O Estado do País 2016

« e ainda por cima em Espanha não se emigra»

Verdade e agora com o Brexit saíram números muito interessantes sobre a emigração. Haverá perto de 1 milhão de britânicos em Espanha mas apenas cerca de 100 mil espanhóis no Reino Unido, mas há 60 mil ingleses em Portugal mas no Reino Unido temos mais de 300 mil portugueses.

Há uns anos saiu um estudo sobre a crise muito interessantes, gregos e espanhóis emigram pouco, os portugueses emigram muito.

Desenrascados? Pragmatismo? Covardia de ficar e lutar para mudar o que não está certo e bloqueia o desenvolvimento?

Portugal já tinha uma emigração elevada com Sócrates e continua a ter com António Costa. Com um índice de fertilidade de 1,3 por mulher não faltará muito para a Seg. Social estoirar. Não podemos pagar reformas iguais a salários aos funcionários públicos e a realidade será dura num futuro próximo. Obviamente dirão que é preciso combater mais a fuga ao fisco, é preciso taxar mais os ricos, aumentarão o IVA para financiar o Estado Social, criarão impostos sobre o património, sempre a treta dos ricos. Pois tomara que Portugal estivesse cheio de ricos por todo o lado com fortuna construída de forma honesta! Mas não está! Temos sim alguns remediados que ganham mais de 2000 euros por mês após o desconto dos impostos,despesas e prestações de créditos, são alguns médicos, alguns empresários, mas isto à escala europeia é apenas classe média.


A ação do Santo Ofício da Inquisição tem sido interpretada por estudiosos, da seguinte maneira: os que justificam sua ação, ou seja, que defendem que o cripto-judaísmo foi uma realidade e o Tribunal agia de acordo com as contingências e os padrões religiosos da época; e os que afirmam que a Inquisição - instrumento do poder - ao cercear os cristãos novos, buscava impedir a ascensão da burguesia de origem judaica. Esta última assertiva, emitida por Antônio José Saraiva, conclui que os inquisidores utilizaram a religião como pretexto para encobrir o verdadeiro motivo da perseguição: a "luta de classe"

http://www.morasha.com.br/historia-judaica-moderna/acao-da-inquisicao-portuguesa-no-brasil.html


O Fisco e a burocracia estatal tornaram-se a nova Inquisição, os paralelos são assustadores.


Para quem se interessar, aqui está a vida de um Inquisidor (um burocrata) que foi ao Porto em 1618 e fez uma razia na actividade económica da cidade.

https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/28483/2/FLM00201P000078361.pdf
 
http://www.dn.pt/dinheiro/interior/...-podem-ser-congelados-a-portugal-5262406.html

A UE não poderia ter escolhido melhor altura, com o Reino Unido a sair, a Espanha sem Governo e a Áustria à beira das eleições.

Mas a verdade é que as coisas estão mal encaminhadas desde que Álvaro dos Santos Pereira e Vítor Gaspar saíram do Governo. Portugal não cumpriu cerca de 75% do plano original da troika. Ora vejamos.

- Portugal deveria ter aumentado a concorrência no sector das telecomunicações. O que se fez?

- Não se extinguiram concelhos, só uma Reforma muito mal feita nas freguesias.

- Não há cortes definitivos nas pensões mais altas do Funcionalismo público.

- As rendas garantidas das PPPs continuam altas.

- A Banca continua a ser salva pelos contribuintes e ainda ninguém percebeu muito bem o que se passou no Banif.

- A falta de concorrência nos portos continua por resolver.

- Portugal estava obrigado a legalizar as apostas e jogo online fez-se a lei o ano passado mas continua tudo bloqueado em parte por causa da Santa Casa, e o Estado sem ver um cêntimo em impostos da actividade.

- Aumentou-se o salário mínimo, metem-se as 35 horas na Função Pública, reverte-se tudo o que se fez com uma dívida a roçar 130% do PIB.
 
Já aqui escrevi que o Litoral Norte poderia ter índices de desenvolvimento idênticos ao Norte de Espanha e ser um caso sério de desenvolvimento .
O Norte de Espanha desde de San Sebastian até Vigo tem uma série de poderes autonómicos e mecanismos que permiti-os crescer e brilhar sem amarras e sem esquemas de bota abaixo, o Norte de Espanha não tem grandes metropoles mas é super povoada com uma série de cidades médias e com uma demografia naturalmente elevada temos San Sebastian-Bilbau- Santander- Vitoria- Gijon-Oviedo-Corunha-Vigo-Compostela-Lugo e Ourense e ainda por cima em Espanha não se emigra, o Litoral Norte é a região que mais emigra em Portugal( não falo da emigração para as Américas da 1ª metade do seculo XX essa tem outras características, falo das emigrações para a Europa central e ai o Litoral Norte perdeu milhões de habitantes) e mesmo assim é a região mais povoada com maior densidade populacional e com maior população jovem de Portugal . Em Portugal a coisa é diferente que no Norte de Espanha, e estás a por o dedo da ferida Frederico esse tema que levantas é o maior elefante na sala de Portugal, é o maior tabu é o assunto mais incomodo e é o maior segredo do nosso regime que já vêm muito detrás.
Por um lado tenho pena pelo Litoral Norte pois gosto de historia económico-social e o Litoral Norte é o caso de resiliência, uma região muito dotada( não é superior nem inferior a nenhuma outra, apenas diferente no nosso pais), que no meu entender criou mesmo no sec. XIX bases para ter explodido a nivel de progresso, nos anos 50,60,70 e até 80 houve momentos em que se afirmou e deu lições de modernidade e progresso ao pais. Mas continuo achar que esteve muito aquém daquilo que poderia ter sido, olho para o Litoral Norte e imagino um Cristiano Ronaldo que a determinado momento da sua carreira, deixou de jogar á bola por lhe terem cortado as pernas se é que me faço entender.

Ao fazer a leitura ao texto fica-se sem perceber qual o(s) motivo(s) que condicionaram o desenvolvimento dessa hipotética região do litoral norte português. Por outro lado, tendo em conta o território do continente, hoje o litoral norte e centro corresponde às regiões mais industrializadas e com melhores infraestruturas de Portugal Continental. Pobreza e atraso económico concentram-se nas regiões rurais do interior e do sul.

A bota não bate com a perdigota :cool:
 
Ao fazer a leitura ao texto fica-se sem perceber qual o(s) motivo(s) que condicionaram o desenvolvimento dessa hipotética região do litoral norte português. Por outro lado, tendo em conta o território do continente, hoje o litoral norte e centro corresponde às regiões mais industrializadas e com melhores infraestruturas de Portugal Continental. Pobreza e atraso económico concentram-se nas regiões rurais do interior e do sul.

A bota não bate com a perdigota :cool:

Este assunto é muito indiscutível não há muitas margens para duvidas e não sou o único que penso assim até porque os números o provam como já se viu aqui ou ali.

Tens razão a bota não bate com perdigota . E a tua opinião vai de encontro daquilo que considero o truque para que Litoral Norte fique estagnado, sou muito claro em relação a isso e repito este tema é o maior tabu e que mais mal estar cria do nosso regime, pois as pessoas percebem o que se passa não falam é disso.

Os números e estudos são bem claros, o Norte de Portugal é das regiões mais pobres ou melhor com mais pobreza da UE:
http://www.jn.pt/nacional/interior/regiao-norte-entre-as-mais-pobres-da-ue-1315383.html

""No ano 2000, as duas sub-regiões do Minho e Alto Douro e Trás-os-Montes foram identificadas como as mais pobres da UE-15. Por isso, a União Europeia injectou na região Norte cerca de sete mil milhões de euros entre 2000 e 2006 para que houvesse um crescimento de 4,5 por cento neste período, mas não só a região não cresceu como ainda por cima contém a sub-região mais pobre da UE-27", lembrou este responsável."

Outro artigo do Diário de Noticias muito claro:

http://www.dn.pt/arquivo/2008/interior/norte-a-regiao-mais-pobre-da-europa-1127956.html

"Em 2005, o Norte de Portugal era a região da UE a 25 com o mais baixo índice de rendimento por habitante. A riqueza (PIB), medido em termos de poder de compra, representava 57,4% da média da UE. Lisboa, para o mesmo ano, detinha um PIB per capita de 104,3% da média da União."

"O Norte é a região mais pobre, com um PIB de 60,3% por habitante da média da UE, seguindo-se o Centro (64,4%), Açores (67,6 %), Alentejo (71,9%), Algarve (79,6%) e a Madeira (96,3%)."

O que não bate aqui certo é que o Norte é a região que mais produz, que mais exporta, a que seguramente com as gestões autarcas mais reguladas e mais descortinadas, é como foi referido anteriormente a mais sustentável e a que não vive acima das suas possibilidades em teoria seria a que teria o PIB mais alto "guest what" é a que tem mais baixo, mais que qualquer outra região do pais.

Em relação aos motivos eles já foram aqui referidos varias vezes no forum, não vale a pena repeti-los a toda a hora e toda a gente sabe quais são.
 
Última edição:
O caso do Norte tem raízes históricas. Foi a primeira região do país a dar luta forte à fome e à miséria no século XVIII com trabalho e organização das suas gentes. A esperança média de vida no século XVIII no Litoral Norte aumentou muito! Para isso houve o contributo da cultura do milho, a pequena propriedade e o comércio local, que era forte. O Porto era uma capital regional que comprava produtos do interior e do Minho. Mas havia problemas, um deles era a política de monopólios e concessões do Marquês, que impedia a concorrência e a actividade privada. Outra característica do Norte eram as taxas de alfabetização, maiores que no resto do país. As famílias enviavam os jovens já alfabetizados para o Brasil No século XIX muita gente do Norte faz fortuna no Brasil e investe depois na região. O Porto do século XIX tem um grande vigor comercial, académico e cultural, e uma grande influência inglesa.

O Norte continua a fazer o seu caminho mas muito atrasado, o PREC tirou o capital aos empresário da região, e depois as empresas ainda não estavam preparadas para a entrada na CEE, fazia falta uma preparação de uma década para entrarmos no mercado único. Isto foi culpa do poder político.

Lisboa suga os impostos de um país que tem um esforço fiscal que é quase o dobro da média nacional. Esse esforço fiscal paga os funcionários dos Ministérios, os seus motoristas e assessores, com salários chorudos. Em Lisboa estão as sedes das grandes empresas que vivem com pouca concorrência. Está praticamente toda a comunicação social, outro sector onde falta concorrência. As regras e impostos que Lisboa tem imposto levaram à fuga de muitas sedes do Porto e do Norte em geral para Lisboa ou para o estrangeiro! O dinheiro dos jogos sociais é exclusivamente gasto em Lisboa, sim é sugado a todo o país em regime de Monopólio para ser gasto na capital, e nem sequer vai apenas para caridade, é gasto nos Ministérios, desporto, comissões de igualdade. Estão em Lisboa as entidades privadas que prestam serviços ao Estado, como escritórios de advogados ou consultoras. Como se sabe, tudo com salários que destoam da realidade do país, tudo com preços exacerbados, e o contribuinte a pagar. O Estado centralizado em Lisboa tornou-se um eucalipto que suga todo o país, e criou uma gaiola dourada que impede as outras regiões de prosperar.

Mesmo o Algarve deveria ter um PIB per capita muito mais alto, ao nível de outras regiões turísticas espanholas, italianas ou francesas.
 
E a tua opinião vai de encontro daquilo que considero o truque para que Litoral Norte fique estagnado, sou muito claro em relação a isso e repito este tema é o maior tabu e que mais mal estar cria do nosso regime, pois as pessoas percebem o que se passa não falam é disso.

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Portugal é um país periférico à semelhança da Europa de leste.

Em relação aos motivos eles já foram aqui referidos varias vezes no forum, não vale a pena repeti-los a toda a hora e toda a gente sabe quais são.

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Regional disparities in gross domestic product (GDP) per inhabitant, in purchasing power standard (PPS), by NUTS level 2 region, 2013 (¹) (% of the EU-28 average, EU-28 = 100)

As capitais tendem a ser o local mais rico de um país. Portugal não é diferente.

Novamente, carregas no marxismo cultural mas só defendes medidas que aumentam isso mesmo (integração europeia). Não é engraçado? :D Devias ser o campeão do independentismo que advoga a pureza cultural :D
 
Mas alguém aqui defendeu integração europeia para aumentar a riqueza no Norte do país? Eu até disse que a entrada na CEE ocorreu cedo demais, que deveria ter ocorrido uma preparação prévia. Orion alguma vez tiveste uma empresa, um negócio? Há muitas regras estúpidas de regulamentações que o Estado cria que só dão despesa desnecessária aos empresários, que ficam sem dinheiro para expandir os negócios. E isso sai de Lisboa, que está a Leste do que se passa na tesouraria de qualquer PME do país. Explica-me lá se conseguires por que motivo décadas atrás o Litoral Norte era mais rico que a Galiza, entretanto os galegos passaram-nos a perna. Como explicas isto?
 
Orion para teres noção da porcaria que o Estado faz dou-te um exemplo.

Segundo uma lei de 2010 quando se faz em caixa mais de 135 euros o empregado tem direito a 10 euros extra além do salário. No Algarve é comum fazer-se isto em Julho e Agosto. Portanto por empregado são 300 euros extra além do salário, de acordo com a lei. Contudo no Inverno não se ganha nada, e o Inverno é longo. O patrão precisa de guardar no Verão para viver no Inverno. E esses 300 euros extra por empregado por mês farão falta no Inverno para o patrão viver.

Um empregado não ganha apenas o salário mínimo. Um empregado com o salário mínimo com os extras que a lei exige pode chegar na realidade quase aos 1000 euros por mês. Para uma despesa destas com um empregado, para um café ser viável teria de pôr o café a 1 euro, por exemplo, e os bolos a 2 euros. Isso é matemática pura. E se puser a estes preço perde os clientes pois o sector está sobredimensionado.

Sabias por exemplo que se fizeres um contrato a prazo e não o renovares tens de pagar uma compensação que na realidade é uma indemnização? Achas normal que um país puna os contratos a prazo? Há n trabalhos que são sazonais, ninguém pode contratar a termo. Na agricultura, fábricas com encomendas extraordinárias, restaurantes e hotéis junto a praias, etc.

Por isso parece que vivemos num enorme manicómio onde loucos populistas do BE, PCP e PS, e um ou outro da Direita, ditam regras que não têm qualquer fundamento racional quando conhecemos a realidade do país.
 
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Portugal é um país periférico à semelhança da Europa de leste.



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As capitais tendem a ser o local mais rico de um país. Portugal não é diferente.

Novamente, carregas no marxismo cultural mas só defendes medidas que aumentam isso mesmo (integração europeia). Não é engraçado? :D

Tenho um arquivo imenso de argumentos válidos para argumentar, tais como diz Rui Rio ou Rui Moreira, o desenvolvimento em cidades da Europa desenvolvida não se concentram apenas nas capitais mas em outras metropoles de nivel gama. Falei do Norte de Espanha desde do Golfo da Biscaia até á Galiza, uma região que mistura urbanidade com ruralidade, mas que tem uma demografia elevada e uma densidade elevada em medias cidades, em areas metropolitanas pouco saturadas. Bilbau-San Sebastian, Vitoria, Pamplona, Gijon-Alives e Oviedo, Santander, Corunha e Ferroel, Compostela, Vigo, posso dar mais Norte de Itália, Alemanha, Benelux.
O centralismo é um sindroma de 3º mundo e cobardia.
Como disse não vou expor aqui os imensos argumentos válidos que tenho, sei o que está por detrás disto. Há muita bola, muitas guerrinhas de alecrim e manjerona, como já foi aqui dito o grande defeito nacional muita Inveja, muitas represálias, feitas de forma muito inteligente e quase totalmente subversiva.
O pais vive bem com isto, muita gente do Norte vive com este estado de coisas á quem até nem a consiga perceber, nos Açores, no Alentejo, no Algarve vive-se bem com o centralismo, desde que seja só uma cidade a mandar, apenas um a ganhar está tudo bem e siga a marinha, afinal Portugal gosta de chefes, fomos um pais colonial, se pormos uma capa de esquerda, uma boina da cabeça e estarmos sempre a queixarmos perpetuando ainda mais o centralismo melhor ninguém quer saber.
O Norte cometeu erros, condiziu mal as coisas em alguns momentos, misturou muita coisa, com um discurso muito errado, deu muitos trunfos até digo mais é o Norte o principal responsável disso, muita desunião, falta de partidos, de comunicação social, de lobbie. A estocada quase final foi dada em 1998 é 1998 que tudo muda e o Norte perde o Norte, até lá as diferenças que já foram aqui referidas entre Porto e Lisboa era mínimas ou nenhumas a Rua Santa Catarina era uma coisa impressionante a nivel de dinamismo económico. Em 1998 a coisa muda. As coisas vão mudando o Norte tem produzido mesmo assim alguns excelentes politicos independentes que vão aqui e ali dando uns alertas á navegação e lutando com os poucos recursos que têm.
Falando em incoerências é interessante ver um pais tão de esquerda, tão revolucionário, tão afecto a causas, da boina e do punho erguido, que fala tanto em soberania na UE mas depois cá no burgo agem de forma colonial.
Orion isto são opiniões cada um tem a sua, como disse este é o Tema proibido, o grande tabu do pais, o elefante na sala de Portugal, a nossa guerrinha silenciosa é talvez o tema que envolve muitas variáveis muitas paixões, por isso prefiro não o comentar muito mais. Acho que a minha opinião é clara.
 
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As coisas têm raízes na História. Lisboa é uma cidade de economia extractiva. Como perdeu a escravatura e o Império voltou-se agora para os impostos cá dentro e para o financiamento da UE.

A passagem foi escrita em italiano, no século XVI, e é assim que surge no espólio da Biblioteca da Ajuda. Traduzida, revela um português estranho aos leitores contemporâneos e uma realidade difícil de acreditar. “Tem criação de escravos mouros, alguns dos quais reservados unicamente para fecundação de grande número de mulheres, como garanhões, tomando-se registo deles como das raças de cavalos em Itália. Deixam essas mulheres ser montadas por quem quiserem, pois a cria pertence sempre ao dono da escrava e diz-se que são bastantes as grávidas. Não é permitido ao mouro garanhão cobrir as grávidas, sob a pena de 50 açoites, apenas cobre as que o não estão, porque depois as respetivas crias são vendidas por 30 ou 40 escudos cada uma. Destes rebanhos de fêmeas há muitos em Portugal e nas Índias, somente para a venda de crias.”

O relato da existência de escravos reprodutores no Paço Ducal de Vila Viçosa, a mais importante casa nobre portuguesa, foi feito por João Baptista Venturino da Fabriano, secretário do cardeal Alexandrino Miguel Bonello, enviado papal à corte portuguesa em 1571 para propor Margarida de Valois como noiva de D. Sebastião. A união do rei de Portugal com a filha de Henrique II e Catarina de Médici — que acabaria por casar-se no ano seguinte com Henrique IV e tornar-se a rainha Margot de França, célebre pela morte de milhares de protestantes —, não se concretizou. E quanto aos escravos, nada mais se soube.

No século XVI viveriam 350 pessoas no paço ducal e a criação de escravos teria lugar num terreno ao lado da casa principal, uma zona ainda hoje conhecida pelos trabalhadores locais como a “ilha”. Atualmente só resta o chão, coberto de pedras, nas imediações do picadeiro e do local onde terá estado o torreão onde, em 1512, foi degolada D. Leonor, de 23 anos, pelo seu marido, o quarto duque de Bragança, D. Jaime, acusada de ter um pajem de 16 anos por amante.


O paço era então liderado pelo sexto duque de Bragança, D. João I, que três anos mais tarde acompanhou D. Sebastião na primeira incursão em África, levando com ele 600 cavaleiros e dois mil infantes. Não participou, contudo, na desastrosa expedição de 1578 devido a violentas febres, tendo enviado o primogénito D. Teodósio II, que com dez anos foi ferido em Alcácer-Quibir e viria a ser pai de D. João IV, aclamado rei de Portugal em 1640.

O “segredo”, com mais de 400 anos, continua a ser desconhecido por muitos dos investigadores da escravatura em Portugal. Os historiadores que o conhecem defendem que o episódio tem de ser estudado para que se compreenda se foi um caso único ou se representa a ponta de um novelo espesso.

O primeiro a ficar incomodado com o relato foi Alexandre Herculano, no século XIX. Nos “Opúsculos”, volume VI, refere o texto de Venturino, com pudor: “Falando dos escravos, a linguagem do autor é bastante solta, e por isso não transcreveremos esta passagem. Basta saber que estes desgraçados eram considerados e tratados como as raças de cavalos em Itália, e pelo mesmo método, que o que se buscava era ter muitas crias para as vender a trinta e quarenta escudos”.

Foram as lacunas de Herculano que levaram Jorge Fonseca, estudioso da escravatura, a procurar o documento original. Encontrou-o na Biblioteca da Ajuda, traduziu a passagem e publicou-a em 2010 no livro “Escravos e Senhores na Lisboa Quinhentista”. Um ano depois, Isabel Castro Henriques, a maior especialista portuguesa da área, cita-a em “Os Africanos em Portugal, História e Memória, séculos XV-XXI”. E é ela quem mais se insurge com a inexistência de estudos: “Impõem-se investigações rigorosas. Este é um documento de extrema violência, em que os escravos são tratados como cavalos. A investigação é difícil mas tem de ser feita”, afirmou recentemente numa conferência sobre a escravatura, na Biblioteca Nacional, em Lisboa.


SINAIS DE ALERTA
Antes de Venturino, Nicolau Clenardo escrevera cartas em que, embora não tão explícita, é referida uma estrutura de produção com fins comerciais: “Os mais ricos têm escravos de ambos os sexos e há indivíduos que fazem bons lucros com a venda dos filhos das escravas nascidos em casa. Chega-me a parecer que os criam como pombas para levar ao mercado. Longe de se ofenderem com as ribaldias das escravas, estimam até que tal suceda.” Testemunha do Portugal do século XVI, Clenardo chegou ao país em 1533 para ser mestre do infante D. Henrique, irmão do rei D. João III e sem meias-palavras, relatou: “Mal pus os pés em Évora, julguei-me transportado a uma cidade do inferno: por toda a parte topava negros.”

Na publicação “A herança africana em Portugal”, Isabel Castro Henriques explica que “desde o início de quinhentos, os autores sobretudo estrangeiros davam conta de uma atividade de produção, marcada por um carácter insólito e cruel: a criação de escravos, como se de animais se tratassem, destinada a abastecer o mercado nacional, mas também para exportação”. E transcreve uma passagem da Collecção da Legislação Portuguesa (1763-1790), que denunciava a existência de pessoas “em todo o Reino do Algarve, e em algumas províncias de Portugal (que tinham) escravas reprodutoras, algumas mais brancas do que os próprios donos, outras mestiças e ainda outras verdadeiramente negras, (designadas) ‘pretas’ ou ‘negras’, pela repreensível propagação delas perpetuarem os cativeiros”.


Questionada sobre as razões da falta de estudos sobre os escravos, Mafalda Soares da Cunha, professora da Universidade de Évora e considerada a mais importante estudiosa da Casa de Bragança, não tem dúvidas: “A investigação histórica mais recente, incentivada pelas novas agendas historiográficas internacionais, começa a tratar de forma mais sistemática e menos dependente ideologicamente da questão da presença dos escravos na história de Portugal. Os resultados são manifestamente insuficientes, mas o tema deixou de ser maldito e silenciado como o foi no passado mais recente. Creio mesmo que desperta interesse entre as gerações mais jovens de historiadores que, de certa forma também entendem o estudo da escravatura como uma forma de participação nas lutas pelos direitos humanos. Mas ainda estamos num estádio muito embrionário.”

Fantasmas históricos, os escravos não são personagens principais. “O estudo de populações com pouco acesso à escrita e aos recursos de poder é sempre difícil. Não sendo atores reconhecidos pelo sistema político, pouco falam por si, a menos que colidam com o sistema instituído. As referências de época são muitas vezes indiretas e distorcidas e os conhecimentos desses grupos, e em particular dos escravos, exige sempre um esforço grande de desconstrução das visões dominantes da época e dos contextos em que se produziram as referências”, explica a especialista.


Há pouca informação, por exemplo, sobre os escravos agrícolas porque a sua existência não tinha outro interesse para a época senão como parte dos equipamentos de uma qualquer exploração agrícola. Mas como sublinha Mafalda Soares da Cunha, “eles existiam e agiam”. Num artigo na revista “Callipole”, Jorge Fonseca relata que o duque D. Teodósio I, em 1564, teria 48 escravos, dos quais 20 serviam na estrebaria, quatro na cozinha e na copa e quatro eram varredeiros, entre outras funções. A contabilização parece ser o mais longe que se consegue ir.
Quanto ao episódio dos reprodutores, relatado por Venturino, Mafalda Soares da Cunha desconhecia-o antes do contacto do Expresso e alerta ser necessário perceber o contexto do relato para compreender a intencionalidade da narrativa e a sua veracidade, mas conclui: “Não excluo evidentemente a possibilidade. A documentação que conheço da Casa de Bragança é totalmente omissa quanto a isso, mas a probabilidade de acontecer parece-me evidente.”


PERGUNTAS & RESPOSTAS
Quando chegaram a Portugal os primeiros escravos africanos?
Os primeiros escravos negros entraram em Portugal ainda no século XV, através de Marrocos, havendo registo de apreensões desde 1441, embora o uso de mão de obra escrava fosse largamente difundido desde o século XIV. Em 1444 teve lugar o primeiro carregamento de 235 escravos, trazidos do Golfo de Arguim, atual Mauritânia. O próprio Infante D. Henrique terá estado presente no primeiro leilão de escravos em Lagos, o passo inaugural para um importante negócio de exportação sobretudo para Sevilha, Cádis e Valência.

Quantos escravos existiam em Portugal no século XVI?
Lisboa abrigava quase dez mil escravos, o que equivaleria a cerca de 10% da população da capital na altura. A maior parte dos escravos encontrava-se no Algarve, região seguida pelo Baixo Alentejo, Vale do Tejo e pelo distrito de Évora. No século XVII, o número diminuiu substancialmente devido ao desvio para o cultivo de açúcar no Brasil.


Qual a influência da procura de escravos no continente americano no seu preço?
A partir de 1540, o aumento da procura de escravos para as plantações de açúcar nas Antilhas, primeiro, e depois no Brasil, fez com que o preço dos escravos aumentasse exponencialmente, tendo sido registada uma valorização de mais de 500% em três décadas, segundo o historiador António de Almeida Mendes.

Quais os escravos mais cobiçados pelo tráfico negreiro?
Os escravos “minas”, originários da Costa da Mina, no Golfo da Guiné (Gana, Togo, Benim e Nigéria), eram os mais procurados nos mercados consumidores, devido à maior resistência física. Os “angolas” eram considerados mais frágeis e com uma maior tendência a cometer suicídio. Em 1644, um decreto do D. João VI autorizaria os comerciantes a comprarem diretamente a mão de obra àquela região, como explica o historiador João Pedro Marques no livro “Portugal e a Escravatura dos Africanos”.

Quantos escravos morriam nas viagens nos navios negreiros?
Cerca de um quarto dos escravos morria durante o transporte transatlântico. Outros, cujo número é difícil de precisar, morriam nas viagens do interior até aos portos de embarque. Alguns, ainda, não resistiam à espera pelo embarque nos navios. Chegados ao destino, a vida nas colónias também os matava, o que permitiria totalizar a morte acumulada em todo o processo num patamar superior a 70%.

Qual o maior destino mundial de escravos?
O Brasil, entre meados do século XVI e até cerca de 1850, quando 42% do tráfico negreiro, o equivalente a cinco milhões de pessoas, terá partido de África em direção ao território brasileiro. Estima-se que atualmente cerca de um terço da população brasileira descenda de angolanos. Os maiores traficantes mundiais de escravos foram os portugueses radicados no Brasil.


Portugal foi o primeiro país a acabar com a escravatura?
Não. Em 1761, o marquês de Pombal, através de um alvará régio, acabou com o tráfico de escravos para a metrópole. A 10 de dezembro de 1836, uma lei proibiu o tráfico de escravos nos domínios portugueses ao sul do Equador. A escravatura continuou no Brasil até 1888, quando o país já era independente. Portugal só a aboliu totalmente em 1875. Em 1794, o Haiti foi o primeiro país a abolir a escravatura na sequência de uma revolta de escravos, seguindo-se a Dinamarca em 1804.
http://expresso.sapo.pt/sociedade/2015-12-08-O-segredo-dos-escravos-reprodutores


 
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As coisas têm raízes na História. Lisboa é uma cidade de economia extractiva. Como perdeu a escravatura e o Império voltou-se agora para os impostos cá dentro e para o financiamento da UE.

A passagem foi escrita em italiano, no século XVI, e é assim que surge no espólio da Biblioteca da Ajuda. Traduzida, revela um português estranho aos leitores contemporâneos e uma realidade difícil de acreditar. “Tem criação de escravos mouros, alguns dos quais reservados unicamente para fecundação de grande número de mulheres, como garanhões, tomando-se registo deles como das raças de cavalos em Itália. Deixam essas mulheres ser montadas por quem quiserem, pois a cria pertence sempre ao dono da escrava e diz-se que são bastantes as grávidas. Não é permitido ao mouro garanhão cobrir as grávidas, sob a pena de 50 açoites, apenas cobre as que o não estão, porque depois as respetivas crias são vendidas por 30 ou 40 escudos cada uma. Destes rebanhos de fêmeas há muitos em Portugal e nas Índias, somente para a venda de crias.”

O relato da existência de escravos reprodutores no Paço Ducal de Vila Viçosa, a mais importante casa nobre portuguesa, foi feito por João Baptista Venturino da Fabriano, secretário do cardeal Alexandrino Miguel Bonello, enviado papal à corte portuguesa em 1571 para propor Margarida de Valois como noiva de D. Sebastião. A união do rei de Portugal com a filha de Henrique II e Catarina de Médici — que acabaria por casar-se no ano seguinte com Henrique IV e tornar-se a rainha Margot de França, célebre pela morte de milhares de protestantes —, não se concretizou. E quanto aos escravos, nada mais se soube.

No século XVI viveriam 350 pessoas no paço ducal e a criação de escravos teria lugar num terreno ao lado da casa principal, uma zona ainda hoje conhecida pelos trabalhadores locais como a “ilha”. Atualmente só resta o chão, coberto de pedras, nas imediações do picadeiro e do local onde terá estado o torreão onde, em 1512, foi degolada D. Leonor, de 23 anos, pelo seu marido, o quarto duque de Bragança, D. Jaime, acusada de ter um pajem de 16 anos por amante.


O paço era então liderado pelo sexto duque de Bragança, D. João I, que três anos mais tarde acompanhou D. Sebastião na primeira incursão em África, levando com ele 600 cavaleiros e dois mil infantes. Não participou, contudo, na desastrosa expedição de 1578 devido a violentas febres, tendo enviado o primogénito D. Teodósio II, que com dez anos foi ferido em Alcácer-Quibir e viria a ser pai de D. João IV, aclamado rei de Portugal em 1640.

O “segredo”, com mais de 400 anos, continua a ser desconhecido por muitos dos investigadores da escravatura em Portugal. Os historiadores que o conhecem defendem que o episódio tem de ser estudado para que se compreenda se foi um caso único ou se representa a ponta de um novelo espesso.

O primeiro a ficar incomodado com o relato foi Alexandre Herculano, no século XIX. Nos “Opúsculos”, volume VI, refere o texto de Venturino, com pudor: “Falando dos escravos, a linguagem do autor é bastante solta, e por isso não transcreveremos esta passagem. Basta saber que estes desgraçados eram considerados e tratados como as raças de cavalos em Itália, e pelo mesmo método, que o que se buscava era ter muitas crias para as vender a trinta e quarenta escudos”.

Foram as lacunas de Herculano que levaram Jorge Fonseca, estudioso da escravatura, a procurar o documento original. Encontrou-o na Biblioteca da Ajuda, traduziu a passagem e publicou-a em 2010 no livro “Escravos e Senhores na Lisboa Quinhentista”. Um ano depois, Isabel Castro Henriques, a maior especialista portuguesa da área, cita-a em “Os Africanos em Portugal, História e Memória, séculos XV-XXI”. E é ela quem mais se insurge com a inexistência de estudos: “Impõem-se investigações rigorosas. Este é um documento de extrema violência, em que os escravos são tratados como cavalos. A investigação é difícil mas tem de ser feita”, afirmou recentemente numa conferência sobre a escravatura, na Biblioteca Nacional, em Lisboa.


SINAIS DE ALERTA
Antes de Venturino, Nicolau Clenardo escrevera cartas em que, embora não tão explícita, é referida uma estrutura de produção com fins comerciais: “Os mais ricos têm escravos de ambos os sexos e há indivíduos que fazem bons lucros com a venda dos filhos das escravas nascidos em casa. Chega-me a parecer que os criam como pombas para levar ao mercado. Longe de se ofenderem com as ribaldias das escravas, estimam até que tal suceda.” Testemunha do Portugal do século XVI, Clenardo chegou ao país em 1533 para ser mestre do infante D. Henrique, irmão do rei D. João III e sem meias-palavras, relatou: “Mal pus os pés em Évora, julguei-me transportado a uma cidade do inferno: por toda a parte topava negros.”

Na publicação “A herança africana em Portugal”, Isabel Castro Henriques explica que “desde o início de quinhentos, os autores sobretudo estrangeiros davam conta de uma atividade de produção, marcada por um carácter insólito e cruel: a criação de escravos, como se de animais se tratassem, destinada a abastecer o mercado nacional, mas também para exportação”. E transcreve uma passagem da Collecção da Legislação Portuguesa (1763-1790), que denunciava a existência de pessoas “em todo o Reino do Algarve, e em algumas províncias de Portugal (que tinham) escravas reprodutoras, algumas mais brancas do que os próprios donos, outras mestiças e ainda outras verdadeiramente negras, (designadas) ‘pretas’ ou ‘negras’, pela repreensível propagação delas perpetuarem os cativeiros”.


Questionada sobre as razões da falta de estudos sobre os escravos, Mafalda Soares da Cunha, professora da Universidade de Évora e considerada a mais importante estudiosa da Casa de Bragança, não tem dúvidas: “A investigação histórica mais recente, incentivada pelas novas agendas historiográficas internacionais, começa a tratar de forma mais sistemática e menos dependente ideologicamente da questão da presença dos escravos na história de Portugal. Os resultados são manifestamente insuficientes, mas o tema deixou de ser maldito e silenciado como o foi no passado mais recente. Creio mesmo que desperta interesse entre as gerações mais jovens de historiadores que, de certa forma também entendem o estudo da escravatura como uma forma de participação nas lutas pelos direitos humanos. Mas ainda estamos num estádio muito embrionário.”

Fantasmas históricos, os escravos não são personagens principais. “O estudo de populações com pouco acesso à escrita e aos recursos de poder é sempre difícil. Não sendo atores reconhecidos pelo sistema político, pouco falam por si, a menos que colidam com o sistema instituído. As referências de época são muitas vezes indiretas e distorcidas e os conhecimentos desses grupos, e em particular dos escravos, exige sempre um esforço grande de desconstrução das visões dominantes da época e dos contextos em que se produziram as referências”, explica a especialista.


Há pouca informação, por exemplo, sobre os escravos agrícolas porque a sua existência não tinha outro interesse para a época senão como parte dos equipamentos de uma qualquer exploração agrícola. Mas como sublinha Mafalda Soares da Cunha, “eles existiam e agiam”. Num artigo na revista “Callipole”, Jorge Fonseca relata que o duque D. Teodósio I, em 1564, teria 48 escravos, dos quais 20 serviam na estrebaria, quatro na cozinha e na copa e quatro eram varredeiros, entre outras funções. A contabilização parece ser o mais longe que se consegue ir.
Quanto ao episódio dos reprodutores, relatado por Venturino, Mafalda Soares da Cunha desconhecia-o antes do contacto do Expresso e alerta ser necessário perceber o contexto do relato para compreender a intencionalidade da narrativa e a sua veracidade, mas conclui: “Não excluo evidentemente a possibilidade. A documentação que conheço da Casa de Bragança é totalmente omissa quanto a isso, mas a probabilidade de acontecer parece-me evidente.”


PERGUNTAS & RESPOSTAS
Quando chegaram a Portugal os primeiros escravos africanos?
Os primeiros escravos negros entraram em Portugal ainda no século XV, através de Marrocos, havendo registo de apreensões desde 1441, embora o uso de mão de obra escrava fosse largamente difundido desde o século XIV. Em 1444 teve lugar o primeiro carregamento de 235 escravos, trazidos do Golfo de Arguim, atual Mauritânia. O próprio Infante D. Henrique terá estado presente no primeiro leilão de escravos em Lagos, o passo inaugural para um importante negócio de exportação sobretudo para Sevilha, Cádis e Valência.

Quantos escravos existiam em Portugal no século XVI?
Lisboa abrigava quase dez mil escravos, o que equivaleria a cerca de 10% da população da capital na altura. A maior parte dos escravos encontrava-se no Algarve, região seguida pelo Baixo Alentejo, Vale do Tejo e pelo distrito de Évora. No século XVII, o número diminuiu substancialmente devido ao desvio para o cultivo de açúcar no Brasil.


Qual a influência da procura de escravos no continente americano no seu preço?
A partir de 1540, o aumento da procura de escravos para as plantações de açúcar nas Antilhas, primeiro, e depois no Brasil, fez com que o preço dos escravos aumentasse exponencialmente, tendo sido registada uma valorização de mais de 500% em três décadas, segundo o historiador António de Almeida Mendes.

Quais os escravos mais cobiçados pelo tráfico negreiro?
Os escravos “minas”, originários da Costa da Mina, no Golfo da Guiné (Gana, Togo, Benim e Nigéria), eram os mais procurados nos mercados consumidores, devido à maior resistência física. Os “angolas” eram considerados mais frágeis e com uma maior tendência a cometer suicídio. Em 1644, um decreto do D. João VI autorizaria os comerciantes a comprarem diretamente a mão de obra àquela região, como explica o historiador João Pedro Marques no livro “Portugal e a Escravatura dos Africanos”.

Quantos escravos morriam nas viagens nos navios negreiros?
Cerca de um quarto dos escravos morria durante o transporte transatlântico. Outros, cujo número é difícil de precisar, morriam nas viagens do interior até aos portos de embarque. Alguns, ainda, não resistiam à espera pelo embarque nos navios. Chegados ao destino, a vida nas colónias também os matava, o que permitiria totalizar a morte acumulada em todo o processo num patamar superior a 70%.

Qual o maior destino mundial de escravos?
O Brasil, entre meados do século XVI e até cerca de 1850, quando 42% do tráfico negreiro, o equivalente a cinco milhões de pessoas, terá partido de África em direção ao território brasileiro. Estima-se que atualmente cerca de um terço da população brasileira descenda de angolanos. Os maiores traficantes mundiais de escravos foram os portugueses radicados no Brasil.


Portugal foi o primeiro país a acabar com a escravatura?
Não. Em 1761, o marquês de Pombal, através de um alvará régio, acabou com o tráfico de escravos para a metrópole. A 10 de dezembro de 1836, uma lei proibiu o tráfico de escravos nos domínios portugueses ao sul do Equador. A escravatura continuou no Brasil até 1888, quando o país já era independente. Portugal só a aboliu totalmente em 1875. Em 1794, o Haiti foi o primeiro país a abolir a escravatura na sequência de uma revolta de escravos, seguindo-se a Dinamarca em 1804.
http://expresso.sapo.pt/sociedade/2015-12-08-O-segredo-dos-escravos-reprodutores


Hoje deu uma reportagem no programa norte-americano 60 minutos na Sic Noticias, sobre o comércio de escravos na Ilha de Moçambique, reportagem feita por afro-americanos, para um português é um pouco difícil encaixar aquela reportagem, a imagem que temos na comunidade afro-americana não é propriamente simpática.
Mas isso é passado, a historia vale o que vale e foi feita com muito sangue e injustiças em todo o lado.
Mas as diferenças sócio-económicas entre Lisboa e as cidades do Litoral Norte com principal destaque para o Porto, mas não só, tem haver com a economia extractiva colonial.
 
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Portugal e Espanha chegaram a ter quase 50% da população em trabalho não produtivo nos séculos XVII e XVIII. Lisboa era uma das maiores cidades da Europa antes do terramoto. A população não produtiva estava em conventos, trabalhava para fidalgos, era da nobreza ou pedia nas ruas. Os mercadores do Norte ficavam de boa aberta.

Agora voltámos ao mesmo. Mais de 6 milhões de almas dependem directamente ou indirectamente do Orçamento de Estado. E não temos Império nem escravos no Brasil. Isto vai correr mal e não sei como ninguém vê o buraco em que estamos metidos.
 
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Este médico cristão-novo teve de fugir por causa da Inquisição:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jacob_de_Castro_Sarmento

Lançou o projecto para o primeiro jardim botânico de Coimbra antes do jardim do Marquês.

Como ele foram «expulsos» do país muitas outras elites.

Agora que se façam os paralelos com o passado recente. O Estado Novo levou à fuga de milhares de pessoas. O PREC mandou embora a elite económica. O fascismo fiscal e a panca reguladora recente levam à elevada emigração que temos agora. Não saímos disto por causa da cultura castradora da capital portuguesa.
 
Tenho um arquivo imenso de argumentos válidos para argumentar, tais como diz Rui Rio ou Rui Moreira, o desenvolvimento em cidades da Europa desenvolvida não se concentram apenas nas capitais mas em outras metropoles de nivel gama.

Orion isto são opiniões cada um tem a sua, como disse este é o Tema proibido, o grande tabu do pais, o elefante na sala de Portugal, a nossa guerrinha silenciosa é talvez o tema que envolve muitas variáveis muitas paixões, por isso prefiro não o comentar muito mais. Acho que a minha opinião é clara.

Eu só leio acusações de marxistas culturais. Se o tema é proibido e os teus argumentos são tão extensos como persuasivos não vejo qual é o problema em apresentá-los. Já defendes uma teoria da conspiração com menos provas (o marxismo cultural) :D

Excluindo as políticas individuais de cada país, nas cidades há sempre mais riqueza. Dou o exemplo chinês porque é um exemplo de urbanização recente:

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Um dos grandes de Portugal é que não tem grandes multinacionais para dar grandes receitas ao estado (e os espanhóis sempre que puderem comprarão toda a concorrência antecipadamente). As PME's é que são a espinha dorsal do emprego. Em 2012:



Para dar a volta ao país há que identificar os problemas e resolvê-los. E o povo português não é assim tão burro, estúpido, atrasado... como alguns estão a sempre a dizer. Mas isto sou eu, anti-marxista cultural primário.
 
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