O Estado do País

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Aurélio, os EUA tem um problema grave com a dívida, mais grave ainda com o défice comercial, mas a mesma mesmo assim está abaixo da nossa em função do PIB, tenho ideia que anda em torno dos 100% do PIB. Nós, Portugal, pelos vistos vamos este ano acabar nos 130%.

Os EUA só uma vez acho eu, devido à 2ª guerra mundial, se aproximaram destes nossos valores. O que só por si dá uma boa ideia da loucura a que nós portugueses chegámos, pois que eu saiba não andámos em guerra nenhuma nestes anos, nem passámos por qualquer cataclismo, voluntariamente chegámos a este ponto insustentável assobiando para o lado.

Se fosse só o Estado, a gastar o que não tem ... o povo queixa-se, mas gastam dinheiro que nem uns loucos (uma parte em coisas que não servem para nada), e para a minha empresa acho que está a ser uns dos melhores anos desde que abriu :D
 
Nós, Portugal, pelos vistos vamos este ano acabar nos 130%.

As contas escondidas nas EPE, as sub-orçamentações de vários sectores do estado. Toda a contabilidade estranha aos orçamentos do estado na vigência do engenheireiro Sócrates (seus governos) passaram a ser contabilizadas nos orçamentos de estado desde 2011.
Por isso é que o défice em percentagem do PIB subiu.
Não haja ilusões: foram cerca de 30 a 35% de escondidos nas contas públicas. Esta foi a situação grave que tivemos e teremos de gerir nos próximos anos.
Se a contabilidade fosse correcta em 2011, os cortes teriam sido drásticos logo nesse ano.

Por mim não acho que se deva andar numa "caça às bruxas". Mas que todos tem o direito a saber da verdade, lá isso tem.
 
Se chegar-mos aos 130% de divida do PIB, poderemos agradecer ao Sr. Passos Coelho e os seus correligionários... Pois com tanta medida tóxica para a economia e famílias portuguesas a única coisa que conseguiu foi destruir e colocar as contas públicas sob maior pressão... O novo pacote de assistência financeira virá em breve, também apadrinhado pelo Sr. Silva.

Começa a chegar a hora de correr com eles.....
 
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Mago, estás claramente a exagerar.

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Frederico, em 1974 Portugal estava na cauda da Europa em tudo:

Menos alfabetização em relação ao resto da Europa, principalmente no que toca a trabalhadores com funções manuais.

Era a que tinha o setor primário maior, apesar disso graças ao atraso tecnológico éramos o que produzíamos menos.

As empresas eram em grande parte pequenas, de consumo interno, algumas simplesmente familiares, sem inovação tecnológica que competissem com as restantes europeias.

Na saúde tínhamos de longe o maior índice de mortalidade infantil e a esperança média de vida não acompanhava as restantes da Europa.

Ou seja vínhamos de atrasos estruturais muito significativos, quando abrimos a nossa economia, rebentamos, para não falar da desordem que se verificou após a revolução, se bem que, ás vezes para se dar um passo à frente, temos de dar dois atrás.
 
Como é que é isso ? Claro que em dado momento podes ter uma dívida enorme, e ter défice zero (lá chegarmos nos próximos anos). Mas para teres essa grande dívida é porque tiveste défices antes. Enquanto continuarmos a ter défices, a nossa dívida nunca parará de aumentar. Era essa a coerência que te pedia, até parece que não sabes. Vocês mesmo hoje continuam a defender que o Estado gaste dinheiro que não tem, que o défice continue a aumentar, e depois vêm reclamar que a dívida aumenta ? Que raio....

Pensa assim, contraio uma dívida ou crédito com uma maturidade de 30 anos e invisto numa máquina... Com essa máquina consigo ter dinheiro para ir pagando as prestações, o que a cada ano, tenho uma divida embora menor, mas défice 0% ( receitas maiores que despesas)

Mas ainda sem acabar de pagar esta máquina, peço mais um crédito de 30 anos e compro outra máquina, até crio mais um posto de trabalho. A dívida aumentou no somatório das duas, mas, com estas duas máquinas consigo pagar as pestações e ainda fico com dinheiro, o que posso amortizar divida ou reinvestir. Ou seja défice 0%

Este exemplo é apenas genérico, serve para diferenciar os dois termos. Por isso temos uma divida de quase 130% e um défice de 6%, valores diferentes, conceitos diferentes.
 
Pensa assim, contraio uma dívida ou crédito com uma maturidade de 30 anos e invisto numa máquina... Com essa máquina consigo ter dinheiro para ir pagando as prestações, o que a cada ano, tenho uma divida embora menor, mas défice 0% ( receitas maiores que despesas)

Mas ainda sem acabar de pagar esta máquina, peço mais um crédito de 30 anos e compro outra máquina, até crio mais um posto de trabalho. A dívida aumentou no somatório das duas, mas, com estas duas máquinas consigo pagar as pestações e ainda fico com dinheiro, o que posso amortizar divida ou reinvestir. Ou seja défice 0%

Este exemplo é apenas genérico, serve para diferenciar os dois termos. Por isso temos uma divida de quase 130% e um défice de 6%, valores diferentes, conceitos diferentes.

Mas não foi isso que foi feito na última década?

Dá-me uma ligeira impressão que não resultou.
 
Mas não foi isso que foi feito na última década?

Dá-me uma ligeira impressão que não resultou.

Com a competitividade que hoje existe numa sociedade capitalista e de necessidades ilimitadas, não consegues sobreviver sem recorrer a créditos e dividas. As empresas que não se abriram, perderam competitividade, ficaram apáticas. Obviamente que há meio termo para tudo, a questão é que nesta cadeia alguns gananciosos e agiotas atropelam o equilíbrio do sistema.
 
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Empresas apáticas foi o que se fez nas últimas décadas. Tinham mercado interno garantido baseado em investimento público e consumo, e caíam nessa apatia. Vê lá agora o que se está a passar, todas as semanas encontro empresas que nunca lhes passou pela cabeça exportar, e por via da crise, tiveram que se fazer à vida, e as coisas até correm bem. Até os próprios bancos, terão que mudar de mentalidade nos próximos anos, os tempos da vida fácil e crédito barato para obras públicas ao Estado e imobiliário sem risco acabaram, terão que começar a apostar mais na economia real.

Porque investiram, inovaram, adequaram-se aos tempos para serem competitivas. Para isso é preciso dinheiro, os investimentos do estado são importantes, desde que não haja os tais vampiros pelo meio. Na educação, saúde, obras estruturais capazes de facilitar a movimentação de bens, pessoas... Raras aquelas que vivem sem crédito....
 
Aurélio, os EUA tem um problema grave com a dívida, mais grave ainda com o défice comercial, mas a mesma mesmo assim está abaixo da nossa em função do PIB, tenho ideia que anda em torno dos 100% do PIB. Nós, Portugal, pelos vistos vamos este ano acabar nos 130%.

Os EUA só uma vez acho eu, devido à 2ª guerra mundial, se aproximaram destes nossos valores. O que só por si dá uma boa ideia da loucura a que nós portugueses chegámos, pois que eu saiba não andámos em guerra nenhuma nestes anos, nem passámos por qualquer cataclismo, voluntariamente chegámos a este ponto insustentável assobiando para o lado.

Se a memória não me falha os EUA atingiram uma dívida pública em percentagem do PIB acima de 140% algures na Segunda Guerra Mundial.

Estamos a falar de um país que segundo muita gente pode produzir todos os alimentos que necessita e que poderá vir a ser autosuficiente em termos energéticos.
 
Frederico, em 1974 Portugal estava na cauda da Europa em tudo:

Menos alfabetização em relação ao resto da Europa, principalmente no que toca a trabalhadores com funções manuais.

Era a que tinha o setor primário maior, apesar disso graças ao atraso tecnológico éramos o que produzíamos menos.

As empresas eram em grande parte pequenas, de consumo interno, algumas simplesmente familiares, sem inovação tecnológica que competissem com as restantes europeias.

Na saúde tínhamos de longe o maior índice de mortalidade infantil e a esperança média de vida não acompanhava as restantes da Europa.

Ou seja vínhamos de atrasos estruturais muito significativos, quando abrimos a nossa economia, rebentamos, para não falar da desordem que se verificou após a revolução, se bem que, ás vezes para se dar um passo à frente, temos de dar dois atrás.


A Europa é um grande continente, estávamos na cauda da Europa Ocidental, mas na Europa de Leste estavam pior. Mas sim, quando comparados com a Europa da antiga CEE a 15 e da EFTA estávamos no fim da lista, já no início da década de 70 os PIBs per capita da Grécia e de Espanha eram muito superiores aos nossos.

Contudo havia uma convergência muito rápida, Portugal estava a crescer como nunca. O 25 de Abril estragou essa dinâmica desnecessariamente com os erros do PREC e do Bloco Central de interesses que entretanto se instalou. Olhando para trás, o que precisávamos nessa altura era de resolver o problema colonial, com a criação de uma espécie de Commonwealth, resolver o problema das liberdades e dos direitos civis, e instalar um Estado Social adaptado à nossa realidade económica. Se assim fosse acredito que hoje poderíamos ser tão ou mais ricos que a Catalunha ou o País Basco.
 
Empresas apáticas foi o que se fez nas últimas décadas. Tinham mercado interno garantido baseado em investimento público e consumo (fortemente alicerçado em dívida também), e caíam nessa apatia. Vê lá agora o que se está a passar, todas as semanas encontro empresas que nunca lhes passou pela cabeça exportar, e por via da crise, tiveram que se fazer à vida, e as coisas até correm bem. Até os próprios bancos, terão que mudar de mentalidade nos próximos anos, os tempos da vida fácil e crédito barato para obras públicas ao Estado e imobiliário sem risco acabaram, terão que começar a apostar mais na economia real.

Ajustamentos estruturais tem sempre que acontecer, seja via austeridade, seja via inflação, todos a certa altura nas nossas vidas temos que dar um passo atrás para depois podermos seguir em frente. Em Portugal há uma série de corporações (do TC aos sindicatos, das empresas rendistas às públicas) que não deixam dar esse passo atrás, é um grande erro, só estamos a perder tempo precioso pois as coisas são inevitáveis, quanto mais rápido se fizer um ajustamento, mais rapidamente saímos desta m**** em que nos enfiámos.


Acho que temos muitos produtos que poderiam ser produzidos em massa, mereciam mais divulgação, mas temos o problema de muitas empresas serem familiares, os mais velhos não permitem que os mais jovens tomem decisões, modernizem, inovem.

A pasta Couto é famosa em circuitos gourmet no estrangeiro, cá dentro é vendida a menos de 2 euros, mas li que a empresa é familiar, nunca cresceu, nunca apostaram numa produção em massa para exportação.

Alguém conhece no estrangeiro os móveis de Paços de Ferreira? A minha casa tem móveis desses com mais de 40 anos e estão como novos, a qualidade é excelente, no entanto a IKEA é conhecida em todo o mundo e não tem a qualidade de Paços de Ferreira.

Os nossos vinhos só recentemente melhoraram, e o nosso azeite também melhorou em anos recentes, quando os italianos e os espanhóis já produzem azeite e vinagre gourmet há décadas.

Até uma coisa que é produzida em Caldas da Rainha merecia melhor sorte e ser conhecida em todo o mundo, mas nunca ninguém se lembrou de publicitar aquilo no estrangeiro.

E há as colchas de Castelo Branco, os tapetes de Arraiolos, as louças de Coimbra, os cosméticos da Castelbel, as conservas...

Por que motivo não temos grandes marcas conhecidas em todo o mundo? Os espanhóis têm a Zara, mas os nossos têxteis até têm mais qualidade...

Os empresários portugueses não sabem fazer marketing, esse é um problema muito grave do nosso tecido empresarial.
 
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A Europa é um grande continente, estávamos na cauda da Europa Ocidental, mas na Europa de Leste estavam pior.

A Europa do leste estava pior, mas apesar do flagelo dos regimes totalitários comunistas e há que reconhecer que foi uma página negra na história, estes através das suas excelentes políticas no campo da educação e cultura criaram um capital humano fabuloso. Ainda hoje são um trunfo nesses países, mesmo nos não comunistas mas que absorveram esse capital humano bem qualificado.
 
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