Conheço uma rapariga que, durante um ano e meio, trabalhou num restaurante de um pulha, das 11 da manhã às 10h da noite (com pausa entre as 15h e as 17h) por trezentos euros mensais, de forma ilegal. Ou seja, sem descontos, sem baixa, sem subsídio de desemprego, sem coisa nenhuma. Dirás tu: 'trabalhou porque quis'. Digo eu:'Trabalhou porque tem uma filha e não tinha o que lhe dar de comer.' Num sítio civilizado e com gente bem intencionada, de facto não seria necessário um salário mínimo. Com a chico-espertice crónica neste país, se não existisse uma lei a definir o salário mínimo, havia 'empresários' a pagar em couves e batatas por jornadas de trabalho a tempo inteiro. O pior é que há sempre alguém suficientemente desesperado e que aceita.