Floresta portuguesa e os incêndios

O problema base do Eucalipto é, a meu ver, o seu carácter invasor...as restantes questoes que enumeram, nao menos importantes, deverão ser tratadas a juzante
 
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Lamento, mas não concordo com estas generalizações, que é o que dá azo a crenças e atitudes desfocadas face aos problemas reais que temos.

O eucalipto "é uma espécie que tem efeitos nefastos ao nível da redução da biodiversidade"? Obviamente que não. O que tem efeitos nefastos é a sua cultura intensiva em largas parcelas do território, sem existir a preocupação de alternar com outras florestas (e isto acontece porque em Portugal os terrenos de matas são praticamente todos privados, mesmo nos parques naturais).

Em regiões mais desarborizadas como é o caso do interior Alentejano ou da Beira, muitas vezes os eucaliptos jogam um papel fundamental como habitat, por exemplo para aves, são árvores altas e praticamente as únicas que restam naquelas paisagens, sendo a sua conservação fundamental para certo tipo de espécies. Há uns anos junto a uma barragem de Monchique vi mesmo uns eucaliptos que eram protegidos porque tinham bastantes ninhos de águias de boneli, que lá viviam e é uma das mais ameaçadas (http://www.avesdeportugal.info/aqufas.html), já para não falar em cegonhas, morcegos, etc.

Quanto aos efeitos no solo, como é que uma floresta consegue empobrecer o solo???? É uma evidência do mundo real que um eucaliptal abandonado rapidamente se enche de matos e outras espécies de árvores, por isso é que muitos eucaliptais (e pinhais) ardem bem: estão cheios de matos, não estão limpos!

Este livrinho que comprei há alguns anos num alfarrabista mostra um estudo de muitos locais onde se fizeram novas culturas em terrenos onda havia eucaliptais, e os terrenos continuavam produtivos, sem quaisquer problemas. É o mesmo que eu vejo na minha terra, quando os donos arrancam os eucaliptos para semear milho ou outros cultivos (mirtilos, etc.).



Portanto, não vamos generalizar. É o que me parece que também diz o manifesto, que li ontem num jornal semanário.

Quanto à necessidade de mais diversidade na floresta, onde temos eucalipto a mais em certas regiões, nada a dizer, só falta fazer. Mas assim não vamos lá...


Algumas notas:

Quando me referi aos efeitos nefastos do eucalipto estava obviamente a referir-me à cultura intensiva, abusiva e territorialmente demasiado exagerada. Não podemos ter só eucaliptos em Portugal! Era este o ponto que estava a defender. Há espaço para o eucalipto em Portugal, como há para olivais e outras culturas intensivas, tem é que ser regrado.

Concordo, e também conheço alguns eucaliptos de grande porte que estão cheios de vida, ninhos de cegonhas e outras aves. Eu não sou fundamentalista anti-eucalipto.

O empobrecimento do solo vem da forma como o eucalipto é explorado e conduzido (regime de talhadias com ciclos de corte muito curtos), em que as árvores não têm tempo de devolver parte do nutrientes ao solo. Isto é, as plantas (todas) retiram do solo os nutrientes que precisam para se desenvolver, mas acabam por ir devolvendo parte destes nutrientes à medida que vão largando a folhada morta e ramos velhos, que para além disso vão aumentar a matéria orgânica disponível no solo. Os eucaliptos não podem ser explorados em ciclos tão curtos sem que haja exportação dos nutrientes e daí o empobrecimento do solo. Se tal não fosse verdade não necessitavam de andar a falar em fertilizar/adubar eucaliptos.

Os eucaliptais sem gestão acabam de facto por concluir o ciclo que falei no paragrafo anterior, permitindo a devolução de nutrientes ao solo e abertura entre copas que permite o aparecimento de outras espécies. O problema dos eucalipais abandonados ou sem gestão é que acumulam uma enorme carga de combustível que quando demasiado contínuos vão potenciar os grandes fogos, mas o mesmo ocorre com outro tipo de povoamento florestais.

Eu defendo uma floresta multi-funcional, descontinua com áreas agrícolas ou pastagens abertas em mosaico. Tem de haver espaço para "todas" as espécies nativas e com interesse comercial e todo o tipo de aproveitamentos que podemos ter dos espaços florestais.
 
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O problema base do Eucalipto é, a meu ver, o seu carácter invasor...as restantes questoes que enumeram, nao menos importantes, deverão ser tratadas a juzante

O carácter invasor do eucalipto é um problema que começa a ser evidente em alguns locais. Embora não tão agressivo como outras espécies arbóreas australianas que temos por cá, existe e não pode ser negligenciado. Daí vir a importância da gestão correta das plantações, para evitar que o eucalipto consiga fugir do controlo. Em áreas onde o eucalipto aparece sem ser plantado deve ser removido.

Na minha opinião os eucaliptais têm demasiada importância económica para se poder falar em remoção total neste momento. Para um maior equilíbrio entre as espécies existentes nas nossas áreas florestais penso que actualmente não se deviria permitir uma maior expansão do eucalipto por via da regeneração ou plantação, já temos muitos eucaliptais e não podemos ter só eucaliptais...
 
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Só neste país!

Tenho um projecto há 2 anos a aguardar apoio para plantar 10 hectares de sobreiro, e ainda não foi analisado.
Só neste país.
Onde está o apoio à floresta???

Comentários:
1. O Estado Português não é um pessoa de bem, infelizmente, como todos sabemos! Mas cada um de nós tem obrigação de o fazer mudar, mudando o posicionamento da opinião pública.

2. Sinto uma revolta muito grande do meu país não ter um Estado de nação desenvolvida: cumprir os prazos legais a que está consignado na lei! Aliás, estes prazos só existem para o cidadão.

3. Recomendo ao leitor que faça uma petição pública e terei todo o gosto em assinar. Deve também escrever ao Sr. Presidente da República, Sr. Primeiro Ministro, Sr. Ministro da Agricultura, Sr. Presidente da Comissão Parlamentar de Agricultura e Comissário Europeu da Agricultura.

4. Continue a escrever-me porque tenho o maior interesse em acompanhar a evolução do seu processo.

E recebi a seguinte resposta do leitor:

Boa noite,
Como disse para o informar acerca do projeto, aqui vai.
Parece que depois de dois anos em espera lá saíram os resultados à medida da florestação de terras. O meu projeto de 10ha de sobreiro não foi aprovado e até ficou longe do último a ser aprovado. Aquilo que me pergunto é será que os projetos aprovados eram todos para espécies autóctones? Bem sei que a medida era para florestação mas o estado deveria privilegiar estas espécies (o sobreiro era admitido no PROF para a minha zona), ou então aquilo que se propaga na televisão é apenas show off.
Honestamente gostaria de saber cada um dos projetos aprovados para que espécies foi, talvez aí perceberíamos onde era investido o dinheiro dos fundos comunitários. A mim agora resta-me pensar o que vou plantar nestes terrenos, pois sem apoios não justifica o risco de plantar sobreiros. Talvez siga a tendência da moda como todos, optar por espécies de retorno mais rápido, pois da floresta ninguém quer saber.
Desejo-lhes as maiores felicidades.

Nem me vou alargar muito para comentar isto, pois o próprio título já diz tudo.

https://josemartino.blogspot.com/20...K_aHDjty5AEJojdi3Rj747hQDNGQSClLPKaHTTs4Luvtg
 
Algumas notas:

Quando me referi aos efeitos nefastos do eucalipto estava obviamente a referir-me à cultura intensiva, abusiva e territorialmente demasiado exagerada. Não podemos ter só eucaliptos em Portugal! Era este o ponto que estava a defender. Há espaço para o eucalipto em Portugal, como há para olivais e outras culturas intensivas, tem é que ser regrado.

Concordo, e também conheço alguns eucaliptos de grande porte que estão cheios de vida, ninhos de cegonhas e outras aves. Eu não sou fundamentalista anti-eucalipto.

O empobrecimento do solo vem da forma como o eucalipto é explorado e conduzido (regime de talhadias com ciclos de corte muito curtos), em que as árvores não têm tempo de devolver parte do nutrientes ao solo. Isto é, as plantas (todas) retiram do solo os nutrientes que precisam para se desenvolver, mas acabam por ir devolvendo parte destes nutrientes à medida que vão largando a folhada morta e ramos velhos, que para além disso vão aumentar a matéria orgânica disponível no solo. Os eucaliptos não podem ser explorados em ciclos tão curtos sem que haja exportação dos nutrientes e daí o empobrecimento do solo. Se tal não fosse verdade não necessitavam de andar a falar em fertilizar/adubar eucaliptos.

Os eucaliptais sem gestão acabam de facto por concluir o ciclo que falei no paragrafo anterior, permitindo a devolução de nutrientes ao solo e abertura entre copas que permite o aparecimento de outras espécies. O problema dos eucalipais abandonados ou sem gestão é que acumulam uma enorme carga de combustível que quando demasiado contínuos vão potenciar os grandes fogos, mas o mesmo ocorre com outro tipo de povoamento florestais.

Eu defendo uma floresta multi-funcional, descontinua com áreas agrícolas ou pastagens abertas em mosaico. Tem de haver espaço para "todas" as espécies nativas e com interesse comercial e todo o tipo de aproveitamentos que podemos ter dos espaços florestais.

Olá MSantos, concordamos em quase tudo... só na parte final é que discordamos (e pouco): é que eu, partilhando o "I have a dream" de termos mais diversidade florestal (já nem peço que seja "comercial", porque esta é uma quimera intergeracional), não consigo ver a maneira de lá chegar - com 100% ou quase de propriedade privada e com a brutalidade de incêndios que temos.

Mas se calhar sou eu que estou enganado... e vão vir muitos sírios para povoar o interior e trabalhar na floresta...
 
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Temos que combater isso sobretudo com a diminuição de actos negligentes , não desconsiderando os criminosos, claro ! O resto infelizmente já não passa muito por nós por muito que façamos, os danos causados já são irreversíveis :unsure::sad:
 
"A GiFF realizou uma ação de formação de fogo controlado em povoamentos de Pinheiro-bravo, para a INFOEX - Servicio de Prevención y Extición de Incendios Forestales.
Esta formação, teve a duração de 3 dias, 1 teórico e 2 práticos, onde se abordou a utilização do fogo em diferentes tipos de povoamentos, quer pela idade, diâmetros ou densidades e com objetivos igualmente distintos, como a diminuição da carga de combustível em pinhal adulto ou redução de densidades dentro dos povoamentos mais jovens.
As práticas foram realizadas em povoamentos florestais localizados na Serra de São Mamede."







 
"A GiFF realizou uma ação de formação de fogo controlado em povoamentos de Pinheiro-bravo, para a INFOEX - Servicio de Prevención y Extición de Incendios Forestales.
Esta formação, teve a duração de 3 dias, 1 teórico e 2 práticos, onde se abordou a utilização do fogo em diferentes tipos de povoamentos, quer pela idade, diâmetros ou densidades e com objetivos igualmente distintos, como a diminuição da carga de combustível em pinhal adulto ou redução de densidades dentro dos povoamentos mais jovens.
As práticas foram realizadas em povoamentos florestais localizados na Serra de São Mamede."









Trabalho liderado pelo Eng. António Salgueiro, um dos maiores especialistas em fogo controlado que temos em Portugal.