A 'beleza' do pensamento preconceituoso é a sua previsibilidade. Para evitar ser acusado de enviesamentos, desde já enfatizo o óbvio que muitas vezes passa despercebido. A eficiência do cérebro e consequentemente do humano requer, no patamar mais básico de sobrevivência, um processamento rápido. Como tal, a generalização é algo inalienável de qualquer pessoa. Contudo, há muitas outras variáveis que condicionam isto (genética, experiências de vida, conhecimentos teóricos...).
Já foi pedido o levantamento da imunidade diplomática dos iraquianos porque, aparentemente, há indícios de tentativa de homicídio.
Por um lado, isto é a confirmação do que a malta mais 'agressiva' defendia. Na verdade a sua opinião foi formada quase imediatamente tendo em conta preconceitos culturais e societais e dificilmente mudaria. Qualquer outra decisão que não a mais severa (ou lá perto) continuaria a gerar indignação e algo ou alguém seria culpado (justiça incompetente, políticos medrosos, marxismo cultural...).
Por outro lado, a malta mais societalmente utópica não gostará de um desfecho mais pesado porque isso irá alimentar a desconfiança e os preconceitos inter-culturais. É sempre um duro golpe na sua retórica (seria muito pior na França ou no RU).
Nisto tudo, o patinho feio continuará a ser a 'constituição' (refiro-me ao direito de um julgamento isento). Com o tempo as pessoas tomam como garantidos os direitos que têm (é algo pervasivo porque as novas gerações têm experiências muito diferentes dos antepassados). Isto tem uma componente temporal e uma componente mais prática. Como todos os sistemas (qualquer um), o judicial/penal vai ficando desgastado e corrompido (já comparei isso aos computadores). A isso junta-se as crenças discriminatórias e outras variáveis (como por exemplo os critérios dos juízes na aplicação de penas; oligarquias...). Como tal, haverão sempre mudanças periódicas de paradigma. Guerras, revoluções e partidos extremistas. É algo que fez, faz e sempre fará parte das sociedades humanas.