Tornados Lagoa de Albufeira, Sesimbra - 2 de Maio 2012

Duarte Sousa

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Bom, pelas fotografias, pelas imagens do Google Earth e do que ainda me lembro de quando lá estive (pouco mais de um mês), a "orientação" dos tornados são as seguintes:

tornado2d.jpg

tornado1.jpg


Prováveis localizações de onde foram tiradas as fotografias dos tornados (1-1º tornado; 2-2º tornado):


Pode não ser nada de relevante, mas pode ajudar ao "estudo" das localizações dos tornados (visto que a Lagoa de Albufeira foi o sítio de onde eles foram fotografados, e não onde ocorreram, penso).
 

Duarte Sousa

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Estive a trocar algumas mensagens com o autor das fotos, e ele enviou-me um provável trajecto da célula, baseado nos relatos e fotos:



Agradeço a colaboração ao "Escola Rui Meira".
 

Vince

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O meteorologista especializado na área de observação remota, Paulo Pinto, disse hoje à agência Lusa que pequenos tornados como o que hoje provocou danos materiais e um ferido ligeiro na Lagoa de Albufeira, Sesimbra, são relativamente frequentes em Portugal.

«Estes fenómenos ocorrem bastante mais do que aquilo que todos nós (eu, inclusive) temos noção, uma vez que são de muito pequena escala e, em geral, são tornados de nível reduzido, ou seja, F0 ou F1 (os primeiros dois níveis da Escala de Fujita Modificada), indicou Paulo Pinto.

O especialista confirmou que o que aconteceu hoje de manhã foi, tecnicamente, um tornado e sublinhou que poderá haver mais nos próximos dois dias.

«De facto, hoje de manhã, tivemos por volta das 12:00 locais (11:00 UTC) uma linha de instabilidade relativamente organizada na circulação de uma depressão localizada aqui no oeste da Península Ibérica, que transportava e ainda transporta na sua circulação ar polar marítimo modificado», explicou.

Este ar polar marítimo modificado «é caracterizado por algum conteúdo em água e alguma instabilidade», prosseguiu, adiantando: «No entanto, não foi daquelas situações em que tivéssemos grandes indícios da ocorrência deste tipo de fenómeno».

Segundo o especialista em meteorologia-radar, o que terá acontecido é que, «nos primeiros 1.500 a 3.000 metros de altitude, portanto numa camada baixa da atmosfera, uma certa variação do vento fez com que à corrente ascendente que normalmente alimenta e forma as massas nebulosas (as nuvens normalmente não tem movimento de rotação, são correntes apenas ascendentes, verticais) se juntasse a tendência para rodar».

Quando tal acontece, «toda a corrente ascendente que alimenta a nuvem roda, adquire movimento de rotação e transforma-se no tal mesociclone, que é uma zona de circulação organizada nos níveis médios da nuvem, e, em algumas condições, foi o caso de hoje, esse mesociclone pode produzir vórtices de menor dimensão, de menor escala espacial e que são os tornados», descreveu.

Na opinião de Paulo Pinto, «nos próximos dois dias, em que continua a depressão a noroeste da Península, não é impossível um fenómeno deste tipo afetar uma ou outra área do território nacional».

Em todo o caso, acrescentou, «são, em geral, tornados que afetam regiões extremamente diminutas e com um pequeno trajeto de destruição, às vezes centenas de metros».

E insistiu: «Em qualquer dia em que um destes tornados ocorra, podem, sob as mesmas condições meteorológicas, ocorrer mais».

Em Portugal continental já aconteceu: «Há dois anos, registaram-se dois ou três no mesmo dia - e digo dois ou três - com relatos reportados por pessoas que puderam circunstanciar o fenómeno e que depois foi analisado por técnicos do Instituto de Meteorologia».

«Não é todos os dias que ocorre um tornado. Podemos ter anos em que não ocorre nenhum e podemos ter mais vezes situações em que em poucos dias ocorrem vários porque a sua ocorrência depende muito de certas condições particulares que são difíceis de prever», sustentou.
http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/tornado-tornados-meteorologia-tvi24-tempo/1345337-4071.html