Na conferência de imprensa o italiano que lidera a autoridade monetária voltou a afirmar que o BCE deixará a taxa de juro central no mínimo de 0,05% por um longo período de tempo, e reafirmou todos os objectivos e compromissos assumidos anteriormente, nomeadamente o plano de aumentar o balanço do banco central para valores em torno dos 3 biliões de euros, uma subida de 50% face à dimensão actual. Mas foi ainda mais longe, e anunciou que o BCE, por unanimidade, mandatou o seu "staff" para estudar novas medidas, caso se venha a revelar necessário ir mais longe, ou seja, não hesitará em avançar para compras de dívida pública se as expectativas de inflação cairem.
"No mês passado começamos a comprar "covered bonds" [obrigações sobre hipotecas e obrigações sobre crédito bancário ao sector público] dentro de um novo programa. E em breve começaremos a comprar "asset backed securities" [dívida titularizada com créditos a empresas como activos subjacentes]. Os programas durarão dois anos. Juntamente com as operações de refinanciamento de longo prazo, que serão conduzidas até Junho de 2016, estas compras de activos terão um impacto significativo no nosso balanço, que deverá evoluir para a dimensão que teve no início de 2012", afirmou Mario Draghi na declaração escrita inicial que leu em Frankfurt para, já na sessão de perguntas e respostas, frisar que esta é "assinada por todo o Conselho do BCE por unanimidade".
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E para que não restassem dúvidas sobre o empenho do BCE a combater a inflação baixa na Zona Euro – que Outubro ficou nos 0,4% – Draghi foi ainda mais longe, e reafirmou que o BCE admite medidas adicionais, onde se destaca a compra de dívida pública, tendo mesmo mandatado as equipas técnicas do banco para estudarem o que será necessário para avançar nesse caminho.