Referendo sobre a permanência na UE no Reino Unido

Sendo muito mau para os interesses portugueses nesta altura é mais que óbvio que o referendo tem de ser anulado.

os vencedores demitiram-se todos e ninguém quer ser primeiro ministro do brexit.
 
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O RU já deveria ter dado início no dia a seguir ao referendo aos procedimentos necessários à saída da UE, cumprindo democraticamente a vontade da maioria do povo britânico.
Mas, pelos vistos, a convocação do referendo foi uma mera jogada política, uns para se manter no poder, outros para se aproximar dele...
O Brexit era um mero pormenor neste jogo...
 
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O cenário político no RU parece digno dos tempos do Império Romano, tal é a enormidade das intrigas e traições em curso.

Michael Gove traiu David Cameron ao apoiar o Brexit e convenceu Boris Johnson a fazer campanha pelo Brexit. Gove é próximo de Murdoch e a mulher trabalha no Daily Mail, além de se mover bem na Casa Real e no Partido Conservador. Depois da vitória do Brexit, Boris Johnson conveceu-se que seria Primeiro Ministro. Mas parece que Murdoch e Paul Dacre não confiavam nele. Boris segundo próximo era afinal a favor do Remain e estava a contar com a derrota do Brexit. E depois do referendo suavizou o discurso sobre a UE.

Hoje Boris ia anunciar a candidatura à liderança dos Tories e a PM. E o que faz o amigo Gove? Dá a facada nas costas, antecipa-se e apresenta a sua candidatura, a de Michael Gove, à liderança dos Conservadores. Isto são más notícias para a Europa, para o Reino Unido e para Portugal.



Resta uma esperança. Que a Theresa May, que é da ala moderada menos eurocéptica vença e seja PM. Com ela poderemos contar com um acordo «à norueguesa» e uma boa relação entre o RU e a UE. Com Gove não. O RU ficará na mão de Murdoch e dos barões da comunicação social. Esta enredo político ficará seguramente para a História.
 


Global woes will delay UK interest rate rise until 2020, say analysts

https://www.theguardian.com/busines...delay-uk-interest-rate-rise-2020-bank-england

2016? Sim. Junho? Não. Fevereiro. Os problemas já estavam presentes muito antes do agravamento dos sintomas (brexit).

A bolsa já recuperou. Certamente com muita ajuda dos bancos centrais e compadres. Os traders também contam que os bancos centrais estarão sempre disponíveis para salvar os mercados. Porque nada de desastroso pode acontecer pois não? Toda a gente sabe o que acontece se os bancos centrais não estiverem no controlo. Mas esta realidade não poderá manter-se para sempre.

Entretanto os bancos italianos estão no centro das preocupações. Estiveram mal até agora. Só que a certa altura o lume branco começa a queimar.

 
David Cameron warns Britain will quit the EU if federalist gets the top job (2014)

http://www.dailymail.co.uk/news/art...ning-Britain-quit-EU-federalist-gets-job.html

Mal sabia ele... Hehehehe.

David Cameron was accused of blackmail last night after warning Britain could quit the EU if an arch-federalist is appointed to head the European Commission.

The Prime Minister voiced his opposition last week to the prospect of Jean-Claude Juncker being appointed to the role, warning it would enrage Eurosceptic voters across Europe.

Yesterday it emerged that he had gone further in private, reportedly telling German Chancellor Angela Merkel it could lead to Britain’s departure from the EU.

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Toda a gente sabe que o Juncker não mente com os dentes todos sempre que for preciso. Hehehehe.
 
Última edição:
Fala-se em adiar a carta que desencadeia o artigo 50 para o final de 2017, para depois das eleições na Alemanha e em França.

Ninguém tem um plano para o Brexit e ninguém sabe o que há-de fazer.

Farage já se afastou e Boris também. Gove em breve «salta fora». Priti Patel? Nem se vê. As caras do Brexit estão a desaparecer dos holofotes. A democracia às vezes também é isto.

Entretanto parece que no país de Gales a opinião pública virou e agora querem Remain. Mas quem confia mais em sondagens sobre referendos?

Existem indícios de que no Norte de Inglaterra começam também a temer pelos empregos e já há algum arrependimento...

Mas um referendo é coisa para uma geração, portanto também já não faz sentido voltar atrás.

Ficam aqui muitas lições para outros países sobre a questão dos referendos.

Entretanto toda esta incerteza sobre o modelo de acordo entre a UE e o RU será nefasta para o nosso turismo, para os nossos emigrantes e para as nossas empresas exportadoras.

Como uma guerra dentro dos Tories e um populista incendiaram a Europa e estão a deixar muitos milhões de europeus sem respostas para o seu futuro...
 
Não sei se será um caso único no mundo , mas é provável que seja. Após a realização de um referendo , em vez de se iniciar o procedimento para a execução do resultado, ficar à espera das eleições Na Alemanha e Franca, de eleições internas, da banda passar, ficar à espera de qualquer coisa...

O RU tem que ter cuidado. Dar ouvidos aos anarco - populistas é um pequeno passo para a ingovernabilidade.

Ao contrário do que dizem a extrema esquerda e extrema direita ( nos dias que correm são a mesma coisa) , nem a UE vai ficar melhor nem o RU vai ficar melhor.
 
Não sei se será um caso único no mundo , mas é provável que seja. Após a realização de um referendo , em vez de se iniciar o procedimento para a execução do resultado, ficar à espera das eleições Na Alemanha e Franca, de eleições internas, da banda passar, ficar à espera de qualquer coisa...

O RU tem que ter cuidado. Dar ouvidos aos anarco - populistas é um pequeno passo para a ingovernabilidade.

Ao contrário do que dizem a extrema esquerda e extrema direita ( nos dias que correm são a mesma coisa) , nem a UE vai ficar melhor nem o RU vai ficar melhor.

O referendo não é vinculativo, apenas consultivo.

Não tenho a certeza mas acho que foi na Irlanda que consultou-se a população, a propósito do Tratado de Lisboa, e em que votaram contra mas depois, mais tarde, fizeram um segundo referendo com resultados diferentes. Mas não me recordo como foi enfrentada essa questão de fazer um novo referendo e quanto tempo depois do primeiro.
 
Sim, vinculativo. Mas a principal candidata ao Partido Conservador já se comprometeu com a saída. A única forma de dar a volta ao resultado seria convocar novas eleições, coisa que para já não está no horizonte.

A Irlanda repetiu o referendo após concessões. Com concessões e um ano ou dois de crise provocada pela incerteza já se justificaria outro referendo. Contudo duvido que haja concessões com o Hollande no poder. E que concessões seriam essas? Provavelmente um travão à emigração da Europa de Leste, a proposta inicial do Cameron de haver um período de 4 anos no país até se ter acesso total aos subsídios do Estado Social.

Ao contrário do que sucede em Portugal no Reino Unido há regularmente estudos de opinião muito complexos, há semanalmente sondagens que tentam apurar a opinião do público sobre diversos temas, com questionários razoavelmente elaborados por quem percebe da poda. Os partidos fazem estudos privados, a opinião política anda muito ao sabor do que estes estudos dizem para ganharem votos do Centro. Como os estudos dizem que a Imigração é importante para a opinião pública, será certamente um tema quente neste processo.

Se bem que quem tornou a imigração um problema foi a comunicação social tablóide, a verdade é que a UE se pôs a jeito com a forma como lidou com a questão dos refugiados.