Tornado em Carvoeiro, Lagoa e Silves – 16 de Novembro de 2012

algarvio1980

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Algarve/Mau tempo: Lagoa contabilizou 223 casos de danos, mas apenas 35 deverão ser apoiados

A Câmara de Lagoa contabilizou 223 casos de danos em habitações, edifícios e viaturas causados pelo mau tempo a 16 de novembro, mas apenas 35 participações deverão receber apoio estatal, disse hoje à Lusa o presidente da autarquia.

A apresentação de candidaturas para receber apoio do Governo termina a 31 de dezembro, estando a autarquia a ultimar agora os processos que serão depois encaminhados para a Segurança Social, referiu José Inácio.

No domingo assinala-se um mês do temporal que atingiu Lagoa e Silves, causando 13 feridos e inúmeros estragos em habitações, viaturas e equipamentos públicos, num valor total estimado em cinco milhões de euros.

Desde então, os técnicos da Câmara de Lagoa sinalizaram 91 casos de prejuízos relacionados com o temporal que não estão cobertos por seguro, dos quais 31 se referem a habitações, quatro a edifícios e 56 a viaturas.

Contudo, destes, apenas 35 - referentes às habitações e aos prédios - deverão ser objeto de apoio estatal, já que os 51 veículos particulares e os cinco de trabalho afetados pelo mau tempo não serão subsidiados, sublinhou José Inácio.

“O município fez o trabalho de campo, o trabalho técnico em termos de ação social e de urbanismo para validar preços e ver a necessidade das obras para que tudo seja controlado e transparente", referiu.

Segundo José Inácio, os apoios serão destinados a obras de reparação em habitações para uso permanente ou em partes comuns de edifícios urbanos e para a aquisição de equipamento doméstico, para que se mantenham os níveis de conforto das pessoas afetadas.

O presidente da Câmara de Lagoa adiantou ainda que todos os lesados estão a ser informados do processo, mesmo os que “por força do seguro ou do rendimento não serão apoiados", já que a maioria das habitações afetadas tem seguro.

No que respeita às viaturas danificadas, o autarca referiu que uma das formas de compensação previstas poderá ser a redução da Taxa Social Única (TSU) para as empresas afetadas.

Com o processo de candidaturas a terminar no final do mês, José Inácio acredita que os subsídios comecem a ser libertados em breve.

De acordo com uma resolução do Conselho de Ministros publicada há duas semanas, o apoio financeiro do Governo às vítimas do temporal no Algarve será atribuído consoante os prejuízos e a incapacidade de as famílias superarem a situação pelos seus próprios meios.

Há ainda um conjunto de condições excecionais para os municípios afetados, que em 2013 poderão, por exemplo, ultrapassar os limites de endividamento, mas apenas pelo valor necessário à contração de empréstimos para financiar intervenções que visem repor infraestruturas e equipamentos municipais atingidos.

Fonte: Região Sul

Isto é tudo muito bonito, quando passa o tornado aparecem todas as ajudas, mas depois vamos a ver e nem um 1/5 dos afectados vão ser ajudados. Em tempos de crise, onde muitas famílias abdicam dos seguros por carência económica, vem um fenómeno da natureza extremo e quem se lixa é o mexilhão. Tenho um amigo meu, que ficou com o carro novo todo partido, tinha seguro contra todos os riscos, mas a seguradora alega que não paga os estragos, porque ele fez o seguro acerca de 1 mês, tenho outro amigo que tem apenas o seguro de responsabilidade civil e o seguro paga o estrago do carro. E esta hein :huh:....
 

algarvio1980

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Algarve: Vítima estava internada no Hospital de Portimão

Morre mulher ferida no tornado


Maria Filomena Teixeira estava numa caravana, em Silves, quando o tornado de 16 de Novembro a fez ‘voar’ vários metros dentro da viatura. Esteve mais de um mês hospitalizada e foi submetida a várias cirurgias, mas não resistiu. Morreu no Hospital do Barlavento, em Portimão.

O tornado danificou habitações, virou automóveis e autocaravanas e derrubou árvores em Carvoeiro, Lagoa e Silves. Fez 13 feridos, três dos quais graves. Uma das vítimas foi Maria Filomena, de 50 anos que, ao que o CM apurou, sofreu várias lesões internas na zona abdominal. Esteve internada na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de Faro, onde foi sujeita a várias cirurgias, entre elas a remoção do baço. Antes do Natal foi transferida para o Hospital do Barlavento, em Portimão, onde "estava a recuperar de forma favorável", segundo fonte hospitalar. Mas o estado clínico complicou-se na madrugada de anteontem, e Maria Filomena não resistiu a uma paragem cardiorrespiratória.

"Foi uma surpresa. O presidente da câmara, Rogério Pinto, visitou a senhora no dia 3 e ela estava consciente", lamentou ao CM fonte da autarquia de Silves. O funeral realizou-se ontem em Portimão.

Fonte: CM

Passados mais de 1 mês, o tornado ainda acabou por fazer 1 vítima. :(
 

ecobcg

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Através da Dr.ª Paula Leitão do IPMA, tive acesso a um relatório por ela realizado, que será publicado brevemente, e que tem como tema "TORNADOS OCORRIDOS NO ALGARVE NO DIA 16 NOVEMBRO 2012".

Uma vez que ainda não foi publicado no site do IPMA, não o posso disponibilizar aqui, mas posso fazer uma breve referência às conclusões do mesmo, que não deixam de ser muito interessantes. Nesse dia, houveram 3 tornados e uma tromba de água no Algarve (factos que até já tinham sido discutidos no tópico):

...
IX Conclusões

No dia 16 de Novembro de 2012 ocorreram 3 tornados no barlavento Algarvio (um com intensidade F3/T6, outro F1/T3 e o terceiro F1/T2) e um tornado sobre o mar. Houve ainda outras notícias de danos devido a rajadas de vento forte, não tendo sido possível identificar um fenómeno meteorológico que estivesse na sua origem. A figura 11 mostra os locais destas ocorrências.

O tornado de Silves foi o mais importante, classificado como F3/T6, teve forte impacto sobre a população. Formou-se sobre o mar movendo-se para norte e atingindo terra pelas 13:20 UTC, cerca de 1000 m a oeste da Praia do Carvoeiro, concelho de Lagoa, distrito de Faro e deslocando-se até São Marcos da Serra, concelho de Silves, no mesmo distrito, seguindo um trajeto de destruição com uma extensão total de cerca de 31 Km e uma largura estimada em cerca de 100m a 300 m. O trajeto sobre água deverá ter sido de, pelo menos, 7 km.

O tornado de Alvor, classificado como F1/T3, teve também algum impacto na população. Formou-se sobre o mar e entrou em terra pelas 14:10 UTC na Praia de Alvor, concelho de Portimão, distrito de Faro. Atravessou a povoação segundo uma trajetória de sul para norte em zig zag, percorrendo cerca de 2 km em terra.

O tornado de Paderne, classificado como F1/T2, quase não teve impacto sobre a população. Formou-se sobre terra pelas 10h40, e evoluiu com uma trajetória de sul para norte em zig zag, atravessando terrenos rurais. Percorreu cerca de 2,4 km.

O tornado que se formou sobre o mar pelas 10h50, cerca de 1 km a leste de Carvoeiro, com trajetória de sul para norte, dissipou-se antes de entrar em terra, não causando danos.

Neste dia havia uma situação sinóptica de instabilidade em ar quente e húmido, organizada na circulação de uma depressão com o núcleo principal centrado a oeste de Lisboa, com perfil vertical do vento que evidenciava veering na camada 0 – 3 km, sendo notória a intensificação do vento logo aos 2000 m de altitude. A previsão de precipitação e vento forte justificou a emissão de avisos meteorológicos para o Distrito de Faro, que foram verificados. O ambiente sinóptico em que os fenómenos se desenvolveram é semelhante ao que tem sido associado a alguns dos fenómenos deste tipo reportados/estudados no passado, sendo frequente a ocorrência de mais do que um tornado no mesmo dia que, com este trabalho, fica documentada.

Os tornados de Silves, Alvor e Paderne estiveram associados a estruturas do tipo supercélula observadas pelo radar de Loulé/Cavalos do Caldeirão, e que deram origem a avisos radar do tipo ROT. Pelo contrário, a estrutura que originou o tornado que se formou sobre o mar não foi detectada automaticamente, pelo que não gerou o aviso ROT, embora a análise subjetiva permita identificar uma estrutura do tipo supercélula de dimensões e tempo de vida muito pequenos.

Para estudo deste tipo de ocorrências, a visita ao local é o que melhor permite identificar os pormenores necessários para caracterizar o fenómeno, em particular a intensidade e trajetória. Na impossibilidade de despender o tempo necessário para a deslocação e para o trabalho de campo (que pode ser bastante moroso para percorrer uma trajetória de dezenas de quilómetros) o método já utilizado várias vezes pela autora em casos anteriores - telefonar para estabelecimentos comerciais no local (em particular cafés e restaurantes), e para os serviços públicos (Câmara Municipal, Bombeiros, Junta de Freguesia, Gabinete Municipal de Proteção Civil, GNR, etc.) - permite confirmar a veracidade dos relatos e, em alguns casos, encontrar informação suficiente para caracterizar o fenómeno e avaliar sua intensidade e trajetória. A visualização das imagens disponíveis na televisão e na internet é fundamental, já que são testemunhos recolhidos imediatamente depois da ocorrência, em alguns casos do próprio fenómeno, sendo também muito úteis na preparação do trabalho de campo.

Numa situação meteorológica adversa os danos causados por eventos extremos e os relatos da população são confusos, sendo difícil distinguir o fenómeno meteorológico que os origina. No entanto nos diversos testemunhos, e em particular nos encontrados nos vídeos disponíveis, verifica-se que o público já identifica corretamente um tornado. Verifica-se ainda que o impacto do tornado de Silves teve sobre a população fez diminuir a atenção dada a danos noutros locais, que teriam muito maior relevo noutras circunstâncias.

Numa perspetiva de previsão e aviso de fenómenos meteorológicos extremos, há que ter em conta a reação da população perante o que pode percepcionar como falso alarme. Neste caso, em que um aviso deste tipo, com 3 tornados ocorridos em terra teria sido justificado no Distrito de Faro, o caso de Paderne, sem consequências sobre a população, podia ser percepcionado como um falso alarme.

O relatório técnico dos tornados ocorridos no dia 16 de Novembro de 2012, é mais um contributo para estudo sistemático e arquivo da ocorrência de fenómenos meteorológicos extremos, que tem mostrado ser da maior importância para melhorar a resposta operacional do IPMA na previsão do tempo, em particular o Nowcasting em situações de tempo severo e a emissão de avisos meteorológicos.
 

ecobcg

Cumulonimbus
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E faz hoje 2 anos que este tornado assolou aqui a zona...
Deixo aqui um artigo publicado hoje:

Grupo de portugueses quer “caçar” tornados para mostrá-los em documentário inovador
POR SUL INFORMAÇÃO • 16 DE NOVEMBRO DE 2014 - 14:05

No dia 16 de Novembro de 2012 um tornado causou um rasto de destruição nos concelhos de Lagoa e Silves. Um fenómeno raro, mas que como esse dia provou pode acontecer em terras nacionais. Volvidos dois anos, há um grupo de cinco portugueses que quer aprofundar o seu conhecimento sobre tornados e que planeia ir aos Estados Unidos, ao chamado “corredor dos tornados” para fazer um documentário sobre este fenómeno meteorológico.

Em entrevista ao programa Impressões da RUA FM, em parceria com o Sul Informação, Bruno Gonçalves, um dos mentores do projeto explicou os objetivos da viagem aos Estados Unidos que são «pedagógicos» e uma das ideias é a de «desmistificar se agora há ou não mais tornados em Portugal».
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Segundo Bruno Gonçalves, este «será um documentário pioneiro em Portugal e onde se tentará conhecer as especificidades meteorológicas daquela zona ["corredor dos tornados", no estado de Oklahoma] e efetuar uma comparação com a realidade portuguesa, tentando perceber o que se poderá fazer em Portugal, de forma a melhorar as previsões e a prevenção da população para este tipo de situações».

O documentário «No Caminho dos Tornados», a dividir por 10 a 12 episódios, será gravado durante três semanas, em Maio de 2015. «Vamos numa primeira fase entrevistar meteorologistas profissionais das universidades locais e caçadores de tempestades conhecidos dos Estados Unidos. Vamos também contactar com as entidades policiais e a população para saber como estão preparados para esta realidade», explicou Bruno Gonçalves.

A ideia é «perceber aquela realidade para transportá-la para a realidade portuguesa e, depois encontrar com entidades oficiais que procedimentos podem ser alterados ou melhorados».

Para além das entrevistas, o grupo de cinco portugueses pretende «filmar todas as tempestades que se formarem durante o período que lá estivermos», para incluir também no documentário.

Os cinco “caçadores de tornados” portugueses são sócios fundadores da Troposfera, Associação Portuguesa de Meteorologia Amadora, criada em Abril passado.

Eles são o algarvio Bruno Gonçalves, de 36 anos, engenheiro de ambiente, Artur Rebelo Neves, de 38 anos, de Lisboa, formado em Tecnologias da Informação, Henrique Santos, 25 anos, da Charneca da Caparica, pós-produtor de vídeo num canal de televisão, Miguel Pereira, 32 anos, de Setúbal, que trabalha em Gestão e Valorização de Recicláveis, e ainda Saul Monteiro, 39 anos, de Lisboa, que trabalha numa empresa de catering para companhias de aviação.

Apesar de o plano da viagem estar feito, os fundos ainda estão em angariação numa campanha de crowdfunding disponível na internet até ao dia 27 de Novembro. O grupo precisa de 15 mil euros para a viagem, a dividir pelos bilhetes de avião, estadia, deslocações, alimentação e software.

Segundo Bruno Gonçalves, «com este valor [15 mil euros] dará para fazer um documentário em HD. Mas, se conseguirmos mais, já nos será possível fazer com ultra-definição, o que seria pioneiro em Portugal. Se correr mesmo muito bem, todo o dinheiro restante, que não utilizássemos, seriam para doar a um fundo para apoiar possíveis vítimas de tornados e outras catástrofes».

O crowdfunding na internet foi lançado no domingo passado, numa plataforma americana, e até disponível por 60 dias, até 27 de Novembro. Durante este período, quem quiser ajudar o quinteto da Troposfera a cumprir o seu sonho, pode doar desde 1 euro e receber, em troca, algumas recompensas. Para isso, basta ir ao site e ter uma conta PayPal ou um cartão de crédito. Em alternativa e se tiver apenas um cartão de débito (com o código de três números atrás no cartão), pode recorrer ao MBNet, de forma gratuita, para obter um cartão de crédito temporário.

Em último caso, pode realizar uma transferência para a conta da Troposfera, com o NIB 003507800002492663095, ou entrar em contacto com eles para arranjarem outra solução.

As recompensas por ajudá-los serão várias: «em troca, além do prazer em contribuírem para a realização do documentário, iremos oferecer algumas recompensas a todos os nossos apoiantes, desde fotografias em pleno “Corredor dos Tornados” autografadas pela equipa, T-Shirts do projeto, até à participação numa futura caçada de uma tempestade, a realizar com a equipa em Portugal».

Pode ler mais sobre Bruno Gonçalves e os projetos da Troposfera aqui.


http://www.sulinformacao.pt/2014/11...dos-para-coloca-los-em-documentario-inovador/