O Estado do País

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outra citação muito boa... sobre um dos eternos problemas do atraso nacional...

«Quanto à Igreja, Marcelo é taxativo: "... a Igreja é uma organização humana, política, oportunista, que capta fiéis como os candidatos captam votos. Respeitava-a se ela continuasse igual a si mesma e não temesse cair de pé para não negar nada do que um dia apresentou como eterno. Mas afinal é uma espécie de CDS." CDS ou não, nem a viagem de João Paulo II ao Brasil o comoveu. Não resistiu mesmo a um comentário de puro gosto jacobino e anticlerical. "O Papa falou no Nordeste sobre a seca, a miséria do povo, os deveres do Governo para com aquela pobre gente... Certíssimo. Mas se um gesto taumatúrgico dele fizesse chover, isso sim, é que era original... e bom!"» :lol::lol:
 
Pá deixem lá os comunismos...daqui pra frente isso pouco importará.

Mil juntas de freguesia vão desaparecer até ao final do ano


Tou pra ver, pena serem só 1000.

Tens muita razão. Felizmente podemos partilhar o nosso gosto pela meteorologia e manter as nossa ideologias partidárias.


Infelizmente estes cortes serão muito contestados, há muitas "quintas" que vivem à gola.

Se cortarem 500 já vamos muito bem e está a fazer-se algo com duplo efeito: menos políticos e menos gastos.
 
Pá deixem lá os comunismos...daqui pra frente isso pouco importará.

Mil juntas de freguesia vão desaparecer até ao final do ano


Tou pra ver, pena serem só 1000.

A poupança será pouco significativa, embora sempre seja uma poupança, o que é importante. Contudo trata-se de uma reforma muito mal feita, em cima do joelho, para agradar à troika, que nem conhece a realidade do país.

Para se reformar o poder local o Governo deveria ter contratado uma equipa de professores universitários nas faculdades de Letras de Lisboa, Porto e Coimbra, na FEUP ou no IST, técnicos da área da Geografia e do Ordenamento. Essa equipa teria um prazo para criar um novo mapa, tendo em conta a nova realidade demográfica do país, as vias de comunicação, a localização dos principais serviços públicos e comerciais, etc. Tendo em conta o meu conhecimento do país penso que metade dos concelhos seria suficiente, cerca de 150.

O mais importante neste momento é eliminar freguesias urbanas, em Lisboa, Porto ou Coimbra, e não freguesias rurais, essas na sua maioria até devem ser mantidas, pois prestam um serviço de proximidade a baixo custo.

O grosso das despesas está nos municípios, nas empresas municipais, aí é que o Estado deve ser implacável.

Para além disso devem ser criadas novas regras para o poder local. Por exemplo, os apoios concedidos a associações locais deverão ser proibidos, exceptuando os apoios concedidos às corporações de bombeiros ou outras entidades que prestem serviços sociais relevantes. Mas os apoios concedidos às associações desportivas (futebol, caçadores, pescadores), recreativas, religiosas, columbófilas ou culturais devem ser todos proibidos! E as empresas municipais devem ser todas extintas, sem excepção, e os funcionários excedentários despedidos!

Por fim, depois da criação do novo mapa do poder local, com não mais de 150 a 180 municípios, o Estado deveria elaborar um ranking de desempenho do poder local. Os municípios seriam avaliados de x em x anos pelo Ministério das Finanças, seria avaliado o número de funcionários, se havia funcionários a mais ou não, os métodos de contratação, a carga fiscal, as obras públicas levadas a cabo, os apoios concedidos. Da nota obtida dependeria o acesso a dinheiro concedido pelo Estado Central.

Se não houver uma forte mão de ferro de Lisboa sobre os municípios o desperdício de dinheiro continuará imparável!
 
outra citação muito boa... sobre um dos eternos problemas do atraso nacional...

«Quanto à Igreja,...

A esquerda sempre foi muito abjecta às ideias de partilha de poder com uma Igreja institucional e institucionalizada.
Da última temos hoje uma separação nítida de poderes, a meu ver boa para as duas partes: Igreja e estado.
Já da primeira, mesmo com uma luta medonha contra a sua presença na sociedade portuguesa, Ela continua na sua senda de apoiar aqueles que mais precisam e de ser o espaço mais democrático e mais socialista que se pode encontrar.
Todos são chamados a participar, todos são vistos como iguais.
Ao rico e poderoso é pedido que ajude o mais pobre e mais desfavorecido e, por outro lado, numa democracia realista pede que ninguém se acomode à sua posição, isto é, ao rico pede que continue a lutar para enriquecer a nossa sociedade, partilhando os seus ganhos e dando trabalho ao mais pobre, e ao mais pobre pede que tudo faça para trabalhar, evite a preguiça e ajude o rico - afinal é este que irá providenciar parte da sua riqueza ao mais pobre...
O prémio para aquele que mais trabalha é perfeitamente justo. Uma sociedade acomodada não pode querer enriquecer.

Democracia e socialismo de mãos dadas...

Estes são os ensinamentos da Igreja, não são apenas escritos bíblicos.
Concerteza que não há perfeição. Nem de Padres\Clero, nem do povo\fiéis em geral.
Mas não é justo considerar que a Igreja é responsável pelo atraso nacional. Não per si, mas da visão de muitos políticos e personalidades que se aproximaram apenas para subirem degraus na sua ascensão, e minando a confiança dos demais.

E se entendem que sem a religião uma sociedade tende a ser melhor, procurem uma em que afastaram a verdadeira religião desses estados, e em que os atropelos à vida e dignidade humana não tenham sido imensamente superiores ao que existia antes. Concerteza nenhuma!

Relembro também um ensinamento importante: no caso da Igreja Católica, o seu seguidor, o Católico, não é considerado um ser superior aos demais, mesmo aqueles, agnósticos, que não professam qualquer religião. Essa é uma lição de humildade que muitos esqueceram e que é importante. É que a altivez precede maus comportamentos.

É por estas razões que não entendo tanta animosidade das ideologias esquerdistas contra a religião. Até porque no fundo a Igreja é tão ou mais esquerdista na sua ideologia...
 
Os críticos da Igreja portuguesa esquecem que os seu defeitos são apenas o reflexo dos defeitos do povo português. Quem fazia as denúncias de vizinhos e familiares à Inquisição, por inveja ou traição, não era o «bom» povo? De onde vinham os clérigos? Não era do «bom» povo? Tal vê-se agora nesta crise, com muitos padres a bispos a defender o sistema que nos trouxe à ruína. Até o Cardeal Patriarca, segundo me chegou aos ouvidos, foi conivente com muitas políticas polémicas do anterior Governo! Mas a Igreja também é feita de gente que não dá a cara, e que trabalha muito em prol do país!
 
Relembro também um ensinamento importante: no caso da Igreja Católica, o seu seguidor, o Católico, não é considerado um ser superior aos demais, mesmo aqueles, agnósticos, que não professam qualquer religião. Essa é uma lição de humildade que muitos esqueceram e que é importante. É que a altivez precede maus comportamentos.

Concordo com quase todo o teu post, excepto com esta parte. Isso ensinou Cristo, mas os seus seguidores há muito que se esqueceram das suas palavras e têm-se considerado superiores aos demais, especialmente aos ateus.

Só alguns exemplos mais recentes:

08/09/2007: “O papa Bento XVI disse [...] que o futuro da Europa será sombrio com a diminuição da natalidade e uma rejeição aos valores tradicionais e a Deus.”
06/10/2008: “O pontífice disse que a falta de Deus na cultura moderna resulta em uma sociedade mais confusa e dividida, levando nações a perderem a sua identidade. Há quem, ao decidir que Deus está morto, se declare deus e dono absoluto do mundo.”
07/07/2009: “’Sem a perspectiva de uma vida eterna e sem Deus, o desenvolvimento é negado e desumanizado’, escreve Bento 16.”
14/05/2010: “Sem Deus, o ser humano não sabe para onde ir e não consegue sequer compreender quem seja.”

De resto concordo em absoluto, o comunismo para muitos não passa de uma religião, uma forma de alienação, um agregador do rebanho, algo que para mim me faz muita confusão.
 
O problema da reforma das autarquias e suas juntas de freguesia, eu resolvia de forma muito simples com a seguinte lei:

Art. 1 - São extintas as juntas de freguesia urbanas.

Art. 2 - Proibido o financiamento bancário das autarquias, excepto se autorizado pelo ministério das finanças.

Art. 3 - Redução de 30% no orçamento anual.

Art. 4 - Proibida a contratação de novos funcionários, excluindo os casos em que a autarquia tenha menos funcionários que o regulamentado, devendo ainda verificar se a bolsa de funcionários de mobilidade especial, não tem ninguém habilitado e disponível.

Art. 5 - Proibido o financiamento a fundações, associações, clubes e outras entidades, sem autorização do ministério das finanças. Excepções:
a) IPSS
b) Situações de calamidade pública.

Art. 6 - O não cumprimento dos deveres descritos, é punivel criminalmente, sendo os responsáveis, objecto de penhora.

Art. 7 - Todos os gastos acima do valor X, devem ser publicados para orçamento e concurso, num portal do estado destinado para o efeito, onde os fornecedores possam lançar ou aceitar orçamentos.

(seria como uma plataforma, tipo central de compras).

Penso que com estes artigos, se conseguia uma boa reforma, e mais! Sem sequer o estado se envolver na extinção de freguesias não urbanas! Com uma melhor regulamentação dos gastos, e um menor orçamento autárquico, é óbvio que as autarquias iriam procurar elas próprias a solução, quer passe por extinguir freguesias, quer seja outra qualquer! O importante nesta embrulhada toda é apenas e afinal, fazer cumprir o orçamento disponibilizado às autarquias!
 
...
Só alguns exemplos mais recentes...
Até nisso as palavras de Bento XVI são claras. Não diminui os ateus, mas na visão dogmática da Igreja diz que uma sociedade tendencialmente ateia terá dificuldades na sua evolução, por não ter um rumo, uma identidade.
Como é óbvio estamos a aqui a referir-nos a uma sociedade de matriz Cristã. O que não quer dizer que não possam existir outras matrizes em jogo, e até nisso a Igreja tem sido clara: é lícito conviver numa matriz multi-cultural e multi-religiosa, daí os apelos aos encontros entre as várias crenças, sem esquecer aqueles que não professam qualquer religião.

Sei que é um assunto polémico, que dá "pano para mangas" como se diz habitualmente, mas também este é indissociável das convulsões sociais (e até económicas) da actualidade. Daí o meu post. Porque uma sociedade tem uma identidade, uma matriz socio-cultural, todos os apectos devem ser analisados para uma melhor percepção da realidade e para encontrar a saída dos momentos menos bons. E com a participação de TODOS!;)
 
No I Fórum Empresarial do Algarve, em que participou, António Borges declarou à comunicação social que:

“a medida [Taxa Social Única (TSU)] é extremamente inteligente, acho que é. Os empresários que se apresentaram contra a medida são completamente ignorantes, não passariam do primeiro ano do meu curso na universidade”

e, a propósito de baixar os salários nominais, que:

as despesas com trabalhadores na Administração Pública representavam 80% das despesas totais(RTP, 29.9.2012).

A primeira afirmação (ofender os patrões) provocou grande alarido na comunicação social, mas a segunda (ofender os trabalhadores) não causou qualquer reação, apesar de ser mentira e ser repetida pelo patrão da Jerónimo Martins no dia seguinte nas declarações que fez no Telejornal das 13H da RTP, passando como verdadeiras e alimentando a campanha contra os trabalhadores da Função Pública.

Eugénio Rosa
 
Os ditos de António Borges foram num contexto empresarial e não para o grande público.
Com uma imprensa de "caca" como a de hoje em dia, lá tivemos o costumeiro arraial de perguntas e respostas em que o António Borges sai como o mau da fita.

Pergunto eu: quantos de nós, povo, já nos referimos a muitos dos empresários como tendo falta de visão? Ohhh, tantos!
Ele deu a sua opinião, como qualquer um de nós dá. Disse o que entendia sobre a matéria em questão. Para mim apenas disse o que eu digo sobre uma parte dos nossos empresários - eu apenas não utilizaria a palavra "ignorantes", talvez burros...:p

Creio que temos muitos e bons patrões, que convivem com uns quantos muito maus. É hora dos maus darem lugar aos empresários de futuro, aqueles que podem criar mais expectativas de emprego real.
Muitas vezes são estas posturas de ruptura que levam a que muitos acomodados "acordem para a vida". Um abanão a sério é talvez o que a nossa sociedade precisa actualmente.

Por isso valorizemos e filtremos apenas aquilo que realmente vale a pena.:thumbsup:
 
Há uma coisa que eu detesto em Portugal, e que não vi em Inglaterra. No nosso país ninguém pode fazer ua crítica a uma determinada classe social, profissional, região, instituição, ninguém pode generalizar! É claro que à partida as pessoas devem ser minimamente inteligentes para saber que excepções existem em todo o lado. Mas em Portugal quando se faz uma crítica que em surdina toda a gente diz e sabe, aparecem logo as «excepções» muito indignadas e ofendidas. Este tipo de atitudes e comportamentos são perigosos, pois matam a discussão pública, geram medos e tabús, o que é terrível para uma sociedade que aspira a ser mais democrática.

Claro que qualquer empresário com razoável QI ao ouvir António Borges sabe que ele se está a referir à maioria e nao a todos, claro que sabe que há bons exemplos e excepções, mas olhem lá para a maioria dos nossos patrões! Primam pela inteligência? Pessoalmente acho que não! E vou mais longe, alguns nem para fazer limpezas servem!

Mas em Portugal surge logo um coro de virgens ofendidas, amuadas, feridas... Haja paciência para gente tão pueril!
 
Há uma moção de censura partilhada por 2 partidos que espero que sirva para separar as águas.

Já há alguns votos favoráveis noutros mares...

«Acho que os deputados da Madeira devem apoiar qualquer moção de censura enquanto o Governo da República mantiver esta posição de confronto nomeadamente através da questão da zona franca e da sonegação de verbas que nós considerarmos que estão a ser sonegadas, declarou Jardim á margem de uma inauguração.»
 
Hoje começaram as portagens sem qualquer descriminação positiva nas ex-scuts. Apesar dos publicitados 15%, não esquecer que mesmo com esses 15% de desconto o preço/km é mais elevado por exemplo na A23 e A25 do que na A1 entre outras do litoral. O PIB no interior do País está numa média de 62%, no litoral uma grande parte dos casos ultrapassa os 90% alguns o 100%.

As distâncias percorridas para uma consulta de especialidade num Hospital Central na ida e volta sao de aproximadamente 300km. Hoje segundo relatos e por experiencia própria dos dias anteriores as auto-estradas estão desertas. O governo terá de desembolsar mais para cumprir o óptimo negócio com o parceiro público-privado. As empresas de transporte entre outras algumas aranjaram um encargo de milhares de euros. As nacionais voltarão à sinistralidade dos anos 80, onde morriam centenas de pessoas, mais que na Guerra colonial. As empresas exportadoras perderão competitividade, existirá uma enorme retracção na movimentação de bens e capitais, em súmula, um prejuizo evidente para o estado e cidadãos. Foi sem dúvida uma medida muito bem estudada, tão bem que foi já no ultimo dia anunciada, tanto estudioso, tanto consultor para dizer que acabam simplesmente as 10 viagens grátis.


Com tanta asneirada, com uma capacidade tão mediocre de governar o país, duvido seriamente que este governo chegue ao Natal.
 
Estado
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