Novo indicador conclui que Portugal é o 21º país mais desenvolvido
A Social Progress Imperative e a Deloitte apresentam hoje, na Gulbenkian, os resultados do Índice de Progresso Social em 2016, um indicador que pretende ser um complemento ao PIB.
Como medir o progresso e o desenvolvimento social de um país? Criado pela Social Progress Imperative (SPI), uma organização não-governamental, o novo Índice de Progresso Social vem redefinir a forma como é medido o progresso dos países, dando prioridade às questões com mais impacto nas sociedades e na vida das pessoas.
Em declarações ao Jornal Económico, Michael Green, diretor executivo da SPI, afirmo que o Índice de Progresso Social não pretende substituir outros indicadores, como o PIB, mas antes servir de complemento.
Portugal está relativamente bem posicionado neste índice, ocupando a 21ª posição, praticamente ao mesmo nível que países como os Estados Unidos ou a França e à frente de uma potência económica como Itália (ver infografia), com 83,88 pontos. Mas apesar de uma melhoria face aos 81,91 pontos verificados em 2015, na primeira edição do índice, Portugal desceu três posições no ranking, face ao 18º lugar que ocupava no ano passado.
“Desde que foi criado, há mais 80 anos, sempre notámos que havia algo de errado com o PIB. Esta não é a medida perfeita para as nossas vidas. O PIB diz que as bombas e as prisões, por exemplo, podem ser progresso. O PIB também não diz nada sobre o ambiente, sobre igualdade ou justiça. Sempre soubemos isso. Acho que nos últimos 10 anos, com as alterações climáticas, a primavera árabe e a crise financeira global, foi crescendo a necessidade de ir para lá do PIB, e há atualmente um grande consenso à volta deste tema”, disse o responsável, que hoje participa num colóquio que a Deloitte promove na Fundação Gulbenkian, em Lisboa. A Deloitte é parceira da SPI.
“O propósito do Social Progress Index não é substituir o PIB, mas constituir um complemento. Este índice está desenhado para, em conjunto com o PIB, apoiar os líderes governamentais, gestores e a sociedade civil, a pensar o quão inclusivo é o desenvolvimento económico de um país e ajudar aqueles decisores a tomarem melhor as suas decisões”, disse. E frisou: se um país foca-se somente no desenvolvimento económico, a estratégia está incompleta. É fundamental pensar tanto no progresso social como económico”.
Um índice baseado apenas em indicadores sociais
O Índice de Progresso Social não integra indicadores económicos. É baseado exclusivamente em indicadores sociais para medir e apurar os resultados de um determinado ambiente social. É isto que, segundo Michael Green, o distingue de outros indicadores, como o Índice de Desenvolvimento Humano da OCDE. “Não dizemos que a componente económica não interessa, o que dizermos é que ao criarmos uma forma rigorosa de medir o progresso social, para acompanhar o desenvolvimento económico, que é medido pelo PIB, nós podemos efetivamente perceber qual a relação entre o PIB e progresso. E o que descobrimos é que o PIB não é o destino. Quanto mais rico se torna um país, o progresso social tende a aumentar, mas não é tão linear”, disse.
“Portugal tem feito um bom trabalho”
Michael Green destacou os resultados obtidos no nosso país. “Portugal ocupa a 21ª posição no ranking global e os EUA a 19 posição. Os EUA têm um maior PIB per capita, o que significa que não têm feito um bom trabalho em reverter o PIB em progresso social”, defendeu.
“Portugal tem, de facto, feito um bom trabalho, o que é um pouco raro, especialmente em países desenvolvidos. Em indicadores sobre a tolerância, inclusão e liberdade de escolha apresenta bons resultados, e alguns países estão interessados em perceber como os atingiram”, concluiu.
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