O Estado do país 2026

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Se podia ter usado outro meio - bem mais eficaz - para ficar com a noção dos estragos? Podia, mas não teria o mesmo impacto televisivo.

 
A radicalização dos adolescentes e jovens adultos nos últimos 30 anos é um facto.

Um post polémico é partilhado 200 ou 300 vezes. Ou milhares. Opiniões polémicas não tinham esse nivel de transmissão.

Sem ir à genese da questão, o princípio da proibição é equivalente a varrer para debaixo do tapete. "Se não vejo, não existe". É como o bullying que "acaba" nas escolas onde não entram telemóveis.

A radicalização contemporânea tem contornos diferentes. Muitas vezes associada a jovens a quem "lhes venderam" (de forma ideológica) que são privilegiados. Mas por uma razão de factores, eles não se sentem privilegiados o que leva a essa radicalização muitas vezes com contornos de "porque tenho de ser empático com X e Y se não são empáticos comigo e ainda me vendem que sou um privilegiado porque sou homem e branco".
 
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A radicalização contemporânea tem contornos diferentes. Muitas vezes associada a jovens a quem "lhes venderam" (de forma ideológica) que são privilegiados. Mas por uma razão de factores, eles não se sentem privilegiados o que leva a essa radicalização muitas vezes com contornos de "porque tenho de ser empático com X e Y se não são empáticos comigo e ainda me vendem que sou um privilegiado porque sou homem e branco".
Sim, foi exatamente isso que o meu familiar pensou quando quase bateu na mãe: "vendeste-me essa ideia esquerdista de que sou um homem branco privilegiado e afinal não sou, então toma aí um sopapo."
 
A radicalização contemporânea tem contornos diferentes. Muitas vezes associada a jovens a quem "lhes venderam" (de forma ideológica) que são privilegiados. Mas por uma razão de factores, eles não se sentem privilegiados o que leva a essa radicalização muitas vezes com contornos de "porque tenho de ser empático com X e Y se não são empáticos comigo e ainda me vendem que sou um privilegiado porque sou homem e branco".
Acho que é em parte uma má reação de homens jovens ao movimento metoo e ao feminismo em geral, de adolescentes que passam os dias a ouvir na escola e das "elites" que são privilegiados mas eles não querem saber se as mulheres são despedidas por engravidar ou o que quer que seja porque isso não os afeta no dia-a-dia, e sentem que quem são discriminados são eles
 
Por isso, percebo a urgência do Governo em querer implementar medidas de proteção, mesmo reconhecendo que a solução deve equilibrar proteção com privacidade e educação familiar.
Eu tenho a impressão de que proibir pessoas radicalizadas de aceder a um determinado conteúdo só as vai radicalizar ainda mais. E como para todas as proibições arranja-se sempre uma maneira de a contornar, ainda vai deixar essa radicalização mais "subterrânea"...
 
Acho que é em parte uma má reação de homens jovens ao movimento metoo e ao feminismo em geral, de adolescentes que passam os dias a ouvir na escola e das "elites" que são privilegiados mas eles não querem saber se as mulheres são despedidas por engravidar ou o que quer que seja porque isso não os afeta no dia-a-dia, e sentem que quem são discriminados são eles
Portanto, a culpa dos homens se radicalizarem é porque as mulheres passaram a ter direitos? Como é que se resolve isso? Tirando os direitos delas? Ou atacando o real cerne do problema dos rapazes: falta de controlo emocional, frustração, socialização tóxica e, principalmente, ambientes digitais completamente desregulados e polarizadores.

Gritar, ser autoritário e transformar tudo em espetáculo passou a ser fixe, porque é o que se vê mais nas redes.
 
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Acho que é em parte uma má reação de homens jovens ao movimento metoo e ao feminismo em geral, de adolescentes que passam os dias a ouvir na escola e das "elites" que são privilegiados mas eles não querem saber se as mulheres são despedidas por engravidar ou o que quer que seja porque isso não os afeta no dia-a-dia, e sentem que quem são discriminados são eles
Os jovens sempre foram "radicais". Há uns 15 anos atrás essa radicalização estava mais virada para a "esquerda", havendo também alguns radicalizados "à direita", mas que se abstinham de votar por não terem em quem o fazer (PNR não conta, a maioria das pessoas nem sabia que isso existia).

Agora a partilha dessa radicalização é mais fácil, e surge um "efeito de manada", e torna-se mais rápido o passar-se das palavras aos actos. O machista dantes tinha alguma vergonha social de bater na namorada, porque não conhecia ninguém que o fizesse e ele julgava que era o único. A partir do momento em que há grupos na net em que energúmenos se vangloriam de bater nas namoradas, perde-se essa vergonha social. (e onde está "bater na namorada", poderia estar "espancar negros", "danificar carros poluentes", "atirar tinta a pessoas", etc., e sei que, obviamente, cada um destes actos tem um nível de gravidade distinto)

Isto deveria resolver-se com pedagogia e acompanhamento - ajudava que os pais não deixassem os miúdos em frente ao telemóvel logo aos 4 anos, para estarem sossegados e não terem o trabalho de educar uma criança. Não se resolve porque a sociedade não é perfeita e a espécie humana é muito imperfeita. Mas restringir acesso a redes sociais, lojas de aplicação, sites pornográficos e qualquer site com "características ou conteúdos susceptíveis de prejudicar o desenvolvimento físico, ou mental, das crianças" (que, dependendo da interpretação de qualquer um, pode ser qualquer site - até por algumas reacções que se leem neste fórum, sites que apresentem modelos meteorológicos também são um conteúdo que afecta a psique de adultos) é excessivo.

Não tenho uma solução para o problema, mas esta proposta não resolve nada.
 
Eu tenho a impressão de que proibir pessoas radicalizadas de aceder a um determinado conteúdo só as vai radicalizar ainda mais. E como para todas as proibições arranja-se sempre uma maneira de a contornar, ainda vai deixar essa radicalização mais "subterrânea"...
Tem de existir pelo menos algum nível de regulação e acompanhamento, tanto institucional como familiar. Neste momento, essa supervisão é insuficiente.
 
Tem de existir pelo menos algum nível de regulação e acompanhamento, tanto institucional como familiar. Neste momento, essa supervisão é insuficiente.

Desenvolver a auto-regulação e aceitar que um ou outro ser vai descarrilar. Como sempre aconteceu.

As bebidas alcoólicas também são de venda proibida aos jovens. Os pais têm 2 alternativas: podem viver numa bolha e pensar que como é proibido os seus filhos enquanto menores nunca terão acesso a álcool, ou podem educar os filhos a terem regulação e auto-controle quando tiverem acesso ao álcool. Queremos mesmo partir para o modelo chinês de sociedade perfeita baseada em proibições?
 
Portanto, a culpa dos homens se radicalizarem é porque as mulheres passaram a ter direitos? Como é que se resolve isso? Tirando os direitos delas? Ou atacando o real cerne do problema dos rapazes: falta de controlo emocional, frustração, socialização tóxica e, principalmente, ambientes digitais completamente desregulados e polarizadores.

Gritar, ser autoritário e transformar tudo em espetáculo passou a ser fixe, porque é o que se vê mais nas redes.
Eu não quero fazer juízos de valor, mas pegando na questão concreta de "os homens jovens radicalizam-se devido a questões de género" a resposta é (em parte) sim, olha resultados dum estudo norueguês:
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Mais do que o facto do mais jovens serem o que mais dão a resposta politicamente incorreta (que como o @David sf diz é de esperar porque jovens querem sempre ser "radicais"), realço a evolução ao longo do tempo. E isto não é um caso isolado, há países onde ainda é mais extremo como a Coreia do Sul. A minha experiência social e dos meus amigos e familiares mais jovens vale o que vale, mas concorda com a ideia que os homens da minha geração e especialmente da geração abaixo da minha são muito reacionários em relação a isto, mesmo muitos daqueles que resistem bem a outros extremismos
 
As redes sociais "democratizaram" as opiniões, mesmo aqueles das quais não gostamos ou com as quais não nos revemos. Eu posso estar na sanita e dou por mim a ler a opinião ou comentário de alguém que não conheço de lado nenhum e que também está na sanita. Há 30 ou 40 anos atrás não gritávamos opiniões de umas sanitas para as outras.

Além disso, na vida real nós acabamos por nos dar com pessoas de um determinado espectro seja do ponto vista familiar, cultural, social, laboral. E baseamos a nossa percepção do mundo nas pessoas do nosso "espectro". As redes sociais, as caixas de comentários de notícias, os fóruns... mostram-nos que existem pessoas de outros mundos que não sabíamos que existiam mas sempre estiveram lá. E há quem não lide bem com isso.
 
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