O Estado do País

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Podes colocar aqui.

Decorre aqui em Faro um protesto porque as lojas Pingo Doce fazem churrascos de carne no meio da rua para depois venderem nas lojas com a marca de qualidade do grupo. A ASAE sempre pronta a perseguir as tascas não faz nada...

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E não é tão bom um peixe grelhado ao ar livre num tradicional restaurante da Figueira da Foz?
 
Situação na Líbia preocupa países importadores de petróleo


Zapatero convocou alguns dos seus ministros para uma reunião de emergência a ter lugar ainda esta noite. No centro da reunião estará a situação na Líbia, e em particular os receios de uma possível interrupção do fornecimento de petróleo.

De acordo com os dados da Agência Internacional de Energia (AIE), 12,1% do petróleo importado pela Espanha em 2010 teve origem na Líbia. Em Portugal, essa percentagem é ligeiramente inferior (11,1% do total de importações de crude).

Mas, ao contrário do que acontece em Espanha, Portugal não está preocupado com os impactos da situação na Líbia no abastecimento de petróleo. Pelo menos essa é a garantia dada pelo presidente da Galp Energia.

"O mercado de crude tem tanta liquidez, e tantos fornecedores, que nós não temos dificuldade em substituir qualquer fornecedor que interrompa os seus abastecimentos", sublinhou Ferreira de Oliveira, citado pela Lusa.

AIE pode recorrer a reservas estratégicas

O director-executivo da AIE, Nobuo Tanaka, reconheceu esta tarde que a situação na Líbia é preocupante e "que uma pequena interrupção pode criar um pico no preço" do petróleo.

"Estamos preocupados com a situação na Líbia. Ainda não sabemos que tipo de impacto e de interrupção pode causar. Estamos atentos à situação, porque o mercado está mais ajustado. Até porque uma pequena interrupção pode criar um pico no preço", afirmou Nobuo Tanaka.

A AIE revelou, assim, que pode recorrer a 1.600 milhões de barris das reservas estratégicas caso o fornecimento líbio seja interrompido.

Também a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) já garantiu que está disponível para intervir no mercado petrolífero caso seja necessário.

O regime de Kadhafi é um dos principais produtores de petróleo mundiais, com uma produção de 1,47 milhões de barris diários. O país detém as maiores reservas petrolíferas de África.

Repsol e Eni suspendem produção

As duas petrolíferas anunciaram hoje a suspensão da sua produção na Líbia devido à escalada de violência.

A espanhola Repsol produz na Líbia uma média de 34.777 barris por dia, o que equivale a 3,8% da sua produção mundial e a 10% da produção da divisão Argentina do grupo, a YPF.

A ENI optou por suspender parte das operações de exploração de petróleo e gás e adoptar medidas de segurança nas suas infra-estruturas. A petrolífera italiana vai ainda retirar do país todos os seus funcionários estrangeiros

Fonte: Jornal de Negócios

Porque é que a Galp não está muito preocupada?

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E não é tão bom um peixe grelhado ao ar livre num tradicional restaurante da Figueira da Foz?

E se eu te dissesse que as carnes do «Porco na Brasa» eram assadas não numa cozinha regulamentar, limpa e com exaustão dos fumos mas na rua ou dentro do parque de estacionamento do «Foz Plaza» junto dos automóveis em andamento?

Tenho um familiar que trabalha há anos no Pingo Doce e nunca foi fazer outro serviço sem ser aquele a que concorreu. Sempre foi pago a tempo e a horas, sempre teve direito a dias de folga como previsto no contrato. Por isso, nada a dizer do Pingo Doce. Hoje em dia, é cada vez mais raro conseguir-se um emprego a que sejamos pagos a tempos e horas. Ao menos, no Pingo Doce temos a certeza que chega aquele dia e o dinheiro cai na conta.

Para quem tem tantas certezas pergunto uma coisa:

Um espaço comercial que num fim de semana pode ser pisado, remexido e sujo por milhares de pessoas não necessita de limpeza ao fim de cada dia?

Já alguém alguma vez viu uma empresa de limpezas dentro do espaço comercial de um hipermercado?
 
Estes Governos regionais são uma comédia. Seria interessante saber quanto custam por ano aos cofres do Estado. Aqui ao lado em Espanha o PP já está a pôr em causa o actual modelo de regiões autónomas da Espanha, tendo em vista uma maior poupança de recursos públicos.
 
O Governo Regional dos Açores pretende reforçar a autoridade dos professores e aplicar coimas aos pais que não se envolverem na educação dos filhos, anunciou hoje a nova secretária regional da Educação, Cláudia Cardoso.

Seria uma medida com vista a um maior investimento numa sociedade melhor a todos os níveis! Infelizmente ainda persiste na mente de muitos pais a ideia que os professores devem ter boa parte dessa responsabilidade!!!
Que bela desculpa para a falta de empenho na educação dos filhos... :rolleyes:
 
No que toca às coimas, ok não as referi e apenas sublinhei a necessidade de uma maior consciência por parte dos pais numa matéria tão sensível que é a educação, entenda-se que aplicar coimas a pais cujo desempenho neste campo apresente por vezes graves deficiências, obviamente podem estar envolvidas situações de carência de variada ordem resultantes por exemplo de desemprego entre outros. Se dessem seguimento à aplicação de coimas nestas circunstâncias, independentemente do princípio envolvido e que seria um bom dissuasor, agudizava-se ainda mais o problema.
De qualquer forma, esta medida algo radical ou outra que venha em resposta aos problemas que muitos professores atravessam com a actual geração de jovens, certamente será bem vinda. Tudo isto vai ao encontro de alguns desabafos de 2 amigos que são professores e segundo eles, encararem este tipo de dificuldades como desafios, na maioria das vezes não deixam de ser grandes desafios!
 
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s médicos do trabalho vão poder realizar testes aos consumos de álcool e drogas a trabalhadores, em especial aos que exerçam funções de risco, como, por exemplo, os que operam na área dos transportes ou construção civil. Um grupo de trabalho liderado pelo Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) definiu as regras e os princípios que grandes empresas devem seguir para prevenir e tratar problemas ligados ao consumo. O documento Linhas Orientadoras para Intervenção em Meio Laboral terá o aval dos ministérios do Trabalho e da Saúde em breve.
Calcula-se que "um milhão de portugueses tem problemas com o consumo de álcool e cem mil com drogas ilícitas. A maioria são pessoas activas", conta Mário Castro, do departamento de monitorização, formação e relações internacionais do IDT.
Razões suficientes para que durante um ano um grupo restrito tivesse negociado este documento, que será em breve divulgado em público. "Queremos pôr isto na agenda das empresas e organizações públicas e privadas". Apesar de as empresas não serem obrigadas a pôr em prática medidas como o rastreio, Carlos Ramos Cleto, do núcleo de reinserção do IDT, acredita que "as empresas maiores terão interesse em fazê-lo", já que os custos do absentismo, sinistralidade e falta de produtividade são bem mais elevados.


http://www.dn.pt/inicio/portugal/Interior.aspx?content_id=1718000
 
Aplaudir de Pé: Medina Carreira
por Ricardo Vicente

«Temos de mexer em seis ou sete coisas essenciais (...). Tenho um método para atacá-las (...). É fazer um estudo comparativo com os países da Europa do Leste sobre aquilo em que estamos desfavoráveis (...). "Isto precisa de ser mais flexível!" Os empregados dizem: "Não, isto já é flexível de mais!" A conversa morre sempre aí. Ao passo que, se se trouxer uma descrição sobre o que é o regime laboral nos países com que temos de competir, é diferente a discussão» diz Medina Carreira numa entrevista ao DN.

Um dos maiores problemas da mentalidade política portuguesa é o de fazer comparações com a França e a Alemanha. Portugal é sempre comparado com o incomparável. Julgamo-nos ricos como os cidadãos daqueles dois países que tantos emigrantes portugueses acolheram e acreditamos que podemos e merecemos o mesmo rol de direitos sociais.

A verdade é que os direitos sociais de uma França ou de uma Inglaterra são incomportáveis em Portugal: não há riqueza suficiente nem redistribuição do rendimento por mais exótica que seja que nos possa valer. Somos demasiado pobres: este é o facto mais essencial, mais fundo, o primeiro princípio da realidade portuguesa que não entra nas cabeças nem dos políticos nem do povo.

Em muitos aspectos, o Portugal económico e social é mais legitimamente comparável a uma Estónia ou Hungria. Os salários portugueses deveriam ser confrontados com os dos trabalhadores polacos. Os direitos sociais portugueses deveriam ser indexados a uma média baseada na "Europa de Leste".

Ora isto não acontece por três razões, de natureza histórica, cultural e política.

Razão histórica: a grandeza do Portugal das Descobertas, a que se seguiram os impérios espanhol, holandês, francês e inglês - faz-nos crer ainda que Portugal joga na primeira divisão da Europa. Comparamo-nos mal no presente com aqueles aos quais nos comparávamos bem no passado.

Razão cultural: a maior proximidade cultural com a Europa ocidental. Língua, religião, hábitos, etc.. Comparamo-nos com o que nos é mais próximo e mais inteligível. Também o efeito da emigração: há décadas que conhecemos bem as franças, suíças, alemanhas. Mas quem é que tem parentes emigrados na antiga Europa comunista?

Razão política: a ilusão de que se nos compararmos aos melhores seremos como eles. Lamentavelmente, nem as gentes nem os governantes percebem que, para chegarmos a uma França, teremos primeiramente de passar por uma Eslováquia.

http://albergueespanhol.blogs.sapo.pt/886048.html



Medina Carreira foi ministro das Finanças há mais de 30 anos, num Governo de Mário Soares, mas ganhou notoriedade pública mais recentemente, fazendo a denúncia do crescente endividamento do País. Durante muito tempo foi apontado como um "catastrofista", alguém que se esgotava em alertas sem sentido. O tempo, no entanto, deu razão a este português de 79 anos, que nesta entrevista defende - apesar das sempre contundentes críticas ao Governo de José Sócrates - a importância de o País ter um Orçamento aprovado para acalmar os mercados que nos emprestam dinheiro. Passos Coelho deve abster-se explicando as razões ao País, afirma, ao mesmo tempo que revela que desta vez não vai apoiar nenhum candidato às presidenciais. Porquê? Porque este ex-militante do PS, ex--mandatário de Cavaco Silva, acha que o Presidente podia ter feito mais pelo esclarecimento dos cidadãos. "E não fez."

Em que altura decidiu partir para esta missão de alerta à sociedade? Foi um acto pensado de cidadania, ou foi aparecendo na sequência das suas intervenções políticas?

Há 15 anos, perante a queda da economia, que vem desde os anos 60, com outros amigos, fundámos o chamado Fórum Social, exactamente para chamar a atenção da sociedade e dos governos em geral. A seguir a isso, porque dava muito trabalho, e era eu que tratava de organizar tudo, deixei de realizar sessões do Fórum Social e passei a escrever, quando tinha paciência, a chamar a atenção para uma realidade que tem surpreendido muita gente. Tínhamos uma economia em enfraquecimento progressivo e um Estado a necessitar cada vez de mais impostos. Haveria de chegar o momento em que a economia não produziria receitas para o Estado. E foi isso que aconteceu.

Aconteceu quando? É capaz de datar esse momento?

Não é fácil, porque os governos variam nas políticas, pedem mais emprestado, menos emprestado, adiam despesas... Portanto, fomos vivendo num prelúdio de tragédia que foi acelerada pela crise internacional. Isto viria a acontecer, se não houvesse a crise de 2008, num momento mais tardio. Mas iria acontecer porque, como lhe digo, a economia caía e o Estado crescia.

Foi ministro das Finanças no Executivo de Mário Soares, quando foi necessário negociar pela primeira vez com o FMI, em 1977. Encontra algum paralelo com a situação de hoje?

Não, não há paralelo, porque nem foi por necessidade extrema na primeira vinda! O que aconteceu foi que nós obtínhamos financiamentos externos através da Alemanha, das boas relações de Mário Soares e, enquanto lá esteve, de Salgado Zenha. E com esse dinheiro fomos conseguindo aguentar os excessos revolucionários anteriores. Entretanto, esse dinheiro acabou, e o Governo americano propôs o chamado "grande empréstimo". Mas para fazer esse grande empréstimo, que era de mil e quinhentos milhões de dólares, fazia uma exigência: vir cá o FMI.

Como fiador?

Sim, vale a pena dar sempre uma vista de olhos pela casa do devedor. Quando veio mais tarde, com Ernâni Lopes, já foi numa crise muito grave.

Estamos aqui numa crise gravíssima de ruptura entre a riqueza que produzimos e o dinheiro que necessitamos. O espectro de intervenção do FMI neste momento em Portugal está ultrapassado em função das medidas que o Governo anuncio que ia inscrever no OE?


Digamos que está um pouco adiado e pode eventualmente nem vir. Nós temos, no chamado Estado social, qualquer coisa como seis milhões de portugueses. Tocar em salários, pensões, subsídios de doença ou de desemprego é uma tragédia, porque são seis milhões de portugueses que se põem de pé. Portanto, não há partido nenhum que consiga fazê-lo. Não era o PS, não era o PSD. Só haveria se o Governo apanhasse os dois, se fosse um Governo de coligação, como foi com Mota Pinto e Mário Soares em 83/84. Não havia maneira nenhuma de se resolver isto sem o FMI. Este último pacote... Não sei de quem foi exigência, se da senhora Merkel ou não, mas o Governo terá agido também sob uma pressão muito forte, senão não teria ido aos salários.

Não vê que haja aqui, da parte do Governo, uma estratégia económico-financeira?

Não, não há estratégia nenhuma! O primeiro-ministro não tem estratégia nenhuma na cabeça senão andar a fazer espectáculo e ir conciliando as circunstâncias para ver se vai durando. Aliás, este primeiro-ministro foi realmente uma desgraça para o País: nem tocou nos aspectos financeiros, nem tocou nos aspectos económicos. Qualquer solução financeira estável depende da economia. Mesmo essa consolidação que se diz que foi feita é uma coisa verdadeiramente...

No primeiro Governo de José Sócrates?

Exacto, de 2005 a 2008. Para ter uma noção da magreza desta consolidação, ela foi feita da pior maneira: a despesa corrente caiu 0,7, a despesa de capitais caiu 1,7 do produto. Quer dizer, cortou-se nas despesas capitais, foi o grande corte. Fazendo o quê? Tirando os investimentos para as parcerias público-privadas, Estradas de Portugal, para não aparecer no Orçamento. E os impostos cresceram 0,8. Foi à custa de impostos e de despesas de capital. Os impostos têm um tecto, as despesas de capital não podem baixar mais que zero. Isto só serviria se se tivesse mexido na despesa corrente - pessoal, prestações sociais, subsídios -, mas aí não mexeram! Isto ficou preso pelas costuras. A chamada consolidação de que o ministro Teixeira dos Santos e o primeiro-ministro falam - "já fizemos uma, podemos fazer duas ou três" - não tem assento nenhum na realidade.

José Sócrates continua a acreditar que a economia vai resistir às medidas anunciadas, mas a Standard&Poor's, uma das agências de rating internacionais, prevê uma contracção de 1,8 no crescimento do próximo ano, e o FMI diz mesmo que o desemprego deve subir até quase aos 11%. Quem tem razão?

Aparentemente, e em princípio, é o FMI, porque estas medidas são as ditas medidas contraccionistas. Havendo menos rendimento, porque os salários baixam e os impostos aumentam, a população vai consumir menos. É a evolução natural. Só há uma alternativa, que não depende de nós: exportarmos muito mais.

As pessoas perguntam: quantos anos pode levar a crise até ser ultrapassada?

Ninguém pode imaginar... Ao nível a que chegou o nosso endividamento externo - o peso dos juros e o estado da economia... A nossa economia foi-se abrindo quando entrámos para a CEE [Comunidade Económica Europeia, agora União Europeia]. Entrámos para 12, vamos em 27; por conseguinte, um primeiro factor que tornou difícil o crescimento da nossa economia foram os 27. Há muitas deslocalizações daqui para lá, por razões salariais, por razões de organização do Estado, etc. Saímos de uma economia fechada para uma economia sujeita a todas as ventanias externas e não nos preparámos para ser competitivos. E não sendo competitivos, não podemos ter exportações suficientes.

Portugal é mesmo, como o FMI disse esta semana, num relatório, uma ameaça à manutenção da Zona Euro? Ou também é catastrofista?

Portugal só, creio que é algum exagero. Mas há aqui uma posição com que se tem de contar, que é o que os alemães pensam disto. Imagine que nós não acompanhamos esta rearrumação financeira que a Europa impõe. Se formos só nós, não me admiro que nos deixem pelo caminho. Se a Grécia se equilibrar, se a Espanha se equilibrar, e a Irlanda, se ficarmos, digamos, o tinhoso único, não me admiro que nos baldeiem.

Pelo que depreendo das suas palavras, depois deste pacote, serão necessárias medidas adicionais em 2011 para que as finanças voltem a entrar no bom caminho? Ou seja, haverá um PEC III, um PEC IV...

Ou o PEC XXV! Seria bom que fosse assim, mas o problema não é esse: é que, quando chegarmos a 2013, saem as Scut e começam a entrar as par- cerias público-privadas no Orçamento. Mil milhões, mil e seiscentos milhões, mil e quinhentos milhões todos os anos! Depois de termos isto arrumado, aparece a desarrumação. Nessa altura, é quase com certeza necessário outras medidas.

Se fosse ministro das Finanças, quais seriam os vectores principais das suas políticas? Reduzir o Estado?

A primeira coisa se quisesse começar pela financeira, que é aflitiva, mas não é o real problema. O real problema é a economia. Não temos justiça que funcione, a nossa educação é uma miséria, a burocracia é um inferno, a corrupção...

Não houve Simplex?

O Simplex foi importante, mas o meu amigo faz uma sociedade em 50 minutos e depois espera seis meses para lhe darem uma autorização para pôr um toldo ou para abrir a porta. Não há uma visão global. Este Governo é um Governo de fogachos. O Simplex é muito bom. E o resto?!

Voltando às suas medidas.

Começando pelo fundo. Começaria pela arrumação do Estado em todos estes aspectos: educação, justiça, impostos. Os impostos são um sistema legal deplorável, os tribunais não funcionam. O que melhorou nos impostos? Foi a administração fiscal com a passagem de Paulo Macedo, realmente uma lança em África o que ele fez - com excessos, deficiências, com tudo o que é humano. Isso melhorou, mas o sistema legal é de fugir e o sistema judiciário também não funciona. Temos de mexer em seis ou sete coisas essenciais que são as chamadas reformas de fundo. Tenho um método para atacá-las que tenho tentado impingir, passe a expressão, mas ninguém dá dinheiro para fazer isso. É fazer um estudo comparativo com os países da Europa do Leste sobre aquilo em que estamos desfavoráveis - leis do trabalho - e em que aspectos. Nas discussões do trabalho, como tem presenciado, nunca ninguém se entende! "Isto precisa de ser mais flexível!" Os empregados dizem: "Não, isto já é flexível de mais!" A conversa morre sempre aí. Ao passo que, se se trouxer uma descrição sobre o que é o regime laboral nos países com que temos de competir, é diferente a discussão!

Isso no âmbito da economia. E nas finanças?


Nas finanças, temos de fazer um estudo das despesas muito pormenorizado e sossegado. Não é ir aos salários, isto ou aquilo. É ver despesa a despesa. Por exemplo, o mapa autárquico de mil oitocentos e tal não presta. Temos 30% de municípios com menos de dez mil habitantes... O que pagam de impostos não dá para o presidente da câmara, o chauffeur e a secretária!

Temos de reorganizar o País?

Tem de se reorganizar o mapa autárquico. 4500 freguesias é um disparate! E, no mapa autárquico, sabe porque não se mexe? Porque há presidentes de câmara que têm de ir tratar da vida para outro sítio. Não se faz nada que mexa em interesses! Empresas municipais - suprimir aí a eito.

Empresas que não fazem falta ao País?

Essas empresas? Então a gente viveu sem elas até há cinco anos! O que houve foi um esperto que descobriu que aquilo era maneira de fugir com o dinheiro às contas. Endividam-se pelas empresas municipais, e não se endividam pelas câmaras. Se estivesse nas finanças, no dia em que aparecesse a primeira, não deixava andar nem mais uma! Acabar com piscinas, redondéis, coisas onde se gasta dinheiro. Dizem: "Mas isso fez parte do meu programa." "Ai fez? E ganhou? Vá pedir aos seus votantes que lhe dêem dinheiro para fazer isso!" Porque eles querem cumprir os programas assumindo dinheiros que não têm.

E ao nível do Estado social - saúde, ensino... como mexeria?

Também temos de fazer uma análise a ver o que dói menos e a quem dói menos. Não preconizo que se mexa no Estado Social, em pessoas com 300 euros de reforma, que já são uma desgraça. Mas é acabar com as despesas inúteis todas... Há coisas que deve ser o ministro das Finanças a autorizar. Os carros devem ser modelo médio para ministros, e têm de durar cinco ou seis anos. Quando fui ministro, tinha um carro recuperado da sucata da alfândega de Lisboa.

O Estado social, tal qual o conhecemos, vai terminar?

Não. As minhas contas valem o que valem, mas entre 2015 e 2020 vai ter de se mexer.

E com coragem política?

A coragem não é difícil. Agora, trabalhar assim de qualquer maneira... Este pacote que saiu por aí deve ter sido feito em 48 horas. Isto foi alguém que foi a Bruxelas e trouxe um envelopezinho a dizer "mudem já!" Nenhum Governo ia ao pessoal sem pressão externa.

Se fosse trabalhador da PT, estaria apreensivo com a transferência do fundo de pensões ?

Essa pergunta é embaraçosa porque creio que dentro de alguns anos também a PT não vai ser a PT. Não sei se vai valer mais do que o Estado. Se for obrigada a praticar preços por chamada que tenham em conta o nível de vida dos portugueses, a PT não vale aquilo que vale. A PT põe os preços que quer, a energia são os preços que quer, a Galp faz aquilo que quer...

A PT não é uma empresa que está só no mercado português, tem também outras fontes de financiamento.

Está bem, tem essas fontes de financiamento. Mas não é possível termos comunicações caríssimas, taxas de aeroporto caríssimas - mais caras do que em Espanha.

Mas em relação à passagem do fundo de pensões para o Estado, no sentido de amenizar o desempenho orçamental deste ano...

Deve haver outros já na calha para o ano a seguir. Manuela Ferreira Leite fez isto, com grande indignação. E agora está-se a ver que estas habilidades têm de se fazer.

Tinha a noção de que a execução orçamental estava a falhar?

Há uns dois anos que não acredito naquilo que o Ministério das Finanças diz.

Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal...


[interrompendo]... sugeriu uma agência, que eu estava para sugerir um dia destes!

Portanto, faz todo o sentido?


Para mim faz todo o sentido, o Ministério das Finanças não merece crédito! E o Ministério das Finanças era das coisas rigorosas que havia no País. Aquilo já é considerado uma barraca de farturas.

O BPN é actualmente a maior incógnita do próximo ano para as contas nacionais. Há quem diga que está em risco de acontecer o mesmo que na Irlanda, onde o défice passou de 10% para 32%...

[interrompendo] 32%, não, isso é um exagero; no [nosso caso] máximo, 4%!

... Mas no caso português... Acha que isso é uma espada que está sobre o Orçamento?

É. Pelos valores de que se fala, aquilo vai dar grande sarilho. Agora, o BPN: sejamos sérios. Estava a dar uma entrevista ao Rádio Clube quando foi nacionalizado, e concordei. Ainda concordo! Acho que foi das coisas bem feitas pelo Governo.

Mas não tinha ideia da dimensão do buraco?

Ninguém tinha! Mas há uma ideia que uma pessoa sensata tinha: é que se se deixasse haver uma corrida à caixa do BPN...

Tinha de se defender o sistema financeiro?

Exactamente! Não é [era] o BPP.

Portanto, este era um preço que...


[interrompendo] Assim, vão ser três ou quatro mil milhões. O outro preço, não sei qual seria. Um levantamento generalizado da banca era uma tragédia.

É das poucas coisas em que concorda com o Governo?

Estou, estou de acordo. E também estou noutras. A política de energias, das barragens, completamente.

Foi uma das pessoas que impulsionaram, em Maio, um encontro do Presidente da República com nove ex-ministros das Finanças.

Eram os que estavam aqui e quiseram ir. Mas não pondero repetir. Era um momento diferente. Hoje, a consciência da situação é muitíssimo mais nítida. Naquela altura, pensei: o que é que a gente pode fazer? Ir para as ruas berrar, não vale a pena. Talvez, simbolicamente, nove ex-ministros das Finanças é muita experiência acumulada em vários anos, várias situações, pessoas com propensões ideológicas diferentes, era um capital de conhecimento.

Essa reunião também visava um alerta público. Resultou?

Era um alerta público. Não faço ideia se resultou, vocês [comunicação social] é que podem ter uma ideia. Era o que podíamos fazer; enfim, sem um golpe de Estado, era isso.
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1682247&page=-1



:rolleyes: :thumbsup:
 
Uma ambulância do INEM que estava em serviço de urgência a uma idosa foi obrigada a abandonar a rua onde se encontrava para deixar passar o carro do ministro da Justiça, noticia a TVI.​

O caso, que já foi confirmado pelo INEM, aconteceu na passada quinta-feira, por volta das 12h30, e indignou os vizinhos que testemunharam a situação à estação de Queluz.

Um elemento da PSP, que faz a segurança do ministro da Justiça, Alberto Martins, ordenou que a ambulância fosse retirada do local para o carro do ministro passar.

A ambulância voltou à residência da idosa algum tempo depois e acabou por transportar a doente ao hospital.

O INEM já informou que o incidente não afectou o socorro da vítima que já está em casa depois do internamento hospitalar.

Contactado pela TVI, o gabinete do ministro Alberto Martins disse desconhecer em absoluto a situação.

Por outro lado, a PSP assegurou que os agentes podem retirar uma ambulância de um local por motivos de força maior.

Fonte: http://noticias.sapo.pt/info/artigo/1132803.html

Caso a dizer: GLÓRIA ANTIGA, VOLTA A NÓS!
 
Só tem relevância por ter sido utilizado num caso político.

Em relação ao estado de saúde da idosa ou ao possível abandono social da mesma, não existe alguma referência.

Essa é outra questão, eu achei vergonhoso e nojento o caso da idosa que esteve morta em casa durante 8 anos e a casa foi penhorada pelo fisco, o corpo foi libertado para o enterro e ninguém o foi buscar, os sobrinhos estão mais interessados em receber o dinheiro da venda da casa...

Acho que o mais grave neste País de treta é a perda de valores, da moral e de tradições, mas acima de tudo a falta de carácter, personalidade e valores do nosso povo.
 
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