Percebo perfeitamente onde queres chegar...também sou funcionário público como tu. E vou perder muito no próximo ano como tu.
Relativamente às horas. Cada um fala por si mas muitos dos professores aproveitam esse "tempo" de preparação para muita outra coisa além da real e efectiva preparação lectiva. É uma realidade e quanto a isso (se não é o teu caso folgo em saber isso) apenas acrescento que mesmo que seja uma legislação feita há muitos anos, é altura de a adequar aos tempos.
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A despesa do estado ainda não reflete as verdadeiras contas das parcerias público-privadas. Quando assim for, teremos de estar muito bem preparados para encaixar os valores monstruosos que os nossos amigos, que deixaram o poder em Junho, nos deixaram de "presente".
As rodoviárias, a saúde, as renováveis (ainda não se sabe ao certo como e quando entram nas contas) e outras, vão agravar o peso da despesa do estado; se não apertar o cinto no estado nesta fase, daqui a 3 anos poderemos ter de declarar a incapacidade em cumprir os acordos de resgate atual.
A situação é gravíssima...![]()
Por isso é que o Ministro está a ser tão duro agora, para dar garantias ao credores de que somos cumpridores, para que mais tarde estejamos em condições de negociar um perdão parcial, que no nosso caso será provavelmente inferior ao grego. Fala-se em 20 a 30% de perdão para Portugal.
E ainda não chega, devia ir além dos "sempre os mesmos".
Nesta fase o «ir além» que tenha resultados palpáveis e não apenas simbólicos implica outras coisas, despedimentos, fim dos abonos de família, subidas de taxas moderadoras, propinas no ensino obrigatório e no Secundário... O que se pode é ir reduzindo o n.º de funcionários, reformando o poder local e o Estado Central, mas isso demora muitos anos para ser bem feito e a sociedade se adaptar.
Hoje em conversa com um amigo meu, ele dizia que não sentia a crise, pois nunca tinha recebido subsidio de férias ou natal. Logo, a crise era pros outros, ele sentia a crise de uma forma mais indirecta, através dos clientes. Achei a reposta dele muito engraçada, quem não pertence ao estado deve estar de acordo com muitas das medidas.
... O que se pode é ir reduzindo o n.º de funcionários, reformando o poder local e o Estado Central, mas isso demora muitos anos para ser bem feito e a sociedade se adaptar.
O número de funcionários públicos irá reduzir progressivamente, pois da regra de entra 1 para 3 que saem, depois passou para 5, e actualmente os
concursos para contratação de pessoal estão congelados, eventualmente podem surgir concursos para constituição de reservas de admissão, aquando do descongelamento.
Sou funcionário público, e por muito que me custe perder 2 ordenados, sabendo que apenas 1/4 da despesa do estado é de remunerações, considero que a medida tomada pelo estado é a melhor de todas as restantes opções, pois seria necessário despedir e indemnizar 60 a 100mil funcionários públicos, impossível de negociar num mês nem num ano nem 2!
Ora, a medida de subtração dos subsídios de natal e de férias, resulta no equivalente à redução de 80 mil funcionários públicos (pelo menos)! Senão vejamos:
- 800mil funcionários da administração local, regional e central
- 80% recebem menos 1mês
- 20% recebem menos 2meses
Então: (20% x 2/12 x 800mil) + (80% x 1/12 x 800mil) = 26666+53333 = exactamente 80 mil funcionários!!
Sim, o corte de salários é no sector público, mas as consequências mais graves do fim dos subsídios serão no sector privado, arrisco quase 100 mil desempregados devido a esse dinheiro e outro que sai da economia.
Sim, o corte de salários é no sector público, mas as consequências mais graves do fim dos subsídios serão no sector privado, arrisco quase 100 mil desempregados devido a esse dinheiro e outro que sai da economia.

Mas ninguém até agora cumpriu essa regra de entra 1 saem 3...
Acontece ainda.. Na administração local e principalmente na administração regional.
Na administração central, tal não acontece!
A culpa não é só dele, dezenas de economistas keynesianos de esquerda apoiaram isto em vários manifestos, obras publicas para combater a crise, mas agora andam todos calados.... ou a queixar-se dos cortes. Enfim, são os palhaços que este circo merece.
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Pelo menos os dados mais recentes que vi, de 2009 ou 2010, demonstravam que no poder local houve aumento do n.º de funcionários total a nível do país.