O Estado do País 2015

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Ainda só está no início é certo, e a maior parte destes novo-esquerdistas entusiasmados que temos por aqui nem devem sonhar de como as coisas na esquerda, mesmo esquerda, funcionam mesmo. Desde as dissidências do PCP há décadas às dissidências mais recentes no Bloco por exemplo, sempre foi uma atribulada história de "limpezas étnicas". Mesmo no Bloco, todas as pontes que foram criando acabaram em ruptura abrupta, desde um Sá Fernandes até a um Rui Tavares. É um longo historial de facadas e traições, até pessoas como o Daniel Oliveira que fundaram o Bloco com o Miguel Portas foram corridos porque estavam a ter demasiada notoriedade.

Imagina a cena. A Catarina critica o Centeno porque o défice explodiu (cenário por agora hipotético) e o Centeno responde: Foram as medidas que combinámos. E depois a Catarina: Não, nós não concordamos com isso na atual forma. E o Centeno conclui: Pois, por vocês o défice ficava maior.

Será este cenário assim tão absurdo?


As medidas do Costa são tão revolucionárias que...

O primeiro-ministro, António Costa, defendeu que é do “estrito interesse nacional” que Portugal possa sair do procedimento por défice excessivo e comprometeu-se, nesse objetivo, a não aumentar despesa nem diminuir receita até ao fim do ano.

Relativamente ao défice deste ano, António Costa assegurou que não irá acontecer nada que mude o objectivo estabelecido pelo Governo de Passos Coelho.

“É do estrito interesse nacional que nada aconteça nestes próximos 29 dias que possa perturbar um objetivo que todo o país comunga, que é que o país possa sair do procedimento por défice excessivo. Portanto, este Governo nos próximos 29 dias tudo fará para nem diminuir receita nem aumentar despesa relativamente ao ponto em que estávamos no dia em que tomámos posse. Aquilo que desejo é que em nome do interesse nacional, que Portugal possa viver sem estar sujeito às regras do procedimento excessivo", disse, desvalorizando o cepticismo do PCP e do BE sobre as regras europeias.

http://www.publico.pt/politica/noticia/costa-assegura-defice-abaixo-dos-3-em-2015-1716275

Sim, é o mesmo tipo que diz que devolver os rendimentos das pessoas vai ser a solução para os problemas. Porque não faz automaticamente? Secretamente, e a meu ver, o Costa quer que o défice fique acima dos 3%. Sempre assim tem mais uma arma contra a direita (é apenas estratégia política).
 
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É interessantíssimo verificar como perante a iminência de (mais um de muitos) incumprimento(s) (poderia chamar-lhe embuste, farsa ou usar outro sinónimo) por parte do anterior governo ao longo dos últimos 4 anos, as respostas apostam para AC e Centeno que tomaram posse faz hoje...uma longa semana. I love the smell of desperation in the morning. Neste caso, at night. :lol:
 
Não foste tu, Cláudia, que disseste já várias vezes que interessa é o governo que está em funções e não o anterior?

Fui. Por isso é que malhei no governo dos PP. 4 anos depois de ele tomar posse, quando se avistavam eleições. E, para ser bem explícita, só me tornei (na minha vida quotidiana) profundamente crítica do anterior (des)governo, depois do 'irrevogável gate'. Até aí, esperei (com alguma esperança, admito) para ver no que dava. Mas entendo que seja pedir muito por estas bandas. Claramente, outros 'interesses' se levantam... Só isso pode explicar a defesa de 4 anos em que todas as metas foram falhadas (aquelas que já se conhecem) enquanto se aponta o dedo a um governo com 7 dias. É só patético.
 
Felizmente foi só no terceiro trimestre. Porque nos restantes trimestres dos últimos 4 anos, as metas foram todas atingidas. Foi só um pequeno e único deslize.
Quanto ao divertimento, estás muito enganado, @Vince . Eu não me diverti nada nos últimos 4 anos. Zero. Só me comecei a divertir mesmo aí a partir do final da noite de dia 4 de Outubro de 2015. Mas verdade seja dita que, talvez em forma de compensação, desde aí tem sido diário.
 
Os 'teus queridos' eu já vi do que são capazes nos últimos 4 anos. Venham outros 'queridos'. Podem ser tão maus ou piores que os anteriores 'queridos' mas também podem não ser. Sem deixarem os actuais 'queridos' fazer qualquer coisa, nunca saberemos. Afinal de contas, a beleza está na mudança de 'queridos'. Sempre os mesmos 'queridos' é pouco compatível com a democracia. Principalmente quando os que votam nos 'queridos', na sua maioria, demonstraram querer mudar de 'queridos'. É o que acontece quando os 'queridos' mentem que se fartam e falham as metas todas que prometeram atingir.
 
@Vince The S word = Sócrates.
Há uma grande diferença. Sabes qual é? É que ninguém aqui está a arranjar desculpas esfarrapadas para esse governo. Ninguém aqui está a relativizar as mentiras, as farsas provenientes dele. Ninguém aqui está a desculpar o indesculpável. No entanto, há muito boa gente, a fazer isso mesmo relativamente ao (des)governo de PPC. Não há nada que não tenha desculpa, explicação, justificação, por mais ultrajante que seja. Ainda que se descobrisse que PPC e PP fossem responsáveis pela morte da mãe do Bambi, certamente alguém aqui apareceria com um motivo. :)
Achar que o governo anterior foi desastroso, não é sinónimo de achar que o governo de Sócrates foi melhor nem sinónimo de achar que o de Costa será maravilhoso. Mas isso é sempre difícil de entender para os engajados.
Também sempre deliciosamente coerente é verificar que pessoas que, 4 anos e tal depois de um governo em funções, ainda atiram a responsabilidade para o governo anterior, quando se fala nos falhanços clamorosos do anterior governo, não hesitam em voltar as atenções para o governo subsequente eleito há uma semana... Não deixa de ser um feito.
 
Mas alguém tem dúvidas que estamos melhor agora do que em 2011?

E um discussão inócua. Claro que estamos melhor. Por isso, e que o PS deu todo o tipo de cambalhotas para conquistar o poder e está a discutir quanto é que vai gastar mais aqui e ali, pois com o anterior Governo, o país retomou a credibilidade internacional.
 
@Vince Mas o que pretendes é um país melhor (independentemente de quem o 'comanda'), ou o 'regresso ao passado'? Há 4 anos não votei na Coligação. Ainda assim, não deixei de, durante um tempo considerável, ter esperança nesse governo. Aliás, tenho sempre. A não ser que seja um governo como o que caiu há pouco. Mas quando muda a agulha, tenho sempre esperança. Tem acabado é sempre mal.

@james Parafraseio Montenegro. O país está melhor, as pessoas é que não. No papel talvez estejamos melhor, sim. No que conta, nível de vida das pessoas que cá vivem (não é isso mesmo o que faz um país?), não, estamos muito longe de estar melhor. Só estaremos melhor quando a dita melhoria no papel se reflectir no quotidiano das pessoas. Antes disso, não.
 
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@Vince Mas o que pretendes é um país melhor (independentemente de quem o 'comanda'), ou a 'regresso ao passado'. Há 4 anos não votei na Coligação. Ainda assim, não deixe de, durante um tempo considerável, ter esperança nesse governo. Aliás, tenho sempre. A não ser que seja um governo com o que caiu há pouco. Mas quando muda a agulha, tenho sempre esperança. Tem acabo é sempre mal.

@james Parafraseio Montenegro. O país está melhor, as pessoas é que não. No papel talvez estejamos melhor, sim. No que conta, nível de vida das pessoas que cá vivem (não é isso mesmo o que faz um país?), não, estamos muito longe de estar melhor. Só estaremos melhor quando a dita melhoria no papel se reflectir no quotidiano das pessoas. Antes disso, não.


Cláudia, o país e as pessoas são indissociáveis. E a relação entre os dois é sempre diretamente proporcional.

Este Governo, na minha opinião, começou mal, tem apoio parlamentar do PCP, que eu não gosto e anda já um pouco aos ziguezagues.
Agora, uma coisa te digo: podes ter a certeza que, embora tenha muitas dúvidas, gostaria muito que encarreirassemos em definitivo no caminho certo, concentrando - nos no essencial e não nos joguinhos.
Isso é o mais importante. E estou à vontade para dizer isso, pois quando o PSD regressar ao poder, não tenho nenhum tacho à minha espera.

Podes ter a certeza absoluta que, embora ache que infelizmente para o país vai não vai correr bem, gostaria que corresse bem, sem dúvida.
São duas coisas completamente diferentes.
 
Concordo que são indissociáveis. E é por isso mesmo, que não é justo dizer-se que estamos melhor que em 2011 quando as pessoas vivem pior. Política sem jogos é uma ilusão. Mas já me dava por satisfeita se a vida das pessoas fosse gradualmente melhorando sem que isso implique um 'regabofe'. A ver vamos. Quando eu 'defendo' este governo, na verdade, aquilo que defendo é dar-lhes a oportunidade de tentarem. Apenas e só.
 
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