Foi aqui referido que Cavaco Silva está senil, ou para lá caminha.
Vejamos:
Antes da demissão de Vítor Gaspar, tínhamos um CDS e PSD com fraca popularidade, com grandes avanços de todos os partidos de oposição. Passos Coelho conseguia secundarizar Paulo Portas e esse facto era bem apreciado pelas bases do PSD, mas não tanto a centralização das atenções em Vítor Gaspar. Paulo Portas por várias vezes expunha na opinião pública os seus desacordos com o PSD, e sobretudo com as linhas impostas por Vítor Gaspar, mas esses problemas foram sempre resolvidos com mestria de Passos Coelho, que conseguia tornar os desacordos de Paulo Portas como uma birra ou tomada de protagonismo.
Após demissão de Vítor Gaspar, e especialmente devido às suas declarações na carta de demissão, afectou pessoalmente as opções de Passos Coelho. Era a sua ideologia e o seu homem forte.
Vítor Gaspar era o homem menos popular no Governo, não obtinha apoio do CDS para efectuar os cortes na despesa pública e surgia uma polémica sobre o seu conhecimento dos SWAPS em que não conseguia explicar.
Passos Coelho, atrapalhado, sem soluções, já que ninguém minimamente credível aceitaria a pasta das finanças num momento de tal crispação, nomeou alguém da sua confiança - Maria Luís Albuquerque - ou seja, alguém que seguiria as directrizes de Vítor Gaspar, mas que seria duramente criticada pelos partidos de oposição devido às SWAPS.
Paulo Portas, um homem com um enorme conhecimento político, aproveita o momento para pedir demissão, distanciando-se do rumo tomado por Vítor Gaspar e que iria ser continuado por Maria Luís Albuquerque, aproveitava a impopularidade desta nova ministra e demonstrava que o seu partido era espezinhado pelo PSD.
Passos Coelho, que impressiona pela sua calma, racional cada passo que dá, mais uma vez consegue demonstrar que Paulo Portas está a destruir a estabilidade político-económica de Portugal. As bases do PSD e CDS ficam iradas com toda esta situação e os partidos de oposição nem acreditam no presente que lhes é dado.
É momento de Cavaco Silva intervir. As opções óbvias seria a convocação de eleições ou aceitar a nova reformulação do Governo.
- A primeira seria bem aceite pelos partidos de oposição, que teriam a oportunidade de ganhar mais votos ao longo da campanha eleitoral, devido à inacreditável embrulhada que se tinham colocado Paulo Portas e Passos Coelho.
- A segunda seria bem aceite pelo Governo, mas seria muito atacada pelos partidos de oposição e existiria muita tensão nas bases do CDS e PSD aos seus chefes de partido.
Cavaco Silva sai com um coelho na cartola e pede um entendimento entre PSD, CDS e PS.
De logo o PCP e o BE excluem-se dessa negociação. O PS sente desde logo logo que irá ser a ovelha ranhosa seja que for a sua decisão. Ainda tenta pedir que exista algum entendimento com o PCP e o BE para uma alternativa que possa influenciar uma posterior decisão de Cavaco Silva para eleições antecipadas, mas estes partidos mostram-se totalmente inflexíveis, pois poderiam torna-se incoerentes.
A parte socrática do PS demonstra desde logo que não quer qualquer entendimento com o PSD e CDS, ameaçando a liderança de António José Seguro, não existindo qualquer alternativa ao negar o entendimento. Jerónimo de Sousa, já tardiamente demonstra finalmente entendimentos à esquerda, onde apenas se consegue distanciar do extremismo do BE .
Cavaco Silva, já totalmente legitimado aceita a remodelação do Governo, avisando o PS que terá de ter entendimentos com os partidos do Governo, pois caso vença as próximas eleições elas serão necessárias, avisa o Passos Coelho que terá de mudar a sua política económica e avisa Paulo Portas que não terá oportunidade para mais uma desavença publicitada.
CDS e PSD, principalmente este último saem com muito melhor popularidade do que antes da crise, apesar de no geral os partidos políticos serem vistos ainda mais com desconfiança, sendo a única personalidade confiável (mas vista como ingénua) Cavaco Silva.