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Quem deve e o quê ao BES?

Quanto deve TAP ao BES? Quando deve o Metro de Lisboa ao BES? Quanto deve o Metro do Porto ao BES? Quanto deve a Carris ao BES? Quanto deve a CP ao BES? Quanto deve a Câmara Municipal de Lisboa, do socratino Costa e do primo de Ricardo Salgado, Manuel Salgado, ao BES? Quanto devem as outras autarquias ao BES? Quanto deve a EDP ao BES? Em suma, o BES encontra-se insolvente e falido, não apenas porque andou a brincar ao Monopólio, não apenas porque andou metido com cleptocratas americanos, africanos, europeus, ibéricos e indígenas, mas sobretudo porque foi um dos principais banqueiros de um regime político que dia a dia implode diante de todos nós, depois de ter capturado a democracia em nome de sonhos populistas que se tornaram pesadelos diários para milhões de portugueses.

Passar a fatura do prejuízo aos contribuintes e empurrar a dívida pública com a barriga é o que o governo, ou melhor dito, o regime corrupto que temos vai voltar a fazer. Deu-o a saber ontem à noite, procurando assim, in extremis, evitar uma corrida dos depositantes do BES às transferências eletrónicas na próxima Segunda Feira. É que se tal viesse a ocorrer, todo o sistema financeiro português poderia vi abaixo, pois não se vê como é que o Estado poderia garantir levantamentos de depósitos na ordem das dezenas de milhar de milhões de euros.

O governo vai proceder, para todos os efeitos, a uma nacionalizalção parcial e previsivelmente temporária do BES. Parece bem. Mas não é. De facto, com esta medida, o principal objetivo do governo, do Banco de Portugal, da CMVM e dos partidos do regime é esconder da opinião pública que são o estado e as suas empresas públicas, e ainda os rendeiros do regime, os principais devedores do BES e a causa da sua ruína. Mas a consequência vai certamente ser desastrosa, pois o que vamos ter é um aumento colossal do buraco negro da dívida pública — pois ninguém vê como é que o BES poderá pagar uma recapitalização de 4mM€ com juros a 10%. O buraco negro do BES vai acrescer ao buraco negro do BPN e ao ainda por destapar buraco negro da Caixa Geral de Depósitos. Há vários anos que avisámos que algo semelhante a isto iria ocorrer.


BES 2013-2014 (em 30 de junho de 2014)

Quebra de receitas: -73,1%
Depósitos (i.e. responsabilidades): 35 932 M€
Quebra nos depósitos: -1 980 M€
Depreciação da empresa: -41,30%
Custos operacionais: 594,8 milhões (+5,7%) — há 600 funcionários na prateleira
Prejuízos -3 577,3 M€

Ninguém sabe se o BES será o bater de asas de uma nova crise aguda no inevitável colapso do atual sistema financeiro de Bretton Woods, de que os BRICS já fogem a sete pés. Mas lá que vai estourar com os objectivos para o défice português em 2014, 2015, 2016, ... vai.

Apertemos, pois, uma vez mais, os cintos de segurança!

http://o-antonio-maria.blogspot.pt/2014/08/quem-deve-o-que-ao-bes.html
 
porque vieram cá supostamente para porem as contas em ordem, mas só souberam ler as leis do trabalho e afins e dizer que ganhamos de mais e somos malandros.E não viram o poço sem fim que é o bes e tarifários é o mais simpático que lhes posso chamar, agiotas, ladrões e máfia também me saltam a ideia

O BES é uma empresa privada, não foi alvo de intervenção da Troika. Quanto aos tarifários, a Troika está farta de criticar os subsídios aos produtores de energia eléctrica e o elevado custo das telecomunicações e energia. O nosso regime é que não faz nada.
 
O BES é uma empresa privada, não foi alvo de intervenção da Troika. Quanto aos tarifários, a Troika está farta de criticar os subsídios aos produtores de energia eléctrica e o elevado custo das telecomunicações e energia. O nosso regime é que não faz nada.

Pra mim fundiam o BES com a CGD, até tem estado a ter lucro, assim era uma nacionalização pra privatizar no futuro. Resolviam 2 problemas em 1 só. Até já tenho um nome "Caixa Geral do Espirito Santo" :lmao:.
 
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O BES é uma empresa privada, não foi alvo de intervenção da Troika. Quanto aos tarifários, a Troika está farta de criticar os subsídios aos produtores de energia eléctrica e o elevado custo das telecomunicações e energia. O nosso regime é que não faz nada.

mesmo privado ou não e uma empresa que funciona com dinheiro do povo, e lembro-me dos famosos testes de stress que davam o bes como solido, se o bes cair vai ser o "publico" a pagar. Há que lembrar que um banco não é uma empresa qualquer que vai a falência e os trabalhadores mal ou bem partem para outra,
 
Quando pedimos ajuda e as agências nos colocaram no lixo tinhamos 90% de divida, agora com quase 140% já pensão em subir o rating

Peso da dívida no PIB depende de 3 variáveis. Evolução do PIB, os défices e a taxa de juro da dívida.
Podes brincar neste simulador para entenderes porque é que a dívida ainda aumenta, e testares também as tuas alternativas:
http://ocomite.org/debt/
 
Daí a demagogia de muitos partidos. Luta-se por reduzir o défice, acusa-se de a dívida continuar a crescer. Se os juros não variarem nem o PIB, a única coisa a reter é que a dívida é basicamente o somatorio dos défices, ano após ano.
 
É uma autêntica revolução no BES, a que Marques Mendes anunciou no seu habitual comentário de sábado na SIC. Uma “operação relâmpago”, nas palavras do ex-líder do PSD, ou uma “terceira via”. Nas suas linhas gerais, a versão de Mendes bate certo com o que duas fontes disseram hoje ao Observador: penalização dos responsáveis pela situação do banco e uma via diferente para financiar a instituição, mais indireta, usando os fundos da troika.

Na prática, a concretizar-se tal e qual como anunciou, implica desde logo a divisão do banco em dois. Só um se continuará a chamar BES, mas este fica limpo dos ativos tóxicos identificados nas contas semestrais apresentadas esta semana. E deste são afastados da noite para o dia (de segunda-feira) os atuais acionistas. Entre os quais a família Espírito Santo, o Crédit Agricole, ou o Bradesco incluídos — mas não só. Todos eles ficarão responsáveis, isso sim, com a gestão do que resta, os tais ativos tóxicos, que ficarão num segundo banco, criado de novo. O tal ‘bad bank’ que foi anunciado ontem pelo Jornal de Negócios como estando em estudo no Banco de Portugal.

Voltando ao novo BES, que vai surgir “de cara lavada” na segunda-feira de manhã, disse Mendes, vai ter um só acionista, o Fundo de Resolução, uma nova entidade jurídica que foi posta em lei há cerca de um ano e meio. Este veículo financeiro terá três pessoas no conselho diretivo e será “abastecido pelos bancos que existem no país”.

Para funcionar e financiar o BES, precisará do dinheiro do Estado (o que foi enviado pela troika), de 4 a 5 mil milhões de euros. Será por seis meses, disse Mendes. Depois será pago de volta, após uma operação de venda do banco em bolsa. E já há interessados, garantiu ainda. Mas, note-se, até lá os privados não vão entrar no banco. Aqui estão, em síntese, as voltas que pode levar o BES, na versão de Marques Mendes:

•“Na segunda-feira, na prática, nasce um novo banco, com o mesmo nome e estrutura acionista completamente diferente onde estará tudo aquilo que são ativos bons e de fora fica tudo o que é lixo.”

•O único acionista do BES será o Fundo de Resolução, uma entidade jurídica criada há um ano e meio que “é abastecida” pelos bancos que existem no país.

•Os acionistas atuais desaparecem do novo BES e passam para o “banco mau”, com uma “forte penalização”. “Se há lucros, os acionistas do banco ganham com isso, se há prejuízos devem ser os primeiros a pagar a fatura”, disse.

•Segundo a informação de Marques Mendes, o banco vai aumentar o seu capital entre 4 e 5 mil milhões de euros, que vêm do Fundo de Resolução e não diretamente do Estado.

•A linha de financiamento que foi criada pela troika, que está no Estado com 6,4 mil milhões, vai emprestar ao Fundo de Resolução, dinheiro que depois é pago quando o banco for vendido — daqui a seis meses no máximo, disse. Se o banco não for vendido ao preço do empréstimo, será encontrada outra solução. O comentador sublinhou que o dinheiro da troika vai para o Fundo e não diretamente para o BES.

•A intenção é que isto seja uma solução transitória, cujo objetivo é que que nos próximos seis meses o banco “fique sem lixo”, e que depois seja feita uma Oferta Pública Inicial (IPO), quando as ações são vendidas em bolsa pela primeira vez. Marques Mendes avançou que o BES deixará de estar na bolsa e que, “segundo o que ouviu dizer”, existem já dois bancos europeus interessados no BES, que podem entrar na altura do IPO.

http://observador.pt/2014/08/02/atu...remetidos-ao-bad-bank-garante-marques-mendes/

Acredito que a venda se faça em seis meses. Decerto haverá um lobby enorme por parte de estrangeiros para comprar por tostões os 'bens' que o contribuinte salvou. Por algum motivo esses tais bancos europeus só vão entrar quando outros arcarem com os prejuízos. Capitalismo para os lucros, socialismo para as perdas.

E não esquecer que a venda será uma fração do investimento.

P.S. Investir em ações de bancos nunca mais será o mesmo em Portugal com esta solução.

P.S. 2: Justiça: O acionista ouviu e leu informação errada do banco de Portugal e do BES. Pena: "forte penalização" (usando o termo do texto). O Salgado e restantes enganam. Pena: Reforma de 900 mil, sabe-se lá quantos milhões lá fora e impossibilidade de ser banqueiro durante 10 anos.
 
Grande momento de televisão, ontem na SIC: Marques Mendes, homem até então pacato conservador, aderiu em direto ao Partido Bolchevique. Ele apareceu antibolsista primário, a atacar o Palácio de Inverno do BES, onde se acoitam os czares da família Espírito Santo Romanov, mais os grandes latifundiários, a respectiva guarda de cossacos e os kulaks com pequenas parcelas de ações - a clique possidente, pois. Toda essa tropa branca, no sentido reacionário do termo, para o gulag, já! "Bad Bank", chamou-lhe Marques Ulianov Mendes.

Ferreira Fernandes, Diário de Notícias

:lmao:
 
Ferreira Fernandes, Diário de Notícias

:lmao:

É... complicado. Se o estado põe dinheiro há queixas, se são os acionistas a pagarem há queixas (se bem que na solução proposta será o estado a por dinheiro). Não há solução perfeita. Ninguém gosta de ver os seus investimentos evaporarem-se.

A semana que se avizinha deve ser vermelha nas bolsas. Lá vem o fantasma de mais uma crise bancária.
 
É... complicado. Se o estado põe dinheiro há queixas, se são os acionistas a pagarem há queixas (se bem que na solução proposta será o estado a por dinheiro). Não há solução perfeita. Ninguém gosta de ver os seus investimentos evaporarem-se.

A semana que se avizinha deve ser vermelha nas bolsas. Lá vem o fantasma de mais uma crise bancária.

Até nem acho má a solução possível.. O único dinheiro que o estado mete (ao contrário do que sucedeu com o BPN) são 3% de juros de uma tranche (até 6 mil milhões euros) da troika destinada exclusivamente (que fique claro) para a recapitalização da banca. Na verdade neste fundo participam umas 90 instituições bancárias. Ao BES, resta-lhe pagar 7% de juros ao estado. Este fundo foi também usado pela CGD, BCP, BPI E BANIF, sendo que alguns já devolveram uma boa parte, socorrendo-se também dos aumentos de capital para isso (BCP E BANIF).

Segundo a idéia do marques mendes, parece que a solução passa por dividir o banco em 2, um para os atuais acionistas com ativos tóxicos e o outro para o estado.

Os acionistas do BES estão assim em maus lençóis, tenho muita pena dos pequenos acionistas. Não têm culpa do que aconteceu, mas como acionistas é um risco que deviam ter tido em conta.

Discordo em relação às perspetivas para esta semana. O pior que podia acontecer era a indecisão em relação ao futuro. Para mim as restantes cotações vão recuperar algo até ao fim da semana.
 
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