Portugal nunca teve muita cultura de trabalho, há várias explicações para este fenómeno, mas com os Descobrimentos instalou-se na capital uma corte que se habituou a viver à grande sem esforço. Esta cultura de elites permaneceu com altos e baixos até hoje. São homens e mulheres de todo o país que caem na capital nas grandes empresas do Regime, Ministérios, institutos, escritórios de advocacia, Ordens, etc, e vivem sugando o resto do país. Lisboa (e não os alfacinhas, não os habitantes da cidade) é um eucalipto que «seca» a província mais do que nunca, agora que perdeu África ou Macau, e que o dinheiro da Europa já não pinga como no passado.
Portugal e Grecia são os paises do chamado 1º mundo que mais centralizam o poder em redor de uma unica cidade.
Actualmente o ditado: "para lá do Marão mandam os que lá estão" já não se aplica desde dos finais dos anos 90, que através de futebois, desunir para reinar, que o poder regional que o Norte do pais possuia e influencia que exercia no pais foi mirrando, bem como um sentido de pertença e uma entidade colectiva que o Norte tinha de forma muito vincada. Como sulista e lisboeta admito que existe, nos lisboetas, no sul do pais um tabu, e um complexo, diria um consenso silencioso que advém e muito penso que o aconteceu no pos- 25 de Abril, os portugueses não tem bem a noção do quão perigosa foi a situação do pos-25 de Abril e o quão perto tivemos de o pais se dividir literalmente ao meio e não foi de todo as rivalidades futebolisticas que determinaram essa situação, acho que essa situação criou um trauma colectivo, no Sul, Lisboa em geral, que fez com que Lisboa fosse reproduzindo cada vez mais um poder centrado em si, capaz de captar todos quadros, todas as actividades para seu redor, e de facto de uma forma diria muito silenciosa, inteligente, sobrevesiva, discreta, mirrar o Poder e a autonomia que existia principalmente na cidade do Porto quer a nivel cultural, economico,elites, que de facto se olharmos para a sua historia o desenvolvimento da cidade do Porto e a sua afirmação principalmente na época vitoriana e no inicio do seculo XX, é uma historia exactamente oposta á cidade Lisboa, pois o Porto cresce sempre ou praticamente sempre com a ausência de Estado, ao contrário de Lisboa que cresce por ser a cidade de Estado.
Hoje em dia, com um total controlo dos media pelo Poder lisboeta, pelo iman de atração que Lisboa exerce de trazer quadros políticos de todo o pais, e com o mirrar do que era o Norte, nos anos 60,70,80, acho praticamente impossível que essa situação se inverta. Que o Norte perdeu uma oportunidade única de se ter afirmado como uma região autónoma altamente industrializada, com clusters que passariam pelo têxtil, moda, vinhos,etc, que poderia estabelecer uma forte ligação dada a proximidade geográfica com o Norte de Espanha, e que teria um paradigma diferente de um pais muito virado para o funcionalismo publico isso não tenho a mais qualquer tipo de duvida, mas foi uma situação considero irreversível, Hoje em dia infelizmente o Norte do pais é talvez a região mais pobre do pais olhando para o PIB per capita, quando no meu entender poderia ser a mais prospera. Esta realidade ou a culpa não pode ser de todo, dada apenas a Lisboa, antes pelo contrário, o Norte ao contrário do que acontecia á uns anos e do que reza a sua historia que antes da formação de Portugal, nunca pertenceu ao mesmo espaço que o centro e sul do pais, o Norte desuniu-se imenso, vive muito no entender de facções, liga em demasia a rivalidades futebolistas inúteis, que acabam por estranho que pareça desunir a própria região, e sejamos sinceros quem faz Lisboa aquilo que é e o Poder que tem, sempre foram as pessoas do Norte do pais, portanto a culpa principal no meu entender da situação diria de enclave que o Norte pode atravessar deve-se e muito a uma falta de união, a uma falta de revindicação das suas populações, longe vão os tempos dos anos 70 em que ai sim Lisboa tremeu com o Poder do Norte do pais, e tinha de tremer pois o Norte não é Madeira nem os Açores não têm 250,300 mil habitantes, o Norte demograficamente corresponde praticamente a 40% da população portuguesa, tem um Poder regional muito maior que por exemplo tem a Escocia no Reino Unido.
E acho que em Portugal, talvez por o que se passou nos anos 70, no pos 25 de Abril que foi de facto uma situação muito perigosa, muito mesmo, muito mais que o que nós podemos pensar, o pais poderia caso as potencias assim o decidissem poderia ter-se dividido ao meio, e essa é um parte da Historia contemporanea de Portugal que não é contada, acho que devido a esse trauma, que o povo portugues não o encara, fez que isso não se passou, devido a esse trauma, em Portugal confunde-se por exemplo uma simples reforma administrativa regional, com uma declaração unilateral de independência, tipo Catalunha.