O Estado do País

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O programa de privatizações é assustador :shocking:

1) ANA: penso que privatizar em separado os três aeroportos do Continente seria possível, pois são lucrativos. Privatizar a ANA criará um monopólio.

2) Águas de Portugal: mais um monopólio, sem concorrência. E mesmo sendo tendencialmente liberal, como já o disse aqui várias vezes, faz-me muita confusão ver este sector nas mãos de privados.

3) REN: outros monopólio.

4) EDP: mais um... monopólio.

5) TAP: tem concorrência, e já deveria ter sido privatizada à muito. Os consumidores e o turismo só têm perdido devido ao monopólio da TAP nalgumas ligações.

6) Alguns sectores da CGD: concordo, e até concordaria com o grupo todo, mas não agora, talvez no futuro...

7) GALP: também monopoliza parte do sector.

8) CTT: é lucrativa, que será dos postos do interior? Outro... monopólio.

Em suma, privatizar-se-ão monopólios e oligarquias. Um erro, a meu ver, mais valia ficarem nas mãos do Estado.

Não sei se há uma estratégia montada neste sentido, não embarco muito em teorias da conspiração. Mas o que se observa é o seguinte: reduzem-se serviços públicos, o que afasta os utentes para outras alternativas. Como diminui a utilização, continuam a ser reduzidos, a qualidade desaparece, e os gastos disparam. Então, aparecem uns iluminados a dizer que é melhor privatizar, pois é impossível que funcionem bem nas mãos do Estado, etc.

Ora vejamos o caso da CP, que é paradigmático. Desde os governos Cavaco Silva que os utentes foram «enxotados» de várias linhas: horários desfasados das necessidades dos cidadãos, comboios lentos e velhos, fim da primeira classe, encerramento de estações e apeadeiros em áreas povoadas, mau planeamento urbano, etc. Depois, veio a má gestão, a falta de qualidade no atendimento, etc. Agora a CP está com uma dívida enorme, várias linhas encerraram, enfim, uma tragédia.

Outro exemplo: a educação. Nos últimos dez anos reduziram-se programas, afectou-se a independência e autoridade do professor, há falta de autonomia nas escolas, não se separou o profissional das áreas para prosseguimento de estudos. Nos anos 70 e 80, as melhores escolas do país eram públicas. Agora, as melhores são privadas. Devido à falta de qualidade, só os alunos com dinheiro podem efectivamente aprender inglês ou francês, depois de se inscreverem numa escola de línguas. Devido aos métodos de avaliação, os alunos de escolas mais benevolentes na hora de dar notas passam à frente dos alunos das escolas mais exigentes no acesso ao ensino superior.

É preciso que os portugueses não sejam enganados. Com mão firme na gestão, serviços públicos como a educação ou os transporte ferroviárias podem ter qualidade e boa gestão. Quem diz o contrário mente!

O PSD fala em dar mais competências às autarquias. Eu discordo. Nos últimos anos, as autarquias aumentaram o número de funcionários públicos, endividaram-se até não poder mais, tornaram-se ninhos de nepotismo, tráfico de influências ou mesmo corrupção. Salvo uma ou outra excepção, as autarquias são a prova viva de que o poder local português ainda não está preparado para ter mais autonomia.
 
E mais, estas privatizações vão servir para dar os anéis a grupos estrangeiros, muito especialmente espanhóis.

A tragédia Sócrates também passa muito por isto, a perda de soberania. Sabem o que se fazia, noutras épocas, aos traidores à pátria?
 
Anda por aí meio mundo de peritos e politólogos, muito felizes com esta caridade do FMI e a garantirem que agora é que vai ser. O que é preciso é colaborarmos todos com muito sacrifício.


Pois bem, a treta inclui uma bruta fatia do empréstimo destinado a abono bancário para, depois, os nossos bancos poderem financiar a "economia real", diz-se.

Sucede que, por sua vez, e para ajudar os "mercados", o Estado incube-se da salvação do bom do lixo tóxico do BPN, em venda acelerada até Junho- com compra pelo Estado da porcaria que lá tem dentro.

E tem muita piada ninguém falar nisto. Porque, o empréstimo caritativo é mais ou menos uma macacada ponzi a inchar em bolha.

Os beneméritos do BCE e FMI vêm cá injectar 12 mil milhões de peidos que o Estado se encarrega, por sua vez, de seringar nos bancos que já não têm liquidez, para que depois estes possam voltar a emprestar ao mesmo Estado. Ficando o nosso Estado com dívida a dobrar, para pagar o inteligente empréstimo aos intermediários, em exigência dos ditos "mercados europeus".

Uma "bernankice" de falsa recapitalização bancária que apenas serve para o Estado ficar com duplo encargo de dívida ao FMI e à banca e ainda a pagá-la com juros.

Parece que se costuma chamar a isto um simulacro financeiro, com venda de Dívida Pública.

Neste caso, para tentar cobrir juros de dívida acumulada.

Este fenómeno, fruto de engenharias tão engraçadas, tem até um nome apropriado à tolice geral em que caímos- uma boa de uma Debt Trap.
Desta vez, com a peculiaridade de serem os ratos e as ratazanas de grande porte a armadilha-la para os patinhos.

Resumindo, como Portugal não pode sozinho fabricar dinheiro do ar, vem o FMI fazê-lo pelo Estado. No fim, quem paga os juros do fantástico resultado da geração das couves a partir do nada, só podem ser os contribuintes.

Pode confirmar aqui

Banco Português de Negócios


2.10. The authorities are launching a process to sell Banco Português de Negócios (BPN) on an accelerated schedule and without a minimum price. To this end, a new plan is submitted to the EC for approval under competition rules. The target is to find a buyer
by the end of July 2011 at the latest.

2.11. To facilitate the sale, the 3 existing special purpose vehicles holding its non-performing and non-core assets have been separated from BPN, and more assets could be transferred into these vehicles as part of the negotiations with prospective buyers. BPN is also launching another program of more ambitious cost cutting measures with a view to increase its attractiveness to investors

2.12. Once a solution has been found, CGD’s state guaranteed claims on BPN and all related special purpose vehicles will be taken over by the state according to a timetable to be defined at that time.

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Acrescento por troca de comentários com um tal Wegie.

E nem tinha visto que a abertura de época de saldos inclui a venda da TAP, REN e EDP no tempo relâmpago de 7 meses, com o apetite da Bismerka ainda a fazer-se ao ouro que resta.


http://cocanha.blogspot.com/
 
O que se pensa lá fora sobre Sócrates:

...
The political reason this crisis goes from bad to worse is an unresolved collective action problem. Both sides are at fault. The tight-fisted, economically illiterate northern parliamentarian is as much to blame as the southern prime minister who cares only about his own backyard. The Greek government played it relatively straight but Portugal’s crisis management has been, and remains, appalling.

José Sócrates, prime minister, has chosen to delay applying for a financial rescue package until the last minute. His announcement last week was a tragi-comic highlight of the crisis. With the country on the brink of financial extinction, he gloated on national television that he had secured a better deal than Ireland and Greece. In addition, he claimed the agreement would not cause much pain. When the details emerged a few days later, we could see that none of this was true. The package contains savage spending cuts, freezes in public sector wages and pensions, tax rises and a forecast of two years’ deep recession.

You cannot run a monetary union with the likes of Mr Sócrates, or with finance ministers who spread rumours about a break-up. Europe’s political elites are afraid to tell a truth that economic historians have known forever: that a monetary union without a political union is simply not viable. This is not a debt crisis. This is a political crisis. The eurozone will soon face the choice between an unimaginable step forward to political union or an equally unimaginable step back. We know Mr Schäuble has contemplated, and rejected, the latter. We also know that he prefers the former. It is time to say so.
...

excerto de um artigo de hoje no Financial Times
http://www.ft.com/cms/s/0/3eb6bbc8-796c-11e0-86bd-00144feabdc0.html#axzz1Lq5v71co


O Diário Económico também já falou sobre esse mesmo artigo:

Para Wolgfang Münchau, colunista do Financial Times, as elites políticas europeias têm medo de dizer a verdade.

Num artigo intitulado "Os problemas políticos por detrás de uma reunião não-tão-secreta", Münchau dedica alguns parágrafos do texto a Portugal, afirmando que "José Sócrates, o primeiro-ministro, escolheu adiar o pedido de ajuda até ao último minuto. O seu anúncio, na semana passada, foi um momento de tragicomédia nesta crise".

O primeiro-ministro falou ao País na passada terça-feira, quando terminaram as negociações com a 'troika' internacional, tendo, no entanto, revelado muito pouco sobre as medidas efectivas que constavam no memorando de entendimento.

"Com o País à beira da extinção financeira ele [Sócrates] afirmou na televisão nacional que conseguira um melhor acordo do que os que foram feitos com a Irlanda e a Grécia. E ainda acrescentou que o acordo não causaria grande sofrimento", relata Münchau.

"Quando os detalhes foram revelados, uns dias depois, pudemos ver que nada disto era verdade", escreve o editor da publicação britânica.

"Não se pode gerir uma união monetária com as vontades de José Sócrates ou com ministros das Finanças que espalham rumores sobre uma possível ruptura", diz ainda Münchau, remetendo para o tema quente da agenda de sexta-feira passada: a reunião dos ministros das Finanças da zona euro onde, alegadamente, se teria discutido a saída da Grécia da união monetária.

"O problema é que a União Europeia é politicamente incapaz de lidar com uma crise que se tornou contagiosa e que tem potencial para criar elevados danos colaterais", argumenta o autor.

No mesmo artigo, o responsável do FT sublinha ainda a quantidade de informação contraditória que surgiu na passada sexta-feira, desde os rumores de que a Grécia poderia abandonar a zona euro, à reunião "não-tão-secreta" dos ministro das Finanças da região. "Eles [os líderes da UE] nem conseguem organizar uma reunião privada. Como podem, então resolver uma crise de dívida?", questiona.

"As elites políticas europeias têm medo de dizer a verdade que os economistas históricos sabem desde sempre: a de que uma união monetária sem uma união politica é simplesmente inviável".

http://economico.sapo.pt/noticias/s...mento-de-tragicomedia-nesta-crise_117575.html
 
Nos últimos 30 anos, a despesa pública aumentou de 29% para 45% do PIB. Um aumento do peso do Estado na economia de 16,3 pontos percentuais, dos quais 12,1 p.p. (75%) aconteceram em governos liderados pelo PSD e apenas 4,2 em governos PS.

Os dados apresentados no gráfico ilustram bem o problema da inércia de aumento da despesa pública. Até 2005, todos os ciclos governativos terminaram com um peso da despesa no produto superior ao valor inicial. Esta trajectória é explicada pela crescente exigência de novos serviços e pela evolução dos custos da segurança social, numa sociedade em envelhecimento.

Mas foi também alimentada pela dinâmica de crescimento do peso das remunerações, com o aumento do número de funcionários, e reforçado por regimes de promoção automática.

Na despesa pública é fácil e popular subir degraus, contratar pessoas, dar mais regalias, abrir novos serviços. Mas, depois de o fazer, criam-se responsabilidades e direitos adquiridos que é difícil reverter.

Calculando o aumento da despesa em cada período governativo, podemos determinar o respectivo contributo para o aumento do peso do sector público na economia. Os valores no fundo do gráfico reflectem a variação em pontos percentuais do peso da despesa pública total em cada período. Observa-se que os três períodos com maiores contributos para o aumento do peso da despesa pública no PIB foram os da Aliança Democrática (+4,4), os governos de Cavaco Silva (+4,3) e os governos PSD-CDS (+3,4).

Em conjunto, estes três períodos governativos deram um contributo acumulado de crescimento de 12,1 pontos percentuais do total de 16,3 p.p. de aumento do peso da despesa pública verificado nas últimas três décadas. O contributo líquido dado pelos governos liderados pelo PS foi muito menor - apenas 4,2 pontos percentuais (2,2 +3,0 +0,8 -1,8 = 4,2), cerca de ¼ do total.

Podemos admitir que a despesa total não é o agregado mais adequado. No entanto, considerando os contributos para o aumento da despesa corrente, obtemos que os governos PSD contribuíram com 13,5 p.p. enquanto os do PS com 4,2 p.p.. Retirando os juros, obtemos a despesa corrente primária, que aumentou 16,2 p.p. entre 1977 e 2008, com um contributo de 11,9 p.p. dado pelos governos PSD e apenas 4,3 dado pelos governos do PS.

Façam-se as contas como se fizerem, o contributo dos governos PSD representou entre 74% e 76% do aumento total, um valor três vezes superior ao acumulado pelos governos PS. O contributo para o aumento da carga fiscal dado pelos governos do PSD foi até ligeiramente maior (cerca de 80%), e o contributo para o aumento do peso das despesas com remunerações foi ainda superior.

Utilizando os dados de aumento da despesa corrente primária (os mais desfavoráveis ao PS) e calculando o aumento anual do peso desta despesa no PIB (ver quadro), constata-se que o ritmo de crescimento do peso do sector público nos governos liderados pelo PSD foi 2,3 vezes superior ao verificado nos governos PS (0,7 p.p. ao ano comparado com 0,3 p.p. por ano).

O quadro permite também ver que o último governo PSD-CDS foi o em que se verificou um ritmo mais acelerado de aumento do peso da despesa corrente primária na economia (1,2 p.p. por ano), um valor muito superior ao ritmo médio de aumento do peso da despesa pública corrente primária, que foi de 0,5 pontos percentuais por ano. Aliás, todos os governos liderados pelo PSD registaram um ritmo de crescimento igual ou superior à média, enquanto nos governos socialistas apenas o de António Guterres cresceu acima da média, aumentando 0,68 p.p. por ano, um valor muito próximo ao dos governos de Cavaco Silva, que é quase metade do registado pelo último governo PSD-CDS.

O governo de Sócrates destaca-se com uma descida do peso da despesa pública até 2008.

Destaca-se também como o que apresenta o menor défice médio. No entanto, em 2009, a crise está a levar a um aumento do défice. Os dados do primeiro semestre confirmam isso mesmo, mas sugerem que o aumento do défice decorre mais da diminuição da receita, pelo abrandar da actividade económica, do que do disparar da despesa para além do previsto.

Será que os dados finais de 2009 podem alterar as conclusões aqui apresentadas? Eu penso que, no essencial, não. Mesmo que o peso da despesa no produto aumente 2, 3 ou 4 p.p. em 2009, o contributo para o aumento da despesa pública dos governos do PS continuaria sempre a ser menos de metade do contributo dos governos do PSD. Mesmo no actual cenário de crise, o actual Governo vai registar um crescimento do peso da despesa claramente abaixo dos crescimentos registados pelos governos do PSD.

A verdade sobre as contas públicas está nos números. Estes estão disponíveis no Banco de Portugal, no Eurostat, ou no INE. Se o que aqui foi apresentado não corresponde à ideia que tinha, veja por exemplo em www.bportugal.pt e questione-se sobre se os que mais se reclamam do rigor não são afinal os que mais contribuíram para o crescimento do monstro.

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http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=386210

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Há notícias/comentários para todos os gostos. Às vezes nada como recuar uns meses/anos atrás para ver as coisas como devem ser vistas, antes da crise internacional...
 
Pelas trapalhadas que vejo do PSD, pela ausência de programas e demagogia do PP, pela ineficácia do BE e PC, acho que já estive mais longe de votar no Sócrates por uma questão de voto útil mesmo.

O único que me comove é o Senhor Presidente da República, coitado deve ter imensas dores de cabeça em pensar como há-de gastar os 16 milhões no seu staf que até é o segundo maior da Europa.
 
Pelas trapalhadas que vejo do PSD, pela ausência de programas e demagogia do PP, pela ineficácia do BE e PC, acho que já estive mais longe de votar no Sócrates por uma questão de voto útil mesmo.

O único que me comove é o Senhor Presidente da República, coitado deve ter imensas dores de cabeça em pensar como há-de gastar os 16 milhões no seu staf que até é o segundo maior da Europa.

Em 6 anos pedimos o FMI, mais 4 anos talvez abrir bancarrota. Não tenho nada contra o PS, mas votar no Sócrates?... :confused:
 
No Algarve o sector do golfe dá sinais de excesso de oferta, há alguns anos. Não há muito tempo falava-se na necessidade urgente de 50 campos na região, os responsáveis empresariais e políticos da área do turismo repetiam o chavão exaustivamente. Agora, sabe-se que há vários campos em dificuldades, no sotavento há dois ou três nessa situação.

Isto que se passa na Madeira parece-me uma situação típica de país comunista, e é estranho porque vem de uma região governada por um partido supostamente de centro-direita: o poder político assume investimentos que podem e devem ser feitos pelos privados, depois se der prejuízo, o contribuinte paga! No Algarve, por exemplo, também há situações semelhantes, veja-se o caso das discotecas de Verão, geridas por empresas municipais! Parece-me inadmissível que em Portugal, um país do Ocidente, haja empresas públicas a fazer esta concorrência desleal aos privados!

Eu não falo do Algarve porque nunca lá estive, faz-me cá uma azia ver-lhe a falar de coisas que não conhece...

Mas sobre o Algarve leio muita coisa, leio que o Autódromo do Algarve, aquele que tanto gosta para criticar ser elogiado como o melhor traçado atualmente da competição automóvel na Europa. Mas para si... Enfim que vale a pena dizer?...
 
Eu não falo do Algarve porque nunca lá estive, faz-me cá uma azia ver-lhe a falar de coisas que não conhece...

Mas sobre o Algarve leio muita coisa, leio que o Autódromo do Algarve, aquele que tanto gosta para criticar ser elogiado como o melhor traçado atualmente da competição automóvel na Europa. Mas para si... Enfim que vale a pena dizer?...

E? Pode ser isto e aquilo, mas teve n apoios da câmara de Portimão, denunciados primeiro pelo BE e depois pelo PSD, e mesmo assim não é economicamente viável, pois não atrai eventos suficientes. De que serve ter o melhor traçado, se não tem utilização suficiente para pagar as contas? Se o caro tivesse uma empresa, faria a sede mais bonita da Europa, mesmo sem ter o dinheiro para a pagar? Faria? Claro que não! Eu estou-me nas tintas para que tenha o melhor traçado, para que o estádio x ou y seja o melhor, para o centro comercial x ou y seja o maior, etc., para mim o importante é que as contas públicas estejam em dia, que os portugueses não estejam endividados, que tenhamos dinheiro com fartura em depósitos para emprestar ao estrangeiro, que tenhamos condições para enriquecer e não para andar a pedinchar ao estrangeiro. Seria óptimo sim que colocássemos todas as nossas energias para nos projectarmos na ciência, no desempenho económico, na literatura ou nas artes, em vez de colocarmos a tónica na maior ponte da Europa, no maior centro comercial, no melhor estádio, no melhor autódromo, etc.
 
Há quem prefira desviar as atenções para as dívidas contraídas pelos governos anteriores do ps e do psd, e rematar com a crise mundial para se desculpar o desempenho governativo actual!

Mas que diabo, então se a crise é mundial, se o mundo tem 195 países e desses apenas 15 recebem ajuda do FMI, então os países que precisam de ajuda são apenas 8% do total!!

Então ainda por cima temos que agradecer ao Sócrates por esse desempenho que coloca Portugal nesses 8% de países mal governados??

Será que o Sócrates não tinha outra escolha, foi obrigado a endividar-se mais do que podia, foi alguma promessa??? Então e os restantes 92% dos países? Alguns países são bem mais pobres que Portugal e não se endividaram tanto perante a crise, certo?

Será que os nossos impostos servem para o estado gastar em:
-Campos de golfe
-Campos de futebol
-Patinagem de gelo
-Discotecas
-Autodromos
-Escolas com distintos projectos de arquitectura, em vez de serem uniformizadas.
-Financiar os investimentos nas renováveis, sabendo que os pobres nunca terão dinheiro para instalar painéis solares no seu telhado, contudo pagam na factura.
-Construir autoestradas a triplicar e/ou destruir IP's existentes.
-Garantir ganhos de 14% anuais às PPP's
-Financiar as campanhas dos partidos quando há 20, 30 anos atrás também se faziam campanhas por muito menos!
-Cobrir os buracos financeiros da banca, ou de melhorar os racios financeiros da banca apesar de apresentarem milhões de lucro todos os dias?
-Permitir que forças de segurança gnr, psp trabalhem 24h seguidas para depois terem 2 dias de descanso? Custa-lhes muito fazerem turnos de 7(+1)h??
-Terem hospitais com centenas de enfermeiros e dezenas de médicos, e ainda assim preferirem pagar horas extra em vez de contratar mais 1 ou 2?
-Atribuir concursos públicos a empresas que ainda nem estavam criadas no momento? Ou concursos ganhos por empresas já falidas?
-Permitir contratos por ajuste directo no valor de milhões de euros? Ex: terminal de contentores à mota-engil do jorge coelhone?
-Etc, etc, etc..

Com tudo isto, quanto sobra ao estado para:
-financiar projectos de emprego sustentáveis?
-apoiar a agricultura, e as pescas?
-apoiar as exportações, e as pequenas e médias empresas em geral?

Devo agradecer ao estado por tudo isto, tal qual um "cordeiro de Deus"?

Se as outras alternativas são melhores ou piores, não sei, mas sei que estes estão na cama que fizeram.
 
Há quem prefira desviar as atenções para as dívidas contraídas pelos governos anteriores do ps e do psd, e rematar com a crise mundial para se desculpar o desempenho governativo actual!

Ou há quem prefira demonstrar que devido aos erros históricos dos antigos governos PS e PSD, tenha sido PS ou outro partido a liderar o governo nos últimos 6 anos o resultado seria provavelmente o mesmo.

Relembro também, que durante muitos se perguntava porque não seguíamos o modelo de desenvolvimento da Irlanda. Sem dúvida que evoluíram melhor e aproveitaram melhor os fundos da União Europeia. Era um exemplo a seguir, mas a verdade é que também "foram ao tapete".

O PS é muito mais que Sócrates. Mas parece que a oposição continua num ataque cerrado com o objectivo de tentar separar o líder do resto do partido para o julgar em praça pública. Se querem que vos diga, acho que parte da ineficiência da oposição parte do facto de tentarem fazer isso.

É verdade que o PS gastou mais que podia e algumas vezes em coisas supérfulas. (Voltando à Irlanda) E nós Portugueses, também não gastámos?

Portanto, em vez de tentarem crucificar o PS, desculpem o Sócrates, como a personagem que trouxe a desgraça ao país, devíamos era todos para para pensar no que queremos para Portugal. Para fazer isso temos todos que pensar em conjunto como nação, onde errou cada 1 dos 10 milhões de Portugueses.

Garanto, ganhe Sócrates, Passos, Portas...exista que coligação existir, fica tudo na mesma. Pensar que só Sócrates é o profeta da desgraça é estar-se a enganar a si próprio.
 
Portanto, em vez de tentarem crucificar o PS, desculpem o Sócrates, como a personagem que trouxe a desgraça ao país, ...

NUNCA! Desculpar alguém que teve a prestação que teve nos últimos 6 anos, e que ainda por cima continua a achar que ele é que tem razão... NUNCA!

Pensar que só Sócrates é o profeta da desgraça é estar-se a enganar a si próprio.

É o culpado da desgraça dos últimos 6 anos...

Recebi esta frase por correio electrónico (não sei o autor), e traduz muito bem a situação de Sócrates:

José Sócrates, não usa uma estratégia de avestruz, mas sim a estratégia de Colombo. Isto é, quando partiu não sabia para onde ia, quando chegou não sabia onde estava, e quando voltou não sabia de onde vinha, mas considerava-se um herói
 
Os alemães casaram-se em comunhão de bens

Os alemães estão arrependidos. Trocaram o sagrado "deutsche mark" pelo euro sem a melhor solução institucional para gerir uma união monetária.
Os resultados estão à vista: crises grega, irlandesa e portuguesa. Todas resolvidas com mezinhas (FEEF, ESM…) que não resolvem o pecado capital do euro: não está ancorado numa união política (a História mostra, desde a antiguidade, que uniões monetárias sem união política duram pouco).

O euro precisa de um Tesouro Europeu e de um Governo económico. O Tesouro coordenaria as políticas financeiras dos 17 países: défices, endividamento, etc. O Governo económico faria o trabalho que FMI/BCE e CE fizeram em Portugal: impor políticas estruturais, sinónimo de competitividade. No fundo, estar-se-ia a criar uma Europa verdadeiramente federal.


O modelo limita a soberania dos participantes? Sim, mas cria soluções institucionais para resolver as crises com o respaldo de um governo federal. Com outra vantagem: qualquer país do euro seria obrigado a tomar medidas antes de as crises ocorrerem. Portugal, neste esquema, nunca chegaria ao ponto a que chegou!

O actual figurino é que não serve. Deixa o euro refém da deriva eleitoralista de alemães, holandeses e finlandeses. Deriva que se vai acentuar com a necessidade de novas ajudas à Grécia, para evitar a reestruturação da dívida (como sugeriu ontem a S&P). Os alemães, principal suporte do euro, sentem-se enganados: casaram-se em comunhão de bens, partilham o seu património com os cônjuges e não podem pedir o divórcio (expulsar um país provocaria uma "chain reaction" e seria o fim da Zona Euro…). É altura de a Europa lhes dar algo em troca. Rapidamente.

Por Camilo Lourenço

Negócios

Concordo em pleno.
 
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