À atenção do FMI e do futuro Governo da República, dez sugestões:
1) Extingam mais de metade das juntas de freguesias e um quarto a um terço dos concelhos. Despeçam todos os funcionários públicos das juntas e autarquias extintos, que tenham menos de 40 anos. Os restantes devem ser colocados num programa de mobilidade, e transferidos para serviços onde haja vagas disponíveis; se recusarem, também deverão ser despedidos. Façam uma auditoria nos concelhos e juntas que não sejam extintos, e aí, despeçam também todos os funcionários públicos excedentários com menos de 40 anos. Proíbam a atribuição de apoios económicos por parte do poder local a associações recreativas, columbófilas, de caçadores e afins. Obras públicas a partir de um determinado valor deverão ter uma análise e uma autorização prévia por parte do Ministério das Finanças.
2) No Ensino Superior, aumentem drasticamente as propinas para todos os alunos que reprovem de ano mais de uma vez. Quem não tiver condições para frequentar, que congele a matrícula ou que faça uma inscrição a tempo parcial. Para além disso, instituam uma multa pesada para os estudantes que reprovem mais de uma vez à mesma cadeira ou a mais de três cadeiras diferentes ao longo de um ciclo de estudo. Estudem mais e percam menos tempo na praxe, nas tunas, nas noitadas em dias de semana e nas queimas.
3) Cortem as reformas milionárias. A Suíça é um dos países mais ricos e com mais dinamismo económico de todo o mundo; lá, a reforma máxima não ultrapassa os 2000 euros mensais. Coloquem por cá um tecto idêntico. Dois mil euros são suficientes para se ter uma boa qualidade de vida. Quem quiser a casa de férias em Vilamoura, ou quem quiser dar uma mesada de 500 euros a cada neto, que trabalhe mais durante a vida activa para manter os luxos na velhice.
4) Reduzam o número de deputados para 180, conforme prevê a Constituição. Nos Governos Regionais, reduzam também drasticamente o número de deputados. Acabem também com as ajudas de custo. O salário chega perfeitamente para arrendar um T0 e pagar refeições na cantina da Assembleia. Quem quiser ir ao Eleven, ou para os hotéis de cinco estrelas do Nordeste brasileiro, mude de profissão.
5) Aumentem drasticamente os impostos sobre a compra de automóveis novos ou em segunda mão. Num país pobre e endividado a classe média não deve ter vergonha de andar de autocarro, a pé ou de bicicleta. Aumentem ainda as portagens para os veículos ligeiros. Os portugueses que vivam perto do local de estudo ou de trabalho.
6) Acabem com as rendas congeladas e liberalizem de uma vez o mercado. Punam severamente todos os proprietários de prédios devolutos nos centros das vilas e cidades. Instituam uma lei dos solos que inclua a devolução da totalidade das mais valias imobiliárias ao Estado. Expropriem os terrenos e edifícios sem dono, de herdeiros que estão há uma ou duas décadas sem se entender.
7) Aumentem o IVA para 25%, mas não mexam nas restantes taxas.
8) Parem todas as grandes obras públicas em curso. Proíbam a atribuição de apoios públicos, mesmo que através da atribuição de terrenos ou reduções de impostos a grandes investimentos privados, como o Autódromo do Algarve. Façam a renegociação das Parcerias Público-Privadas.
9) Travem futuros investimentos na energia eólica ou na energia fotovoltaica, ou outros investimentos públicos em energias alternativas ou no famigerado «carro eléctrico».
10) Parem de imediato a entrega de computadores Magalhães.