Política e economia internacional 2020

O Trump foi derrotado pelo Covid, basta ver as sondagens anteriores a pandemia.
O que mais se destacava na sondagem para além do que já disse era o modo como os eleitores moderados, que em 2016 deram uma ligeira vantagem à Hillary, desta vez foram quase 2/3 para o Biden, e acho que isso se deve à pandemia
Não foi devido à pandemia. Foi devido à maneira como foi gerida. Se não fosse isso, ganharia de goleada.
Correto, e isso ajuda a explicar porque os democratas a nível do congresso e de estados não tiveram lá muito bons resultados - é que houve governantes democratas como o Cuomo que também geriram muito mal o Covid localmente...
 
Em 2016 o Trump venceu o Michigan por 0,23%, em 2020 perdeu por 2,7%.
Em 2016 venceu o Wisconsin por 0,7%, agora perdeu por 0,7%.
Em 2016 venceu a Pennsylvania por 0,7% agora perdeu por 1,2%.

Os resultados em 2016 nestes 3 estados foram influenciados pela menor afluência do eleitorado democrata que não se revia na Hillary Clinton e que achavam que a eleição estava decidida a favor dela nestes 3 estados. Acredito que se a eleição tivesse sido repetida no dia seguinte o Trump já não teria ganho estes 3 estados. Só uma grande perfomance do Trump em 2020 permitiria que ele mantivesse estes 3 estados e tal esteve muito perto de acontecer.
O Covid derrotou o Trump mas não o fez perder votos. Derrotou-o fazendo com que o adversário conseguisse mobilizar mais eleitorado de habituais abstencionistas. A votação em Trump é fabulosa, ganhou mais de 10 milhões de votos face a 2016 e é, a seguir a Biden, o candidato presidencial que mais votos recebeu numa eleição.
 
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Em 2016 o Trump venceu o Michigan por 0,23%, em 2020 perdeu por 2,7%.
Em 2016 venceu o Wisconsin por 0,7%, agora perdeu por 0,7%.
Em 2016 venceu a Pennsylvania por 0,7% agora perdeu por 1,2%.

Os resultados em 2016 nestes 3 estados foram influenciados pela menor afluência do eleitorado democrata que não se revia na Hillary Clinton e que achavam que a eleição estava decidida a favor dela nestes 3 estados. Acredito que se a eleição tivesse sido repetida no dia seguinte o Trump já não teria ganho estes 3 estados. Só uma grande perfomance do Trump em 2020 permitiria que ele mantivesse estes 3 estados e tal esteve muito perto de acontecer.
O Covid derrotou o Trump mas não o fez perder votos. Derrotou-o fazendo com que o adversário conseguisse mobilizar mais eleitorado de habituais abstencionistas. A votação em Trump é fabulosa, ganhou mais de 10 milhões de votos face a 2016 e é, a seguir a Biden, o candidato presidencial que mais votos recebeu numa eleição.
O Trump não precisava de ter ganho os 3 estados em 2016. O Wisconsin e o Michigão juntos ou a Pensilvânia apenas teria bastado, e é preciso dizer que a esta última até era considerado um estado importante na luta e foi visitado por ambos os candidatos, só os 2 primeiros eram tratados como "seguros" e foram praticamente ignorados pela Hillary - um pouco como o Trump fez com o Arizona e a Geórgia este ano, aliás
 
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O Trump não precisava de ter ganho os 3 estados em 2016. O Wisconsin e o Michigão juntos ou a Pensilvânia apenas teria bastado, e é preciso dizer que a esta última até era considerado um estado importante na luta e foi visitado por ambos os candidatos, só os 2 primeiros eram tratados como "seguros" e foram praticamente ignorados pela Hillary - um pouco como o Trump fez com o Arizona e a Geórgia este ano, aliás

O Arizona e a Georgia estavam Toss-ups, e acabaram praticamente empatados (diferenças de cerca de 10k votos). Mas o MI, o WI e a PA são território tradicionalmente democrata e a vitória de Trump lá foi surpreendente há 4 anos atrás, tal como o equilíbrio registado este ano (houve várias sondagens, a maioria, que davam avanço de Biden de quase 10 pontos no WI e no MI e de mais de 5 na PA).
 
Ninguém disse o contrário. Só estava a dizer que ele perdeu os votos dos brancos moderados (e com isso a eleição), mas para um candidato republicano até se saiu relativamente bem com os votos das minorias

Still a loser. E o Biden, aquele péssimo candidato com pouquíssima capacidade de entusiasmar eleitores (é a realidade), bateu todos os recordes de votação. Porquê? Porque muita gente votava até num menir desde que isso significasse desalojar o Cheeto. Outro mérito do Trump.
 
Still a loser. E o Biden, aquele péssimo candidato com pouquíssima capacidade de entusiasmar eleitores (é a realidade), bateu todos os recordes de votação. Porquê? Porque muita gente votava até num menir desde que isso significasse desalojar o Cheeto. Outro mérito do Trump.
Mas é exatamente isso que estou a dizer, que foram maioritariamente votos anti-Trump dos eleitores moderados, e que os democratas não são assim tão bem-vistos como a imprensa portuguesa quer fazer parecer
 
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Mas é exatamente isso que estou a dizer, que foram maioritariamente votos anti-Trump dos eleitores moderados, e que os democratas não são assim tão bem-vistos como a imprensa portuguesa quer fazer parecer

Não sei o que é que isso significa, sequer. Quando tens uma divisão como essa entre Democratas e Republicanos, cabe lá tudo e mais um par de botas. Nos Republicanos, por exemplo, tens gente moderada e depois tens os evangélicos e os QAnon. Nos Democratas tens pessoal que aqui poderia ser PSD e tens Bernies. Não sei como é que a imprensa Portuguesa veio aqui parar. O único motivo pelo qual Trump foi eleito foi porque a malta que desta vez foi votar aos magotes, em 2016 ficou com o rabo no sofá à espera de assistir à vitória da Hillary que deram como mais do que garantida. Nesse aspecto, foi muito bem feita. Pelos vistos, serviu de lição...
 
O trumpismo não tinha inicialmemte apoios nas elites do Partido Republicano. Foi um movimento popular. que se impôs no rescaldo da crise financeira, que deixou facções da população furiosas com as elites. Os barões como os Bush nunca mostraram apoio a Trump. E muitos do que os apoiaram fizeram-no apenas porque ele era Presidente. Agora vão abandoná-lo.

Estou curioso para ver como vai agora evoluir o Partido. Por exemplo, se irá voltar à linha do Reagan e dos Bush, favorável à integração europeia e à expansão da União para o Leste, o que choca com os interesses russos ou até turcos (imaginem uma Arménia ou uma Geórgia cristãs na UE).
 
O grande tema das próximas 4 semanas poderá ser o Brexit. A cerca de um mês da saída do mercado único, não há acordo comercial entre ambas as partes.

Recentemente o RU fez alguns acordos com países como o Canadá. No entanto muitos desses acordos replicam os acordos que esses países já têm com a UE. Ou seja, se o RU permanecesse na UE teria acesso a esses mercados com as mesmas ou até melhores condições. Por exemplo, o acordo feito com a Suíça não cobre os serviços, mas dentro da UE os serviços britânicos tinham acesso ao mercado suíço.

Uma vez que não há certamente tempo para fazer um bom acordo, o mais sensato seria adiar a saída do mercado único por 6 a 12 meses. A UE parece disposta a aceitar. O público britânico segundo as sondagens é favorável a esa opção, com receio de uma crise mais profunda. Contudo o partido de Boris está descaracterizado. As elites moderadas e ao centro afastaram-se, e agora domina a ideologia do ERG, um grupo que há 5 anos tinha apenas cerca de 10 a 12 por cento dos deputados do partido. O número de deputados eurocepticos aumentou consideravelmente, à custa da saída de tories moderados. Além disso houve uma entrada maciça de ex-membros do partido de Farage, na tentativa de mudar o partido por dentro. Fala-se até em 50 mil, num partido com pouco mais de 150 mil membros. Em suma, Boris tem boa parte do partido contra qualquer aproximação à UE, mas ele próprio contribuiu e muito para esta alteração dos tories.

Dito tudo isto, independentemente do que suceda até Janeiro, nos próximos anos as pressões económicas de vários sectores da economia britânica serão enormes. E irão forçar a novas negociações. Isto já aconteceu na Suíça nos anos 90, e o país acabou por ter acesso ao mercado único, em troca da livre circulação e de respeito pelas regulamentações europeias.

A novela suíça tem quase 30 anos. O país tem um partido populista que é fortemente euroceptico, muito popular em alguns cantões. Recentemente esse partido propôs um referendo à livre circulação. Se tivesse sido rejeitada, o país perderia acesso ao mercado único. Contudo, consciente das consequências económicas e sociais, o povo suíço preferiu manter tudo como está. Este poderá ser o futuro do Reino Unido. Constantes negociações e acordos e um partido interno, com os acólitos de Farage, a tentar bloquear as relações com Bruxelas
 
Não sei o que é que isso significa, sequer. Quando tens uma divisão como essa entre Democratas e Republicanos, cabe lá tudo e mais um par de botas. Nos Republicanos, por exemplo, tens gente moderada e depois tens os evangélicos e os QAnon. Nos Democratas tens pessoal que aqui poderia ser PSD e tens Bernies. Não sei como é que a imprensa Portuguesa veio aqui parar. O único motivo pelo qual Trump foi eleito foi porque a malta que desta vez foi votar aos magotes, em 2016 ficou com o rabo no sofá à espera de assistir à vitória da Hillary que deram como mais do que garantida. Nesse aspecto, foi muito bem feita. Pelos vistos, serviu de lição...
Oh, vá lá, Cláudia. Nunca viste a imprensa (portuguesa e não só) a dizer que o Trump é especialmente odiado pelas minorias?

O trumpismo não tinha inicialmemte apoios nas elites do Partido Republicano. Foi um movimento popular. que se impôs no rescaldo da crise financeira, que deixou facções da população furiosas com as elites. Os barões como os Bush nunca mostraram apoio a Trump. E muitos do que os apoiaram fizeram-no apenas porque ele era Presidente. Agora vão abandoná-lo.

Estou curioso para ver como vai agora evoluir o Partido. Por exemplo, se irá voltar à linha do Reagan e dos Bush, favorável à integração europeia e à expansão da União para o Leste, o que choca com os interesses russos ou até turcos (imaginem uma Arménia ou uma Geórgia cristãs na UE).
O Bush tê-lo apoiado, tendo em conta a versão anti-sistema que o Trump tenta passar, teria sido uma espécie de beijo de Judas...
 
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