O Estado do País

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O que se passa na linha do Algarve sucede por pura incompetência, provavelmente até eu faria uma gestão largamente melhor daquilo. Na minha zona antigamente os estudantes andavam de comboio, agora andam de autocarro, porque a CP não adequa os horários das escolas com os horários dos comboios, perdendo todos os anos o dinheiro dos passes de centenas de estudantes. A EVA, a empresa de autocarros, adequa os horários dos autocarros aos horários das escolas. Como se sabe, ficaria mais económico se se viajasse de comboio... mas como somos ricos não precisamos de poupar, os países ricos poupam mas esses são uns avarentos!

Mais, não há concordância de horários, o Alfa chega a Faro perto da 22h, mas depois espera-se quase uma hora pelo regional, claro que ninguém espera e as pessoas têm que procurar alternativas (familiares, táxi).

Fecharam o apeadeiro de VRSA, ninguém sabe porquê, se ficava perto da alfândega, sendo por isso importante para os turistas e para o centro histórico da cidade. Dizem as más línguas que foi para transformar zona envolvente da linha em área urbanizável junto ao rio Guadiana...

E não há qualquer articulação entre comboios e autocarros... ridículo!
 
O SuD-Expresso um comboio internacional, unica alternativa ao avião e meia autocarro cujas viagens para o estrangeiro são limitadissimas parece que apenas continua a fazer-se ouvir pelas linhas da Beira Alta rumo a "Hendaye" apenas até final de ano, vamos ver se se confirma.

Este comboio que apesar das suas carruagens já não serem novas, serve refeições, dormidas e é o preferencial por muitos emigrantes e turistas. A obsessão pelos défices, pelas imposições capitalistas estão a acabar com as vidas das pessoas, com as tradições, com direitos conquistados por pessoas em décadas.

Agora vem o Cavaco Silva que tinha andando caladinho pois ainda não lhe tocava nada a ele a dar empurrões sentindo-se uma virgem ofendida por as medidas de redução dos subsidios de natal e férias não contemplarem os "priveligiados" dos trabalhadores dos privado. Ele realmente nunca deve ter trabalhado no privado....
 
E é isto. Deixou-se chegar isto a este estado, agora não se pode voltar pra trás.



A rede ferroviária de passageiros vai ficar, em 2012, com menos 40% das linhas que possuía no auge da sua actividade, em 1944, penalizando sobretudo o interior. De acordo com o documento preliminar do Plano Estratégico dos Transportes, o Governo vai desactivar os serviços de passageiros nas linhas ferroviárias do Leste, do Vouga e do Oeste, entre Caldas da Rainha e Figueira da Foz. Será também desativada parte da Linha do Alentejo, as linhas de Cáceres, Tua, Tâmega, Corgo e Figueira da Foz.

http://rr.sapo.pt/multimedia_detalhe.aspx?fid=229&did=232102

Esse mapa de 2011, está errado e já há muitos anos, pois não existe ligação Covilhã-Guarda por combóio!

Para verem, fiz pesquisa no site da CP para uma viagem Castelo Branco - Guarda:

Serviço Partida Chegada Duração Preço

IC Nº 542 Castelo Branco 16:11 Entroncamento 17:46 06:23 € 15,00
IC Nº 515 Entroncamento 19:35 Guarda 22:35 € 24,50


Ou seja, tenho de ir ao entroncamento e depois pela linha do norte, depois linha da Beira Alta até à guarda, são 2 viagens de combóio, pela modica quantia de 15+24.5eur = 39.5EUR !! :lmao:


Pesquisando por todos os combóios:

Serviço Partida
Castelo Branco Chegada
Guarda Duração Preço
1ª/2ª Comprar

1. R|IC detalhe 5h57 12h40 6h43 ver

Por favor aguarde...



2. IC|R detalhe 8h18 14h38 6h20 ver

Por favor aguarde...



3. R|IN detalhe 14h32 21h16 6h44 ver

Por favor aguarde...



4. IC detalhe 16h11 22h35 6h24 ver
 
Ainda há 3 anos atrás existia ligação Covilhã - Guarda. Eu lembro-me de vir no regional para Abrantes e eles anunciarem como destino final do comboio a Guarda
 
Hospital de Bragança tem três administradores só para a máquina de lavar roupa
O presidente do Sindicato dos Enfermeiros denunciou hoje que o hospital de Bragança tem «três administradores para a máquina de lavar roupa», enquanto está a dispensar dezenas de enfermeiros contratados e necessários à prestação de cuidados às populações.

José Azevedo juntou-se ao protesto dos 39 enfermeiros contratados que estão a receber cartas de rescisão, denunciando que estão a ser dispensados profissionais necessários, em vez de se «limpar as gorduras».

«No hospital de Bragança, transformaram o quarto andar em gabinetes para administradores que ninguém sabe o que estão a fazer. Há três administradores para a máquina de lavar a roupa e ainda por cima não há roupa que chegue nos serviços», afirmou.

O dirigente sindical criticou «estes empregos que arranjam subsidiários para as pessoas que não têm onde arranjar trabalho», considerando que «faz lembrar a Educação no pós 25 de Abril, em que tudo o que era licenciado ia para professor».

«Agora, tudo que é licenciado e não tem emprego, vai para administrador hospitalar», enfatizou.

Segundo disse, o Sindicato dos Enfermeiros «já exigiu primeiro-ministro que limpe isto, que limpe o Serviço Nacional de Saúde destas inutilidades».

Para o dirigente sindical, «essas é que são as nossas gorduras», reclamando «condições de trabalho para os enfermeiros, porque sem enfermeiros, os hospitais não funcionam».

Este argumento serviu também de mote para um dos cartazes levantados pelos contestatários, num protesto em que os enfermeiros contratados contaram também com o apoio de colegas mais velhos.

Natividade Paulo trabalha há 27 anos e hoje deslocou-se de Mogadouro a Bragança em solidariedade com os colegas, porque entende que «os doentes vão ser muito afectados, porque não é só o pessoal de enfermagem, mas sim pessoal auxiliar, administrativo e outros, que estão a ver os contratos cortados».

Da mesma opinião partilha Isabel Reis, reformada depois de 39 anos de enfermagem, para quem estas dispensas vão acabar com a capacidade de tratar os doentes.

Segundo o presidente do Sindicato dos Enfermeiros, a rescisão de contratos não é caso único em Bragança, está a ocorrer por todo o país.

Nos três hospitais que integram o Centro Hospitalar do Nordeste (CHNE), os de Bragança, Macedo de Cavaleiros e Mirandela, entre os mais de 400 enfermeiros, 39 têm contratos que vão caducar até ao final do ano.

O contrato de Ana Gonçalves termina a 02 de novembro e já recebeu a carta de rescisão.

Esta enfermeira trabalha na Unidade de Cuidados Continuados do Hospital de Macedo de Cavaleiros, que serve todo o distrito de Bragança, e diz que será o serviço mais afectado pela dispensa de enfermeiros.

Dos 15 profissionais desta área que ali prestam serviço, 10 são contratados.

«Há inclusive serviços que estão em risco de fechar, como a Unidade de Cuidados Continuados, que já não tem enfermeiros suficientes para fazer o horário de Novembro», disse.

Rómulo Pinto também trabalha naquela unidade e vai sair a 26 de Outubro.

Considera que há nesta situação «uma grande injustiça, porque foram contratados há dois anos numa bolsa de 50 enfermeiros, em que mais de uma dezena passaram para contrato indeterminado sem se conhecerem os critérios».

Os enfermeiros concentraram-se hoje em protesto no Parque do Eixo Atlântico, em Bragança, e marcharam até ao hospital local, onde se encontrava a administração do CHNE que não falou com os profissionais, nem com a Comunicação Social.

Lusa/SOL

Vergonhoso :disgust::disgust:
 
É preciso denunciar que a maior parte dos administradores dos Hospitais Empresa e dos SNS são nomeados não de acordo com o mérito mas sim de acordo com afinidades e simpatias partidárias.

E preciso denunciar que na área da Saúde existe um excesso de vagas e de cursos e que a situação não é resolvida para não beliscar os lugares de toda uma miríade de professores e assistentes com afinidades partidárias com o PSD e com o PS. Tendo em conta o sistema de ensino que temos, deveria haver uma adequação do número de vagas às necessidades do mercado de trabalho, de forma a que não haja carência mas também que não haja desemprego maciço. E neste momento já há desemprego maciço em cursos como enfermagem ou medicina dentária, e num futuro breve já haverá desemprego maciço em Medicina.

É preciso denunciar que em Faro foi aberto um curso de Medicina por pressões partidárias do PSD local e por eleitoralismo do PS. Os alunos de Medicina de Faro não têm cadeiras básicas, é permitida a entrada até a alunos de Engenharia Civil e não têm ciclos clínicos. O problema da falta de médicos no Algarve nunca se resolveu por falta de vontade política, pois Portugal tem um número de médicos por 1000 habitantes dentro das recomendações internacionais.

Eis algumas gorduras que permanecem intocáveis!
 
Duvido que um tipo de Electricidade consiga frequentar um curso de Medicina, assim como o contrário também não é possível.

Não há médicos no Algarve, como noutras regiões do país porque os médicos não querem trabalhar fora de Lisboa e do Porto onde existe o tal mercado.

A não ser que seja o Estado a requisitá-los civilmente, ninguém quer atender pobres e velhos.
 
Duvido que um tipo de Electricidade consiga frequentar um curso de Medicina, assim como o contrário também não é possível.

Não há médicos no Algarve, como noutras regiões do país porque os médicos não querem trabalhar fora de Lisboa e do Porto onde existe o tal mercado.

A não ser que seja o Estado a requisitá-los civilmente, ninguém quer atender pobres e velhos.

Não há falta de médicos. Os recursos humanos que existem estão sim mal distribuídos.
 
Não entendo sinceramente esse tipo de raciocínios. O que tem havido ao longo das últimas décadas é uma total falta de vocação do Estado para gerir este sector, e do próprio Estado descapitalizar as empresas públicas de transportes.
Eu posso estar aqui horas a falar da incapacidade do Estado nas últimas décadas a gerir comercialmente e de forma atractiva a ferrovia. A incompetência, mau planeamento e falta de visão é tão grande que fere a vista quase todos os dias de há muitos anos para cá. As grandes distorções sociais que acontecem no país, seja de emprego, seja ordenamento, seja na economia, seja em transportes, seja na energia, são distorções criadas pelo próprio Estado, e a maioria das vezes, contra um equilíbrio natural da própria sociedade. As grandes corporações bancário-construtoras e milhentos de outros lobbies e consórcios só existem porque vivem de forma parasita em torno do imenso peso que o Estado tem em Portugal.

Os portugueses já são em média pessoas bem formadas, mas ainda acreditam ingenuamente que o estado é uma máquina que só não produz mais dinheiro porque não quer, para que haja um fosso maior entre ricos e pobres!

O estado tem obsessão pelo défice? Então e os cidadãos são obsessionados com o crédito à casa, ao automóvel e ao consumo, porquê? Estão preocupados com o seu banco é?!

Até quando nos endividamos mais? O juro não cresce? Quem paga? Está bem que a economia do estado não é uma mercearia nem as contas lá de casa, mas bolas.. Tem de se pagar aquilo que se pede!! Daqui a pouco (10 anos) os nossos impostos só pagam juros!

Se é injusto, e é já todos vimos, os políticos que produzam leis de jeito, e metam os culpados na prisão!
 
Portanto se os consórcios privados ficam incrustados dentro do Estado, continua a chamar-se Estado a uma coisa que já é privada.

Não percebo porque é que nas obras públicas a corrupção é sempre do Estado e não dos privados contra outros privados.
 
O Milton tinha um problema interessante de inflação além de detestar o pleno emprego porque isso obrigava o rendimento do trabalho a estar em linha com a produtividade.
 
(...)
Não percebo porque é que nas obras públicas a corrupção é sempre do Estado e não dos privados contra outros privados.

Não entendi muito bem o conceito de corrupção de privados contra privados.. Penso que não é crime! Quando muito chama-se espionagem ou falta de lealdade, ou quebra de compromissos pré-acordados em obras por consórcio ou coisa do género.. Que outro tipo de corrupção existe entre privados?
 
O Banco Mundial diz que, não fosse o nível de corrupção que existe em Portugal, o país poderia estar ao nível da Finlândia, em termos de desenvolvimento:

"(...) Such improvement in governance by one standard
deviation is feasible, since it is only a fraction of the difference
between the worst and best performers, and would
correspond, for instance, to an improvement in the current
ratings of voice and accountability from the lowest levels
of Myanmar to that of Kazakhstan, or Kazakhstan to
Georgia, or Georgia to Botswana. For improvements in
rule of law, a one standard deviation difference would constitute
the improvement from the level of Somalia to those
of Laos, from Laos to Lebanon, Lebanon to Italy, or Italy
to Canada; for control of corruption it is the improvement
from the lowest levels of Equatorial Guinea to those of
Cuba, Honduras, or Uganda, from Uganda to Lithuania or
Mauritius, from Mauritius to Portugal, or from Portugal to
the stellar standards of Finland, Iceland, or New Zealand.
We also find that even over much shorter periods, such as
the past 10 years, countries with better institutional quality
have grown faster. And in our research, we have also found
that good governance not only matters significantly for
higher incomes per capita, but also for substantially reducing
infant mortality and illiteracy."


http://www.tretas.org/Fim%20da%20corrup%C3%A7%C3%A3o%20colocaria%20Portugal%20ao%20n%C3%ADvel%20da%20Finl%C3%A2ndia?action=AttachFile&do=get&target=2-1_Governance_and_Corruption_Kaufmann.pdf
 
Não entendo sinceramente esse tipo de raciocínios. O que tem havido ao longo das últimas décadas é uma total falta de vocação do Estado para gerir este sector, e do próprio Estado descapitalizar as empresas públicas de transportes.
Eu posso estar aqui horas a falar da incapacidade do Estado nas últimas décadas a gerir comercialmente e de forma atractiva a ferrovia. A incompetência, mau planeamento e falta de visão é tão grande que fere a vista quase todos os dias de há muitos anos para cá. As grandes distorções sociais que acontecem no país, seja de emprego, seja ordenamento, seja na economia, seja em transportes, seja na energia, são distorções criadas pelo próprio Estado, e a maioria das vezes, contra um equilíbrio natural da própria sociedade. As grandes corporações bancário-construtoras e milhentos de outros lobbies e consórcios só existem porque vivem de forma parasita em torno do imenso peso que o Estado tem em Portugal.

O estado não funciona, sim muitas vezes não, mas o mercado não regula tudo. Existe uma série de serviços que jamais poderão ter rentabilidade, muitos serviços entregues a um modelo capitalista de rentabilidade nunca existiriam. Pela visão estrábica ultra-neoliberalista não teriamos hospitais como temos hoje, investir milhoes em uma doença que só atinge os pobres nem pensar, hospitais publicos, alguns mal geridos mas estão acessiveis a todos independentemente do seu status económico, provavelmente não existiam nenhuns transportes públicos, ou melhor existia uma ou duas linhas, daquelas onde até transportam pessoas no "guarda bagagens", não teriamos cultura , isso é coisa de esquedistas, nem desporto, optava-se nas industrias pela teoria de Taylor ou Ford, onde os humanos eram quase mecanizados ou até, recuava-mos mais no tempo e voltava-mos a dividir a sociedade em três estados, os Nobres ou ricos, o clêro, e a escumalha ou terceiro estado que teria de trabalhar em troca de uma bucha.

A industria, a sociedade, a economia apenas evoluiu quando as politicas economicas, sociais e de produção industrial se começaram a centrar no ser humano, não me parece que seja isso que se tem defendido muito por aqui...

E isto não são pespectivas keisyanas, cubanas ou soviéticas, não tem nada a ver com isso.
 
Pleno emprego não existe numa economia minimamente competitiva, seria sempre uma situação anómala, basta pensar um pouco no assunto e olhar para a realidade fora de pancas ideológicas......(sem ofensas, é válido para mim e para ti). Já não me lembro bem, mas penso que quando Friedman falava do pleno emprego, dizia que o maior entrave a essa hipotética possibilidade era precisamente a intervenção dos Estados, por exemplo a afixar salários mínimos.

Nos EUA é feita uma coisa que não se faz em Portugal, publicam-se as listas de empregabilidade de cada curso e de cada universidade ao fim de um e cinco anos. E é interessante ver que nem as melhores do mundo têm 100% de empregabilidade, andam ali entre 90 e 95%.

Mas em Portugal há outro problema que já se arrasta há mais de 20 anos, é o desemprego maciço em certas áreas, e as coisas não mudam por falta de força política. Por um lado cada distrito quer ter uma universidade e uma miríade de cursos, logo há pressões das estruturas partidárias locais, depois há a autonomia das Universidades, o facto de muitos professores e assistentes estarem ligados a partidos, e ainda eleitoralismo e caça ao voto.

Pessoalmente defendo o encerramento de cursos, Universidades e politécnicos, a redução de vagas, e a aposta na qualidade. Não faz sentido este modelo de anfiteatros para teóricas para 300 alunos onde nem cabem 200, às quais mais de metade dos alunos não vai, reprovações maciças a cadeiras, a existência de praxes vergonhosas...

Sai mais barato ter 100 vagas em Lisboa, 100 em Coimbra e 100 no Porto para um curso x, do que ter o mesmo número de vagas distribuídas por Faro, Covilhã, Coimbra, Açores, Braga, etc.

Somos pobres, temos de encontrar formas de proporcionar qualidade a custo mais reduzido.
 
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