O grande tema das próximas 4 semanas poderá ser o Brexit. A cerca de um mês da saída do mercado único, não há acordo comercial entre ambas as partes.
Recentemente o RU fez alguns acordos com países como o Canadá. No entanto muitos desses acordos replicam os acordos que esses países já têm com a UE. Ou seja, se o RU permanecesse na UE teria acesso a esses mercados com as mesmas ou até melhores condições. Por exemplo, o acordo feito com a Suíça não cobre os serviços, mas dentro da UE os serviços britânicos tinham acesso ao mercado suíço.
Uma vez que não há certamente tempo para fazer um bom acordo, o mais sensato seria adiar a saída do mercado único por 6 a 12 meses. A UE parece disposta a aceitar. O público britânico segundo as sondagens é favorável a esa opção, com receio de uma crise mais profunda. Contudo o partido de Boris está descaracterizado. As elites moderadas e ao centro afastaram-se, e agora domina a ideologia do ERG, um grupo que há 5 anos tinha apenas cerca de 10 a 12 por cento dos deputados do partido. O número de deputados eurocepticos aumentou consideravelmente, à custa da saída de tories moderados. Além disso houve uma entrada maciça de ex-membros do partido de Farage, na tentativa de mudar o partido por dentro. Fala-se até em 50 mil, num partido com pouco mais de 150 mil membros. Em suma, Boris tem boa parte do partido contra qualquer aproximação à UE, mas ele próprio contribuiu e muito para esta alteração dos tories.
Dito tudo isto, independentemente do que suceda até Janeiro, nos próximos anos as pressões económicas de vários sectores da economia britânica serão enormes. E irão forçar a novas negociações. Isto já aconteceu na Suíça nos anos 90, e o país acabou por ter acesso ao mercado único, em troca da livre circulação e de respeito pelas regulamentações europeias.
A novela suíça tem quase 30 anos. O país tem um partido populista que é fortemente euroceptico, muito popular em alguns cantões. Recentemente esse partido propôs um referendo à livre circulação. Se tivesse sido rejeitada, o país perderia acesso ao mercado único. Contudo, consciente das consequências económicas e sociais, o povo suíço preferiu manter tudo como está. Este poderá ser o futuro do Reino Unido. Constantes negociações e acordos e um partido interno, com os acólitos de Farage, a tentar bloquear as relações com Bruxelas