Os poucos estudos consagrados às consequências do TTIP têm evitado debruçar-se sobre os efeitos sociais e económicos, preferindo centrar-se em projecções que, de acordo com Jeronim Capaldo, investigador do Departamento de Economia e Assuntos Sociais da ONU, se baseiam em modelos económicos inadequados. Capaldo analisou o TTIP (Transatlantic Trade and Investment Partnership) utilizando o Modelo de Política Global da ONU, tendo obtido "resultados dramaticamente diferentes" daqueles que constam dos documentos oficiais sobre o TTIP. No seu relatório, intitulado "TTIP: Desintegração Europeia, Desemprego e Instabilidade", Capaldo conclui que, após uma década de implementação, este eliminará cerca de 600 mil postos de trabalho na UE e levará à diminuição dos rendimentos dos trabalhadores. O acordo de comércio livre entre a UE e os EUA conduzirá ainda, segundo o investigador, a uma ainda mais drástica transferência dos rendimentos do trabalho para o capital.
A directora da Public Citizen's Global Trade Watch, Lori Wallach, denuncia como o relatório mais citado nesta matéria, com origem no Centro Europeu de Economia Política Internacional, "afirma com a autoridade de um Nostradamus de escola comercial que o tratado trará à população do mercado transatlântico um aumento de riqueza de 3 cêntimos por pessoa e por dia... a partir de 2029". Num artigo que assinou no "Le Monde diplomatique", a activista nota que, "apesar do seu optimismo, o mesmo estudo avalia em apenas 0,06% o aumento do PIB na Europa e nos EUA na sequência da entrada em vigor do TTIP". E acrescenta que "mesmo esse impacto é muito irrealista, uma vez que os autores do estudo postulam que o comércio livre dinamize o crescimento económico, uma teoria regularmente refutada pelos factos". Segundo Wallach "um aumento tão infinitesimal seria imperceptível", e refere, a título de comparação, como a quinta versão do iPhone da Apple significou para os EUA um aumento do PIB oito vezes superior.