Política e economia internacional 2020

Se milícias russas estivessem a minar casas e não há bases de dados centralizadas e prontamente disponíveis, como é que vão comunicar entre si?

A ideia até é bastante credível. A inscrição é pouco visível (não é letras gigantes no muro) e é um dialeto completamente alienígena para o típico árabe.

Há várias maneiras de comunicar sem, como tu dizes e bem, escrever num dialecto completamente alienígena para o típico árabe. Um símbolo, uma determinada cor, seriam ideias muito mais inteligentes, do que deixar uma identificação que qualquer pessoa, inclusive o alvo, pode entender. Quando as provas no local do crime são demasiado claras, há sempre que desconfiar delas.
 
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Como não se pode invadir, manda-se armas. Fazer nada também não tem servido para muito.

Já se bombardeou. Na altura a revolta estava a poucos dias de ser esmagada. As bombas vieram trazer uma guerra sem fim, como seria de esperar num território tribal com fronteiras desenhadas pelas potências colonizadoras, com forte implantação do extremismo islâmico, sem governo e com petróleo.
 
Há várias maneiras de comunicar sem, como tu dizes e bem, escrever num dialecto completamente alienígena para o típico árabe. Um símbolo, uma determinada cor, seriam ideias muito mais inteligentes, do que deixar uma identificação que qualquer pessoa, inclusive o alvo, pode entender. Quando as provas no local do crime são demasiado claras, há sempre que desconfiar delas.

Acho que estás a sobrevalorizar o intelecto do típico soldado russo.

Acho também que estás a sobrevalorizar a atenção dos indígenas.

Quando se foge de um conflito e se regressa para ver o estado da habitação, a possibilidade de o portão da casa estar armadilhado é basicamente das últimas coisas em que se pensa. Especialmente se ninguém te avisar (perfeitamente concebível porque cirílico é um dialeto alienígena como o árabe o é para boa parte dos russos).

A casa parecia estar em condições. Algum soldado poderia aproveitar para pilhar, por exemplo. Daí a importância do aviso.
 
Acho que estás a sobrevalorizar o intelecto do típico soldado russo.

Se há algo que eu nunca sobrevalorizo é o intelecto típico de um mercenário, seja qual for a sua nacionalidade. Alguém que cumpre ordens acriticamente para matar e semear a destruição é alguém que não pode ter grande intelecto. Mas continuo a desconfiar de uma prova extremamente óbvia. Até podem ter sido os russos a fazer isso, sabe-se que no Donbass utilizaram um método semelhante, mas também pode tratar-se de contra-informação turca.
 
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Se há algo que eu nunca sobrevalorizo é o intelecto típico de um mercenário, seja qual for a sua nacionalidade. Alguém que cumpre ordens acriticamente para matar e semear a destruição é alguém que não pode ter grande intelecto. Mas continuo a desconfiar de uma prova extremamente óbvia. Até podem ter sido os russos a fazer isso, sabe-se que no Donbass utilizaram um método semelhante, mas também pode tratar-se de contra-informação turca.

-> https://meduza.io/en/news/2020/04/2...rturing-and-killing-a-syrian-deserter-in-2017

E às vezes o que se vê é mesmo a realidade.

No Donbass também pode ter sido contra-informação ucraniana. Não sei, não sabes, ninguém sabe. Então... ignora-se?
 
As bombas vieram trazer uma guerra sem fim, como seria de esperar num território tribal com fronteiras desenhadas pelas potências colonizadoras, com forte implantação do extremismo islâmico, sem governo e com petróleo.

Pouco tempo depois houveram eleições. Como em tantos países por esse mundo fora, deu asneira. A Somália está em guerra há décadas, por exemplo, e não há petróleo.

Ainda assim, a tua posição pré-definida - que se deixarmos os outros em paz, o ato será retribuído - é irrealista.

A influência turca, por exemplo, começou em 2012. A passividade europeia só trouxe ainda mais dissabores.

Alguém que cumpre ordens acriticamente para matar e semear a destruição é alguém que não pode ter grande intelecto.

Não diferem de qualquer outro soldado. Só que há uns que gostam da violência que outros.
 
-> https://meduza.io/en/news/2020/04/2...rturing-and-killing-a-syrian-deserter-in-2017

E às vezes o que se vê é mesmo a realidade.

No Donbass também pode ter sido contra-informação ucraniana. Não sei, não sabes, ninguém sabe. Então... ignora-se?

Não tem que se ignorar, mas deve-se desconfiar de tudo.
Por vezes aquilo que nos contam não corresponde totalmente à verdade (lembrar alegado ataque químico na Síria seguido de "bombardeamento" americano a bases abandonadas com aviso prévio aos russos, uma sucessão de acontecimentos que deve ter servido para alguma coisa obscura, mas que deixou tudo na mesma).
 
Pouco tempo depois houveram eleições. Como em tantos países por esse mundo fora, deu asneira. A Somália está em guerra há décadas, por exemplo, e não há petróleo.

Ainda assim, a tua posição pré-definida - que se deixarmos os outros em paz, o ato será retribuído - é irrealista.

A influência turca, por exemplo, começou em 2012. A passividade europeia só trouxe ainda mais dissabores.

Neste caso, se o Ocidente não fizesse nada (em 2011), teria sido muito mais produtivo. Khadafi estava "domesticado", até já financiava campanhas eleitorais no Ocidente, e era importantíssimo no controlo da imigração ilegal no Mediterrâneo. A revolta seria esmagada em pouco tempo. Morreriam uns milhares, muitos seriam presos, hoje já ninguém se lembrava disso, como já ninguém se lembra da revolta no Bahrein e no Egipto. Não haveria mercenários turcos nem russos.
Mas o Ocidente preferiu interceder na guerra a favor dos islamistas radicais contra o ditador domesticado. E só lixou tudo. As usual...
 
Por vezes aquilo que nos contam não corresponde totalmente à verdade (lembrar alegado ataque químico na Síria seguido de "bombardeamento" americano a bases abandonadas com aviso prévio aos russos, uma sucessão de acontecimentos que deve ter servido para alguma coisa obscura, mas que deixou tudo na mesma).

Do que sei, houveram centenas de ataques químicos.

Da mesma maneira que 2 ou 3 mercenários russos torturaram gratuitamente um desgraçado para não ficarem entediados, a lógica do 'o Assad não utilizaria ataques químicos porque...' tem enormes falhas.

Para começar, não me parece que o Assad esteja no palácio a coordenar os ataques. Da mesma maneira que não me parece que saiba (ou queira saber) de todas as mortes (em massa) que ocorreram nas prisões. São burocracias deixadas a outros.

Como o Assad faz parte de uma minoria étnica, não há grandes entraves em massacrar partes da maioria que o querem matar.

A lógica é trumpiana: O Assad manda um general suprimir a revolta em tal sítio. O general depois coordena com todos as outras patentes. A escolha do armamento às vezes passa pelas patentes superiores e outras vezes nem por isso. Basta um sádico ter acesso a armas químicas que certamente não foram destruídas em 2013.

Bombas barril não têm grande valor estratégico. São para amedrontar e expulsar a população. E o regime usou-as extensivamente. Porque não utilizaria uma ou outra arma química?
 
Do que sei, houveram centenas de ataques químicos.

Da mesma maneira que 2 ou 3 mercenários russos torturaram gratuitamente um desgraçado para não ficarem entediados, a lógica do 'o Assad não utilizaria ataques químicos porque...' tem enormes falhas.

Para começar, não me parece que o Assad esteja no palácio a coordenar os ataques. Da mesma maneira que não me parece que saiba (ou queira saber) de todas as mortes (em massa) que ocorreram nas prisões. São burocracias deixadas a outros.

Como o Assad faz parte de uma minoria étnica, não há grandes entraves em massacrar partes da maioria que o querem matar.

A lógica é trumpiana: O Assad manda um general suprimir a revolta em tal sítio. O general depois coordena com todos as outras patentes. A escolha do armamento às vezes passa pelas patentes superiores e outras vezes nem por isso. Basta um sádico ter acesso a armas químicas que certamente não foram destruídas em 2013.

Bombas barril não têm grande valor estratégico. São para amedrontar e expulsar a população. E o regime usou-as extensivamente. Porque não utilizaria uma ou outra arma química?

https://wikileaks.org/opcw-douma/
 
Deve-se duvidar de tudo mas pode-se generalizar 1 ataque para todos os outros.

Percebi.

Não, este foi o ataque desfasado no tempo (a esmagadora maioria terão ocorrido em 2013 e 2014 quando o governo sírio estava em situação muito delicada, este ocorreu em 2018, já sob a coordenação russa e com a guerra ganha), e foi este ataque que originou o inócuo "ataque" de Trump à Síria.
Não digo que os restantes não terão existido, bem como não afirmo que existiram.
 
Neste caso, se o Ocidente não fizesse nada (em 2011), teria sido muito mais produtivo. Khadafi estava "domesticado", até já financiava campanhas eleitorais no Ocidente, e era importantíssimo no controlo da imigração ilegal no Mediterrâneo. A revolta seria esmagada em pouco tempo. Morreriam uns milhares, muitos seriam presos, hoje já ninguém se lembrava disso, como já ninguém se lembra da revolta no Bahrein e no Egipto. Não haveria mercenários turcos nem russos.
Mas o Ocidente preferiu interceder na guerra a favor dos islamistas radicais contra o ditador domesticado. E só lixou tudo. As usual...

O 'ocidente' nunca prestou atenção particular ao Bahrein e ao Egito. Foram inseridos na 'primavera árabe'.

Falo do que conheço:

As forças armadas egípcias derrubaram um regime democraticamente eleito. Continua a ser uma ditadura.

As forças armadas egípcias são parcialmente financiadas pelo ocidente.

A revolução do Egito teve a passividade do ocidente. Se as forças armadas do Egípcio não fossem tão sólidas, quem sabe o que poderia ter acontecido?

No caso da Líbia, falar do passado não serve de muito. O que interessa é o presente e o futuro.

Como no fim do dia é a Europa que vai continuar a pagar a extorsão e a receber os imigrantes, é recomendável haver uma atitude mais realista e interventiva.



Termino, escrevendo que as sanções económicas nem sempre mudam a estratégia do comportamento dos inimigos (isso só é mais eficiente em países ricos e liberais que dependem do comércio para manterem os elevados níveis de vida).

Venezuela, Irão, Síria, Líbia.

Turquia e China também podem ser incluídas. Em certas coisas pode haver ligeiras concessões (acordo migrantes por exemplo), mas globalmente nada mudou em termos expansionistas.

As sanções prejudicam sempre os pobres de uma qualquer sociedade.

Se as sanções porem em questão a viabilidade económica de um estado com armas modernas, guerra é inevitável.

As sanções económicas de pouco servem para o que mais interessa.

Não, este foi o ataque desfasado no tempo (a esmagadora maioria terão ocorrido em 2013 e 2014 quando o governo sírio estava em situação muito delicada, este ocorreu em 2018, já sob a coordenação russa e com a guerra ganha), e foi este ataque que originou o inócuo "ataque" de Trump à Síria.

Consequências desse ataque? Zero.
 
No caso da Líbia, falar do passado não serve de muito. O que interessa é o presente e o futuro.

O passado teria evitado o presente. Serve de lição para quem tenha ideias semelhantes.
Uma intervenção militar da Europa só iria aumentar a confusão, uma vez que já lá andam a Rússia, a Turquia e em menor escala a Arábia Saudita e o Qatar. O preferível é a UE chamar russos e turcos para fazerem as "partilhas", e depois apoiar alguém com pulso firme ou promover a divisão do país, como foi feito no Sudão.
 
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