Floresta portuguesa e os incêndios

EM APENAS CINCO MESES PAREDES DE COURA LIMPOU MAIS DE 400 HECTARES DE FLORESTA

Qualquer coisa como 560 campos de futebol de 11: foi esta a área limpa pela autarquia de Paredes de Coura em apenas cinco meses. Mas como é que esta autarquia do Alto Minho conseguiu tal feito em tão pouco tempo? E com que financiamento?


A resposta foi dada hoje, em comunicado, por Vítor Paulo Pereira, presidente da Câmara Municipal. O montante necessário para levar a cabo a limpeza dos terrenos desta zona foi “financiado por três candidaturas a fundos comunitários”, adiantou o presidente da Câmara.

“Todo o investimento que fizemos reforçará as condições de segurança no nosso concelho, com o objectivo de reduzir os riscos de perda de vidas, de bens, e do nosso património paisagístico e florestal. Mas este propósito é uma tarefa de todos.” Um alerta lançado pelo presidente da Câmara de Paredes de Coura, lembrando que “todos nós devemos participar na prevenção e preparação das infra-estruturas antes do período crítico”.


https://greensavers.sapo.pt/em-apen...oura-limpou-mais-de-400-hectares-de-floresta/
 
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Ainda bem então que todos estamos de acordo: utilizar espécies autóctones bem adaptadas a cada local, e não inventar!

Quanto à importação de sementes ou plantas, duvido muito que os espanhóis tenham as variedades de pinheiro do nosso litoral, e depois de serem plantados e começarem a multiplicar-se, não dá para distinguir, ao contrário dos eucaliptos...

E samoucos é só ir à mata da reserva de São Jacinto, que há lá grande quantidade para apreciar!

Já percebi que em princípio não haverá falta de pinheiro-bravo nos viveiros (elucidado pelo nosso colega Ireis).

E o pinheiro-bravo que existe no pinhal de Leiria, segundo os estudos genéticos que consultei, não é diferente do pinheiro-bravo que existe em Espanha (mais concretamente no Leste de Espanha).
Portanto, eventualmente, é até o resultado de alguma recente recolonização a partir de Espanha (que se terá iniciado, provavelmente, após a última grande Idade do Gelo), sobretudo também por apresentar pouca variabilidade genética em relação ao seu congénere espanhol (mais maior diversidade do que no caso da Galiza).
O pinheiro-bravo, que aparentemente é realmente distinto, desta população (de Leiria/Leste de Espanha), é o que existe no Sul da Península Ibérica (desconheço contudo se o pinheiro-bravo que existe no Algarve foi usado do estudo, mas penso que não).
Mas não há dúvida que não deverá haver razão para plantar pinheiros, quando eles recolonizam o local por si próprios de forma rápida e quando a variedade local está bem adaptada ao solo e clima da região.

Mas eu acho que devia ser feita uma amostragem à escala nacional, para pelo menos tentar perceber se existe algum núcleo geneticamente diferenciado, e aí podiamos estar perante uma população única de pinheiro-bravo (e isto devia-se estender a tantas outras espécies, como o samouco, etc, etc...).
Penso que seria uma ferramenta útil para identificar variedades adaptadas ao nosso país, possíveis casos de domesticação local (onde tal se aplica), casos de transplantação de plantas de um local para o outro (usando também fontes históricas) mas também para nos dar alguma ideia sobre quais regiões servem/serviam de refúgio para estas espécies ao longo de milhares de anos.



As outras espécies de pinheiro que referi (Pinus nigra, Pinus uncinata, etc...), são árvores que em princípio (tal como eu já tinha referido), precisam de condições específicas de solo e clima e podem ter interesse para zonas de montanha (dependendo do que se quer fazer delas), por exemplo, que é exatamente onde também ocorriam no passado.
Uma espécie de Picea (muito provavelmente Picea abies), aparentemente também estava presente.
Defendem alguns autores, que durante a Idade do Gelo, estavam bem espalhadas e com o aquecimento foram recuando para zonas montanhosas, nas quais os humanos podem ter destruído os últimos núcleos existentes.
Agora penso que é uma questão de mudar um pouco as mentalidades, e encará-las como parte das variedades florestais portuguesas (pelo menos as espécies que tiveram uma presença confirmada no nosso país).
Aqui o ICNF, encara estas espécies como não indígenas e coloca-as ao lado de exóticas como a Araucaria sp., (mas menciona que têm interesse para a arborização):
http://www2.icnf.pt/portal/florestas/gf/prdflo/resource/doc/sp-arb-flor-PT-cont
Penso que já existe pelo menos um núcleo (reintroduzido) de Pinus nigra no Alvão, e a espécie aparentemente tem-se dado bem na região.
Mas antes de testar as vantagens destas espécies, para certas zonas, penso que pelo menos para já, temos que dar prioridade às espécies que ainda existem no nosso país, mas que são muito raras, como o pinheiro-silvestre, que tem apenas um núcleo espontâneo no Gerês (ainda que seja também cultivado no Alvão, por exemplo).
Aqui está um projeto interessante: http://quercusambiente.pt/conservac...ctones-da-pinus-sylvestris-na-serra-do-geres/
A partir deste núcleo (caso seja de uma estirpe resistente), podem-se reflorestar outras áreas com características semelhantes na região.

Outro projeto para as nossas florestas, com uma espécie tantas vezes esquecida: http://www.wilder.pt/historias/esta...stao-a-ser-preparadas-para-a-chegada-do-fogo/

PS: E obrigado pela referência sobre os samoucos (ainda que já tenha ouvido falar sobre os que existem nas dunas de S. Jacinto).
 
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Depois dos incêndios, estas encostas sem qualquer suporte sofrem uma erosão extrema e o resultado é que se vê nesta foto da autoria de Rui Pina.

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Depois dos incêndios, estas encostas sem qualquer suporte sofrem uma erosão extrema e o resultado é que se vê nesta foto da autoria de Rui Pina.

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Essas encostas deveriam ter sido logo intervencionadas, no final do outono, ou no inicio do inverno, pois tendo em conta que já começou a chover mais tarde do que é normal.
Já existe hoje em dias técnicas de engenharia natural, que na maioria das vezes são muito melhores do que o uso de betão, e muito dispendioso.
Mas tendo em conta o que era previsto em termos de precipitação essa estrada deveria de estar encerrada á circulação ainda antes disso acontecer, pois só de olhar para esses taludes totalmente despidos, e os solos totalmente encharcados, não é preciso ser vidente para saber que a probabilidade para isso acontecer era muito elevada.
 


O povo portugues precisa de ver para crer, pode ser que á medida que vão aparecendo estes bons projecto pelo nosso país, mais pessoas decidam fazer o mesmo, seja com cabras anãs, ou com cabras ditas normais, e não sei até que ponto o investimento em rebanhos, pelo menos em cada freguesia, não ficaria mais barato do que essas ditas limpezas que custam e muito aos particulares inclusive.
 
Junta da Galiza dá 500 euros por hectare de eucaliptos arrancados

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Esta iniciativa de compensação serve para "estimular a substituição de eucaliptos pela vegetação autóctone ou para a sua eliminação nas áreas onde, por natureza, não existia nenhum tipo de plantação. Esta medida visa, por um lado, recuperar o património natural das florestas galegas e preservar a sua natureza e, por outro, contribuir para mitigar as alterações climáticas, sendo «áreas de grande absorção de carbono». A medida aplica-se aos territórios da Rede Natura.

https://www.lavozdegalicia.es/notic...cebook&utm_medium=referral&utm_campaign=fbgen
 
Arderam (pelo menos) mais 100 mil hectares em 2017 do que se dizia

Dados do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) excluem a área ardida em zonas agrícolas. TSF indica que a área total terá sido, pelo menos, 570 mil hectares.

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Arderam em 2017 mais 100 mil hectares do que os dados públicos (do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas) avançavam. Segundo a TSF, os dados avançados por este instituto público não têm em conta a área agrícola ardida — só a área florestal — pelo que a área total que foi afetada pelos fogos terá rondado dos 570 mil hectares, e não cerca de 442 mil hectares. E há uma margem de erro de 10%.

A inclusão da área agrícola ardida aproxima os números dos que foram desde o início adiantados pelo Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS) da Comissão Europeia que usa imagens de satélite para calcular a área ardida. Como esse método não distingue entre área agrícola e área florestal, o valor avançado desde o início superava os 550 mil hectares — 563 mil hectares, em rigor.

https://observador.pt/2018/03/19/arderam-pelo-menos-mais-100-mil-hectares-em-2017-do-que-se-dizia/
 
O sistema europeu dizia que tinha ardido mais de 100 mil hectares, agora veio a confirmação, como é lento este país. :rolleyes:
 
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-> http://www2.icnf.pt/portal/florestas/dfci/Resource/doc/rel/2017/10-rel-prov-1jan-31out-2017.pdf

O número de ocorrências no ano passado foi ligeiramente abaixo da média (mesmo com o Outubro bizarro).

Em teoria este ano o cenário será mais brando já que muita coisa não deve voltar a torrar.

O governo irá certamente congratular-se, dizendo que, entre outras coisas, a sua abordagem implacável na limpeza do mato contribuiu para a minimização das consequências da época anual dos incêndios. Muitos parabéns antecipados da minha parte.

Será que esse ano vai-se voltar a falar em terroristas? Dependerá da severidade dos fogos.
 
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Coimbra tem autotanque que salva bombeiros cercados pelo fogo

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Esta "viatura salva-vidas" foi apresentada no dia em que foi consignada a remodelação do quartel, que deve estar pronta dentro de um ano, como espera o presidente da direção da Associação Humanitária dos BVC, Henrique Fernandes.

O novo veículo de combate a incêndios florestais é motivo notório de orgulho entre os responsáveis daquela corporação. Falta apenas receber as antenas do SIRESP para poder entrar em ação, o que deverá acontecer no prazo de um mês.

O veículo custou cerca de 185 mil euros e beneficiou de um apoio de 80% do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (PO SEUR).

Dispõe de um tanque com 3500 litros para apagar fogos, mas apresenta também mecanismos de autodefesa. Tem um depósito autónomo, com 350 litros, que, em caso de emergência, permite molhar a cabina e os pneus. Enquanto isso, os seis tripulantes podem proteger-se, dentro do habitáculo, com botijas e máscaras de oxigénio.


https://www.jn.pt/local/noticias/co...lva-bombeiros-cercados-pelo-fogo-9201977.html