Ponto da situação
- Portugal era usado como ponto de passagem para adquirir passaporte e depois marchar para países ricos da UE, EUA ou Reino Unido. Com as novas regras ficará mais difícil e moroso este processo e portanto é expectável que haja saídas do país. Não é necessariamente por haver mais racismo ou fascismo ou o Governo ser contra imigrantes, como alguma comunicação social já quer dar a entender.
- Quando a situação económica piora, o imigrante brasileiro sai do país. Nos anos 90 Portugal recebeu uma onda de imigração brasileira, que depois caiu a pique com a depressão de 2002, e a estagnação que se seguiu. Se está mal para os portugueses, que não conseguem pagar uma renda ou comprar casa, pior estará para os imigrantes. Portanto, é expectável que agora se inicie um movimento de saída para outros países, ou regresso a casa.
- A produtividade portuguesa não está a aumentar, e muito do aumento tem sido à custa da entrada de empresas estrangeiras, com métodos de gestão diferentes das empresas portugueses. Continuam a faltar reformas estruturais que serão impopulares mas necessárias para alterar a estrutura da economia. O Estado não dá o exemplo, pelo contrário. Assim, os salários médio e mediano continuarão muito baixos nos próximos anos.
- Os impostos sobre casas vazias e segunda habitação são baixos. Não sou eu que o digo, é o FMI e a OCDE. Se não houver estímulos financeiros e fiscais, as mais de 700 mil casas vazias ou fechadas não entrarão no mercado. Os portugueses são casmurros e conservadores, e não mudam «a bem». Aprendam a nossa História.
- O país não tem um problema de infraestruturas, mas só fala em mais auto-estradas, aeroportos e obras públicas. Também não tem falta de casas, mas fala em construir mais e mais. Nos países ricos, por outro lado, fala-se em digitalização, robótica, formação técnica e profissional, AI. Continuamos a viver na fase final da ditadura, no cavaquismo e no guterrismo. Somos um museu do século XX.
- O turismo poderá atingir o seu pico de crescimento muito em breve. A guerra, a inflação, o aumento da concorrência e o «fim do ciclo» trarão um travão ao negócio. A loucura de abrir mais e mais hotéis terá um fim, esperemos que não venham depois mendigar apoios ao Estado.
- Se nos próximos 10 anos a Ucrânia entrar na UE, será desviado muito investimento para aquelas bandas. A população é muito mais instruída que a portuguesa, os solos são muito férteis e planos, e há mais cultura industrial. Portugal ficará a perder. E se Montenegro, Albânia e Bósnia entrarem, virá concorrência forte para o turismo. Tudo se conjuga para Portugal se sedimentar como um dos 4 países mais pobres e atrasados da UE, a par da Bulgária, Grécia ou Eslováquia.
- As previsões de crescimento até 2030 trazem estagnação e divergência dos países ricos. Portugal vai continuar a ser um país relativemente pobre, de salários baixos e preços altos. O PS e o Chega não farão melhor. Ninguém em Portugal quer mudar de vida, a sociedade é conservadora e a pelintrice está normalizada. Talvez haja mudanças com uma renovação geracional daqui a 10 a 20 anos.