Sismos Portugal 2019

Tópico em 'Sismologia e Vulcanismo' iniciado por fablept 4 Jan 2019 às 11:10.

  1. luismeteo3

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    Furacão

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    Bem, vamos por partes. O ambiente geodinâmico dos Açores é bem conhecido e marcado pela formação de crosta oceânica basáltica no RIFT e por secções de grandes falhas transformantes perpendiculares a este, algumas destas que se estendem até ao Mediterrânico. Associado a este ambiente ocorre vulcanismo dando origem ás ilhas dos Açores e a vários grupos de montes submarinos. Também ocorre uma sismicidade elevada e frequente como é exemplo o grande sismo de M7.2 a 1 de Janeiro de 1980 provocando várias dezenas de mortos.

    O ambiente geodinâmico na plataforma continental do nosso país já não é tão bem conhecido nem estável como se pensava. Ainda existe grande controvérsia entre os especialistas sobre a origem de tão grande sismicidade.
     
    MSantos, vamm, Wessel1985 e 5 outras pessoas gostaram disto.
  2. luismeteo3

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    Furacão

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    O ambiente geodinâmico que enquadra a nossa plataforma continental é mesmo complexa e tal como eu já referi anteriormente pode estar a sofrer um fenómeno de subducção nos estados iniciais. Esta notícia fala sobre isso.

    Algo estranho está a acontecer na costa portuguesa. E pode encolher o oceano

    Um terramoto em 1969 acendeu a polémica sobre o mapa tectónico da costa portuguesa. Agora, novas pistas denunciam que a parte inferior da placa tectónica do litoral de Portugal está a deslizar e a afastar-se do seu topo, numa ação continuada que pode fornecer a faísca necessária para que uma placa afunde em relação à outra. Por outras palavras, o Atlântico está a encolher.

    Em 1969, uma extensão subaquática aparentemente calma da costa portuguesa gerou um enorme terramoto que fez tremer a linha onde a terra acaba, e provocou um tsunami que foi como o mar que começa sobre a superfície de terra. Esta zona tem sido um mistério por resolver, sobretudo para João Duarte, geólogo marinho do Instituto Dom Luiz da Universidade de Lisboa, que se dedica, há anos, a perceber o puzzle geológico entre as duas peças: terra e mar, num encaixe tumultuoso.

    Só agora, 50 anos depois do fenómeno, João Duarte acredita ter a resposta, conforme explicou à National Geographic . A parte inferior da placa tectónica do litoral de Portugal parece estar a deslizar e a afastar-se do seu topo, numa ação continuada que pode fornecer a faísca necessária para que uma placa afunde em relação à outra. Por outras palavras, pode estar a nascer uma zona de subducção, como denunciam simulações de computador apresentadas na União Europeia de Geociências.

    "Não havia falhas conhecidas, cartografas naquela zona e o que descobrimos foi que existe uma estrutura enterrada, em profundidade, que não tem expressão à superfície mas está lá. Conseguimos visualizá-la pela primeira vez", desvela o cientista, em declarações à TSF.

    A investigação da Universidade de Lisboa pretendia localizar a fonte do sismo de 1755. O geólogo sublinha que no século XVIII não havia registos, mas o sismo de 1969 foi registado por sismógrafos, e tudo indica que poderá estar aqui a fonte dos sismos na costa portuguesa. "Se esta estrutura que agora identificamos foi a fonte do sismo de 1969 poderá será também a de 1755. Não temos evidências robustas que o suporte, mas é um passo lógico pensar que aquela poderá ser a estrutura que está a gerar os grandes sismos naquela zona", anuncia o investigador português.

    Se tal for confirmado, a investigação de João Duarte constituiria a primeira vez que uma placa oceânica é monitorizada em pleno ato de rutura. Mas, acima de tudo, a revelação de um segredo das profundezas do oceano traz à tona uma verdade preocupante: um dos primeiros estágios do encolhimento do Atlântico, o que coloca a Europa em rota de colisão com o Canadá, como previsto anteriormente por alguns modelos de tectónica.

    É um puzzle para compreender melhor, mas também "é certamente uma história interessante", diz Fabio Crameri, da Universidade de Oslo, que não fez parte da equipa de pesquisa, mas que participou na palestra do geólogo da Universidade de Lisboa. João Duarte apresentou alguns argumentos fortes, segundo Crameri, mas o modelo precisa de mais testes, o que não é uma tarefa fácil quando os dados recolhidos provêm de um processo natural que funciona à velocidade do crescimento das unhas.

    "Talvez esta não seja a solução para todos os problemas. Mas acho que temos algo novo aqui", frisa o geólogo marinho português.

    As placas tectónicas da Terra movem-se constantemente numa marcha lenta, uma dança em que algumas peças colidem e outras se separam. Pelo menos três vezes na história de 4,54 bilhões de anos do planeta Terra, as massas terrestres aglomeraram-se em poderosos supercontinentes, apenas para eventualmente reverter o processo e desfazer ligações novamente. As zonas de subducção são as principais forças motrizes por detrás de uma correia tectónica que puxa a crosta oceânica e o manto superior até à profundidade, o que leva a uma reciclagem das rochas e a uma deslocação de continentes.

    Cerca de 90% da atividade sísmica mundial é despoletada numa cadeia desconexa de zonas de subducção que delineia o chamado anel de fogo, um arco ao redor do Oceano Pacífico, da ponta sul da América do Sul até à Nova Zelândia. Contudo, a Península Ibérica está bem longe desta pista de dança, mesmo do outro lado do mundo, a tocar o Oceano Atlântico. Aqui, as placas separam-se no centro do oceano, e formam uma nova crosta. As extremidades das massas terrestres em redor transitam do continente para o oceano num só movimento.

    A situação da Península Ibérica, no entanto, é um pouco mais complexa. As placas euro-asiática e africana arrastam-se maioritariamente para leste. Aqui, no centro do mistério geológico, uma ligeira torção no movimento da placa africana esmaga a placa eurasiática para norte. Ainda assim, não seria de esperar, segundo os cientistas, que grandes tremores de terra atingissem a costa de Portugal. Por isso, ao longo dos anos, reuniões têm sido realizadas por diversos investigadores para explicar as pontas soltas de um encaixe quase perfeito.

    "Este foi principalmente um trabalho de ligar os pontos", explica João Duarte sobre as pesquisas mais recentes. E um dos primeiros pontos em questão foi a localização incomum do epicentro do terramoto de 1969: uma extensão inexpressiva conhecida como a planície abissal da Ferradura. Nesta região, não há sinais óbvios de falhas, paisagens contorcidas ou montanhas submersas, características que apontam para danos tectónicos.

    A investigação com ultrassom identificou uma curiosa massa densa que se estendia diretamente a partir do local onde o terramoto de 1969 ocorreu. Outras análises sugeriram que esse ponto poderia ser o início de uma zona de subducção.

    No entanto, nenhum vestígio de tal zona permaneceu na superfície, o que levou João Duarte a inicialmente presumir que o corpo estranho era uma leitura falsa. Isso mudou em 2018, quando Chiara Civiero, pesquisadora de doutoramento do Instituto Dom Luiz da Universidade de Lisboa, e colegas da mesma equipa publicaram uma experiência exploratória de alta resolução na terra nesta região, e... A bolha invulgar deu provas de ali estar.

    "Agora temos 100% de certeza de que está lá", assevera o geólogo marinho. Outros cientistas descobriram que, acima desse corpo profundo, que se estende a 155 milhas [250 quilómetros] abaixo da superfície, a terra tremia.

    A chave, refere João Duarte, provavelmente reside numa camada aparentemente inócua no meio da placa tectónica. Trabalhos anteriores sugeriram que a infiltração de água através de uma rede de fraturas na placa oceânica reagira com as rochas abaixo da superfície, transformando-as em minerais verdes suaves num processo conhecido como serpentinização. Os cientistas acreditam que o fenómeno tectónico pode ser comum sob espessas placas continentais através de um mecanismo ligeiramente diferente, e, possivelmente, até mesmo em antigas zonas de subducção, mas nunca foi anteriormente registado em placas oceânicas primitivas.

    A denominada Planície Abissal da Ferradura, situada a 250 quilómetros a sudoeste do Cabo de São Vicente, está na origem do sismo de 1969 e tudo indica que também estará no de 1755. Esta descoberta geológica "permite perceber que tipo de sismo aquela estrutura pode gerar, o quão grande e podemos fazer uma previsão muito mais informada do tipo de sismo que podemos ter na nossa margem", conforme esclarece João Duarte à TSF.
    https://www.tsf.pt/sociedade/ambien...uguesa-e-pode-encolher-o-oceano-10868239.html

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  3. Wessel1985

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    E depois de uma ligeira pausa voltam os sismos sentidos no triângulo ...

    Sismo sentido nas ilhas do Faial e do Pico


    O Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) informa que às 02:53 (hora local = hora UTC-1), do dia 27 de novembro foi registado um evento com magnitude 3,8 (Richter) e epicentro a cerca de 31 km a W do Capelo , ilha do Faial.

    De acordo com a informação disponível até ao momento o sismo foi sentido com intensidade máxima IV (Escala de Mercalli Modificada) em Capelo e Castelo Branco (concelho da Horta, ilha do Faial). O evento foi ainda sentido com as seguintes intensidades:

    Faial
    • III/IV nas freguesias de Cedros, Salão, Feteira, Pedro Miguel, Praia do Almoxarife, Matriz e Angústias (concelho da Horta);


    Pico
    • III na freguesia de São Roque do Pico (concelho de São Roque do Pico).

    O CIVISA continua a acompanhar o evoluir da situação.


    Fontes

    CIVISA/IVAR
     
    #183 Wessel1985, 27 Nov 2019 às 11:06
    Última edição: 27 Nov 2019 às 12:12
    luismeteo3 e algarvio1980 gostaram disto.
  4. Wisemaps

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    Hum! Estes sismos são bem profundos


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  6. luismeteo3

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    Pois são, e têm sido frequentes desde a uns tempos para cá...
     
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  7. Wessel1985

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    Já há algum tempo que não havia sismos nesta zona mas cá fica um sentido hoje por ali para destoar um pouco da crise sísmica a oeste do Faial ...

    Sismo sentido na ilha de S. Miguel


    O Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) informa que às 14:51 (hora local = hora UTC-1), do dia 29 de novembro foi registado um evento com magnitude 2,2 (Richter) e epicentro a cerca de 2 km a SSW de Povoação, ilha de S. Miguel.
    De acordo com a informação disponível até ao momento o sismo foi sentido com intensidade máxima III/IV (Escala de Mercalli Modificada) na freguesia de Povoação (concelho de Povoação, ilha de S. Miguel). O evento foi ainda sentido com intensidade III nas freguesias da Ribeira Quente e das Furnas (concelho de Povoação, ilha de S. Miguel).
    O CIVISA continua a acompanhar o evoluir da situação.


    Fontes

    CIVISA/IVAR

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  8. Wisemaps

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    Actividade intensa nas nossas ilhas.


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    Embora o IGN tivesse marcado 4.0 (-), o EMSC 3.0 (30km) e o IPMA 2.1 (21km)
    Qual será a razão para estas discrepâncias?
     
  9. fablept

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    O IPMA tem a sua rede de sismometros como o IGN tem a sua, logo ambas deverão fornecer diferentes magnitudes (mas aproximadas), mas como o sismo foi perto da ilha da Madeira, em teoria a magnitude mais fiável será do IPMA, visto que os sismometros do IGN mais próximos do sismo estarão nas Canárias.

    O EMSC não tem uma rede de sismometros, apenas disponibiliza dados fornecidos pelas diferentes entidades de cada país, neste sismo, quem forneceu os dados foi o IPMA e o IGN
    https://www.emsc-csem.org/Earthquake/earthquake.php?id=809123#providers
    Agora o cálculo de magnitude do EMSC, visto que tem diferentes fontes (IPMA, IGN) deverá fazer uma média entre as fontes.

    Entretanto o IPMA actualizou para 2.6, o que deve ter sido revisto por um sismólogo, mas mesmo assim acho pouco, visto que as ondas P e S foram registadas pelo IGN a cerca de 500km (https://www.emsc-csem.org/Earthquake/earthquake.php?id=809123#scientific), e acho muito dificil isso acontecer para um sismo de Ml2.6. Concordo que há uma grande discrepância entre as duas magnitudes.

    Os parâmetros dos sismos são calculados automaticamente e depois de revistos por um sismologo é que serão oficiais..mas hoje é domingo, poucos sismólogos a trabalhar..
     
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  10. Wisemaps

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    "Microsismo" hoje às 01:23:01 (hora dos Açores) em São Miguel com MAGNITUDE 1.4, cerca de 1 km a SSW da Povoação, ilha de S. Miguel.

    ⚠️-->Segundo o CIVISA, o sismo foi sentido com intensidade III na Povoação (São Miguel)

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  11. Wessel1985

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    Bem ... agora que parece termos uma aparente acalmia na crise sísmica a Oeste do Faial eis que regressam os sismos sentidos em outro local já habitual no que a estas situações diz respeito ...

    Penso que no Séc. XXI são os dois spots mais quentes no arquipélago no que diz respeito a sismos sentidos

    W do Faial e SSW da Povoação/Lagoa do Fogo/Congro


    Curiosamente o Banco D. João de Castro que no fim do século passado teve algumas crises significativas tem estado bastante calmo nestes quase primeiro terço de século.
     
    MSantos, algarvio1980 e luismeteo3 gostaram disto.
  12. lserpa

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    E houve também uma (erupção não confirmada (1997)) [​IMG]


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  13. Açor

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    Há tempos também ouvi qualquer coisa relacionada com o nascimento de uma "nova ilha" entre Terceira e São Miguel, e que num futuro também eventualmente acabaria por unir estas 2 ilhas numa só ilha de enormes proporções.
    Não sei até que ponto esta tese é válida, mas o facto é que o vulcanismo de algumas ilhas ainda está em contínua mudança.
     
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  14. Wessel1985

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    Lembro-me bem desta crise em concreto ... Foi a nível de sismos a experiência mais assustadora que tive desde a minha existência.

    Era a altura das festas municipais maiores da ilha, as conhecidas Sanjoaninas e lembro-me de às 13 horas sentir um sismo de grau V que estremeceu a casa toda e fez um barulho ensurdecedor vindo das entranhas da terra ... Deu para entender o que é sentir um sismo e nem quero imaginar o que será sentir um de grandes dimensões ...

    Nesse mesmo verão fomos como habitual passar as férias na nossa terra natal, a ilha do Faial ... e passou um camião na rua e julguei que era outro sismo ...

    Mal poderíamos imaginar o que se iria passar no ano a seguir em 1998 ... Geralmente estava na ilha de férias por essa altura mas nesse ano fiquei na Terceira com o meu pai o que não era habitual mas fez-me escapar de sentir o grande sismo de 98 na ilha azul ...

    Ainda fui no fim de Agosto dois dias ao Faial e demos a volta à ilha ...

    Foi dantesco passar pelos Espalhafatos e ver toda aquela destruição ...

    Foi um fim de século muito animado no que a estes eventos diz respeito ... a seguir houve a erupção submarina na Serreta onde lembro-me de ir ver o vulcão com os binóculos ... mas foi uma erupção pacífica e sem qualquer tipo de problema para as populações ... Que todas possam continuar a ser assim ...
     
  15. luismeteo3

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    Não imagino o que terá sido o grande sismo de Janeiro de 1980. Quando visitei o Pico e a Terceira percebi por conversas com populares o trauma que muita gente ainda tem, pelos mortos e grande destruição que causou...
     
    MSantos, Wessel1985 e algarvio1980 gostaram disto.

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