acima até Constância (onde por acaso há agora uma fábrica de celulose), largaram as sementes de eucalipto que traziam agarradas ao pelo, e a partir desse local o eucalipto invadiu todo o país, secando-o completamente, especialmente durante os meses de novembro de cada ano.

Este é o nível.
 
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