Floresta portuguesa e os incêndios

Incêndios: Negligência da EDP pode ter provocado um dos maiores fogos do ano
21 mar 2018 09:38
MadreMedia / Lusa

O fogo da Lousã em outubro de 2017, um dos maiores do ano, teve causa negligente e a origem pode resultar do não cumprimento pela EDP do regulamento de segurança das linhas elétricas, refere o relatório técnico entregue na terça-feira no parlamento.
... https://24.sapo.pt/atualidade/artig...ode-ter-provocado-um-dos-maiores-fogos-do-ano


Já não é a primeira vez que essas suspeitas recaem sobre a EDP, as duas igniçoes (Escalos e Regadas) em Pedrogão Grande , e que depois se juntaram, e acabaram por ter aquela progressão violenta ao final da tarde do dia 17 de Junho do passado ano, e com as consequências que todos conhecemos, existe a forte possibilidade de ter sido provocadas por toques de ramos em linhas de alta-tensão que não tinham as faixas de contenção limpas aquela data. Aliás, o relatório da comissão técnica independente sobre o IF Pedrogão Grande fala disso mesmo, tal como estas declarações do Eng. Xavier Viegas numa reportagem feita pela TVI :


Referente a este IF na Lousã iniciado no dia 15 de Outubro na localidade de Vilarinho , junto á Aldeia de Prilhão, também já não é novo esta história da EDP, como quem quiser ver nesta investigação do Sexta as 9 da RTP feita ainda em Outubro de 2017:https://www.rtp.pt/noticias/pais/investigacao-sexta-as-nove-na-origem-do-incendio-da-lousa_v1036853

Lamentável, nestes dois IF apenas, arderam 94,020 ha, morreram perto de cem pessoas, milhares de animais e danos patrimoniais incalculáveis!
Que nunca mais se repita!
 
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Documento que devia ser lido de ponta a ponta por todos os portugueses.

Vieram-me as lágrimas porque eu nesse dia ao final da tarde até estava a acompanhar a situação pelo site da PC mas nem sonhava que a minha própria família na minha terra lutava sozinha para salvar as casas, pensava que os incêndios estavam noutros concelhos mais a sul e não havia telefones nem electricidade. Ainda hoje me sinto mal com isto, ter estado sentado no sofá a ver TV sem saber de nada, sem ter feito nada.

As circunstâncias foram brutais, descontroladas e inéditas mas revolta muito o falhanço total da protecção civil, antes, durante e depois.

Bem haja estas pessoas que têm a coragem em Portugal de ser independentes, não é fácil num país em que se branqueia a tragédia e premeia a incompetência com os tachos e cunhas.
 
INCÊNDIOS FLORESTAIS
Protecção Civil pediu meios que o Governo não deu ou deu tarde
Protecção Civil pediu vários reforços de meios aéreos e humanos antes dos incêndios de 15 de Outubro e nem todos foram autorizados "a nível superior". Relatório dos peritos conclui que as diferentes instituições não puseram em marcha medidas que pudessem "minimizar" o impacto de fogos.

LILIANA VALENTE
21 de Março de 2018, 6:38

A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) fez vários pedidos de reforço de meios humanos e aéreos ao longo do Verão do ano passado e nem todos foram autorizados pelo Governo antes dos incêndios de 15 de Outubro.

Aos técnicos independentes que analisaram os incêndios de Outubro, o segundo comandante nacional, Albino Tavares, que na altura estava como interino enquanto comandante nacional, disse que "atendendo às condições meteorológicas que se previam" a ANPC fez um conjunto de pedidos de reforço de meios e que "nem todos obtiveram, por diversas razões, plena autorização a nível superior". Do relato feito pelo responsável no comando, foram feitos desde Março sete pedidos ao Governo e a maior parte obteve resposta negativa ou apenas positiva em parte. Os últimos dois pedidos datam de 27 de Setembro e de 9 de Outubro. Em Setembro (fim da fase Charlie, era pedido um reforço de 105 equipas para a fase Delta (1 a 15 de Outubro) e foram "autorizadas 50".


Já cinco dias antes dos incêndios, o então comandante nacional em funções pedia para o período de 10 a 31 de Outubro o "reforço de 164 equipas, o acréscimo de 70 horas de voo para aviões anfíbios médios e o prolongamento de locação de oito helicópteros médios até 31 de Outubro". Este é um pedido dado como aprovado, mas não na sua totalidade, apurou o PÚBLICO. Foram aprovadas as equipas terrestres, mas não os meios aéreos. Aliás, "não aprovada a locação de quatro aviões anfíbios médios de 13 a 31 de Outubro", lê-se no relatório entregue ontem a Ferro Rodrigues. Acrescenta o documento que o reforço dos meios aéreos, com a locação de 15 helicópteros ligeiros, foi já oficializado "depois do período em análise", com os contratos a terem início a 17 de Outubro.

Apesar de ter havido a aprovação dos meios humanos cinco dias antes, houve dificuldade em mobilizar todos os homens para esses dias de Outubro, uma vez que como tinha sido recusado o pedido anterior, os bombeiros na sua maioria acabaram por regressar aos seus compromissos profissionais.


Esta é apenas uma das falhas na prevenção apontada pelo relatório dos 12 técnicos independentes. Era fim-de-semana, havia previsão de chuva e era altura de queimar os restos agrícolas. Se este foi o pensamento de muitos cidadãos que acabaram com isso por disparar o número de ignições naqueles dias e que provocaram incêndios incontroláveis quase desde início, a relativização do perigo não foi diferente nas instituições do Estado. Deveria ter sido "estabelecido o Estado de Calamidade Preventiva" tal como foi declarado em Agosto, o que poderia ter reduzido os impactos dos fogos, defendem os técnicos.

Desmobilização de meios

"Era possível encontrar soluções prévias de programação e de previsão que pudessem ter amenizado o que foi a expansão do incêndio", disse aos jornalistas João Guerreiro, presidente da Comissão Técnica Independente (CTI). No relatório, os peritos são ainda mais contundentes. "Perante as condições meteorológicas de Outubro poderia (deveria) ter-se antecipado o aumento do número de ignições e, por isso, poderia ter-se actuado, com medidas robustas de pré- posicionamento e de pré-supressão, de forma a prevenir o que era esperado".

Num discurso duro para as autoridades, os técnicos apontam como erro a não-antecipação deste cenário e a desmobilização de meios. "Um número significativo de forças nacionais estava já descontinuado, designadamente os meios aéreos", lê-se no relatório. No dia 15 de Outubro, tal como noticiado pelo PÚBLICO na altura, estavam ao serviço apenas 18 das 47 aeronaves alugadas a privados, uma vez que os contratos de locação tinham terminado no dia 1 e no dia 15 de Outubro.

Além dos meios aéreos, houve também uma redução significativa dos meios humanos e uma consequente desorientação da alocação dos poucos em funções. A Protecção Civil estava na fase Delta (a fase do dispositivo em que a força de combate é substancialmente reduzida) e como tal a resposta foi mais lenta, menos musculada e com menos critério. Houve uma "dificuldade de mobilizar forças suficientes perante o número de ignições que se sucediam em áreas de grande dimensão e impossibilidade de dar uma resposta a todos os incêndios por parte dos corpos de bombeiros. Esta última questão resulta de, neste período de Outubro, se estar já na fase Delta e de haver uma capacidade de mobilização limitada. Recorde-se que, entre outros factores, estava-se num fim-de-semana com condições meteorológicas extremas", dizem os técnicos.

Além da dificuldade de mobilizar recursos, os que estavam disponíveis foram distribuídos com desorientação: "A quantidade enorme de solicitações impediu que a alocação de meios se fizesse de acordo com as normas operacionais estabelecidas". No entanto, os peritos dizem que "não deixa de ser estranho" o pré-posicionamento de meios decidido, nomeadamente por se ter revelado "que ficou muito aquém das necessidades. De acordo com vários comandantes distritais, esta era uma impossibilidade uma vez que já se estava numa fase de "descontinuidade do dispositivo" e "depois de um ano que até ali já tinha sido muito difícil" as condições para pré-posicionar eram "marginais". Os mesmos comandantes lembram ainda que houve uma espécie de "vulgarização da determinação dos estados de alerta". Como houve muitos dias de risco, acabou por haver alguma "desvalorização".



Por isso, defendem os peritos, "justificar-se-ia uma chamada de atenção pública, com outros contornos, eventualmente semelhantes à situação vivida em Agosto último, em que foi estabelecido o Estado de Calamidade Preventiva", defendem.

Desvalorização dos alertas do IPMA
Um dos pontos mais focados no relatório dos técnicos prende-se com a falta de integração do conhecimento nos mecanismos de protecção civil, nomeadamente com o tratamento desadequado dos alertas do Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Ao ser divulgado um alerta vermelho, mas com a indicação de chuva no dia seguinte, acabou por ser um convite às tradicionais queimadas. "Registou-se uma difusão apropriada da informação (muito embora com a indicação de previsão de precipitação para o dia 16 de Outubro) com origem na ANPC. Admite-se que os diversos escalões por onde flui a informação foram amenizando a gravidade da situação, pelo que o estado de alerta terá chegado às populações locais já muito suavizada. Porventura, com uma previsão meteorológica severa, como tinham indicado os briefings do IPMA, justificar-se-ia uma chamada de atenção pública, com outros contornos".

Um fenómeno meteorológico extremo

Ambos os incêndios de 2017 tiveram na sua base fenómenos meteorológicos extremos. Se em Pedrógão houve o fenómeno de downburst que tornou o incêndio incontrolável num curto espaço de tempo e num determinado local, em Outubro, os ventos quentes e fortes do furacão Ophelia tiveram como consequência tornar pequenas ignições em fogos incontroláveis quase logo desde o seu início e numa larga extensão de território. O que aconteceu naqueles dias foi tão raro que os técnicos dizem que foi "o maior fenómeno piro-convectivo registado na Europa até ao momento e o maior do mundo em 2017".
Perante a violência dos incêndios e a falta de meios, restava, dizem os técnicos, acudir às populações. Em muitas situações "não havia possibilidade alguma de combater o incêndio", as medidas de prevenção e combate teriam servido apenas para "minimizar" os efeitos. Como tal, "o esforço concentrou-se naturalmente na defesa de pessoas e bens. E nem sempre com êxito". "O panorama vivido nestes dias, sobretudo no dia 15 de Outubro, traduziu-se numa situação de dramático abandono, com escassez de meios, ficando as populações entregues a si próprias", resumem.


https://www.publico.pt/2018/03/21/p...m-para-falhas-de-medidas-de-prevencao-1807417
 
Novas regras de limpeza florestal não têm “base técnica e científica adequada”
No relatório tornado público na terça-feira, a comissão técnica independente considerou o Decreto-Lei de 14 de Fevereiro "muito pouco justificado tecnicamente".


A comissão técnica independente responsável pelo relatório de análise aos incêndios de Outubro de 2017 tornado público esta terça-feira considerou que as novas regras de gestão dos combustíveis florestais podem ter “efeitos contrários aos desejáveis”. Apesar de só ter mandato para analisar os fogos de 14 a 16 de Outubro, a comissão técnica abriu uma excepção para avaliar e criticar o Decreto-Lei de 14 de Fevereiro que considera "muito pouco justificado tecnicamente".

“A expectativa de que a gestão de combustível na interface pudesse conter por si a propagação dos incêndios não é razoável”, lê-se no relatório. A comissão independente considera que as novas regras são "um exemplo de deficiente uso do conhecimento existente e de uma comunicação pública muito pouco rigorosa". "É pena que estas deficiências prejudiquem o enorme esforço feito e a enorme capacidade de mobilização (nunca verificada a este nível), da sociedade em geral, provocada por estas medidas e pelas suas formas de divulgação", lê-se no relatório, apresentado ao Parlamento na terça-feira.


Os técnicos criticam a falta de “base técnica e científica adequada” na determinação de regras a gestão dos combustíveis florestais. Se não forem alteradas, a nova legislação não garante que episódios como os de 2017 não se repitam: a sua eficácia esperada é “reduzida”, lê-se no relatório.

Uma das maiores críticas da comissão independente é a falta de clareza na definição dos limites de continuidade e altura de combustíveis arbustivos e subarbustivos.


Exemplo disso é a falta de definição da distância prevista entre as copas das árvores e volume de matos e arbustos no solo. "Sem uma boa definição desses limites a legislação pode ter o efeito contrário ao desejável", alerta a comissão.

Sobre o volume de matos e arbustos no solo, a Comissão escreve ainda que "elevadas cargas de material morto [combustível] ao nível do solo podem conduzir a comportamentos extremos de fogo, muito mais difíceis de controlar que os que podem ocorrer nas mesmas condições em povoamentos com elevadas densidades de arvoredo desramado".

"Depois de corrigidas as assinaladas deficiências técnicas, deverá constituir-se numa excelente referência para futuras iniciativas no âmbito da Protecção Civil, nomeadamente para a circulação de informação e preparação das pessoas para a sua auto-protecção ou para a diminuição de comportamentos de risco", sugere o relatório.

Inserido no Orçamento do Estado para 2018, o Regime Excepcional das Redes Secundárias de Faixas de Gestão de Combustível, que introduz alterações à lei de 2006 do Sistema de Defesa da Floresta Contra Incêndios, indica que, até 15 de Março, "os proprietários, arrendatários, usufrutuários ou entidades que, a qualquer título, detenham terrenos confinantes a edifícios inseridos em espaços rurais, são obrigados a proceder à gestão de combustível".


Em caso de incumprimento do prazo de 15 de Março, os proprietários ficam sujeitos a processos de contra-ordenação, com coimas, que podem variar entre 280 euros e 10.000 euros, no caso de pessoa singular, e de 3.000 euros a 120.000 euros, no caso de pessoas colectivas. Contudo, no dia 15 de Março, o primeiro-ministro anunciou que não vão ser aplicadas coimas relativas à limpeza das matas se estas estiverem concluídas até Junho.

https://www.publico.pt/2018/03/21/s...em-base-tecnica-e-cientifica-adequada-1807450
 
A Árvore Europeia de 2018 é um sobreiro assobiador português

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A árvore portuguesa venceu a 8.ª edição do concurso europeu, ao qual concorreram 13 países da Europa. Mais do que uma árvore bonita, procurava-se uma árvore com história e ligada à comunidade. E isso o sobreiro português tem.

Um sobreiro português sagrou-se campeão da Europa esta quarta-feira – Dia Internacional das Florestas. O Sobreiro Assobiador da aldeia de Águas de Moura, no concelho de Palmela, foi distinguido com o título de Árvore Europeia de 2018 numa competição que envolveu mais 12 árvores de diferentes países europeus. A distinção foi anunciada numa cerimónia no Parlamento Europeu, em Bruxelas, depois de uma votação online que decorreu em Fevereiro e contou com cerca de 200 mil votos. Em segundo e terceiro lugar ficaram ulmeiros espanhóis com e um carvalho russo, respectivamente.

https://www.publico.pt/2018/03/21/c...18-e-um-sobreiro-assobiador-portugues-1807535
 
É impressão minha ou os links que davam acesso ao relatório sobre os incêndios de Outubro deixaram de estar disponíveis? Precisava de o ler e não encontro nenhum link que funcione... :huh:
 


Possivelmente tive algum problema no meu browser, aparecia em todos os links a mensagem erro404 quando clicava... Misteriosamente e sem ter feito nada no PC, todos os links ficaram novamente disponíveis. :maluco::huh:

De qualquer das formas obrigado a ambos e ao @Gerofil pela mp. ;)
 
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