O Estado do País 2015

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interessante... não se sabe nada, pelo menos eu não sei, quais são as propostas do BE e do PCP. Sobre o documento facilitador já se sabe tudo uma vez que foi despejado em "jornais de referência".

Boa forma de negociar.
 
Então, já foi tudo para a rua festejar o fim da austeridade? Eu, só no caminho do trabalho até casa, comprei um apartamento, um carro (novo!), 2 pares de botas e um pastel de nata. O pastel de nata foi a pronto pagamento.

A TSF teve acesso ao "documento facilitador", enviado ontem pela coligação ao PS, e a conclusão é simples: PSD e CDS parecem dispostos a quase tudo para garantir um compromisso com os socialistas.
Ao todo, há 23 propostas adoptadas do programa do PS, 20 são citações exactas, e outras 3 propostas são "matérias abordadas no programa eleitoral do PS". À cabeça, nestas "propostas programáticas", PSD e CDS avançam com a proposta de "negociar uma aceleração na remoção da sobretaxa do IRS". No ponto seguinte, é proposta a actualização do Salário Mínimo Nacional, "em função da evolução da produtividade do trabalho e outros indicadores relevantes".

Na parte dedicada à "Defesa do Estado Social", a coligação compromete-se a deixar cair o plafonamento de contribuições e pensões (seja horizontal, seja vertical), a estudar a diversificação das fontes de financiamento da Segurança Social, e a reforçar o sistema em 600 milhões de euros - um valor inscrito no Programa de Estabilidade enviado para Bruxelas - sem que isso implique cortes nas pensões actuais.

A coligação admite ainda "aumentar os montantes do abono de família, do abono pré-natal e da majoração para as famílias monoparentais beneficiárias de abono de família e de abono pré-natal", e repor "o valor de referência do CSI no montante anual de 5.022 euros, restaurando os valores anuais anteriormente em vigor".O documento prevê ainda a adopção de medidas socialistas na área da Ciência e da Inovação, sendo que na Cultura, há o compromisso de discutir o "restabelecimento do Ministério da Cultura".

PSD e CDS comprometem-se ainda a procurar "soluções consensuais para eleição dos órgãos internos da Assembleia da República" - uma garantia desnecessária já que existe uma maioria de esquerda na AR -, e ainda a encontrar soluções consensuais para "a eleição de órgãos externos ao Parlamento, nomeadamente os que requerem maiorias qualificadas".

Se tudo isto não chegar, PSD e CDS abrem a porta a mais, afirmando-se disponíveis para "discutir a inclusão no Acordo de Princípios de quaisquer outras matérias que o Partido Socialista considere indispensáveis à criação de um clima de confiança que cimente a estabilidade que se deseja proporcionar neste novo ciclo político da vida nacional."


http://www.tsf.pt/politica/interior/e_este_o_documento_que_a_coligacao_enviou_ao_ps_4831392.html
 
Então, já foi tudo para a rua festejar o fim da austeridade? Eu, só no caminho do trabalho até casa, comprei um apartamento, um carro (novo!), 2 pares de botas e um pastel de nata. O pastel de nata foi a pronto pagamento. http://www.tsf.pt/politica/interior/e_este_o_documento_que_a_coligacao_enviou_ao_ps_4831392.html



Mas isso não são cedências que a coligação, reconhecendo que venceu sem maioria absoluta, está disposta a fazer numa negociação?

Ou só os democratas do bloco e PC e que que tem o direito de abdicar de boa parte do seu programa para negociar com um partido que ainda a poucas semanas afirmavam que era de direita e ligado aos interesses instalados?
 
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Fico pasmado quando ouco a esquerda a falar.

Se bloco e PC abdicam de boa parte do programa com que se apresentaram a votos para negociar com um partido que ainda a muito pouco tempo consideravam ligado ao sistema, estão a exercer um nobre ato de democracia e respeito pela vontade popular.

Pelo contrário, se o centro direita, negociar com esse mesmo partido e abdicar de parte do seu programa para chegar a um entendimento, já é um escândalo e uma vigarice e ilegítimo, mesmo falando da forca política mais votada e que teve mais do dobro dos votos do PC e bloco juntos.

Além do mais, pensava que a esquerda queria o fim da austeridade. Mas não fiquem tristinhos, pois o vosso novo chefe, António Costa, já disse que o pacto de estabilidade e crescimento bem como o compromisso de ter um défice de acordo com os ditames da moeda única são intocáveis. Ou seja, para cumprir estes objetivos, só com rigorosissimas medidas de austeridade e possível alcance - lo, por isso não se preocupem que a austeridade e para manter ( e não se iludam, pois se ac der 10 hoje, se necessário tira 20 amanhã, mas claro que qualquer grande patriota de esquerda não se importa nada, até passa fome se for preciso, pela pátria) .
 
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Não, James. isso é admitir que TUDO o que disseram nos últimos 4 anos é mentira (para quem tivesse andado distraído e ainda não tivesse percebido!). Que a austeridade não tem de ser a que nos foi imposta, sem dó nem piedade. Que o programa do PS, sobre o qual disseram o que Maomé não disse do toucinho, afinal é um bom programa (deve ser melhor que um programa inexistente, já agora) que pode ser aplicado em parte, ou quase na totalidade, vá, desde que o Costa os deixe governar. É, apenas e só, o desmontar da sua narrativa. Pior, admitem que o esvaziar da austeridade (sendo ou não verdade, não faço ideia), nem sequer põe em causa as metas do défice. Mas, lá está, só surpreende quem não os tinha topado até aqui. Portanto, é só uma questão de caras: a de PPC ou a do Costa, porque de resto vai dar ao mesmo. Hilariante, na verdade.
 
Isto da distribuição dos votos também tem muito que se lhe diga. Os dois líderes da extrema esquerda reclamam agora também todos os votos do PS, sem que ninguém deste partido de um murro na mesa e os chame a razão ( meu Deus, ao que este partido chegou) .

Mas se alguém pensa que todos os 32% que votaram PS, o voto foi no mesmo sentido dos que votaram na extrema esquerda, só podem estar alucinados e sob o efeito de drogas.
 
Isto é, de longe, melhor que o 'irrevogável gate'.
 
Eu cá por mim, se a coligação quer governar à esquerda, não tenho nada a opor. Já os votantes da PaF, que andaram este tempo tempo a dizer que não há há alternativa à austeridade e que prescindir dela é ter cá a Troika outra vez em meia dúzia de meses, são capazes de não achar grande graça. C'est la vie.
 
Não, James. isso é admitir que TUDO o que disseram nos últimos 4 anos é mentira (para quem tivesse andado distraído e ainda não tivesse percebido!). Que a austeridade não tem de ser a que nos foi imposta, sem dó nem piedade. Que o programa do PS, sobre o qual disseram o que Maomé não disse do toucinho, afinal é um bom programa (deve ser melhor que um programa inexistente, já agora) que pode ser aplicado em parte, ou quase na totalidade, vá, desde que o Costa os deixe governar. É, apenas e só, o desmontar da sua narrativa. Pior, admitem que o esvaziar da austeridade (sendo ou não verdade, não faço ideia), nem sequer põe em causa as metas do défice. Mas, lá está, só surpreende quem não os tinha topado até aqui. Portanto, é só uma questão de caras: a de PPC ou a do Costa, porque de resto vai dar ao mesmo. Hilariante, na verdade.


Cláudia, eu detesto a palavra austeridade, acho que quem inventou está da austeridade devia ser preso. Também não gosto da palavra crescimento, pois da à ideia que basta injectar dinheiro na economia e ela dispara, o que de todo não é verdade.

De resto, como o país bateu no fundo, foi necessário fazer uma reestruturação da economia , mas isso deve se um meio de atingir um fim e não um fim em si mesmo. Mas logo que possível, e se possível, deve voltar a ser feita de forma gradual um reinvestimento social e económico, porque claro que nenhuma economia ou Estado aguenta cortes eternos.

Isso é a minha visão pessoal, mas admito que exista também gente na direita que seja sádica e queira apenas os cortes pelos cortes.
 
Cláudia, eu detesto a palavra austeridade, acho que quem inventou está da austeridade devia ser preso. Também não gosto da palavra crescimento, pois da à ideia que basta injectar dinheiro na economia e ela dispara, o que de todo não é verdade.

De resto, como o país bateu no fundo, foi necessário fazer uma reestruturação da economia , mas isso deve se um meio de atingir um fim e não um fim em si mesmo. Mas logo que possível, e se possível, deve voltar a ser feita de forma gradual um reinvestimento social e económico, porque claro que nenhuma economia ou Estado aguenta cortes eternos.

Isso é a minha visão pessoal, mas admito que exista também gente na direita que seja sádica e queira apenas os cortes pelos cortes.

James, tu (que eu saiba) não fazes parte do governo. Não é por te identificares com a direita, que eu posso atirar-te à cara as mentiras e incongruências da coligação. O meu desprezo vai todo, apenas e só, para quem sangrou este país durante 4 anos, gritando aos 7 ventos que não havia alternativa (não esquecendo que a loucura não foi mais longe porque o Tribunal Constitucional os travou!) e que, numa dúzia de dias após as eleições, não se importa de governar basicamente com o programa do principal partido da oposição, desde que possa continuar em funções. Até te digo, muito mais respeito tinha eu por eles se, negociando uma ou outra coisa, deixassem claro que não se podia ir tão longe porque se corria o risco de por em causa aquilo que eles consideram ter alcançado (e isso é muito discutível!). Mas dizer que estou surpreendida, não, não estou. Se tivesse votado PaF, estaria.
 
A acreditar no que Costa disse, continhas é que nem vê-las. Devem estar bonitas.
 
O jogo ainda não terminou mas os espectadores começam a abandonar o estádio...

Ora eu não fiquei nada convencido e isto está para durar.
 
:D

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