“Só estamos a adiar o inevitável, o fecho das escolas”, diz epidemiologista Carmo Gomes
Alexandra Campos
18 de Janeiro de 2021, 19:52h
No domingo, dia das eleições, o número de mortes por covid-19 poderá chegar às duas centenas, calcula a equipa do professor da Faculdade de Ciências de Lisboa.
Só estamos a adiar o inevitável, o fecho das escolas”, lamenta Manuel Carmo Gomes, epidemiologista e um dos especialistas que aconselha o Governo, que se confessa “desapontado” com as
novas medidas de confinamento apresentadas esta segunda-feira pelo primeiro-ministro, até porque já tinha aconselhado na reunião do Infarmed que, por uma questão de precaução, se colocassem os alunos acima dos 12 anos em aulas à distância.
O professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa revela que as estimativas da sua equipa apontam para cerca de 200 mortes e 14 mil novos casos de infecção no próximo domingo. E os cálculos, ainda provisórios para o período entre 9 e 11 de Fevereiro, apontam para 6100 doentes internados nos hospitais, 840 dos quais em unidades de cuidados intensivos.
O problema, avisa, é que o grupo etário dos 13 aos 17 anos é aquele em que mais tem aumentado a incidência da infecção pelo novo coronavírus nas duas últimas semanas. Uma incidência que é já de cerca de 1200 novos casos por 100 mil habitantes no valor acumulado a 14 dias, colocando estes adolescentes agora em terceiro lugar, a seguir aos jovens entre os 18 e os 24 anos, que lideram a tabela com cerca de 1550 casos por 100 mil habitantes nas últimas duas semanas, e a população activa, dos 25 aos 65 anos.
Por isso, o especialista repete o conselho que já tinha dado na última reunião do Infarmed: “
devíamos limitar a circulação dos jovens a partir dos 12 anos e colocá-los no ensino à distância, quando possível”. Se isso não for feito, “receio que tenhamos que fechar as escolas mais tarde”, atira.
https://www.publico.pt/2021/01/18/s...o-escolas-epidemiologista-carmo-gomes-1946877