Quatro anos depois do referendo no Reino Unido, ainda não há acordo final sobre a futura relação com a UE e a EEA nas mais diversas matérias. A maioria dos estudos económicos referem que o impacto de uma saída sem qualquer acordo comercial terá um impacto muito negativo no crescimento do PIB nas próximas duas décadas. E agora temos uma gravíssima e imprevisível crise global à porta causada pela pandemia. Apesar disso, os defensores mais acérrimos do Brexit, o ERG e os acólitos de Nigel Farage dizem que a ausência de acordo irá correr muito bem. A larga maioria dos economistas discorda. A ala política do Brexit, que compreende os acólitos de Nigel Farage, Cummings, o ERG e parte dos Tories (com David Cameron os leavers eram até uma minoria dentro do partido mas com Boris passaram a ser a maioria) estava fiada num acordo comercial rápido com a América de Trump para compensar o corte com Bruxelas. Ora parece que Biden vai vencer. E Biden, com ascendência irlandesa, não simpatiza absolutamente nada com a Alt Right de Londres. Assim, dentro de pouco mais de dois meses algo totalmente contrário ao que foi prometido pelos brexiteers poderá acontecer: o Reino Unido poderá encontrar-se sem acordo com a UE e com os EUA. O impacto económico nas empresas e famílias, em plena crise do Covid, será desastroso. Nigel Farage e a Alt Right continuam a insistir no isolamento. O que fará Boris? Recentemente, a Casa dos Lordes voltou a falar na manutenção do país no Mercado Único. Mas a Alt Right jamais admitira esta hipótese. Cameron, Osborne, Blair ou Theresa May é que se devem estar a rir disto tudo...