Neve a cotas baixas em Portugal

Tópico em 'Eventos Meteorológicos' iniciado por tozequio 24 Dez 2006 às 18:09.

  1. nimboestrato

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    Nimbostratus

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    Não te esqueças DAN que Argel e Tunes estão muito menos expostos ao Grande Oceano que nós.Estamos próximos mas há diferenças.Nessas cidades quanto a neve, posso dizer-te que estão mais bem servidas que nós.A História assim nos relata.Um vento sul no Verão atira-as para os 40, 43 graus,mas um vento Nordeste consistente no Inverno,coloca-as por vezes com temperaturas negativas.É a eterna questão da Continentalidade e/ou Exposição Oceânica.
    Mas atenção: exposição oceânica aos ventos de oeste como é normal às nossas latitudes.É o nosso caso.E esta circulação normal da atmosfera faz toda a diferença e explica que Nova Iorque ,com a mesma exposição oceânica ,à mesma latitude tenha rigorosos invernos. Lá, como cá os ventos dominantes são de oeste.Cá são temperados ,são do Oceano.Lá ,são continentais,às vezes gélidos.
    Argel e Tunes estão já longe desta vastidão térmica que na sua proximidade tudo homogeniza .E estão praticamente à latitude de Lisboa.

    Para quem a neve significa beleza,encanto, deslumbramento, é verdadeiramente má sorte, má fortuna ter nascido em Portugal...
    Ainda assim ,antes ter nascido aqui ,pois então...
    Neva pouco ...Ah pois neva ...mas há para aí tanto País que nem com muita neve eu gostaria de visitar,quanto mais ter nascido e/ou viver lá...

    E como 15 dias em Meteorologia são Eternidade,como em 15 de Fevereiro já nevou no Porto,então ,hoje ao 1º dia de Fevereiro ,continua tudo em aberto...
     
  2. bitinho

    bitinho
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    Cirrus

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    Portela
    Boa noite.
    Andava numa de pesquisa sobre um nevão em Junho...
    Parece que afinal a minha memória não está assim tão mal, assim como a da tua avó.
    O ano deve ter sido 1970-71-72.
    Estava no Fundão e na véspera foi dia de verão.
    Ninguém acreditava, quando nos acordaram, que tivesse nevado. E posso garantir que foi um belo nevão, tendo-se aguentado vários dias. A bola de futebol ficava enterrada na neve.
    Já agora, onde se podem pesquisar estes eventos?, isto falando da net.
     
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  3. Paulo H

    Paulo H
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    Cumulonimbus

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    Do que sei de Castelo Branco (380/489m), tenho 34 anos, e lembrando-me a apenas dos grandes nevões, posso citar o ano 1982/83 e o ano 1992/93 com nevões que duraram 2 ou 3 dias. De resto foram apenas algumas nevadas inesperadas que acabavam em água-neve. Mas sei, pelos conterrâneos que era bastante comum ocorrerem nevões nos anos 40, 50, 60 e 70, mas desses não me lembro!

    Do ano 1982 ou 1983 (4ªclasse), lembro-me que estava frio há vários dias ou semana, os vizinhos tinham uma piscina e suportava bem o peso de um homem, pois tinha já uns 5cm de espessura de gelo. Depois ao fim de uma tarde, começou a "chuviscar" alguns flocos e não mais parou.
    Considero bastante raro, pois hoje sei que era uma frente quente e que no dia seguinte deu origem aos aguaceiros (frente fria). Considero raro por estas bandas, a frente quente ter dado origem logo a neve! Como estava tudo gelado, a neve pegou logo ao chão sem descongelar. Foram uns dias fantásticos!

    Quanto a Portugal, devo dizer que a sua exposição atlântica à latitude que nos encontramos não é muito propício a grandes amplitudes térmicas de Inverno, sendo que Nova Iorque à mesma latitude no Inverno apresenta sempre -5 a -10ºC de diferença (ventos dominantes continentais e corrente fria do Labrador).

    Todas as costas leste do Hemisfério Norte são mais frias do que as costas oeste! E tem uma explicação científica conhecida!! Acontece assim com a costa oriental africana, com o leste asiático (do Japão/Coreias/ para Norte) e na América do Norte (Corrente fria do Labrador).
    No Hemisfério Sul deverá suceder o contrário, isto é, as costas leste serão mais frias que as costas oeste.

    Investiguem, que eu vou fazer o mesmo!
     
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    #78 Paulo H, 22 Abr 2008 às 10:12
    Última edição: 23 Abr 2008 às 11:03
  4. Dan

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    Para os mesmos valores de atitude, existem semelhanças nos climas da costa leste da América do Norte e da costa leste da Ásia. Essas regiões apresentam características de clima temperado continental, ou seja, uma grande amplitude térmica anual e o máximo de precipitação no Verão.

    Na costa ocidental dos continentes, mais ou menos aos 30º / 40º de latitude encontramos regiões com clima semelhante ao nosso (clima mediterrâneo). No litoral da Califórnia, no Chile, na Africa do Sul e no SW da Austrália.

    Condições geográficas semelhantes dão origem a climas semelhantes.
     
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  5. rozzo

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    sim isso é evidente a diferença entre costas Este e Oeste de locais a mesma latitude..

    Isso é essencialmente evidente as chamadas latitudes medias, portanto as nossas, ou seja as latitudes onde é dominante a actividade sinoptica, frontal e afins portanto..

    E tambem nao é mt dificil explicar.. sendo que nesta gama de latitudes, o "tempo meteorologico" é essencialmente arrastado de W para E, é de longe a direcçao dominante, sabemos todos mt bem de que lado vêm 80% dos sistemas meteorologicos, ou 95% dos sistemas meterologicos de grande escala.. de W nao e? :)
    portanto assim sendo, claro que costas W estao sob influencia mt mais marcada do oceano que as costas E, ou seja, sao muito mais amenas.
    O que se nota muito especialmente para nos no Inverno que lamentamos a falta de frio, enqto locais a nossa latitude em costas Este levam com vagas continentais arrastadas pela circulaçao de W..:sad:
    ;)
     
  6. Minho

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    Cumulonimbus

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    Nas zonas subtropicais também existem diferenças entre na face leste da face oeste dos anticiclones. Enquanto no lado este a subsidência é mais acusada (com o nível da inversão térmica a situar-se cerca 500 metros de altitude) no lado oeste das células anticiclónicas a subsidência é menos intensa e consequentemente o nível da inversão térmica é a maior altitude (2000m). Além disso no flanco oeste o ar vem carregado de humidade do percorrido marítimo sobre águas quentes enquanto no flanco leste do anticiclone o vento alísio tem percorrido vindo dos continentes, com a pouca humidade que tal implica.

    Comparando as quantidade médias de precipitação de duas cidades à mesma latitude, mas uma a leste do anticiclone (Funchal-Madeira) e outra a oeste do anticiclone (Hamilton-Bermudas) fica bem claro.

    [​IMG][​IMG]
     
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  7. Minho

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    Cumulonimbus

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    Em complemento a esta informação podemos também analisar a sondagem atmosférica realizada realizada hoje em Tenerife e nas Bermudas.

    Na primeira (Tenerife) temos uma inversão térmica logo aos 1145 msnm e que se prolonga até aos 1894 msnm que chega a ter uma diferença de 3.6ºC . Na segunda temos uma inversão térmica que começa aos 1507 msnm mas termina logo nos 1805 msnm e é de apenas duas décimas de grau, logo menos intensa e mais fácil de vencer por eventuais movimentos convectivos.


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    .
     
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  8. Paulo H

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    Cumulonimbus

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    As razões para que tal aconteça tem a ver com:

    - Influência dos ventos dominantes, se provêm do continente ou do oceano
    - Proveniência dos anticiclones e depressões, se provêm do continente ou do oceano
    - Influência das correntes marítimas

    O que dá origem a tudo isto?

    Resposta: O movimento de rotação da Terra, (velocidade e sentido de rotação)!

    Porque a Terra é esférica, a velocidade linear varia com a latitude desde 465m/s no equador (0º) até aproximadamente aos 0m/s nos polos (89º..) quase a 90º. É o mesmo que dizer que a velocidade angular é de 2pi/dia ou 15º/h em qualquer ponto da Terra excepto nos polos que é zero.

    O efeito defletor (D) da força de Coriolis aumenta com a latitude e com a velocidade do vento, pode ser estimado pela equação:

    D= 2 * M * v * w * sen(f)

    Onde: M = massa do ar; v = velocidade da massa de ar; W = velocidade angular da Terra e f = latitude.

    Por esta equação, podemos concluir que esta força deflectora aumenta do equador para os polos.

    1- Vento

    - Existe vento quando há gradiente de pressão, horizontal ou vertical (sabemos que existe um gradiente de pressão vertical que varia com a altitude, o que não faz originar vento por si só. Formar-se-à vento ascendente ou descendente sempre que o gradiente vertical de pressão não seja constante, ou se preferirmos que o gradiente vertical de temperatura não seja constante: fenómenos convectivos, depressões de origem térmica, sempre que haja transferência de calor sendo transportada pelo vento, num processo diabático).
    - Existe gradiente de pressão quando existe gradiente térmico
    - A direcção tomada pelo vento aponta no sentido da maior pressão para a menor pressão (caminho teórico), condicionada pela força deflectora da rotação da Terra (Força de Coriolis), resultando que na direcção perpendicular à direcção do gradiente de pressão nas isobaras para a direita no Hemisfério Norte e na mesma perpendicular mas para a esquerda no Hemisfério Sul. Concluindo, a direcção do vento é definida por 3 componentes: o gradiente horizontal de pressão atmosférica, o efeito de rotação da Terra e a força centrífuga.

    2 - Proveniência dos anticiclones e depressões, se provêm do continente ou do oceano

    É obvio então que devido à Força de Coriolis, ter um continente a oeste no Hemisfério Norte, ou um continente a leste no Hemisfério Sul provoca uma maior amplitude térmica do que nos casos em que isso não acontece. Razão pela qual estas zonas são mais frias no Inverno e mais quentes no Verão.

    3 - Influência das correntes marítimas

    Também pela influência da Força de Coriolis, e pegando como exemplo o Hemisfério Norte (que nos é mais familiar), são afectadas as correntes marítimas "frias" ou quentes:

    - Corrente do Labrador: Flui de norte para sul, pelo que condicionada pela força de Coriolis tende a deslocar-se para a direita no seu trajecto, rasando a costa leste da América do Norte.

    - Corrente do Golfo: Flui de sul para norte, pelo que condicionada pela força de Coriolis tende a deslocar-se para a direita no seu trajecto, percorrendo milhares de kms pelo Atlântico Norte até que a curvatura à direita a fará novamente deslocar-se para sul, rasando as costas das Ilhas Britânicas e a Peninsula, acabando algures no meio do Atlântico já a latitudes próximas dos 20ºN.
     
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  9. Vince

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    Hoje é um bom dia para colocar este vídeo de 2 de Fevereiro de 1954:




    (c) Arquivo da Videoteca Municipal de Lisboa
     
    #84 Vince, 30 Nov 2008 às 00:31
    Editado por um moderador: 21 Set 2014 às 03:58
    Mr. Neves gostou disto.
  10. Mário Barros

    Mário Barros
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    Bem...sem palavras não é verdade, é esperar pelos próximos anos para vermos mais do mesmo :rolleyes: :D:D
     
  11. Iceberg

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    Nimbostratus

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    Um grande aplauso para a colocação deste vídeo. :thumbsup:

    Estou fascinado, arebatado, não tanto pelo facto da neve em Lisboa, mas por existir um registo video daqueles dias incríveis de uma vaga de frio memorável em toda a Península.

    Reparo que o nevão foi acompanhado por ventania, principalmente nas primeiras imagens, que me parecem ser numa serra, talvez Sintra ... ?
     
  12. Mário Barros

    Mário Barros
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    Furacão

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    Este fim-de-semana tambem já pode ir para a história como um bom nevão a nivel nacional :D:D
     
  13. JoãoDias

    JoãoDias
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    Nimbostratus

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    Mas em minha opinião não se encaixa no título deste tópico (cotas baixas).
     
  14. MSantos

    MSantos
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    Vídeo fantástico:surprise:

    A acumulação de neve em alguns locais é bastante considerável:thumbsup:
     
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  15. trepkos

    trepkos
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    Nimbostratus

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    Cotas baixas... aqui não caiu nada de mais :sad:
     

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