O Estado do País

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A moda de ir todos estudar, temos aí o resultado mais que comprovado, a taxa de desemprego dos licenciados é enorme, o mercado está saturado e mesmo assim andam aí umas mentes brilhantes a dizerem para irem estudar.

As profissões do futuro não serão os advogados, os engenheiros nem gestores, são aquelas profissões como carpinteiro, pintor, canalizador e outras tantas que estão a desaparecer neste país. Depois, vai tudo para doutor e não existe ninguém que saiba de carpintaria, canalizador e aí sim temos um país moderno cheio de doutores e importamos o resto.

O Martim ou seja qualquer outra pessoa que tenha uma ideia e quer pô-la ela na prática, vem logo aqueles que pensam que o dinheiro cresce das árvores, ou quando chove, chove dinheiro, vem logo criticarem e dizerem que burro que és ires por aí, esse teu negócio não tem sucesso, senta-te em casa à espera que caia algo do céu.
 
Todo o caso "Martim" resulta apenas de uma coisa tipicamente portuguesa: A dor de cotovelo.

Parabéns a todos os Martins de Portugal. Todos aqueles com espítiro de iniciativa que fazem algo por avançar na maior das adversidades.
 
Se recebem o ordenado minimo... ao menos nao estão desempregados.

daqui a uns tempos o pessoal vai bater palmas a esta frase chave, ainda nao perceberam o quão perigoso é (para todos) ter milhares de pessoas a bater palmas a isto.
 
Se recebem o ordenado minimo... ao menos nao estão desempregados.

daqui a uns tempos o pessoal vai bater palmas a esta frase chave, ainda nao perceberam o quão perigoso é (para todos) ter milhares de pessoas a bater palmas a isto.

1 - Ninguém... Mas mesmo ninguém nem a própria Doutora que fez tão sábia apreciação sobre o salário dos supostos funcionários, sabe o ordenado dos mesmos. Aliás a tal doutora Raquel francamente incomodada com o facto de ter um jovem empreendedor à frente, meteu argolada atrás de argolada... primeiro com a China, depois com um suposto ordenado mínimo.

2 - Acaso a frase daquele Jovem é mentira. Que é preferível? O suposto ordenado mínimo inventado pela Doutora Raquel para tentar disfarçar o embaraço de estar a ser humilhada por um Jovem ou o desemprego... Eu penso que não hesitava...

Custa-me ver o rumo deste país... Sinceramente trabalhei com ordenado mínimo com muito gosto, já trabalhei com remunerações maiores, paguei o meu curso, e hoje em dia estando à beira de concluir o Doutoramento, não terei o mínimo problema de fazer seja o que for em funções que alguns possam considerar inferiores para poder viver da melhor maneira possível.

Custa-me muito ver, pessoas que perante a vontade de alguém de criar algo e tentar vencer com a sua própria vontade, virem reclamar, inventar, difamar, e acima de tudo invejar quem luta... muitas se calhar contando com a maozinha de ouro de um estado depauperado por anos e anos de abuso. Um estado que hoje não pode cuidar daqueles que tanto fizeram pelo país porventura por culpa aqueles que continuam a contar com ele para tudo.

Repito. parabéns aos Martins de Portugal... Porque esses souberam lutar por si.
 
Já agora: Haja alguém de esquerda com um discurso minimamente clarividente!


Martim Neves é um miúdo de 16 anos. Aos 15 anos, desenhava umas roupas e resolveu fazer-se à vida. Pediu às "raparigas mais giras" da escola para as usarem e assim promover o seu trabalho. Depois a coisa correu bem e acabou por pedir a uma fábrica que o fizesse. Já exporta o que faz. Até aqui, o Martim só merecia aplauso. Até aqui e depois disto. Porque a única coisa que vi no "Prós & Contras" de segunda-feira foi um miúdo empenhado, com genica, a querer viver da sua criatividade e do seu trabalho. Não vi um chico esperto, um arrivista, alguém que espezinha os outros para subir na vida. Vi alguém que quer fazer o que gosta e faz por isso. Nada sei sobre ele. Ninguém ali sabia. Logo, o que interessa é o que se viu: um miúdo articulado, despachado, esperto e empenhado.

A historiadora Raquel Varela (que, para que fique a declaração de interesses, conheço há uns bons anos e de quem, apesar de muitas e antigas divergências políticas, gosto muito pessoalmente) achou que aquele era o momento ideal para explicar os fundamentos da exploração. Perguntou se ele sabia quanto recebiam os trabalhadores chineses que lhe faziam a roupa. Azar: a roupa era feita numa fábrica portuguesa. Depois perguntou se ele sabia quanto ganhavam os trabalhadores que as faziam, pois nas fábricas portuguesas recebe-se o salário mínimo, que, verdade indesmentível, não dá para viver com dignidade. Ele respondeu: ao menos os trabalhadores que ganham o salário mínimo não estão no desemprego. A coisa espalhou-se pelas redes sociais e o rapaz tornou-se em assunto de debate.

Com esta frase, Martim Neves, sem o saber (ou sabendo, é indiferente), atirou por terra tudo que Raquel Varela tivesse para dizer. Porque a historiadora não tinha razão? Porque o salário mínimo dá para viver? Nada disso. Raquel Varela tinha toda a razão, mas a isso já vou. Mas porque o facto de ter razão não invalida que o que Martim disse seja igualmente verdade. É mesmo melhor pouco que nada. Não é preciso fazer grande teoria sobre o assunto, porque se trata de puro bom-senso. Ter nada não é o mesmo que ter pouco. Por isso mesmo se defende a existência de um salário mínimo e todas as pessoas normais se batem pelo subsídio de desemprego. Se fosse o mesmo, nem uma nem outra coisa fariam qualquer sentido. Se não fosse melhor receber o salário mínimo do que estar desempregado a esquerda não tinha passado décadas a bater-se pelo salário mínimo. Quer é que ele seja maior.

O problema de Raquel Varela foi ter escolhido a pessoa errada para ilustrar o seu ponto de vista. Foi ter procurado num miúdo de 16 anos, com iniciativa, que não é dono de fábrica nenhuma e que em nenhum momento defendeu que o salário mínimo era decente, mais um exemplo da luta de classes. Foi, como muitas vezes acontece à esquerda (e à direita), usar a ideologia, não como o enquadramento para a sua ação política, mas como um pronto-a-vestir. Simplificou de tal forma as coisas que recebeu uma resposta igualmente simples mas muito mais eficaz.

Sim, o pouco ser melhor que nada não justifica o pouco. Porque de pouco em pouco se chega ao nada. Porque, já agora, pelo menos em Portugal, a existência do desemprego ajuda aos salários baixos. E o argumento de que mais vale pouco que nada faz o resto. Não porque seja falso. Funciona exatamente por ser verdadeiro. Se fosse falso, ninguém aceitaria pouco e preferia ficar com nada.

Cabe à política, através, por exemplo, de um salário mínimo decente, de um subsídio de desemprego que não obrigue as pessoas a aceitar trabalho quase escravo, de um Estado Social que garanta a dignidade, de uma política que promova o trabalho qualificado, impedir que esta verdade se transforme numa chantagem. Nada disto é posto em causa pelas roupas do Martim. Nem pelo facto de ter entregue as suas roupas a uma fábrica e com isso ter ajudado, à sua dimensão, a economia. Aquela que produz bens que nós compramos. Coisa que Raquel Varela quase tratou como uma forma de cumplicidade de um adolescente com a política de salários baixos. Nem sequer a sua frase, que corresponde a uma evidência, é um problema. O problema, e disso o Martim não tem qualquer culpa, é a política que usa esta verdade para aniquilar a dignidade das pessoas. O mundo estar cheio de verdades cruéis não nos impede de, como comunidade, impor outras verdades que as combatam.

O problema de alguma esquerda, que desvaloriza o papel social do Estado e o reformismo que o garantiu, é que depois se vê obrigada a encontrar em cada demonstração de ambição pessoal mais um exemplo da luta de classes, única explicação para toda a realidade. Porque não há lugar para meios-termos, não há diferença entre o Martim e o dono da cadeia de supermercados que tem lucros gigantescos enquanto mantém os seus trabalhadores abaixo do limiar da pobreza.

O problema naquele diálogo não foi o Martim. Foi a Raquel Varela, que confundiu a consciência política e a solidariedade social, que a todos é exigida, com a falta de ambição pessoal. Que confundiu o combate ao ultraliberalismo com a censura à iniciativa privada. Que tomou um miúdo com genica por um capitalista sem escrúpulos. Que tentou aplicar o seu prefabricado ideológico na primeira coisa que lhe apareceu à frente. Que confundiu o Manuel Germano com Género Humano. Que, como acontece tantas vezes ao excesso de voluntarismo ideológico (de esquerda ou de direita, de Raquel Varela e dos que viram no Martim um exemplo para saída da crise), afastou a política da vida concreta, fazendo da vida concreta uma mera ilustração da política.

Daniel Oliveira in: Expresso
 
Neste País quando alguém tenta levar a sua ideia avante aparecem os(as) velhos(as) do Restelo para mandar a baixo e para desvalorizar, eu dou muito valor aos jovens como o Martim que lutam pelo seu sonho, pelo seu objectivo.

Eu próprio vou tentar usar a minha formação académica para ser empreendedor mas na área da agricultura, tenho uma ideia vou tentar ver se tem alguma viabilidade, vou tentar concretiza-la. Imaginando que as coisas correm bem e um dia preciso de contratar funcionários se só lhes poder pagar o ordenado mínimo vou ser acusado de ser explorador? E se infelizmente não tiver condições de pagar mais? É por isso que vou deixar de contratar? é preferível haver 17.7% de taxa de desemprego em Portugal? É claro que não é nenhum luxo o ordenado mínimo, mas o que se pode fazer se o estado do País não permite ordenados maiores?
 
Endeusa-se o empreendorismo confundido com chico-espertismo ou quiçá comparado ao empreendorismo artesanal de pulseiras fios e outros artefactos. Desta forma desvalorizam-se profissões intlectuais e na área do conhecimento. Para os Passos Coelhos, Gaspares camuflados vendendo a máxima do conceito do "útil e "não útil" abrigados debaixo de telhados de vidro, parece que a sua retórica do empreendedorismo encontrou recentemente mais um ídolo, desta feita com contornos de mito - o jovem e humilde empreendedor que enfrenta a inútil e poderosa doutora. A pouco e pouco a lavagem cerebral vai sendo incorporada social e culturalmente... é o País que temos...

Atualização:
Prós e Contras
"Afinal o Martim não disse toda a verdade"
http://www.bc-collection.eu/en/distributors.php?lang=en

O jovem Martim, novo herói nacional, encomenda a roupa a um distribuidor desta empresa da Bélgica. Só coloca um transfer com o nome da "marca" e um logótipo feito num PCzito em 10 minutos:
http://www.textilpromocional.com/
Ao contrário do que disse, a fábrica onde é produzida a roupa não é portuguesa. Não paga impostos, ou seja, é apenas uma brincadeira de um miúdo. Não lançou negócio nenhum, nem está a criar emprego ou riqueza.
«Eu gostaria de perceber como é que algo assim surge no Prós & Contras e depois corta-se a palavra aos que queriam falar dos jovens desempregados e dos que têm de desistir da faculdade por falta de dinheiro.
Rico serviço público.»

«Tem 16 anos e idealizou uma marca de roupa de baixo custo que se tornou num sucesso de vendas." ahahahah»

Parte da produção da B&C vem da fábrica que desabou em Dhaka (em 2005, não se trata deste acidente mais recente que causou milhares de vítimas). http://blog.pier32.co.uk/2008/03/ethical-brand-profile-b.html
http://www.business-humanrights.org/Categories/Individualcompanies/C/CottonGroup

Fonte:http://www.facebook.com/portugalsemprozac
 
Endeusa-se o empreendorismo confundido com chico-espertismo ou quiçá comparado ao empreendorismo artesanal de pulseiras fios e outros artefactos. Desta forma desvalorizam-se profissões intlectuais e na área do conhecimento.

Alguma coisa contra as profissões supostamente "não intelectuais" (seja lá o que isso for) e fora da "área do conhecimento" (seja lá também o que isso for)? Se eu montar uma empresa de comida para fora estarei eu a ser chico esperto porque a carne de vaca não tem grande valor intelectual e a arte de fritar peixe não vem nos compêndios de física quântica...

Sinceramente não percebi o ponto de vista...
 
Tenham vergonha, o que estão a fazer é típico da Inquisição portuguesa. m**** de país que abafa os bons e exalta os medíocres e os trapaceiros da escória esquerdista-do-ódio-ao-privado.
 
Sem comentários. Esta senhora ou emigra ou então não se vai dar bem com o futuro em Portugal a não ser que recorra a tudo na vida aos privados :malandro: parece aqueles socialistas da treta que passam a vida a defender o público e depois andam sempre no privado.

 
Editado por um moderador:
Alguma coisa contra as profissões supostamente "não intelectuais" (seja lá o que isso for) e fora da "área do conhecimento" (seja lá também o que isso for)? Se eu montar uma empresa de comida para fora estarei eu a ser chico esperto porque a carne de vaca não tem grande valor intelectual e a arte de fritar peixe não vem nos compêndios de física quântica...

Sinceramente não percebi o ponto de vista...

Nem contra nem a favor, mas da maneira pejorativa que os criticos se manifestaram por senhora ser doutora e investigadora, provavelmente nem 1% da população tem, terá, ou vai ter, um terço do curriculo dela, Desta forma alguns criticos construindo quase uma escala de quociente intlectual tentaram menosprezar o seu saber em prol de um rapaz ainda muito para aprender no mundo dos negócios. Não confundir iniciativas destas com empreendorismo a sério. Existe aqui uma projecção de valores em favor daquilo que se pretende ouvir e não num contexto real em si.

Tudo bem que ela talvez não deve-se ter-se dirigido assim ao rapaz, até porque a sua juventude pode não permitir compreender muitas coisas, mas que ela disse muita verdade, isso disse.
 
Vitor Capeloa "Afinal o Martim é nome de betinho e mentiroso pois não disse toda a verdade"
http://www.bc-collection.eu/en/distributors.php?lang=en
O jovem Martim, novo herói nacional, encomenda a roupa a um distribuidor desta empresa da Bélgica. Só coloca um transfer com o nome da "marca" e um logótipo feito num PCzito em 10 minutos:
http://www.textilpromocional.com/
Ao contrário do que disse, a fábrica onde é produzida a roupa não é portuguesa. Não paga impostos, ou seja, é apenas uma brincadeira de um miúdo. Não lançou negócio nenhum, nem está a criar emprego ou riqueza.
Et voilá!
https://www.facebook.com/photo.php?f...type=3&theater
«Eu gostaria de perceber como é que algo assim surge no Prós & Contras e depois corta-se a palavra aos que queriam falar dos jovens desempregados e dos que têm de desistir da faculdade por falta de dinheiro.
Rico serviço público.»
«Tem 16 anos e idealizou uma marca de roupa de baixo custo que se tornou num sucesso de vendas." ahahahah»
Parte da produção da B&C vem da fábrica que desabou em Dhaka (em 2005, não se trata deste acidente mais recente que causou milhares de vítimas). http://blog.pier32.co.uk/2008/03/eth...profile-b.html
http://www.business-humanrights.org/.../C/CottonGroup
Parabéns Raquel Varela!
O que tem de ser dito, deve ser dito - para 1 pessoa, para uma plateia, na Bilder-Tê-Bê ou no café.
Só assim poderemos diferenciar-nos e fazer andar a Humanidade.
Não é a primeira vez que o Prós&Contras dá voz a empreendedores que não produzem nada e que se aproveitam da visibilidade para rentabilizar os seus negócios.
Agora temos o Martim, mas também houve aquela história da página Empregos no Brasil para Estrangeiros, e claro o Miguel "bater punho" Gonçalves."
Aquelas palmas são juras de obediência do escravo ao seu amo.Há muito caminho a fazer.Um abraço solidário para a Raquel Varela.
facebook do gajo:
http://www.bc-collection.eu/catalogu...1&instudio=yes

WU620-555-3.jpg




que empreendedor, está a fazer muito pela vida, paga impostos, dá empregos, compra só nacional e exporta, é de gente assim que precisamos:thumbsup::thumbsup::thumbsup:
 
Vince, tem calma, andas nervoso onde já se viu chamar esses nomes ao teu semelhante? Segundo o Manual da ala conservadora o respeito pelo homem é inalienavel. " Deus fez o homem à sua imagem" para isso mesmo, ser respeitado. Levas tudo isto demasiado a sério, são só trocas de opiniões, valem o que valem, todos podemos estar enganadinhos.

Sei que houve um histerismo coletivo com a saida do rapaz, para 16 anos, em tv, não se saiu mal, não se pode exigir mais do rapaz. O que me admira nisto tudo, é a auto-mutilição de um conjunto de pessoas, que defende para si mesmo o minimo dos minimos, a própria miséria.

Com a tecnologia a aumentar exponencialmente, não se pode aumentar horas de trabalhos e salários baixos, pois isso leva a uma quebra de consumo, levando em consequência uma recessão sem precedentes e quiçá a morte do modelo capitalista. O aumento dos salários, a diminuição de horas de trabalho leva a mais emprego e maior consumo, maior crescimento económico, quando existir demasiado dinheiro a circular criando problemas inflácionários, o estado intervêm onde existe " dinheiro a mais" e distribui na investigação tecnológica e em causas sociais.

O mundo depois deste afundanço, não voltará a ser o mesmo.
 
Estado
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