Floresta portuguesa e os incêndios

Aldeia na Serra do Açor cria cortina de 30 hectares para a história não se repetir

Na aldeia de Cepos, na Serra do Açor, não se esperou por fundos públicos para se avançar com a reflorestação. Com a ajuda de voluntários, a junta de freguesia já criou uma cortina de 30 hectares de folhosas para garantir que a história não se repete.



O presidente da União de Freguesias de Cepos e Teixeira (Arganil), José Costa, conduz um jipe por um caminho de terra, que circunda a aldeia, enquanto vai apontando para os pequenos castanheiros e carvalhos que despontam pelo terreno revirado, onde ainda estão espalhados galhos queimados – marcas dos destruidores e mortais fogos de outubro de 2017.

Sete hectares de castanheiro aqui, seis hectares de carvalho acolá, dois hectares de medronheiro mais ao fundo, diz, contabilizando todos os terrenos dos baldios geridos pela junta que já veem despontar o verde, um verde diferente – de folhosas.

“Depois de passar o fogo, alguns dias depois e em conversas com pessoas, chegámos à conclusão que temos que alterar o rumo das coisas. Temos que ordenar a floresta como deve ser e adequada ao clima que temos hoje e às condições de declive na zona de montanha. E espécies resistentes são a única forma que eu vejo de minimizar o perigo dos incêndios”, diz à agência Lusa José Costa, que fez a vida como mestre florestal e que foi assistindo aos fogos cíclicos que foram ameaçando os Cepos – em 1975, em 1985 e em 2017.

Segundo José Costa, a junta está também a trabalhar para constituir uma Zona de Intervenção Florestal (ZIF) para a área da união de freguesias e quer avançar com a criação de um rebanho de 200 cabras para gerir o mato nas zonas altas de montanha.

Para o presidente da junta, os apoios dados até agora são insuficientes, ainda para mais para uma freguesia com poucos recursos. Contudo, espera até ao final de 2019 conseguir ter o rebanho e com isso criar pelo menos três postos de trabalho – quer no pastoreio, quer numa queijaria.

https://www.sapo.pt/noticias/nacion...r-cria-cortina-de-30_5bc2c06edfb6c05d58800489
 


Se não houver gestão destas zonas ardidas no ano passado, dentro de poucos anos a situação será muito pior, pois a carga de biomassa será maior.
Se nao houver intervencao dos municipios e do governo daqui a alguns anos (nao muitos ) teremos em maos um problema gravissimo , os eucaliptos estao a expandir se de forma alarmante , algumas pessoas que agora ajudaram a combater o incendio daqui a mais uns anos ja faleceram porque a idade de alguns na maioria Ronda os 70 e outros os 80 anos de idade , a medida que o invelhecimento da populacao Avanca maior e a desertificacao e see for como em 15 de Outubro so podemos contar com nos proprios.

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Aldeia na Serra do Açor cria cortina de 30 hectares para a história não se repetir

Na aldeia de Cepos, na Serra do Açor, não se esperou por fundos públicos para se avançar com a reflorestação. Com a ajuda de voluntários, a junta de freguesia já criou uma cortina de 30 hectares de folhosas para garantir que a história não se repete.



O presidente da União de Freguesias de Cepos e Teixeira (Arganil), José Costa, conduz um jipe por um caminho de terra, que circunda a aldeia, enquanto vai apontando para os pequenos castanheiros e carvalhos que despontam pelo terreno revirado, onde ainda estão espalhados galhos queimados – marcas dos destruidores e mortais fogos de outubro de 2017.

Sete hectares de castanheiro aqui, seis hectares de carvalho acolá, dois hectares de medronheiro mais ao fundo, diz, contabilizando todos os terrenos dos baldios geridos pela junta que já veem despontar o verde, um verde diferente – de folhosas.

“Depois de passar o fogo, alguns dias depois e em conversas com pessoas, chegámos à conclusão que temos que alterar o rumo das coisas. Temos que ordenar a floresta como deve ser e adequada ao clima que temos hoje e às condições de declive na zona de montanha. E espécies resistentes são a única forma que eu vejo de minimizar o perigo dos incêndios”, diz à agência Lusa José Costa, que fez a vida como mestre florestal e que foi assistindo aos fogos cíclicos que foram ameaçando os Cepos – em 1975, em 1985 e em 2017.

Segundo José Costa, a junta está também a trabalhar para constituir uma Zona de Intervenção Florestal (ZIF) para a área da união de freguesias e quer avançar com a criação de um rebanho de 200 cabras para gerir o mato nas zonas altas de montanha.

Para o presidente da junta, os apoios dados até agora são insuficientes, ainda para mais para uma freguesia com poucos recursos. Contudo, espera até ao final de 2019 conseguir ter o rebanho e com isso criar pelo menos três postos de trabalho – quer no pastoreio, quer numa queijaria.

https://www.sapo.pt/noticias/nacion...r-cria-cortina-de-30_5bc2c06edfb6c05d58800489
Os eucaliptos também são folhosas, pois não tem têm resina. Há ainda muita confusão, como bem se vê neste artigo, em relação a isso.
 
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Se não houver gestão destas zonas ardidas no ano passado, dentro de poucos anos a situação será muito pior, pois a carga de biomassa será maior.

Se alguém ainda duvida do carácter invasor do eucalipto... cá está :facepalm: Banido por decreto-Lei. Espero viver para ver esse dia...
 
Se alguém ainda duvida do carácter invasor do eucalipto... cá está :facepalm: Banido por decreto-Lei. Espero viver para ver esse dia...

Acho que não se pode ser tão radical, mas concordo que o eucalipto devia ser muito mais controlado. O potencial invasor embora inferior a algumas espécies de acácias existe e não pode ser negligenciado.

Proibir por decreto só por si teria impacto nulo, pois atualmente o que não faltam são plantações ilegais / sem licenciamento. Deveria haver muito mais fiscalização, isto para além de incentivos para a plantação de espécies autóctones.
 
Plantar eucaliptos ilegalmente dá coima de 3.700 a 44 mil euros

O ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos, anunciou hoje, 25 de Outubro, uma nova arma contra a plantação ilegal de eucaliptos, independentemente da área: coimas podem ir até aos 3.700 euros para os cidadãos e até aos 44 mil euros para entidades colectivas.

“Haverá uma notificação para as plantações ilegais detectadas, dando seis meses para as retirar e ao fim de seis meses se não forem retiradas a coima duplicará”, explicou Capoulas Santos na conferência de imprensa do Conselho de Ministros, realizado hoje, na tapada de Mafra e inteiramente dedicado à floresta.

O ministro explicou ainda que “os valores das coimas são superiores aos valores expectáveis da receita proveniente da plantação ilegal”.

O Conselho de Ministros aprovou hoje, em reunião na Tapada de Mafra, um conjunto de diplomas que vêm complementar e consolidar a estratégia de defesa da floresta e prevenção e combate a incêndios, tendo em vista reforçar o nível de protecção de pessoas e bens e a resiliência do território face à ocorrência de fogos rurais.

Comprar eucalipto nos viveiros? Só com autorização
“Foi aprovado um conjunto de normas que não só responsabilizam os produtores e toda a fileira e também os viveiristas, uma vez que passa a ser obrigatório que quem compra plantas de eucalipto num viveirista vai ter de exibir a autorização prévia de plantação”, salientou Sapoulas Santos.

http://agriculturaemar.com/plantar-...wfxAmLTslmnuAYAYYCDKq0k6fHnvZSUJ-wfzKFTrLd4jE

Sim, até aqui está tudo bem, mas não se devem de esquecer do mais importante, que é a fiscalização, essa sim é parte mais dificil, pois as plantações ilegais são principalmente em lugares praticamente sem acessos, onde quase ninguém circula, e até por vezes, em encostas, onde as carrinhas do SEPNA, nem conseguem ir.
 
Plantar eucaliptos ilegalmente dá coima de 3.700 a 44 mil euros

O ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos, anunciou hoje, 25 de Outubro, uma nova arma contra a plantação ilegal de eucaliptos, independentemente da área: coimas podem ir até aos 3.700 euros para os cidadãos e até aos 44 mil euros para entidades colectivas.

“Haverá uma notificação para as plantações ilegais detectadas, dando seis meses para as retirar e ao fim de seis meses se não forem retiradas a coima duplicará”, explicou Capoulas Santos na conferência de imprensa do Conselho de Ministros, realizado hoje, na tapada de Mafra e inteiramente dedicado à floresta.

O ministro explicou ainda que “os valores das coimas são superiores aos valores expectáveis da receita proveniente da plantação ilegal”.

O Conselho de Ministros aprovou hoje, em reunião na Tapada de Mafra, um conjunto de diplomas que vêm complementar e consolidar a estratégia de defesa da floresta e prevenção e combate a incêndios, tendo em vista reforçar o nível de protecção de pessoas e bens e a resiliência do território face à ocorrência de fogos rurais.

Comprar eucalipto nos viveiros? Só com autorização
“Foi aprovado um conjunto de normas que não só responsabilizam os produtores e toda a fileira e também os viveiristas, uma vez que passa a ser obrigatório que quem compra plantas de eucalipto num viveirista vai ter de exibir a autorização prévia de plantação”, salientou Sapoulas Santos.

http://agriculturaemar.com/plantar-...wfxAmLTslmnuAYAYYCDKq0k6fHnvZSUJ-wfzKFTrLd4jE

Sim, até aqui está tudo bem, mas não se devem de esquecer do mais importante, que é a fiscalização, essa sim é parte mais dificil, pois as plantações ilegais são principalmente em lugares praticamente sem acessos, onde quase ninguém circula, e até por vezes, em encostas, onde as carrinhas do SEPNA, nem conseguem ir.

Repito o que disse no poste anterior, sem fiscalização estas medidas não vão ter o impacto desejado... :hmm:
 
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Desde 2017 que contribuo para para o mapeamento de espécies invasoras, qualquer um o pode fazer apenas é necessário instalar uma app no smartphone.

Deixo aqui o link do protejo: http://invasoras.pt/

Eu por acaso, conheço esse projecto de mapeamento de invasoras, e parece-me ser uma boa ideia, até porque continua a existir pessoas a plantar espécies invasoras nos seus jardins/quintais, só porque são bonitas.
Parabéns pela tua iniciativa @MSantos.
 
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Produtores florestais, academia e antigos governantes defendem eucalipto em manifesto
Várias personalidades e entidades defendem, num manifesto, que os incêndios que deflagraram em Portugal não se deveram à presença do eucalipto, mas sim ao "reduzidíssimo nível de gestão da floresta e do excesso de matos e de incultos".

Um conjunto de personalidades e entidades, como produtores florestais e de papel, consideram que os grandes incêndios que deflagraram em Portugal se deveram à má gestão da floresta e excesso de matos e não à presença do eucalipto, como tem sido avançado.

"Os signatários [do manifesto] têm vindo a assistir, com grande preocupação, à multiplicação em diferentes meios de comunicação social de alusões pouco rigorosas, ou mesmo manifestamente incorrectas, sobre a gestão da Floresta e as causas dos incêndios em Portugal", lê-se no documento assinado pela Celpa, Altri, Navigator, CIP, Fórum para a Competitividade, CAP, entre outras entidades, bem como por diversas câmaras municipais, professores e antigos governantes, como Bagão Félix, Mira Amaral e Daniel Bessa.

"Esta preocupação é agravada pelo facto de muitas das afirmações pretenderem, sem qualquer fundamento, imputar ao eucalipto a responsabilidade pelo drama dos incêndios florestais, impedindo desta forma que os esforços se centrem no combate às suas verdadeiras causas", refere ainda o manifesto.

Esta "desinformação" não permite que se encontre o "caminho adequado para evitar o flagelo dos incêndios, que se agudizou nos anos recentes", refere a o manifesto, que explica que os incêndios se deveram à "excessiva carga de biomassa no terreno, em resultado do reduzidíssimo nível de gestão da floresta e do excesso de matos e de incultos no território português".

De acordo com dados do ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, e citados no manifesto, "mais de 80% da área ardida em Portugal não é eucalipto", uma vez que este representou cerca de 17% nos últimos quinze anos, face a 44% dos matos e incultos.
https://www.jornaldenegocios.pt/eco...pto-em-manifesto?ref=HP_Destaquestrêsnotícias
 
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Produtores florestais, academia e antigos governantes defendem eucalipto em manifesto
Várias personalidades e entidades defendem, num manifesto, que os incêndios que deflagraram em Portugal não se deveram à presença do eucalipto, mas sim ao "reduzidíssimo nível de gestão da floresta e do excesso de matos e de incultos".

Um conjunto de personalidades e entidades, como produtores florestais e de papel, consideram que os grandes incêndios que deflagraram em Portugal se deveram à má gestão da floresta e excesso de matos e não à presença do eucalipto, como tem sido avançado.

"Os signatários [do manifesto] têm vindo a assistir, com grande preocupação, à multiplicação em diferentes meios de comunicação social de alusões pouco rigorosas, ou mesmo manifestamente incorrectas, sobre a gestão da Floresta e as causas dos incêndios em Portugal", lê-se no documento assinado pela Celpa, Altri, Navigator, CIP, Fórum para a Competitividade, CAP, entre outras entidades, bem como por diversas câmaras municipais, professores e antigos governantes, como Bagão Félix, Mira Amaral e Daniel Bessa.

"Esta preocupação é agravada pelo facto de muitas das afirmações pretenderem, sem qualquer fundamento, imputar ao eucalipto a responsabilidade pelo drama dos incêndios florestais, impedindo desta forma que os esforços se centrem no combate às suas verdadeiras causas", refere ainda o manifesto.

Esta "desinformação" não permite que se encontre o "caminho adequado para evitar o flagelo dos incêndios, que se agudizou nos anos recentes", refere a o manifesto, que explica que os incêndios se deveram à "excessiva carga de biomassa no terreno, em resultado do reduzidíssimo nível de gestão da floresta e do excesso de matos e de incultos no território português".

De acordo com dados do ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, e citados no manifesto, "mais de 80% da área ardida em Portugal não é eucalipto", uma vez que este representou cerca de 17% nos últimos quinze anos, face a 44% dos matos e incultos.
https://www.jornaldenegocios.pt/economia/ambiente/detalhe/produtores-de-papel-defendem-eucalipto-em-manifesto?ref=HP_Destaquestrêsnotícias

Têm razão...

O eucalipto arde muito porque há muito, é simples.

Com isto não estou a defender o eucalipto, que é uma espécie que tem efeitos nefastos ao nível da redução da biodiversidade, do empobrecimento do solo e do potencial invasor que tem em alguns locais. Acho sim que se deve por um travão à expansão do eucalipto, mas tal deve ser feito com recurso a argumentos válidos e não é isso que tem acontecido...
 
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Têm razão...

O eucalipto arde muito porque há muito, é simples.

Com isto não estou a defender o eucalipto, que é uma espécie que tem efeitos nefastos ao nível da redução da biodiversidade, do empobrecimento do solo e do potencial invasor que tem em alguns locais. Acho sim que se deve por um travão à expansão do eucalipto, mas tal deve ser feito com recurso a argumentos válidos e não é isso que tem acontecido...

Lamento, mas não concordo com estas generalizações, que é o que dá azo a crenças e atitudes desfocadas face aos problemas reais que temos.

O eucalipto "é uma espécie que tem efeitos nefastos ao nível da redução da biodiversidade"? Obviamente que não. O que tem efeitos nefastos é a sua cultura intensiva em largas parcelas do território, sem existir a preocupação de alternar com outras florestas (e isto acontece porque em Portugal os terrenos de matas são praticamente todos privados, mesmo nos parques naturais).

Em regiões mais desarborizadas como é o caso do interior Alentejano ou da Beira, muitas vezes os eucaliptos jogam um papel fundamental como habitat, por exemplo para aves, são árvores altas e praticamente as únicas que restam naquelas paisagens, sendo a sua conservação fundamental para certo tipo de espécies. Há uns anos junto a uma barragem de Monchique vi mesmo uns eucaliptos que eram protegidos porque tinham bastantes ninhos de águias de boneli, que lá viviam e é uma das mais ameaçadas (http://www.avesdeportugal.info/aqufas.html), já para não falar em cegonhas, morcegos, etc.

Quanto aos efeitos no solo, como é que uma floresta consegue empobrecer o solo???? É uma evidência do mundo real que um eucaliptal abandonado rapidamente se enche de matos e outras espécies de árvores, por isso é que muitos eucaliptais (e pinhais) ardem bem: estão cheios de matos, não estão limpos!

Este livrinho que comprei há alguns anos num alfarrabista mostra um estudo de muitos locais onde se fizeram novas culturas em terrenos onda havia eucaliptais, e os terrenos continuavam produtivos, sem quaisquer problemas. É o mesmo que eu vejo na minha terra, quando os donos arrancam os eucaliptos para semear milho ou outros cultivos (mirtilos, etc.).



Portanto, não vamos generalizar. É o que me parece que também diz o manifesto, que li ontem num jornal semanário.

Quanto à necessidade de mais diversidade na floresta, onde temos eucalipto a mais em certas regiões, nada a dizer, só falta fazer. Mas assim não vamos lá...
 
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