Previsões médio prazo (até 2 semanas) - Maio 2022

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Cumulus
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Jorge_scp

Nimbostratus
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A situação meteorológica do final da semana tem dado bastante que falar, e de facto merece uma análise bem cuidada dado o carácter excepcional e a complexidade que apresenta.

Uma depressão em altitude vai-se isolar da circulação zonal gerada pelo complexo sistema depressionário que tem afectado os Açores e trazido algumas frentes em dissipação com precipitação geralmente fraca no continente (litoral norte e centro) entre 5a e 6a feira, posicionando-se na região da Madeira, deslocando-se lentamente em direcção ao continente. Essa cut-off forçará um fluxo em altitude de SE, transportando uma massa de ar muito quente do Norte de África, que deverá provocar uma subida significativa das temperaturas na 6a e no Sábado. Se será para bater records, ainda será um pouco arriscado dizer, uma vez que o deslocamento da cut-off ainda poderá sofrer ligeiras alterações mas que são importantes e podem impactar as previsões.

ajbCW62.png


Portanto, na 6a feira temos uma crista anticiclónica em altitude, com a aproximação de uma cut-off vinda de W/SW a forçar circulação de S/SE, e uma depressão (vale invertido desde o Norte de África) à superfície.

Além das altas temperaturas, os elevadíssimos valores de CAPE previstos têm chamado a atenção, surgindo a velha questão se vai despoletar convecção, e consequentes trovoadas.

bnzNF9Q.png


Para responder a essa questão, é preciso analisar os perfis verticais mais em pormenor. Ora, vejamos um tefigrama para o Porto:

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É possível verificar que o CAPE surge apenas acima dos 700 hPa, sendo a atmosfera bastante seca abaixo desse nível, com excepção da superfície. E aí está o detalhe que justifica estes CAPE's enormes, é o facto de à superfície, e só mesmo junto à superfície, haver humidade. Há uma inversão nos níveis baixos, que não permite qualquer movimento vertical ascendente, fruto de uma camada que não está bem "misturada". Se começarmos uma ascensão de uma partícula acima dessa camada superficial húmida, o CAPE desceria imenso. É um exemplo de um perfil que seria muito mais realista usar um Mixed layer CAPE, em vez de um most unstable, ou suface based CAPE.

Veremos o perfil em Braga:

fnSubod.png


É um perfil que não apresenta uma inversão nos níveis baixos tão marcada quanto no Porto. Mesmo assim tem uma camada estável que deverá ser suficiente para inviabilizar a convecção. Mais uma vez, um ML CAPE seria mais apropriado, e o valores de CAPE seriam novamente reduzidos.

Agora, Santa Comba Dão:

nVyEREy.png


Aqui, com cuidado se verifica novamente uma pequeníssima inversão à superfície, mas rapidamente ultrapassada, com a temperatura logo nos níveis acima a cair quase à taxa da adiabática seca, e portanto "condicionalmente instável". É um perfil com um aspecto mais próximo de um "V invertido", em que temos uma camada quente e seca e mais bem misturada. Neste caso, o ML CAPE não apresentaria uma redução tão drástica do CAPE. Apesar de valores mais modestos de CAPE, este é um perfil que eu teria mais atenção. Se houver forçamento suficiente, é um dos casos que pode gerar convecção em altitude, cuja precipitação poderia evaporar na camada seca, não chegando à superfície. Essa evaporação poderia provocar arrefecimento por absorção de calor latente, e originar rajadas convectivas, e trovoadas secas. Aqui, como exemplo, e para comparação, vemos um perfil de V invertido perfeito:

vRm9MuQ.jpg


E agora, chegamos a algo que poderá ser a parte mais crítica deste evento: os incêndios.
Os perfis atmosféricos de "V invertido" são o pesadelo de qualquer bombeiro. Devido à possibilidade de trovoadas secas, rajadas convectivas, toda esta instabilidade em altitude que pode provocar não só ignições, mas dificultar imenso o combate.

Particularmente, caso haja ignição, à superfície a temperatura pode-se elevar de tal maneira que pode destruir por completo a camada estável à superfície, e assim que entrar na camada instável, prime-se o "gatilho", e qualquer partícula tem caminho livre para ascender a grande velocidade, gerando um pirocúmulo, com risco de trovoadas, rajadas... que podem provocar mais ignições nas redondezas... um caos. Repito, CASO haja ignição, esse é o "trigger" necessário à convecção nesta situação que acabei de descrever.

Resumindo... situação muito complexa a alguma distância temporal, o que gera ainda alguma incerteza, mas que exige muito, muito cuidado, no que a incêndios diz respeito, especialmente pela instabilidade presente na atmosfera nos níveis altos. É importante haver responsabilidade da população para evitar comportamentos de risco. O histórico em situações com muito calor, instabilidade e depressões a W/SW diz tudo...
 

stormy

Super Célula
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vRm9MuQ.jpg


E agora, chegamos a algo que poderá ser a parte mais crítica deste evento: os incêndios.
Os perfis atmosféricos de "V invertido" são o pesadelo de qualquer bombeiro. Devido à possibilidade de trovoadas secas, rajadas convectivas, toda esta instabilidade em altitude que pode provocar não só ignições, mas dificultar imenso o combate.

Particularmente, caso haja ignição, à superfície a temperatura pode-se elevar de tal maneira que pode destruir por completo a camada estável à superfície, e assim que entrar na camada instável, prime-se o "gatilho", e qualquer partícula tem caminho livre para ascender a grande velocidade, gerando um pirocúmulo, com risco de trovoadas, rajadas... que podem provocar mais ignições nas redondezas... um caos. Repito, CASO haja ignição, esse é o "trigger" necessário à convecção nesta situação que acabei de descrever.

Resumindo... situação muito complexa a alguma distância temporal, o que gera ainda alguma incerteza, mas que exige muito, muito cuidado, no que a incêndios diz respeito, especialmente pela instabilidade presente na atmosfera nos níveis altos. É importante haver responsabilidade da população para evitar comportamentos de risco. O histórico em situações com muito calor, instabilidade e depressões a W/SW diz tudo...

Boa análise. A probabilidade de convecção com base à superfície é baixa, até porque a presença de poeiras e nuvens médias deverá impedir que as tempertauras da boundary layer atinjam os valores necessários para ultrapassar a inversão, e mesmo que tal sucedesse haveria primeiro mistura com ar mais seco que iria certamente comprometer os valores de CAPE finais, com uma mixed layer até aos 600-700hpa terias convecção tipo o que volta e meia aparece no Arizona e noutras áreas desérticas com monções de Verão.

Mesmo nesses casos, e que por cá por vezes acontecem embora com escalas geralmente menores, um desses exemplos o caso do Pedrogão, geralmente apenas as parcelas mais elevadas da camada de mistura acabam por ascender.

Bom, o algoritmo que desenvolvemos para as cartas do BW mostra potencial para convecção que será essencialmente high based, com potencial para Heatbursts e Downbursts tendo em conta os perfis termodinâmicos abaixo dos 700hpa.

Abaixo uma imagem da cut-off com o transporte/uplift de humidade no sector quente. Alguma dessa humidade proveniente das latitudes tropicais, associada a uma onda de leste tropical sobre Africa ocidental.
https://bestweather.org/mapas/carta...ative-humidity-mid-level/2022-05-21T12:00:00Z
A111.jpg
 

stormy

Super Célula
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O ARPEGE acentuou o risco de trovoadas no Sábado. O algoritmo que utilizamos no BW mede essencialmente o potencial convectivo a partir dos gradientes de densidade entre os níveis baixos e os níveis médios, tendo em conta também parâmetros dinâmicos para avaliar a intensidade e cobertura espacial da actividade.

Neste momento ainda há incerteza mas as runs têm mostrado cenários interessantes.

https://bestweather.org/mapas/carta...al-atlantic/bwsi-surface/2022-05-21T18:00:00Z
A111.jpg
 

Meninodasnuvens

Cumulus
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Carvalhais de Baixo, Coimbra
O ARPEGE acentuou o risco de trovoadas no Sábado. O algoritmo que utilizamos no BW mede essencialmente o potencial convectivo a partir dos gradientes de densidade entre os níveis baixos e os níveis médios, tendo em conta também parâmetros dinâmicos para avaliar a intensidade e cobertura espacial da actividade.

Neste momento ainda há incerteza mas as runs têm mostrado cenários interessantes.

https://bestweather.org/mapas/carta...al-atlantic/bwsi-surface/2022-05-21T18:00:00Z
Ver anexo 1596
E essas trovoadas serão secas ou com chuva?
 

Snifa

Furacão
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Porto-Marquês:145 m Mogadouro:749 m

Tempo Quente em Portugal Continental Dias 19 a 22 de Maio

Informação Meteorológica Comunicado válido entre 2022-05-18 17:37 e 2022-05-21 23:40.

Tempo Quente em Portugal Continental Dias 19 a 22 de Maio.

O estado do tempo nos próximos dias será condicionado pela advecção de uma massa de ar quente sobre o território continental associado a uma corrente de sul, resultando num aumento gradual de temperatura entre quinta-feira (19 de maio) e sábado (21 de maio). Nesta circulação ocorrerá também o transporte de poeiras do norte de África, em níveis médios e altos da troposfera, que deverá afetar o território nos dias 20 e 21, com possibilidade de redução de visibilidade.

Assim, prevê-se que sábado seja o dia mais quente, tal que a temperatura máxima deverá variar entre 25 e 35°C na generalidade do território e pontualmente poderão atingir-se valores de 35 a 38°C nas regiões dos vales do Guadiana, do Tejo e do Douro, apresentando-se estes valores acima da normal climatológica pa ra a época do ano, na ordem de 3 a 10°C. A temperatura mínima neste período irá manter elevada nas regiões do Sul e do interior Norte e Centro, na ordem dos 18 a 21°C. Prevê-se para domingo (22 de maio) uma descida significativa da temperatura máxima, associada a um fluxo do quadrante oeste.

Devido à aproximação de uma depressão à Península Ibérica a partir de dia 21, teremos condições para instabilidade, em especial nas regiões do Norte e Centro, com a possibilidade de ocorrência de aguaceiros, por vezes acompanhados de trovoada, e que em alguns locais poderá ser trovoada seca.

Neste período, o perigo de incêndio irá aumentar gradualmente até dia 22 de maio, apresentando os valores mais elevados no interior Norte e Centro e no Algarve.Para recomendações na área da saúde deverá consultar o site da Direção-Geral da Saúde:http://www.dgs.pt/

Para mais detalhes sobre a previsão meteorológica para os próximos dias consultar: http://www.ipma.pt/pt/otempo/prev.descritiva/ http://www.ipma.pt/pt/otempo/prev.significativaPara detalhes sobre os avisos meteorológicos emitidos consultar:http://www.ipma.pt/pt/otempo/prev-sam/


Qua, 18 Mai 2022 17:37:34
 

stormy

Super Célula
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7 Ago 2008
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E essas trovoadas serão secas ou com chuva?
Pouca chuva ( salvo alguma coisa localizada ) e bastante potencial para vento...más noticias. Já na 6ª poderá aparecer qualquer coisa mas Sábado teremos ao que parece uma linha com maior potencial a entrar pela região sudoeste/vale do Tejo em direcção a nordeste que cruzará todo o norte e centro do longo das horas centrais do dia e até ao inicio da noite.