Em 2014:
António Costa diz que há uma "terceira via": aumentar a riqueza
http://expresso.sapo.pt/politica/an...a-uma-terceira-via-aumentar-a-riqueza=f876317
Ainda agora vinha a ouvir na rádio o primeiro-ministro e o primeiro-ministro explicava que os portugueses têm de saber que se o objetivo é reduzir o défice, há duas formas: ou aumenta os impostos para aumentar a receita ou faz corte dos salários para baixar a despesa. (...)
Para o dirigente socialista, "há uma outra receita" que Passos Coelho "não sabe, nem quer aprender", mas há que "lhe ensinar".
"Há uma terceira via, que é aumentar a riqueza", declarou o presidente da Câmara de Lisboa, referindo que se houver aumento de riqueza estão criadas as condições "para a consolidação das finanças públicas".
Já na altura era ridículo. Agora é, ou devia ser, ainda mais.
Na altura do governo PPC escrevi aqui que muito dificilmente o governo de AC faria muito diferente em termos de crescimento económico. Este está a devolver rendimentos e a fazer gincana para tapar os buracos (coisa que os bancos não ajudam). O anterior continuaria a cortar rendimentos e o crescimento continuaria a ser medíocre (seriam as tais 'vagas de austeridade'). O desgaste seria óbvio e mais cedo ou mais tarde o governo cairia. As exportações - a tal salvadora - já estavam a cair no final do governo PPC (muito por culpa das refinarias):
Lá está, ganhar quota de mercado é mais fácil quando há expansão económica robusta do que quanto há estagnação/lentidão.

'Estamos', à semelhança da Irlanda, quase a recuperar o mesmo número de trabalhadores antes da crise.
Promoções já representam quase metade das vendas dos hipermercados
As vendas promocionais nos hipermercados passaram de 39,7% no primeiro semestre de 2015 para 44,8% nos primeiros seis meses deste ano e a tendência é para continuarem a crescer, segundo a diretora-geral da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição.
http://observador.pt/2016/09/13/promocoes-ja-representam-quase-metade-das-vendas-dos-hipermercados/
Provavelmente será muito difícil discernir entre as promoções 'reais' (produtos em final de validade por exemplo) e as 'irreais' (o estabelecimento aumenta o preço e anuncia o anterior como promoção). Isto está relacionado como o crédito ao consumo, que não obstante aquelas notícias periodicas que geram muita indignação (o português gasta muito, acima das suas possibilidades)...

... o crescimento da procura interna até tem sido mais ou menos estável desde 2014 (governo PPC).
Numa sociedade tão endividada como a portuguesa...

... que parte do novo crédito está a ser usado para fazer
rollover às dívidas passadas?
Itália desce estimativas de crescimento económico
Na sua última previsão, realizada em Abril, o Governo, estimava um crescimento de 1,2% em 2016 e de 1,4% no próximo ano. Este valor está bastante abaixo das expectativas para a zona euro que o Banco Central Europeu aponta para 1,7% este ano.
http://economico.sapo.pt/noticias/italia-desce-estimativas-de-crescimento-economico_256793.html
O Renzi desceu os impostos primeiro que PT. Sem surpresa, a estratégia está a falhar.
To go forward, Europe must lift up its left-behind, ECB's Draghi says
"We must devote more attention to the redistributive aspects of integration," Draghi said. "I do not think there will be significant progress in terms of opening up markets and competition if Europe does not listen to the demands of those left behind by a society built on the pursuit of wealth and power."
http://www.reuters.com/article/us-europe-draghi-idUSKCN11J1WM?il=0
Realisticamente mais uma recessão não é bem-vinda porque ainda não se recuperou da última. Os bancos centrais arriscam-se a perder toda a credibilidade que têm (não têm necessariamente a culpa dos problemas dos países mas são empurrados contra a parede devido aos políticos que não podem fazer cortes em larga escala para não haver rebelião geral). Da parte dos governos só resta uma opção: investimentos públicos em larga escala com retorno incerto.
Quem me lê já conhece a minha retórica fatalista. A revolução industrial aumentou a produtividade e aproximou povos. A revolução digital em larga escala trará mais eficiência do que inovação. A curto prazo haverá um fosso enorme entre as pessoas mais velhas, tendencialmente menos habituadas com a tecnologia, e as mais novas (já se vê isso). A médio prazo haverá um excesso de mão-de-obra crónica.
No jobs, no money. No money, no consumption. No consumption, no economy.