O governo de Costa não foi “punido” diretamente pelos incêndios ou pela pandemia, mas isso não significa que esses episódios não tenham contribuído para um desgaste acumulado ao longo do tempo.
Aliás, a própria trajetória do governo de Costa mostra isso. Resistiu a choques graves no curto prazo, mas acabou por enfrentar um cansaço político progressivo, visível na erosão de confiança e, mais tarde, nos resultados eleitorais. O eleitorado português raramente reage de forma instantânea a um evento.
Aplicado a este caso, ninguém está a dizer que Marques Mendes é penalizado por atos de gestão na saúde. Mas num contexto em que há insatisfação com a prestação do governo, isso pode reduzir o entusiasmo por figuras associadas ao espaço político dominante.