Da mesma forma que não nos devemos esquecer que as cheias irão sempre acontecer um dia e não devemos ter infraestruturas em certos locais, também não nos devemos esquecer que este excesso de água a sul é excepcional, talvez algo que só ocorra 3 ou 4 vezes numa geração.
Não vá alguém tomar isto como garantido e esquecermos que as secas a sul serão sempre muito mais frequentes que estes períodos excepcionais de abundância de água.
De certa forma nos últimos tempos quando se fala que a depressão x ou y causou inundações é um conceito errado, é um acumular de muitas depressões.
E por exemplo nalgumas regiões, Algarve por ex., foram precisos vários anos e inúmeras depressões, frentes e células para repor os níveis de água nos lençóis freáticos.
E certamente muitos dos mais veteranos deste fórum sabem que o nosso clima tem muita variabilidade interanual, mas uma sequencia de vários anos favoráveis em termos de chuva, excluindo o noroeste, é uma coisa rara e aparentemente com tendência a rarear mais. E mesmo num litoral norte e centro mais ano menos ano deve cair uma seca, nunca são tão graves obviamente, mas também faz parte do nosso clima isso acontecer de vez em quando. Talvez esteja aí ao virar da esquina num dos próximos anos.
E agora que estamos no pico de uma fase, se calhar é boa altura para pensar em como medir e acompanhar melhor os níveis desses reservatórios subterrâneos, de modo a perceber melhor o rumo dessas secas invisíveis que não vemos nem medimos com muita exatidão.
Há certas coisas que me fazem um bocado de confusão, como por ex. a multiplicação de furos de grande profundidade, mais de 100 metros, até em regiões onde não falta propriamente água, litoral centro que conheço, e por vezes só por causa de uns jardins bonitos com relvado e piscina. Por vezes há verões quentes e secos e tenta-se contrair dessa forma, acho errado, pois esses verões são normais no nosso clima. Antigamente havia imensos poços, mas eram coisas com menos de 10 metros.
No sul então nem falo.
A sociedade, toda, não é defeito nosso, é geral, tende a discutir de forma vertiginosa os assuntos quando algo está a decorrer, para depois cair no esquecimento poucas semanas ou meses depois.
Intermináveis dias de discussão, emissões continuas das televisões, centenas artigos nos jornais, mas se calhar devemos discutir mais as coisas quando não acontecem.
Acho que quando há inundações é uma boa altura para pensar nas secas.