O Estado do País

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http://www.zerohedge.com/news/2014-01-09/hedge-fund-slams-portuguese-bonds-64-page-slideshow

Uma análise geral (em inglês) do estado (miserável) das nossas contas públicas (pdf no fim da página). Destaco as 10 "ideias erradas" relativas ao nosso ajustamento.

Entre tantas outras conclusões:

Povo português carrega de forma desigual o fardo do ajustamento enquanto os especuladores lucram (p.23)

Só 38% da população entre os 25 e os 64 tem pelo menos o secundário; o mais baixo nível de educação entre 17 países em análise (p. 30)

12% da dívida de Portugal é ao FMI (p. 48)


Para a dívida ser sustentável é provável que tenhamos de cortar 5 a 6 mil milhões nos próximos anos e esperar que o país cresça 1% ao ano.

Com estagnação ficamos na corda bamba e dependentes da boa vontade do resto da Europa.

Mas cortes no futuro são inevitáveis.
 
Se a essência da economia, é a troca de bens e serviços, quanto mais trocas houver, mais forte é uma economia, a economia sobrevive dadas a ilimitadas necessidades humanas, e também pela divisão do trabalho onde cria laços interdependentes que provocam a "troca".

Ora se tudo caminhar para o poupadinho, não se ir a cinemas, não se comprar um telemóvel, não se jantar fora de vez enquando, não se ter a tv cabo, impede de haver as tais "trocas". Afinal depois o que iriam fazer as pessoas que dependem do trabalho num cinema, num restaurante, na venda de telemóveis, da venda Meo's.

Talvez a solução ainda assim seja gastar mas não mais do que aquilo que se tem. Contudo, ter mais para gastar, representa dinamizar mais a economia, quanto mais houver para gastar, mais possibilidades há se proporcionarem as "trocas", estimular a economia. Para isso as regras económicas não podem favorecer sempre os mesmos na acumulação de capital. Deste modo as politicas de redução de rendimentos nos salários são o antagonismo daquilo que faz funcionar a economia.

No entanto, no que toca a queixas, queixumes e lamentos de aposentados com mais de 2000 euros de reforma, acho que não têm razão, é um rendimento bem maior que a média, logo a resposta remeto-nos novamente para a questão da equidade....


Também acho que nisso da poupança há muito paternalismo salazarento, que é dispensável e já enoja num país tao atrofiado por esse tipo de figuras, mas por outro lado é necessário ter cuidado, nós temos uma dívida externa excessivamente alta e poucas poupanças para o endividamento que temos.

O ideal seria o consumo interno ficar mais ou menos como está e a poupança aumentar via crescimento económico...
 
Uma boa notícia, Portugal já tem excedentes de azeite.

Com um grande atraso, sublinhe-se. Os espanhóis há uns anos estavam 20 ou 30 anos à frente dos portugueses. E há muito que italianos, gregos e espanhóis já fazem e exportam para todo o mundo azeite gourmet.

O azeite mais caro do Algarve é produzido em Moncarapacho por um sueco que não percebia nada de oliveiras quando começou...
 
As compras dos funcionários públicos são mais requintadas. Tipo, casas de férias no Algarve. Sabes quem comprou mais casa de férias na Manta Rota, Praia Verde, Conceição de Tavira, Vale Caranguejo, Altura? Foram juízes, médicos, professores, reformados da função pública, funcionários de empresas municipais e emigrantes. É só falar com gente que vendeu estas casas e perguntar quem comprou. Tenho um familiar que vendeu a casa mais cara da Praia Verde a um juiz. Vendida bem acima de 300 mil euros, nem digo aqui o preço.


Mas não quero estar aqui a incentivar comentários e lutas contra os funcionários públicos.

Os funcionários do Estado têm de ter os salários adequados para as suas funções. Devem ser bem pagos para o sector público atrair bons quadros e para prevenir fenómenos de corrupção. Devem também ter boas reformas, mas adequadas àquilo que o país pode pagar, sendo que a sua idade da reforma deve ser calculada tendo em conta a esperança média de vida e o tipo de trabalho que têm.

O Estado Paralelo por sua vez deve acabar. Não se justifica que os colégios privados recebam tanto do Estado quando existem escolas públicas com capacidade para acolher esses alunos. Não se justifica que as IPSS's recebam do Orçamento de Estado cerca de 2 mil milhões de euros quando pelo menos parte das suas funções poderiam ser exercidas pelo Estado Social e por verdadeiro voluntariado. Não se justifica que haja tanto dinheiro pago a escritórios de advogados ou consultoras. Não há quadros no Estado para fazer este trabalho? Para que servem as Universidades? O Banco de Portugal? O Tribunal de Contas?

E é isto que penso sobre o tema.

Lamento que haja uma campanha contra os funcionários públicos e que as coisas não sejam discutidas desta forma, com seriedade e mais profundidade. Mas isto resulta do povo ser ainda muito inculto, logo pouco exigente e crítico. E como dizia o médico Manuel Laranjeira há cerca de 100 anos, o povo foi formatado para «obedecer e calar».

E é preciso ter cuidado com políticas de salários baixos.

Os jovens estão a emigrar em massa porque noutros países da zona euro paga-se muito mais. O país perderá os melhores quadros e isso terá os seus reflexos nas próximas décadas.

A Monarquia Constitucional e as elites da época «expulsaram» para o Brasil. O Estado Novo «expulsou» para lá dos Pirinéus. Passos Coelho convida a «emigrar». Há um padrão e argumentos que justificam uma certa paixão de certas elites portuguesas pela emigração.

Achas que esses que mencionaste são funcionarios publicos, os vulgares que toda a gentinha diz mal....;)
 
As compras dos funcionários públicos são mais requintadas. Tipo, casas de férias no Algarve. Sabes quem comprou mais casa de férias na Manta Rota, Praia Verde, Conceição de Tavira, Vale Caranguejo, Altura? Foram juízes, médicos, professores, reformados da função pública, funcionários de empresas municipais e emigrantes. É só falar com gente que vendeu estas casas e perguntar quem comprou. Tenho um familiar que vendeu a casa mais cara da Praia Verde a um juiz. Vendida bem acima de 300 mil euros, nem digo aqui o preço.


Mas não quero estar aqui a incentivar comentários e lutas contra os funcionários públicos.

Os funcionários do Estado têm de ter os salários adequados para as suas funções. Devem ser bem pagos para o sector público atrair bons quadros e para prevenir fenómenos de corrupção. Devem também ter boas reformas, mas adequadas àquilo que o país pode pagar, sendo que a sua idade da reforma deve ser calculada tendo em conta a esperança média de vida e o tipo de trabalho que têm.

O Estado Paralelo por sua vez deve acabar. Não se justifica que os colégios privados recebam tanto do Estado quando existem escolas públicas com capacidade para acolher esses alunos. Não se justifica que as IPSS's recebam do Orçamento de Estado cerca de 2 mil milhões de euros quando pelo menos parte das suas funções poderiam ser exercidas pelo Estado Social e por verdadeiro voluntariado. Não se justifica que haja tanto dinheiro pago a escritórios de advogados ou consultoras. Não há quadros no Estado para fazer este trabalho? Para que servem as Universidades? O Banco de Portugal? O Tribunal de Contas?

E é isto que penso sobre o tema.

Lamento que haja uma campanha contra os funcionários públicos e que as coisas não sejam discutidas desta forma, com seriedade e mais profundidade. Mas isto resulta do povo ser ainda muito inculto, logo pouco exigente e crítico. E como dizia o médico Manuel Laranjeira há cerca de 100 anos, o povo foi formatado para «obedecer e calar».

E é preciso ter cuidado com políticas de salários baixos.

Os jovens estão a emigrar em massa porque noutros países da zona euro paga-se muito mais. O país perderá os melhores quadros e isso terá os seus reflexos nas próximas décadas.

A Monarquia Constitucional e as elites da época «expulsaram» para o Brasil. O Estado Novo «expulsou» para lá dos Pirinéus. Passos Coelho convida a «emigrar». Há um padrão e argumentos que justificam uma certa paixão de certas elites portuguesas pela emigração.

Desculpa lá mas não conheço esses requintes modernos, mas conheço que ao longo dos anos, quem tem casa nos algarves e casa na montanha, pelo menos os que conheço, são empresarios sem salarios, com muitas beneces (inclui familiares) em tudo que organimo publico, com brutas maquinas na estrada, com 2 dezenas de trabalhadores escravos...esses conheço varios.
Outros empresarios que conheço com as mesmas qualidades de vida, que não teem casa no algarve, mas levam por 15 dias toda a familia (ascendentes/primos/tios e afins) para essas paragens com tudo do bom e do melhor...;)
 
A minha mãe é funcionaria publica e não tenho uma casa no algarve e quantos as reformas ela descontava bem mais do que um trabalhador privado e sei do falo pois o meu pai tabalhava no privado, o que acontece é que no privado na decada de 90 faziam maroscas para descontar pouco e as horas eram todas por fora e agora como estão apertados já não dá para as maroscas, o problema chama-se ex-governantes cada um ganha por muitos trabalhadores mais subvenções a senhora que preside a assembleia reformou-se as 40
 
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Desculpa lá mas não conheço esses requintes modernos, mas conheço que ao longo dos anos, quem tem casa nos algarves e casa na montanha, pelo menos os que conheço, são empresarios sem salarios, com muitas beneces (inclui familiares) em tudo que organimo publico, com brutas maquinas na estrada, com 2 dezenas de trabalhadores escravos...esses conheço varios.
Outros empresarios que conheço com as mesmas qualidades de vida, que não teem casa no algarve, mas levam por 15 dias toda a familia (ascendentes/primos/tios e afins) para essas paragens com tudo do bom e do melhor...;)

O que quis dizer é que provavelmente parte da função pública ganhe talvez mais do que deve para a riqueza que temos.

Pergunto-te.


- Achas que os juízes devem ter um extra de perto de 300 ou 400 euros para o pagamento da renda da casa?

- Achas correcto que parte dos médicos tenham ganham tanto no SNS a fazer umas horas por dia?

- Achas correcto que se tenham criado empresas municipais onde o presidente pode ser o presidente da Câmara que assim acumula dois salários? Ou onde os salários são mais altos que na autarquia?

- Achas correcto que empresas como a CP tenham um serviço tão mau e desde o revisor aos altos cargos tenham brutos salários e tantas regalias?

Caro, não aponto as balas para o varredor de ruas, a funcionária da secretaria ou o professor do Secundário.

Percebes onde quero chegar?

E não venhas com o privado, já disse o que tinha a dizer, mas repito.

O nosso sector privado sofre de um grande atraso cultural. As PMEs no interior até anos recentes não pagavam muitos salários porque os patrões metiam os filhos ou os familiares reformados a trabalhar sem salário. Há por aí casos do tio solteiro ou do filho que trabalham para o patrão sem salário, por um tecto e um prato de comida. Conheço vários.

Fuga ao fisco nem falo e sei que uma das maiores padarias do Sul tem uma fraude brutal, é uma padaria do Alentejo. Há distribuidores a sair com 100 pães e a declarar 10 ao fisco. É de doidos.

As elites nem são melhores. Até tempos recentes viveram produzindo porcaria a alto custo, graças a monopólios, concessões e protecções do Estado. Às elites políticas e financeiras nunca interessou muito a existência de proletariado nem pago nem burguesia forte. A entrada na UE foi um rude golpe e se hoje temos melhores produtos no comércio e mais oferta podemos agradecer à UE.

Público ou privado, está tudo cheio de vigarice porque Portugal tem um grande atraso cultural e numa escala de valores, segundo um estudo com poucos anos, está ao nível da América Latina, e bem atrás de Espanha ou Itália.
 
Bom, não sendo costume postar aqui e não tendo posições politicas ferrenhas (acho até que tanto da esquerda como da direita há coisas boas e más, e que inevitavelmente são as pessoas que, de uma forma ou de outra, pervertem os sistemas para auto-satisfação), só quero deixar aqui alguns dados.

Muito se tem falado da dívida excessiva dos países, da (in)competência dos políticos e tópicos semelhantes. Acho que falta abordar em pormenor o estado dos bancos mundiais. Na minha opinião, uma nova e mais devastadora crise económica é inevitável. Nela, e podem criticar à vontade a minha opinião, não serão só os portugueses que levarão um bail-in cyprus-style (e um calote generalizado do mundo ocidental) para salvar o país da bancarrota. Também os alemães, através da joia maior da coroa - o Deustche Bank - experienciarão o mesmo remédio que tão agressivamente aplicam aos outros. Como sei isto? Basta ver que só o Deustche Bank tem uma exposição de derivativos de 72 triliões de dólares. Para se ter uma ideia, esse valor são 52 biliões de euros = 52,000,000,000,000. Ora, como o PIB alemão é de 3,5 triliões de dólares (uso dólares dado os artigos que leio) e o PIB Mundial em 2012 é de 71 triliões (salvo erro), acho que é mais ou menos óbvio que o desastre aproxima-se. De resto, isto que relatei é só o Deutche Bank, faltando incluir outros tantos bancos como o Barclays, JP Morgan, Goldman Sachs, etc.

Artigos que uso para sustentar minha opinião:

http://www.forbes.com/sites/halahto...ricas-big-banks-are-knee-deep-in-derivatives/

http://www.zerohedge.com/news/five-...ivative-exposure-morgan-stanley-sitting-fx-de

http://www.globalresearch.ca/the-mu...gest-derivative-exposure-in-the-world/5333472

http://www.ft.com/cms/s/0/b2f29dce-527b-11e2-8e1b-00144feab49a.html

http://online.wsj.com/article/SB10001424127887323297504578580222492870096.html

http://www.zerohedge.com/news/2013-...t-derivative-exposure-world-hint-not-jpmorgan

http://www.cnbc.com/id/101307602


P.S. sempre que vejo politicos e pessoas a dizerem que menos regulação (indiscriminada) é melhor fico pasmado:

http://www.jornaldenegocios.pt/merc...s_dos_ctt_nos_primeiros_30_dias_em_bolsa.html

Desde quando é que num mercado "justo" e "aberto", um banco estabiliza ações? :huh: Se um governo fizesse isto, nem queria ver a reação....


Cumps.
 
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Não conhecia esse procedimento, mas conhecendo o historial desse banco, já duvido de tudo. Até o próprio CEO admite crimes federais... (vai uma aposta de como só vai levar uma multa? :lmao:)
 
Não conhecia esse procedimento, mas conhecendo o historial desse banco, já duvido de tudo. Até o próprio CEO admite crimes federais... (vai uma aposta de como só vai levar uma multa? :lmao:)

Não estou muito dentro do assunto mas creio que nos últimos anos houve uma forte redução de parte da banca aos derivados tóxicos.
 
Portugal está numa confusão coletiva
nunca se falou tanto do panteão nacional como agora

o ultimo grito de moda é da poetisa Sofia

deixo aqui uma cronica do comunista Vasco que merece ser analisada. Foi escrita num jornal que muitos leem.



Panteão, onde vários Governos recolheram uma extraordinária colecção para edificar a Pátria: Almeida Garrett, Amália Rodrigues, Aquilino Ribeiro, Guerra Junqueiro, Humberto Delgado, João de Deus, Manuel Arriaga, Óscar Carmona, Sidónio Paes, Teófilo Braga. Numa palavra, alguns símbolos (menores) do anticlericalismo, da Maçonaria e da República, que, ainda por cima, muitas vezes se detestavam e se guerreavam; e no meio disto Humberto Delgado, dois ditadores e uma cantora de fados, que não se percebe como acabaram numa sociedade tão esotérica e exclusiva. Se os mortos falassem, com certeza que estes mortos não se falariam.

Como se calculará, esta conversa vem a propósito do voto da Assembleia da República, que determina o depósito de Eusébio no Panteão. Contra a qual tenho quatro ou cinco objecções. Por um lado, não me cheira que Eusébio gostasse de se ver naquela companhia. Por outro, ninguém lhe pediu autorização para esse exercício de propaganda dos políticos, que ele talvez não apreciasse. E há mais. Há que Eusébio era um génio da sua profissão e de repente (tirando Garrett e Amália) o rodeiam de uma série de mediocridades, que nunca se distinguiram por terem ajudado a humanidade ou os portugueses. Sim, senhor, Eusébio merece um Panteão. Mas não aquele. Um Panteão no estádio do Benfica, ou perto dali, que as pessoas pudessem visitar sem medo de se irritar ou contaminar. Quanto ao Panteão Nacional, do que ele precisa com urgência é de um “saneamento” sucessivo, que o aproxime um pouco da realidade.

http://www.publico.pt/portugal/noticia/eusebio-e-o-panteao-1619037
 
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O homem estudou em inglaterra... alguém que estude nas ilhas podia aceitar a república francesa onde os reis ficarem sem cabeça? :lol:
 
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