A direita democrática nunca teve grande jeito para populismo retórico, talvez das poucas excepções tenha sido precisamente o Portas pelo qual nunca nutri grande simpatia por isso mesmo, e a esquerda populista odiava-o visceralmente também por isso, por ele ser afinal um dos seus na retórica inflamada. E em Portugal felizmente quase não existe extrema-direita, de contrário surfariam também com grandes ganhos esta onda de completa idiotice política que vivemos.
Mas a direita democrática tem que relaxar, dar tempo ao tempo, discursos "esganiçados" acabariam por maçar os eleitores, a generalidade das pessoas apesar de tudo não gosta do bota-abaixo constante. Seja à esquerda, seja à direita, nenhum de nós suportaria haver um permanente barulho de fundo a martelar constantemente que estamos mal, etc, mesmo discordando temos que continuar a vida e ter alguma esperança no futuro.
Será o desempenho da economia, das pessoas com o tempo perceberem no próprio bolso a fraude que é a de lhes roubarem por ex. no imposto da gasolina para pagar aumentos de salários públicos (acima dos mil/2 mil €) ou diminuir impostos para restaurantes e aumentar para os outros todos, etc., que acabarão por desmanchar a Geringonça.
E nessa altura o espectáculo não será bonito, o que se vive presentemente é apenas uma situação de parasitismo mútuo disfarçado de simbiose. Dum lado o PS do Costa que saiu da Câmara Municipal de Lisboa, expulsou o A.J.Seguro do partido e depois perdeu as eleições ficando sem saber o que fazer à vida, e do outro lado, o Bloco e o PCP, que mais não são que uma espécie de "ténias" que vivem no organismo hospedeiro do PS à espera do momento certo para capitalizar mais votos. Se alguma coisa aprendi sobre política na minha vida foi a de que a esquerda odeia-se e luta mais entre si do que até com a direita (talvez por esta ser muito "soft", ou ser também ela muito socialista)
Podemos olhar para a Grécia por exemplo aonde Tsipras e o Syriza que foram entretanto praticamente apagados da comunicação social em Portugal chegaram a ter mais de 70% de apoio popular, hoje andam abaixo dos 20/30%. Por muitos votos que se comprem e simpatias se tenha na comunicação social, ou por muita propaganda que se produza, há sempre uma altura em que já não podes enganar todo um povo, o estado de graça começa a desfazer-se. É apenas uma questão de tempo.