Vê-se logo que ninguém aqui começou a ouvir nojeiras das mais porcas que há aos 10 anos (tive o azar de começar a 'desenvolver-me' cedo). Sim, isso acontece. Estava no quinto ano quando ouvi, pela primeira vez, coisas que ainda nem sequer entendia, mas que sabia serem nojentas por parte de criaturas ainda mais nojentas. E desenganem-se os senhores que por aqui andam, que têm esposas, irmãs ou filhas se acharem que elas não ouviram/ouvem. As mulheres foram educadas a achar que isso é normal. Que qualquer besta quadrada que passe por nós tem o direito de dizer o que lhe apetece. 'As senhoras não têm ouvidos', diz-se. Ao início, fazia isso mesmo. Ignorava. Corava até à raíz dos cabelos mas não respondia. A partir dos 14 ou 15 comecei a responder à letra, regra geral com respostas que envolviam a mulher ou a mãezinha do nojento. Uma vez tive de apressar o passo para não levar. Não sei se os defensores do piropo que por aí abundam o são porque não compreendem o que é ter de levar com eles ou se são, eles próprios, 'piropeiros'. Nem me interessa. Desde que saibam que é elevada a probabilidade de uma qualquer mulher que seja importante para eles, ter começado a ouvir, aos 10 anos ou pouco mais, coisas como 'lambia-te esse ***** todo', 'comia-te até me fartar', 'metia o não sei quê não sei onde' e toda uma panóplia de fazia e acontecia seguida de vernáculo. Já que não se pode partir caras quando se ouvem destas coisas maravilhosas , então que seja a lei a lidar com esses cobardes com evidentes défices de masculinidade.