Empresas apáticas foi o que se fez nas últimas décadas. Tinham mercado interno garantido baseado em investimento público e consumo (fortemente alicerçado em dívida também), e caíam nessa apatia. Vê lá agora o que se está a passar, todas as semanas encontro empresas que nunca lhes passou pela cabeça exportar, e por via da crise, tiveram que se fazer à vida, e as coisas até correm bem. Até os próprios bancos, terão que mudar de mentalidade nos próximos anos, os tempos da vida fácil e crédito barato para obras públicas ao Estado e imobiliário sem risco acabaram, terão que começar a apostar mais na economia real.
Ajustamentos estruturais tem sempre que acontecer, seja via austeridade, seja via inflação, todos a certa altura nas nossas vidas temos que dar um passo atrás para depois podermos seguir em frente. Em Portugal há uma série de corporações (do TC aos sindicatos, das empresas rendistas às públicas) que não deixam dar esse passo atrás, é um grande erro, só estamos a perder tempo precioso pois as coisas são inevitáveis, quanto mais rápido se fizer um ajustamento, mais rapidamente saímos desta m**** em que nos enfiámos.
Acho que temos muitos produtos que poderiam ser produzidos em massa, mereciam mais divulgação, mas temos o problema de muitas empresas serem familiares, os mais velhos não permitem que os mais jovens tomem decisões, modernizem, inovem.
A pasta Couto é famosa em circuitos gourmet no estrangeiro, cá dentro é vendida a menos de 2 euros, mas li que a empresa é familiar, nunca cresceu, nunca apostaram numa produção em massa para exportação.
Alguém conhece no estrangeiro os móveis de Paços de Ferreira? A minha casa tem móveis desses com mais de 40 anos e estão como novos, a qualidade é excelente, no entanto a IKEA é conhecida em todo o mundo e não tem a qualidade de Paços de Ferreira.
Os nossos vinhos só recentemente melhoraram, e o nosso azeite também melhorou em anos recentes, quando os italianos e os espanhóis já produzem azeite e vinagre gourmet há décadas.
Até uma coisa que é produzida em Caldas da Rainha merecia melhor sorte e ser conhecida em todo o mundo, mas nunca ninguém se lembrou de publicitar aquilo no estrangeiro.
E há as colchas de Castelo Branco, os tapetes de Arraiolos, as louças de Coimbra, os cosméticos da Castelbel, as conservas...
Por que motivo não temos grandes marcas conhecidas em todo o mundo? Os espanhóis têm a Zara, mas os nossos têxteis até têm mais qualidade...
Os empresários portugueses não sabem fazer marketing, esse é um problema muito grave do nosso tecido empresarial.