O Estado do País

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Na Cova da Beira, os preços praticados andam à volta dos 40EUR/dia na apanha da cereja.

O risco é enorme, pois as cooperativas só pagam quando recebem e só pagam uma parte para amortizar custos / investimentos da cooperativa.

Enfim, dos 5EUR/Kg da cereja, o agricultor recebe da cooperativa entre 50cent a 1EUR. A cereja é cara, pois para apanhar 1Kg é preciso apanhar 1 a 1, com cuidado: tem que ser madura, ter calibre e não ter defeitos, tem de ser transportada em caixas pequenas (2kg ou menos),...

Por vezes as cooperativas redistribuem os dividendos, tentando equilibrar agricultores de cereja com os da maça/pera, sabendo que há anos em que uma dada fruta tem prejuizo.



O meu avô chegou a esperar 2 anos para receber dez mil euros de uma armazém da zona. Nesses dois anos pagou empregados, contador de electricidade, água... as pessoas não sabem mas um pomar pode consumir em electricidade do motor da rega mais de 4 mil euros num ano. Há outras despesas gasóleo agrícola, adubos, pesticidas, manutenção...

Nos últimos tempos arrendava a espanhóis que apanhavam a laranja e quem pagava aos empregados e a manutenção era a empresa espanhola. Assim ainda viu algum dinheiro, porque a vender a portugueses... é para esquecer.
 
Isto tudo para concluir que mesmo nas profundezas do "Conservadorismo Rural", na exacerbação da iniciativa e posse privada, a economia afinal anda em volta do subsidio, caso contrário, era fechar portas.... O que me parece meio caricato.

Um familiar meu direto, tem 500 árvores de fruta, e uns dois mil pés de videiras, o que vale é que tudo se vai fazendo no seio familiar, caso contrário chapéu. Não tem subsídios, trata por gosto...

No entanto, mais uma vez, quem mais ganha com isto tudo, são grandes superfícies, especuladores de preços de cereais e seus mercado financeiros associados, etc.



Mas a culpa é dos produtores que não se unem.

Repara, o armazém chega a comprar laranja a menos de 15 cêntimos o quilo e desse armazém já vi à venda a quase 2 euros no Continente.

E se os produtores abrissem uma grande superfície nos arredores de uma área urbana grande e vendessem a laranja a 60 cêntimos? Assim tinham lucro e o consumidor pagaria qualidade a baixo preço.
 
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só que os agricultores não se unem em prol dos seus interesses Frederico.Só olham para o umbigo

Aqui na rua onde moro(rua da graça) havia 5 mercearias,agora existe uma que sobrevive com uma renda baixa e sem empregados.E para cumulo chegaram os chineses que abrem lojas de legumes e fruta, com preços super baixos.

Se essas mercearias se tivessem unido e formassem uma cooperativa provavelmente hoje ainda existiam e podiam vender produção nacional com garantia de sabor
 
Mas a culpa é dos produtores que não se unem.

Repara, o armazém chega a comprar laranja a menos de 15 cêntimos o quilo e desse armazém já vi à venda a quase 2 euros no Continente.

E se os produtores abrissem uma grande superfície nos arredores de uma área urbana grande e vendessem a laranja a 60 cêntimos? Assim tinham lucro e o consumidor pagaria qualidade a baixo preço.

Frederico, mas o pessoal vende a laranja à porta de casa. :D Na EN 125 e não só são dezenas a venderem. Eu tenho um familiar que tem um pomar de laranjeiras e sempre vendeu à Sumol e à extinta Epaminondas, pagavam a 40 cêntimos o quilo, ainda pensou vender para o Continente mas o preço era quase anedótico a apenas 0.07 € por quilo. Ainda hoje, toda a produção que tem vai toda para a Sumol/Compal e diz que não está arrependido da opção que fez.
 
e porque querem os libertários destruir o Estado, porque a livre iniciativa é sempre mais eficiente. Tudo nascerá do mercado, os tribunais, a polícia, o exército... se houver necessidade, haverá um preço e alguém pagará.
 
O Tribunal Constitucional acaba de deixar passar as 40 horas semanais da função pública o que interpreto como um retrocesso civilizacional de 20 anos, até aos anos 80.

O problema não está nas 40 horas em si, mas sim tudo o que de mal vem com esta medida. Pouco ou nada acrescenta à produtividade do setor publico, aumento de gastos de logística como aquecimento, eletricidade, gestão dos edifícios, segurança etc. Menos tempo para dedicação à família, tão necessário numa sociedade anômica de valores. Menos tempo para gastarem dinheiro... Enfim, mais uma medida de encher chouriços....
 
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Ó Agreste, sabes por acaso quem cabe nessa definição de "libertário"?
Suspeito que ou não sabes ou então para ti quem defende menos e melhor estado é para ti um libertário.

Não se podem confundir as coisas.
Tu e outros, da esquerda à direita do espectro político, apontam constantemente críticas, pelo facto de muitos andarem colados ao estado e "mamarem":rolleyes: por conta do erário público.

Obviamente que o estado não pode ser isso, não pode nem deve ser o sustentáculo de parte da economia (excepção feita às actividades inerentes: educação, saúde, segurança, finanças e judiciais). Fora isto o estado deve ser "reduzido" ao mínimo possível, à mínima intervenção na economia.
Quando o estado é omni-presente "abafa" muita da iniciativa privada, aquela que REALMENTE cria emprego e riqueza para o país.

Não confundas aquilo que muitos pretendem para o país, que é melhorar as nossas condições de vida, a riqueza nacional, o bem-estar dos portugueses. esses muitos não gostam dos "encostados" ao estado. A maior parte destes portugueses genuinamente odeiam o conceito de tudo pagar à viva força.
A maior parte de nós não se importaria de descontar tanto para o estado, se o resultado final fosse uma boa administração dos dinheiros públicos e se os serviços prestados fossem bons, a preços controlados.
A maior parte dos portugueses não são libertários, apenas odeiam que o estado tudo decida, tudo controle, em tudo "meta o bedelho". (a maior parte de nós percebe estes termos!):p

Menos tempo para gastarem dinheiro... Enfim, mais uma medida de encher chouriços....
...até porque o dinheiro é farto nesta altura :D Valem os bons chouriços para matar a fome e conviver com a malta ;)
 
O Tribunal Constitucional acaba de deixar passar as 40 horas semanais da função pública o que interpreto como um retrocesso civilizacional de 20 anos, até aos anos 80.

O problema não está nas 40 horas em si, mas sim tudo o que de mal vem com esta medida. Pouco ou nada acrescenta à produtividade do setor publico, aumento de gastos de logística como aquecimento, eletricidade, gestão dos edifícios, segurança etc. Menos tempo para dedicação à família, tão necessário numa sociedade anômica de valores. Menos tempo para gastarem dinheiro... Enfim, mais uma medida de encher chouriços....



Concordo contigo mas tens de ver outro aspecto. Os portugueses a trabalhar são pouco produtivos, falam muito e trabalham pouco. Começa logo nas faculdades, vão para as salas de estudo, teatro anatómico ou laboratórios e estudam meia hora e conversam uma hora, no fim o trabalho que poderia ser feito em duas ou três horas demora 8 ou 9. O Medina Carreira disse num programa que um português sozinho ou com estrangeiros ao lado trabalha, com outros português só conversa. Talvez nesta perspectiva se justifiquem as 40 horas...
 
Eis que chegou o dia! Finalmente pago para trabalhar!!!!! :angry::angry::angry:

O que estão a fazer aos trabalhadores (os poucos que restam neste país) é inqualificável!

PS: Será que vale a pena pedir para trocar o líquido a pagamento pelo valor dos descontos (ROUBO)? É que já vale a pena!
 
Para não citar posts anteriores eu pergunto se, não sendo eu trabalhador da função pública, não tenho direito a estar com a família? Com os amigos?

Acho que era uma ofensa "inconstitucional" aos funcionários do privado se o TC reprovasse a medida.

Sim, os funcionários do privado também tem família, embora estatisticamente recebam menos, e trabalhem mais, por vezes bem mais que 40 horas semanais...
 
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