O Estado do País

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Errado.

O turismo não dá apenas trabalho pouco qualificado.

Dá a subsistência de pequenas e médias empresas na área da hotelaria (famílias com coragem, imaginação e gosto pelo tradicional), algo que existe em abundância em Portugal e que pouco a pouco vão se extinguindo devido à fraca procura interna(apesar da algumas serem autênticas pérolas gastronómicas). Além disso pode sustentar uma parte da agricultura, pesca e pecuária regional.

Mas a tónica nunca poderá ser colocada no turismo. Os países mais ricos do mundo dependem da indústria ou de serviços financeiros. No nosso caso deveremos melhorar no sector do calçado, nos têxteis, mobiliário, no sector alimentar ou biomédico. Temos tradição, o que ajuda muito. Mas só conseguiremos bons resultados se apostarmos muito na qualidade, no design. Nos últimos anos tem havido até bons resultados nessas áreas, a marca Salsa, por exemplo, é muito popular lá fora, em alguns mercados. Nunca ficaremos ricos com o turismo, nunca. Somente com a indústria.
 
Mas a tónica nunca poderá ser colocada no turismo. Os países mais ricos do mundo dependem da indústria ou de serviços financeiros. No nosso caso deveremos melhorar no sector do calçado, nos têxteis, mobiliário, no sector alimentar ou biomédico. Temos tradição, o que ajuda muito. Mas só conseguiremos bons resultados se apostarmos muito na qualidade, no design. Nos últimos anos tem havido até bons resultados nessas áreas, a marca Salsa, por exemplo, é muito popular lá fora, em alguns mercados. Nunca ficaremos ricos com o turismo, nunca. Somente com a indústria.

Não somos um país dos mais ricos no mundo e não o seremos nas próximas décadas. Temos desde logo três grandes problemas incontornáveis:

- País periférico;

- Sem recursos naturais e energéticos; e

- Mão de obra cara e pouco qualificada.

A indústria na Europa Ocidental (não só em Portugal) está em decadência, apenas permanece forte nos locais onde existe um maior empreendedorismo e nacionalismo, locais onde já é tradição a indústria.
Apesar desse facto, o que se verifica (mesmo nesses locais) é a diminuição da indústria, principalmente derivado à globalização.

O custo do transporte pode e está a ser muito importante na existência ou não da indústria, mas Portugal é um país periférico, em nada beneficia desse facto.
 
Interessante visão. Quem escreve sabe ao que vai. Guardo apenas a frase final que é a única que tem verdadeiramente interesse e que descreve o mundo em que vivemos...

«E como hoje bem sabemos, tudo o que acontece à banca, acontece-nos a nós. Quer dizer, tudo não. Só as coisas más.»
 
Um bom retrato do sector da construção. E agora, o que fazemos a este sector ? Que também tem mão de obra bastante qualificada. Engenheiros, arquitectos, etc, que será feito dessa gente toda ? Como lidamos com um sector com tanto peso na economia, mas sobredimensionado, e que esteve envolvido em tantos exageros e erros que cometemos, mas que agora gera multidões de desempregados ?


http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=549975&pn=1

Interessante essas crónicas depressivas actuais sobre o sector construtor português.

Se recuarmos aos anos 2000/2001, existiu em certas regiões o começo do caos dos pequenos construtores.

Muitos fogos construídos, a procura diminuir...

Durante perto de uma década a construção civil em grandes obras e nas obras públicas mantinham as maiores empresas do sector, já que as pequenas (que tinham surgido como mosquitos num charco na década que 90) já tinham definhado (ou transitaram para Espanha ou Angola).
 
Muita da energia e dinheiro do sector deveria ter sido desviado para a reconstrução/reabilitação urbana, teríamos hoje os centros das grandes cidades muito mais bonitas e cheias de vida, com muito mais comércio local e menos centros comerciais e vias rápidas nos arredores.
Mas isso não aconteceu por causa da lei das rendas, um problema que o país não conseguiu resolver em décadas. E não é agora com excesso de casas por todo o lado que se pode ir por esse caminho... Só nos podemos queixar de nós próprios.

É correcto o que dizes que em relação à reabilitação do centro das cidades. Durante décadas existiu o sentimento contrário, mesmo no antigo regime (o príncipio dos mamarrachos e de bairros sociais em pequenas cidades).

A lei das rendas é um facto que ficou secundarizada devido à extrema construção que sucedeu.

Em relação a terrenos/construção ainda continua um pequenos caos, o fisco/polícia/câmara municipal não consegue saber o verdadeiro proprietário, mas quando o terreno vale alguma coisa aparecem muitos proprietários que entopem os tribunais (seria de fácil resolução mas não interessa resolver).
 
Os "neoliberais" propõem a criação de uma nova taxa de segurança alimentar:

O Governo pretende criar um novo imposto sobre o comércio de alimentos no âmbito da criação do Fundo de Saúde e Segurança Alimentar. A ideia é que a taxa incida sobre os estabelecimentos do sector.

A iniciativa, da autoria do Ministério da Agricultura, do Mar e do Ambiente, de Assunção Cristas, foi enviada para os representantes do sector, para que estes se pronunciem sobre a proposta até dia 11 deste mês. Isto é, amanhã.

De acordo com a CCP (Confederação do Comércio e Serviços), "foi com surpresa que a CCP recebeu, com pedido de parecer até dia 11, um projecto de decreto-lei que cria o Fundo de Saúde e Segurança Alimentar".

http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2411832&seccao=Dinheiro Vivo

Provavelmente, uma taxa para financiar a ASAE, proposta pelo... CDS. Ironias.
 
Os "neoliberais" propõem a criação de uma nova taxa de segurança alimentar:



http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2411832&seccao=Dinheiro Vivo

Provavelmente, uma taxa para financiar a ASAE, proposta pelo... CDS. Ironias.

"Neoliberais"?

É apenas mais um imposto para financiar um sistema privado extremamente subsidiado pelo Estado.

Neste momento começa a roçar o ridículo de aumentar impostos num sector em situação de agonia, mas que é dos sectores que mais foge aos pagamentos ao impostos devidos.

Eu já referi neste tópico a única forma de acabar com as injustiças cobrativas de impostos em Portugal.
 
Há soluções para esses 3 pontos:

- país periférico: procurar aumentar as comunicações com a Europa. Obviamente o TGV é impróprio mas poderia dar-se mais condições para as low cost criarem mais voos e mais baratos para cá. Isso ajuda a reduzir a nossa situação de periferia. A Irlanda já não é periférica, mas está na periferia geograficamente falando.

- recursos: é subjectivo dizer que não temos recursos. Obviamente não temos petróleo, mas temos muito da energia renovável: demasiado sol não aproveitado, muito vento, muitas marés, energia já é aproveitada. Como temos muitos engenheiros poderíamos criar fábricas para indústrias futuras como computadores, carros solares, etc

- mão de obra pouco qualificada: bem, temos muitos jovens bem qualificados, se o usam isso já nem tanto. Há que atrair os jovens neste momento lá fora e aproveitar os que ainda estão em Portugal.

- Custos de transporte da globalização: nem acho que nos devemos queixar muito, pois temos comida barata, e de um modo geral a maioria dos bens. E podemos investir muito mais na nossa própria produção, de comida, carros, electrodomésticos, mobília, enfim, tudo.

Mas quando falo em investir, não pode ser o Estado a querer investir, têm que ser o próprio povo, os jovens, temos que deixar da cultura do emprego fácil e arranjado por conta de outrém. É preciso mais iniciativa e criatividade.

É possível. É aliás o que eu penso fazer quando regressar a Portugal daqui por uns 2-3 anos.


Uma coisa que ajuda é reduzir os impostos a quem tem pequenos negócios, liberalizar o pequeno mercado ao máximo, sem grandes restrições, somente aplicar mais impostos nos grandes negócios, para que os nossos jovens possam começar a montar as suas ideias à vontade e de modo mais fácil.





Não somos um país dos mais ricos no mundo e não o seremos nas próximas décadas. Temos desde logo três grandes problemas incontornáveis:

- País periférico;

- Sem recursos naturais e energéticos; e

- Mão de obra cara e pouco qualificada.

A indústria na Europa Ocidental (não só em Portugal) está em decadência, apenas permanece forte nos locais onde existe um maior empreendedorismo e nacionalismo, locais onde já é tradição a indústria.
Apesar desse facto, o que se verifica (mesmo nesses locais) é a diminuição da indústria, principalmente derivado à globalização.

O custo do transporte pode e está a ser muito importante na existência ou não da indústria, mas Portugal é um país periférico, em nada beneficia desse facto.
 
Há soluções para esses 3 pontos:

- país periférico: procurar aumentar as comunicações com a Europa. Obviamente o TGV é impróprio mas poderia dar-se mais condições para as low cost criarem mais voos e mais baratos para cá. Isso ajuda a reduzir a nossa situação de periferia. A Irlanda já não é periférica, mas está na periferia geograficamente falando.

- recursos: é subjectivo dizer que não temos recursos. Obviamente não temos petróleo, mas temos muito da energia renovável: demasiado sol não aproveitado, muito vento, muitas marés, energia já é aproveitada. Como temos muitos engenheiros poderíamos criar fábricas para indústrias futuras como computadores, carros solares, etc

- mão de obra pouco qualificada: bem, temos muitos jovens bem qualificados, se o usam isso já nem tanto. Há que atrair os jovens neste momento lá fora e aproveitar os que ainda estão em Portugal.

- Custos de transporte da globalização: nem acho que nos devemos queixar muito, pois temos comida barata, e de um modo geral a maioria dos bens. E podemos investir muito mais na nossa própria produção, de comida, carros, electrodomésticos, mobília, enfim, tudo.

Mas quando falo em investir, não pode ser o Estado a querer investir, têm que ser o próprio povo, os jovens, temos que deixar da cultura do emprego fácil e arranjado por conta de outrém. É preciso mais iniciativa e criatividade.

É possível. É aliás o que eu penso fazer quando regressar a Portugal daqui por uns 2-3 anos.

irpsit, não temos nenhum trunfo na mão, qualquer vantagem que referistes também terá a Espanha e está mais próxima do centro da Europa (Américas... será depois de muita, muita promoção).
 
Nós temos uma vantagem em relação a Espanha, os nossos produtos tem mais qualidade.

Isto de se ser periferico e relativo. As regioes mais ricas de Espanha estao na periferia, a islandia e a irlanda sao paises perifericos, tal como o japão...

A Suíça nao tem recursos naturais, o norte de itália nao tem petróleo... e sao zonas ricas.

Israel com todos aqueles solos deserticos tem mt agricultura, tal como a California.

Cada país tem de encontrar o seu caminho. Olhando para as nossas tradiçoes penso que o nosso futuro está na produção de produtos com qualidade superior, coisa que nós, os italianos ou os franceses sabemos fazer.
 
"Neoliberais"?

É apenas mais um imposto para financiar um sistema privado extremamente subsidiado pelo Estado.

Neste momento começa a roçar o ridículo de aumentar impostos num sector em situação de agonia, mas que é dos sectores que mais foge aos pagamentos ao impostos devidos.

Eu já referi neste tópico a única forma de acabar com as injustiças cobrativas de impostos em Portugal.

É mais um imposto que vai recair sobre a nossa conta do supermercado, isso é que é grave! Não é que seja uma forma de eliminar a fuga fiscal desse sector. Quanto a ASAE ser um Sistema Privado é que também não concordo.

Nesta conversa de ser privado sem concorrência é absurdo. No entanto não creio que seja absurdo o estado ter nas suas empresas uma gestão realmente do estilo privado, daquela forma flexibiliza-se. Contudo não podemos andar a brincar nas alturas das vacas gordas ser privado, nas vacas magras ser público e prejudicar assim os seus recursos humanos.

Isto de termos fraca política de partilha de riscos com os trabalhadores sendo recompensados no sucesso é para mim o verdadeiro drama do País.


Gestão das empresas a antiga obrigando a uma situação laboral de ferro e fogo, algo que o PCP/CGTP adora porque assim não desaparecem!
 
Já viram o que diz o Finantial Times? :)

11 Abril, 2012 - 10:56
"Financial Times" destaca sinais positivos na economia portuguesa
O jornal inglês Financial Times destacou a existência de sinais positivos na economia portuguesa num dossier que elaborou sobre Portugal e que foi publicado esta quarta-feira.

O dossier, intitulado por "Doing Business in Portugal" ("Fazer Negócios em Portugal"), refere a existência de sinais positivos em vários setores da economia portuguesa
, destacando que os "objetivos estruturais estão a ser atingidos” no país

:confused:

Ok, pode ser que haja um Verão fantástico, cheio de turistas que não quiseram ir para a Tunísia, Grécia, etc., e venham todos para cá consumir imenso e que a Fly London, as Cubanas e a Lanidor entre outras exportem mundos e fundos e também que apareçam multiplas ideias de pequenos negócios regionais para alimentação e bem estar bem como as refinarias de Sines continuem a "bombar" e Energias Renováveis germinem totalmente para darem flor e fruto e já não me estou a lembrar de mais nada.
 
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