O Estado do País 2016

Historicamente fomos muito tempo uma sociedade extractiva pobre, elites capturando o Estado para conseguirem monopólios, concessões ou travar a alfabetização e a ascensão do povo e da pequena burguesia. O mercado comum foi em parte tolerado devido ao dinheiro que chegava via fundos comunitários, aos cargos políticos bem remunerados que Bruxelas oferece, e aos juros baixos que o BCE permite. Ao contrário do que sucede em Inglaterra, onde vastas porções da sociedade acreditam piamente nas vantagens do livre comércio, aqui não há muitos adeptos desses modelos sociais e económicos que permitem a liberdade comercial e a ascensão pelo mérito. Genericamente os nossos grandes empresários não gostam do trabalho, do risco, da inovação, preferem um mercado interno protegido e regulado. Cuidado pois com as vozes que vão começar a surgir contra a UE e a globalização.

Excelente analise.
 
De facto o português tem uma baixa autoestima, elevando exageradamente o estatuto das entidades estrangeiras. Vejamos o caso da banca espanhola em poucos pontos:

- Aquando da crise, a Troika emprestou dinheiro ao estado português e este emprestou/salvou os bancos. Na Espanha não houve empréstimo ao estado, mas houve garantias de 100 mil milhões aos bancos. Desse dinheiro, 41 mil milhões foi efetivamente emprestado.

- Em Portugal fala-se da criação de um banco mau 'geral'. Em Espanha isso foi criado em 2012 tendo o nome de Sareb. O processo do Sareb está indo mais ou menos rápido mas é um buraco. Mas oficialmente é uma coisa boa.

Os bancos são esquemas ponzi. Sobrevivem enquanto a economia (isto é o crédito) cresce. Pessoalmente não acho que a banca espanhola seja muito melhor que a portuguesa e compreendo os argumentos da concentração bancária (inevitável tendo em conta a globalização).

A indústria bancária é o típico negócio de privatização dos lucros e socialização das perdas. Já escrevi, e repito, que o bail-in é um embuste colossal:

ECB's Praet: untested bail-in rules are main concern over bank stability

Não só não será insuficiente para cobrir as perdas dos bancos como a sua aplicação em larga escala (inevitável devido à interligação) causará estragos com consequências que durarão décadas. E os pedidos para a concentração bancária são contraproducentes. Em termos práticos é apenas a perpetuação de um regime de capitalismo clientelista com regras próprias (em geral os bancos grandes - com tendência para ficarem maiores - dificilmente desaparecerão).

Voltando a um assunto que abordo recorrentemente:

Deutsche Bank’s Woes May Be ‘Insurmountable,’ Berenberg Says (2016)

E... em 2010:

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Mas vos escrevo. Os factos não interessam e a banca alemã é a mais sólida da Europa :rolleyes:
 
Última edição:
É impressão minha ou o PCP anda a votar contra todos os projetos - lei do BE?

Devo dizer que o chumbo do glifosato me chocou um pouco, vindo do PCP/PEV.

Os verdes devem ter pensado... "bem um poucochinho de glifosato nas ervinhas e nos bichinhos, até pode ser benéfico para a evolução das espécies". :lmao:
 
A minha mãe está doente e pediu-me para ir ao banco depositar dinheiro na conta dela, ao longo de anos depositei dinheiro na conta dos meus avós e dos meus pais como «moço dos recados», desta vez pediram-me BI e número de contribuinte, perguntei o que se passava, agora o Estado quer controlar os depósitos na conta de outras pessoas... entretanto uma familiar ligou-me a contar que recebeu uma carta estranha da CGD por ter usado o cartão do marido para fazer pagamentos em nome dela, a conta tem dois titulares. Tenho um amigo que recebeu um dinheiro dos avós como prenda e foi depositar na CGD, mais tarde recebeu um chamada do balcão e teve de justificar a origem do dinheiro. Em Portugal começa-se a sentir uma espécie de sufoco fiscal, passámos de uma ditadura que proibia o comunismo e que era conservadora nos costumes para uma ditadura socialista e fiscal que tolera a liberdade de expressão e a livre iniciativa desde que «reguladas»? Paulatinamente a democracia morre em nome do combate à fuga ao fisco.
 
Aqui, está uma notícia muito interessante:

Insolvências a aumentar em 2016

«Segundo o estudo, os "serviços dependentes da procura interna e de consequentes importações, continuam a constituir a maioria das insolvências e do seu aumento", sobretudo o comércio a retalho, por grosso e de veículos e a restauração.»

Repara em que sectores há essas falências, tudo áreas com sobredimensionamento para a nossa população e para o nosso poder de compra. Portugal está cheio de stands junto às estradas nacionais, passas em fronteira e quantos stands vês?

É estranho que os bancos emprestem ainda tanto dinheiro para estes sectores, faz-me confusão que a banca continue a emprestar para pessoas sem capital abrirem restaurantes, lojas, quiosques, padarias, em áreas onde há excesso de oferta, parte do problema está nos bancos, não estudam a nível local e regional a viabilidade destes negócios.

Por exemplo, toda a gente via que o Alisuper não tinha futuro, mas mesmo assim a Banca emprestou e aquilo faliu de novo.
 
Subitamente na câmara de Tavira e também na câmara de VRSA surgiram localidades por todo o lado até onde não existem moradias junto à estrada, e as estradas municipais passaram a ter velocidade máxima de 50 km/h ou mesmo de 40 em alguns pontos. Não sei quem são os loucos que decidiram isto, mas está-se a montar a armadilha perfeita para uma futura caça à multa bem rentável. É esta a gaiola dourada o socialismo.
 
Subitamente na câmara de Tavira e também na câmara de VRSA surgiram localidades por todo o lado até onde não existem moradias junto à estrada, e as estradas municipais passaram a ter velocidade máxima de 50 km/h ou mesmo de 40 em alguns pontos. Não sei quem são os loucos que decidiram isto, mas está-se a montar a armadilha perfeita para uma futura caça à multa bem rentável. É esta a gaiola dourada o socialismo.

Estás enganado, em Portugal, não existe caça à multa, existe é contra quem trabalha. Neste país, em que primeiro paga-se e depois é que faz a defesa está tudo dito, pois tens 48 h a seguir à notificação senão já não devolvem o dinheiro, caso faças defesa e se calhar esperas 2 anos para reveres o dinheiro caso revejas.

O Sexta às 9, transmitiu à umas semanas atrás uma reportagem, sobre a caça à multa em Portugal e ela existe, basta andar na estrada todos os dias, basta estacionar nas cargas e descargas e estares a efetuar a descarga e pimba levas uma multa porque demoraste muito tempo no cliente, porque normalmente o cliente confere a encomenda e paga logo, ou então, vens tirar o veículo e vais estacionar num estacionamento pago e isso se houver lugar. :rolleyes: O mais curioso, é ver carros ligeiros de passageiros estacionados nesses ditos estacionamentos e nem uma multa se vê por lá, curioso, como aqueles que trabalham é que levam sempre. Se calhar, se voltar a acontecer o mesmo, vou chamar a comunicação social para a vergonha que é, ou então, porque não pedir ajuda aos polícias para ajudarem com a mercadoria talvez assim seja mais rápido.:buh:
 
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Por acaso é um cenário que nunca vi em Inglaterra ou em Espanha, mas que é comum em Portugal: operações stop e várias carrinhas de distribuição ou camiões parados na berma. Tenho conhecimento de casos ridículos de pessoas multadas por causa da hora de descarga escrita na factura, ou pequenas diferenças no peso da carga, com multas desproporcionadas de centenas de euros. Além disso com as portagens tão altas as empresas são obrigadas a transportar deslocando-se nas nacionais, o que acaba por ser um inferno por causa dos limites de velocidade, há zonas com grandes extensões a 50 km/h, com poucas casas espalhadas longitudinalmente, que nem são verdadeiras povoações, os condutores perdem a paciência e acabam por circular a 80 e a 90 nesses locais... é o caso da recta de São Jorge, na zona da Batalha...

O mais perverso no meio disto tudo é que o Estado depende dessas multas para ter contas em «ordem», o dinheiro das multas deveria ser aplicado na prevenção rodoviária mas é receita para o Estado, portanto os agentes acabam por ter ordens superiores para fazer caça à multa em algumas regiões do país. Estas coisas acontecem porque não temos uma sociedade civil activa, o que temos são corporações ruidosas como os taxistas e os sindicatos ligados ao PCP, e entidades agressivas e com ligações partidárias intensas como a Misericórdia de Lisboa. Ninguém defende o cidadão do monstro perverso que se tornou o Estado e o cidadão está anestesiado e sem reacção.
 
Excelente reportagem do Sexta às 9 sobre os contratos de associação. A parte que mais me chamou atenção e me chocou foi quando mostraram duas instituições de ensino, pública e privada, uma ao lado da outra. A pública com falta de alunos e salas vazias e ao lado o Colégio quase sobrelotado. Como é que é possível. Alguém lucra com isto é não é o estado de certeza. Acho muito bem que o governo queira rever e renegociar estes contratos. É sua obrigação zelar pelo interesse público sempre que este esteja em causa. Enquanto, o estado paga milhões aos privados para lecionarem, temos escolas públicas degradadas e com falta de verbas. Isto revolta-me. Veja-se aqui as escolas de Ermesinde. A Escola Secundária de Ermesinde é uma escola com 40 anos e que não vê obras a mais de 25. Estava prevista uma intervenção em 2011, no âmbito da parque escolar, mas foi tudo cancelado pelo governo PSD/CDS. É uma escola degradada em que chove em algumas salas. Isto devia de revoltar qualquer um. Destruiram a escola pública. Bem, entretanto parece que a dívida pública desceu no primeiro trimestre, mas ninguém aqui falou nisso. Será obra ainda do anterior governo? :lol:
 
Pelo contrário.. a dívida pública aumentou! :) ou agora já não há défice? O que queres dizer é que baixou um pouco em % do Pib! Os primeiros 3 meses do ano ainda foram em duodécimos, correto? Os pagamentos do estado estão a atrasar-se, correto? As devoluções do resgate à troika, foram reduzidas, correto?

Quanto às parcerias com a escola privada acho muito bem, desde que não exista oferta pública nas proximidades. O que aconteceu com a parque escolar, em alguns casos, foi a construção lado a lado
de escolas onde já havia oferta, e noutros casos onde já não fazia sentido construir. Não faltam estudos sobre o desastre que foi a parque escolar.

Os cortes nos investimentos públicos foram desde logo acordados pelo governo que assinou o memorando da troika e depois cumpridos e até ampliados (bem ou mal) pela coligação anterior.

Para mim um desempregado do estado vale tanto respeito como um desempregado do privado.