Torre Eólica danificada - Intensidade de vento

bartotaveira

Cumulus
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Boas.


A imagem que se segue é de uma Torre Eólica danificada no parque eólico da Serra da Padrela a cerca de 1004m de altitude e totalmente exposta a Oeste, no concelho de Vila Pouca de Aguiar.

Estas torres são das maiores instaladas no nosso país, tendo cerca de 80m de altura e pás com cerca de 40m (informações não totalmente confirmadas), e na foto talvez não seja perceptivel a sua envergadura.

A imagem foi recolhida no início de Janeiro, mas segundo relatos a torre foi danificada no temporal do dia 24 de Dezembro de 2013.







Localização:





A estação metereológica mais próxima é a minha, a cerca de 16km em linha recta, mas a apenas 780m de altitude.

Nesse dia a intensidade máxima de vento que registei foi de 117km/h.





O que acham que aconteceu aqui? Alguma rajada mais forte do que estas torres estão construídas para receber, ou apenas defeito de fabrico?

De notar que o parque tem cerca de 50 torres e mais nenhuma ficou danificada, além de que não notei árvores derrubadas por perto.

Alguém sabe qual a intensidade de vento necessário para fazer estes estragos numa torre sem defeitos?

Aguardo respostas! :)


Fiquem bem.
 

VimDePantufas

Nimbostratus
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10 Fev 2014
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Boas.


A imagem que se segue é de uma Torre Eólica danificada no parque eólico da Serra da Padrela a cerca de 1004m de altitude e totalmente exposta a Oeste, no concelho de Vila Pouca de Aguiar.

Estas torres são das maiores instaladas no nosso país, tendo cerca de 80m de altura e pás com cerca de 40m (informações não totalmente confirmadas), e na foto talvez não seja perceptivel a sua envergadura.

A imagem foi recolhida no início de Janeiro, mas segundo relatos a torre foi danificada no temporal do dia 24 de Dezembro de 2013.

Nesse dia a intensidade máxima de vento que registei foi de 117km/h.

Aguardo respostas! :)


Fiquem bem.

Pode não ter sido necessáriamente devido a vento, existem outras causas/hipóteses;
 

bartotaveira

Cumulus
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Se foi devido ao vento parece-me defeito de fabrico. Qualquer torre bem programada e construída, pára quando há vento a mais, usa os seus travões mesmo com ventos muito fortes.


Concordo que a causa mais plausível será uma falha na programação, talvez ela não tenha parado automáticamente, ou a própria pá qua partiu tivesse um defeito.

Mas imaginemos que a torre estaria a funcionar plenamente e sem avarias, qual seria a velocidade de vento necessário para partir a pá?
 

jonas_87

Furacão
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A 19 de Janeiro de 2013 (Gong), houve estragos em algumas pás de vários aerogeradores, ventos acima dos 220 km/h.
Na altura saíram algumas noticias sobre isso.

Neste caso, o membro LMCG é a pessoa indicada para falar sobre o assunto.
 

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Cumulus
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28 Dez 2009
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Boas,

Assumindo que a torre estava em bandeira, ou seja o parque não estava a produzir devido a vento em excesso, assumindo que esta pá específica estava mais alta tal como se encontra na foto, assumindo que a rajada máxima no local foram 120 km/h (medidos aos 10m), confiando que a torre tem 80m e as pás 40m, podemos aplicar a fórmula simplificada:

v1/v2=(z1/z2)^(1/7)

em que v1 é a nossa incógnita (por exemplo vento aos 80m);
v2 =120 km/h;
z1 são ou 80m ou os 120m (ponta da pá);
z2 = 10m.

Temos que aos 80m o vento terá atingido os 161,5 km/h (base da pá) e aos 120m terá atingido 171,1 km/h...

Ou seja foi claramente defeito de fabrico, 160-170 km/h não são nada!

Para ter uma noção esta quinta-feira tivemos aqui nos Açores ventos superiores a 230km/h aos 50m (as nossas torres tem +- essa altura)! Todos os nosso parques estavam em bandeira é lógico mas não tivemos absolutamente nenhum estrago! O último incidente que tivemos foi no dia 5 de Fevereiro no Corvo em que uma torre meteorológica foi derrubada pelo vento superior a 200km/h. Relativamente a outros incidentes são sempre menores, uma porta arrancada, um anemómetro danificado... temos parques desde a década de 80!

Para teres ainda mais noção, os anemômetros estão preparados para medir até 70m/s = 252 km/h logo as torres têm de aguentar muito mais.

Espero não ter sido confuso,
Luís Guilherme.
 

LMCG

Cumulus
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A 19 de Janeiro de 2013 (Gong), houve estragos em algumas pás de vários aerogeradores, ventos acima dos 220 km/h.
Na altura saíram algumas noticias sobre isso.

Neste caso, o membro LMCG é a pessoa indicada para falar sobre o assunto.

Também já tivemos problemas nas pás (exemplo: no antigo PE da Graciosa o travão de uma pá de uma das torres foi arrancado por vento +200km/h), mas nunca tivemos estragos como se vê na foto!
 
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bartotaveira

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Carrazedo de Montenegro (770m)
Boas,

Assumindo que a torre estava em bandeira, ou seja o parque não estava a produzir devido a vento em excesso, assumindo que esta pá específica estava mais alta tal como se encontra na foto, assumindo que a rajada máxima no local foram 120 km/h (medidos aos 10m), confiando que a torre tem 80m e as pás 40m, podemos aplicar a fórmula simplificada:

v1/v2=(z1/z2)^(1/7)

em que v1 é a nossa incógnita (por exemplo vento aos 80m);
v2 =120 km/h;
z1 são ou 80m ou os 120m (ponta da pá);
z2 = 10m.

Temos que aos 80m o vento terá atingido os 161,5 km/h (base da pá) e aos 120m terá atingido 171,1 km/h...

Ou seja foi claramente defeito de fabrico, 160-170 km/h não são nada!

Para ter uma noção esta quinta-feira tivemos aqui nos Açores ventos superiores a 230km/h aos 50m (as nossas torres tem +- essa altura)! Todos os nosso parques estavam em bandeira é lógico mas não tivemos absolutamente nenhum estrago! O último incidente que tivemos foi no dia 5 de Fevereiro no Corvo em que uma torre meteorológica foi derrubada pelo vento superior a 200km/h. Relativamente a outros incidentes são sempre menores, uma porta arrancada, um anemómetro danificado... temos parques desde a década de 80!

Para teres ainda mais noção, os anemômetros estão preparados para medir até 70m/s = 252 km/h logo as torres têm de aguentar muito mais.

Espero não ter sido confuso,
Luís Guilherme.


Excelente explicação!


Apenas um reparo: estes 117km/h de rajada que medi foi a cerca de 16km de distância da torre e a uma altitude de 780m, estando a torre a 1004m na sua base. A torre encontra-se numa elevação totalmente exposta a oeste depois do vale de Vila Pouca de Aguiar.

Está claro que apenas o vento desse dia não seria capaz de danificar a torre se esta não tivesse um defeito qualquer, mas dava para refazer as contas com estes dados? :)


Fiquem bem.
 

LMCG

Cumulus
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Excelente explicação!


Apenas um reparo: estes 117km/h de rajada que medi foi a cerca de 16km de distância da torre e a uma altitude de 780m, estando a torre a 1004m na sua base. A torre encontra-se numa elevação totalmente exposta a oeste depois do vale de Vila Pouca de Aguiar.

Está claro que apenas o vento desse dia não seria capaz de danificar a torre se esta não tivesse um defeito qualquer, mas dava para refazer as contas com estes dados? :)


Fiquem bem.

A que altura tens o anemômetro?
 

LMCG

Cumulus
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28 Dez 2009
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Está a cerca de 13m do chão (770 + 13).

Suponhamos que a torre de 80m estava ai em tua casa ;), então os 117 km/h passavam a 151,7 km/h aos 80m e 160,7 km/ aos 120m.

O facto do terreno estar mais exposto (junto a uma encosta) não sei calcular. O efeito da orografia é muito relevante e difícil de estimar... por isso instalamos torres meteorológicas pelo menos 2 anos antes de construirmos um parque para ter certezas.

No entanto, com base na minha experiência nos Açores e olhando para a orografia da tua região, como temos uma diferença de cerca de 224m em altitude, podes somar-lhe uns 15%-20% (os 16km não são muito relevantes).

Talvez tenha chegado então aos 175-185 km/h.

Por exemplo, na passada quinta-feira nas Base das Lajes na ilha Terceira mediram-se rajadas de 144km/h, enquanto que mesmo ao lado a 6km, no PE da Serra do Cume, mediram-se rajadas de 233km/h.
A diferença de altitude são 450m, na Base das Lajes o anemômetro está aos 10m no PE está aos 50m.
Pela fórmula se a torre estive-se na Base das Lajes deveria ter medido 181 km/h, no entanto mediu 233 km/h ou seja mais 28,7%!

Cumprimentos,
Luís Guilherme.