Ainda que possa faltar alguma coisa, eu creio que o artigo (que coloquei logo acima) tem uma qualidade bastante elevada (menciona inclusivamente a presença em locais surpreendentes de várias formações florísticas bastante raras).
Alguns bosques que poderiam ser votados ao esquecimento e extinguir-se sem darmos conta da sua presença, têm assim uma segunda oportunidade de reconhecimento e quiçá de conservação.
A listagem de endemismos e respectiva distribuição, a meu ver, valoriza ainda mais esta publicação.
Gostei também da referência à Província Gaditano- Onubo- Algarviense com a descrição de uma flora rica em endemismos paleomediterrânicos e paleotropicais, claramente um testemunho da presença permanente de espécies florais em algumas partes de Portugal continental, desde pelo menos, o período Terciário... Como tem sido mencionado, houve uma transição em várias partes da Europa, de uma vegetação Paleotropical para uma vegetação Mediterrânica e Atlântica, por exemplo... Na Europa, a zona onde permanece alguma flora de tipo Terciário, é muito marginal e localizada.
Neste trabalho também são mencionadas migrações naturais de espécies vegetais no nosso país,e quais as zonas chave utilizadas para efetuar essas migrações (e também é feita uma referência a quais as tendências actuais).
Em relação a Sintra, como é mencionado, devido à amenidade do clima, abrigou-se também uma flora de tipo reliquial... Fala-se da naturalização de espécies macaronésicas como a Persea indica e a Aichryson dichotomum (e diria eu, possivelmente também da Woodwardia radicans e da Myrica faia). Todas estas espécies eventuamente ocorreram no passado na Serra e podem ter sido «reintroduzidas», ora provenientes das nossas ilhas, ora de outros refugios situados em Portugal continental... Penso que seria interessante, por exemplo, fazer um estudo genético sobre os exemplares de Sintra, para tentar averiguar de onde procedem exatamente... Mas apenas foi pena não terem mencionado as espécies macaronésicas que possivelmente, não foram reintroduzidas na região de Sintra, pois sempre lá permaneceram, como Davallia canariensis, Asplenium hemionitis, Prunus lusitanica, Laurus nobilis, Dryopteris guanchica, entre outras.
Ainda não li o artigo todo, e tenho curiosidade para ver se são abordados alguns temas, como o caso da Serra do Valongo.
Outra nota positiva, apesar do rigor e complexidade, creio que os autores têm perfeita consciência das suas limitações e tal torna-se evidente em diversas partes da publicação (assim logo há espaço para progredir no futuro, sem receios e limitações de qualquer tipo).